Análise de Livros Espíritas


ANÁLISE DE LIVROS ESPÍRITAS

A Análise de Livros Espíritas, feita por estudiosos da Doutrina Espírita, não tem como objetivo criar qualquer tipo de polêmica. Não!
O nosso intuito é acender uma luz vermelha de alerta, sobre o que lemos, em termos de literatura espírita, por que infelizmente há Autores e por extensão, Editoras que não se preocupam com a indispensável coerência doutrinária e divulgam informações distorcidas, redigidas em linguagem incompatível com a nobreza, a dignidade e a seriedade da Doutrina Espírita.

Postar os Artigos, não significa que eu concordo com tudo o que os críticos e/ou analistas escreveram. A ideia é lançar o contraditório, pois sempre é bom ouvir várias opiniões, antes de nos definirmos por alguma

Análise de Livros Espíritas

O objetivo deste trabalho é chamar a atenção dos Dirigentes de Centros, Livrarias e Clubes do Livro Espírita quanto à responsabilidade que assumem ao divulgarem informações distorcidas, redigidas em linguagem incompatível com a nobreza, a dignidade e a pureza doutrinária.



No Final da Última Hora, pelo Espírito Lucius e pelo Médium André Luiz 

2ª Parte
Análise de José Passini

Segundo relato de Lucius, Sócrates está trabalhando junto aos jovens, mas encontra dificuldade diante de barreiras sustentadas pelos mais velhos:
Particularmente agradável me é o contato com os jovens espíritas, cuja mente modelada pelos conceitos do consolador prometido é oficina produtiva e indústria de belas idéias.
O único problema, infelizmente, é causado pelos mais velhos, aqueles dirigentes cujos neurônios enferrujaram no cérebro e que, por isso, não são sensíveis às sugestões e buscas dos mais novos. (...)
A meu ver, infelizmente, alguns estão cristalizados na rotineira cantilena com a qual pensam que ganharão o céu ou algum lugar privilegiado em colônia espiritual superior se mantiverem as coisas funcionando pelos padrões do passado. Às vezes, Bezerra, preferem sufocar a inquietação dos mais novos do que dar-lhes espaço na discussão sadia dos temas candentes do momento. (160)
Nenhuma palavra de apreço ao imenso trabalho de evangelização levado a efeito pelo Espiritismo. Apenas críticas, parecendo que só agora, com certos médiuns, a verdade está chegando à Terra. Lucius faz coro com os Espíritos falaciosos que se fazem passar por Ermance Dufaux, Maria Modesto e Inácio Ferreira, sendo que, deste último, imita até a grosseria ao dizer que transcreve palavras de uma médium, dirigindo-se a outra:
– Vai falando aí Mari. Desembucha, porque isso me interessa. (185)
Ela hesitava em descrever a visão que tinha de seres extraterrestres que compareciam à reunião mediúnica:
Eram duas entidades altas, possuindo corpo como o nosso, mas diferentes de nós: traziam a cabeça muito semelhante a um pingo d’agua invertido, equilibrando-se em um pequeno pescoço sobre um tronco do qual pendiam dois braços longos, que terminavam em mãos com quatro dedos. (...) Seus olhos eram grandes, quase não tinham nariz e a boca era bem miúda, quase um risquinho. (198)
O discurso contra os espíritas agora é colocado na boca de uma dirigente de reunião mediúnica:
Para que vocês entendam o que quero dizer, existem espíritas tão puristas por aí que repudiam mesmo a fluidoterapia – conhecida vulgarmente como passe magnético – alegando que tais práticas foram herdadas da homeopatia e não do espiritismo.
Acho que os dirigentes devem estudar mais, descendo do pedestal de “comandantes” de algo do qual não deveriam se considerar mais do que servos por amor. (204)
Atente-se para a descrição do trabalho que teria sido desenvolvido num centro espírita:
Era comum encontrar-se um encarnado assediado por oito, dez ou mais entidades, isso sem falar no imenso contingente dessas que ficava impedido de ingressar em decorrência das barreiras vibratórias que demarcavam o perímetro de defesa da instituição, no plano invisível. Assim, nas noites em que o número dos encarnados chegava a cem, contavam-se entre oitocentos a mil os Espíritos que os acompanhavam, além dos que se afastavam da entrada, bloqueados  pela vigilância da instituição. (210)
Ao lado dessa população, diversas caravanas espirituais em incessante trabalho de resgate visitavam as moradias de cada frequentador que havia comparecido, de lá trazendo entidades perturbadoras para tratamento. (210)
Se assim fosse, a simples presença de alguém num centro espírita lhe garantiria o afastamento de Espíritos que o estivessem perturbando em sua casa...
E as oito ou dez entidades que, conforme relatado acima, acompanhariam os frequentadores do centro? Essas não seriam submetidas a tratamento? 
Bezerra de Menezes, segundo afirmativa de Lucius, na obra “Herdeiros do Novo Mundo”, está encarregado de dirigir a retirada dos Espíritos que serão exilados da Terra. Na obra em análise, ele coloca na boca de Bezerra de Menezes algumas afirmativas absurdas, referindo-se a influências negativas que esse planeta exercerá sobre os habitantes da Terra.
É ambiente magnético-psíquico, cujo fulcro está no corpo celeste que se acerca cada vez mais de nosso sistema e que transmitirá não apenas suas influências gravitacionais e elétricas a tudo o que esteja no campo de ação, mas, de igual sorte, envolverá a todos como essa densa nuvem de vibrações primitivas, atuando sobre tudo que lhe penetre a área de influência. (217)
Como poderia um planeta influir gravitacionalmente? Se a influência gravitacional da Lua, que é 49 vezes menor do que a Terra, provoca marés, imagine-se a influência de um planeta muitas vezes maior do que o nosso!
Isso propiciará modificações de comportamento, eclosão de enfermidades em decorrência de sintonias negativas, alteração de hábitos, agravamento de tendências e defeitos pela somatória de forças de mesma direção, efeito da ressonância ou harmonia dos Espíritos que vibrem segundo as influências inferiores derivadas diretamente do potente campo psíquico do orbe estranho. (217)
Admitindo-se a possibilidade de influência, como poderia um planeta primitivo influir negativamente? Por que, então, os terráqueos não receberíamos influências de planos espirituais equilibrados que nos são mais próximos, como Nosso Lar, Alvorada Nova, Morada e outros? Além do mais, não seria necessário argumentar sobre o absurdo dessa aproximação física, já sustentada por Espíritos pseudo-sábios em outras obras.
Deixando de lado o tema central da obra, o Espírito Aurélio descreve, em longas páginas, cenas de desequilíbrio sexual de jovem casal, terminando por revelar:
Agora, o mais dramático no caso desses dois, infelizmente, é o fato de serem irmãos consanguíneos, mal orientados pelos mesmos genitores, vitimados pelo mesmo lar desajustado. (256)
Prosseguindo, Aurélio diz:
Estaremos muito felizes se, passada a euforia da droga e amadurecidos em espírito, conseguirmos fazer com que convertam a associação para o vício em um amor sincero de um para com o outro, capaz de tirá-los desse mundo de perversidades.
Poderão vocês pensar: Mas eles são irmãos consanguíneos...!
Sim, nasceram no mesmo lar, filhos de pais comuns, mas a família os tratou como animais e, por isso, agora, se amam como bichos. No caso deles, então, não será um progresso notável superar o amor animal para começar a se amar como homem e mulher? (256)
Diante disso, pergunta-se: seria lícito continuarem se relacionando como animais?
Mais adiante, descrevendo o trabalho mediúnico de algumas irmãs, Lucius mostra um clima de desconfiança entre médiuns, mas diz que estão encarregadas de receber entidades de outro orbe:
Dentro do plano de trabalho, os mentores responsáveis estavam cientes de que as duas companheiras se dedicariam à experiência de contato mediúnico com entidades visitantes provenientes de outro orbe. (261)
Descrição de Espíritos procedentes de outro orbe, feitas por uma médium vidente, enquanto outra anotava:
Ao nosso redor, vejo um campo de energias diferentes, como se fosse um globo plástico de grandes proporções, dentro do qual se encontram nossos mentores costumeiros e alguns seres diferentes. São de diversas estaturas e tipos. Alguns são bem altos e magros, com membros alongados e cabeça em forma de pêra ou “gota d’água” invertida. Outros bem mais baixinhos, mais ou menos da altura da maçaneta da porta. Estes possuem o corpo mais robusto e a cabeça mais volumosa, lembrando um pouco uma cebola grande. (...) marcadas pela quase ausência de boca e nariz, existindo apenas pequenas aberturas que seriam as nossas narinas e uma fenda delicada e discreta, sem lábios, na altura de nossa boca. (273/274)
E as descrições prosseguem, revelando seres que estariam noutro nível evolutivo, continuando com descrições mirabolantes, como num filme de ficção científica:
Um deles possui a forma humana , mas tem cabeça parecida com dinossauro, desses de filme.  (274)
E as informações da vida desses seres prosseguem páginas adiante, sem nada de prático, de objetivo. apenas “revelações” mirabolantes que, se fossem verdadeiras, deveriam fazer parte de um livro específico e não relacionadas de passagem.
Certamente já ouvimos o próprio Codificador nos ensinar sobre a necessidade de atenção, preferindo recusar noventa e nove verdades a aceitar uma mentira. (310)
Além do exagero, note-se que a autoria não é do Codificador, mas do Espírito Erasto (O Livro dos Médiuns, item 230): “Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea.”



No Final da Última Hora, pelo Espírito Lucius e pelo Médium André Luiz
1ª Parte
Análise de José Passini

Mais uma obra produzida sob os auspícios de um Espírito fascinador.
Essa obra soma-se a várias outras que estão sendo publicadas atualmente sobre o tema “Fim dos Tempos”, mas desvia-se em relatos de casos que ficariam bem numa obra que se propusesse como romance. Em alguns trechos até romance terrorista.
Numa conferência, cuja localização não foi declarada, o Espírito Antênio diz ser habitante de um planeta do sistema Sírius, situado a 82 bilhões de quilômetros da Terra, e que de lá, desde tempos remotos, vêm Espíritos em auxílio dos terráqueos. (22)
Prosseguindo a conferência, o Espírito que havia apresentado Antênio toma a palavra e faz uma preleção sobre o fim dos tempos. A seguir, falando à assembleia, dirigiu-se a um globo flutuante que, ao toque de seus dedos, lentamente foi se transformando em um outro mundo, perdendo o seu encanto e beleza para dar lugar a uma outra forma, igualmente globular, mas sem nenhuma atmosfera amistosa. Ao olhar surpreso dos membros da assembleia, surgia o orbe intruso, a morada nova para os velhos e renitentes Espíritos inferiorizados, carregando a sua psicosfera densa, primitiva e difícil na qual estagiariam as almas da humanidade terrena que não soubessem corresponder ao chamamento da consciência reta e nobre. (36)
Volta o Espírito Lucius a falar na velha tese de Ramatis, já apresentada no seu livro “Herdeiros do Novo Mundo”: planeta intruso, higienizador, sugador, chupão... Esse planeta passaria por aqui, a fim de receber os exilados.
A seguir, Aurélio, que havia apresentado Antênio, é um Espírito que passa ao Dr. Bezerra uma série de instruções que nada têm de novidade para quem tem algum conhecimento da realidade que vivenciamos, muito menos para ele, que sobre elas já se tem pronunciado em obras mediúnicas:
Bezerra e os amigos seguiam-lhe as palavras com atenção, concordando com a análise prática e objetiva que a sábia entidade realizava acerca da realidade do mundo espírita. (40)
Mais adiante, ainda falando com Dr. Bezerra, entra no discurso já costumeiro de alguns Espíritos fascinadores que, através de outros médiuns, buscam semear a indisciplina e a discórdia no trabalho dos centros:
Não se pode mais conceber uma casa espírita na qual a ordem mate a afetividade, a organização transforme as pessoas em máquinas e os organogramas burocratizem a caridade em setores e departamentos impessoais. (42)
Páginas adiante, continua seu ataque ao trabalho espírita, agora mostrando o baixo nível moral de trabalhadores de um centro:
– Ora, Geralda, a gente não pode perder as oportunidades. Então, improvisei uma reuniãozinha lá em casa. Só eu e ela. Expliquei como as coisas seriam e deixei rolar.
– Mas o tal Espírito não se comunicou?
– Bem, ela está pensando até agora que sim... – respondeu Cássio, dando uma gargalhada.
– Mas o que fez você se lembrar de mim nesse caso?
– Ora! Princesa, já se esqueceu de suas carências? Esqueceu que arrastava uma asa para o noivo de Gláucia?
Geralda não respondeu, mas ficou enrubescida por haver se lembrado de que Cássio sabia de suas aspirações femininas, mesmo no centro espírita.
– Mas de verdade – continuou Cássio –, a lembrança maior foi quando, depois que terminou a “sessão”, a moça estava em prantos e todinha carente e, então, o velho Cássio encontrou finalmente a chance que esperava. E de conversa em conversa, a moça acabou dormindo lá em casa. Foi aí que veio a lembrança da Geralda. Você precisa ver que pernas ela tinha. Acho que só perdia para as suas, querida. Aliás, você continua cuidando bem delas? (55)
O capítulo termina, mostrando o insucesso dessa mulher que, embora arrependida, não consegue ajuda para uma renovação. Nenhum exemplo edificante.
Mais adiante, Lucius descreve uma reunião com o Espírito Aurélio Augusto, em cujo gabinete (tudo indica que situado fora da Terra) reuniram-se Francisco de Assis, Sócrates, Joana d’Arc, Chico Xavier, Vicente de Paulo, Bezerra e Luiz (que mais adiante, fica-se sabendo que é Gonzaga). Ao final, Aurélio declara:
Eis que aqui nos achamos por determinação de Jesus para o trabalho de resgate e salvação. (123)
A partir dessa declaração, começa um discurso em que usa, para exemplificação, uma fábrica hipotética, colocando Jesus como seu administrador, gastando nisso algumas páginas. Diante da descrição dos problemas existentes no Planeta, Joana declara-se pronta ao serviço de Jesus, emocionando os demais Espíritos, levando-os a aderirem também, num clima que mais lembra uma excursão do que uma missão. É de se notar que Aurélio estava, em nome de Jesus, preparando a missão redentora da Terra... E contava com sete colaboradores, seis dos quais fizeram essa adesão emocionada, depois da declaração de Joana d’ Arc... Será que a decisão de aderir a um trabalho de tamanha magnitude seria tomada sob o impacto de uma emoção momentânea? É de se perguntar: Como Lucius presenciou tudo isso? Seria também ele um Espírito de escol?
Fugindo completamente do tema proposto pelo título da obra, no cap. 13 é descrito um caso de reencarnação. Refere-se a um médium fracassado, que teria oportunidade de escolha, antes de reencarnar, entre o exercício mediúnico ou a loucura, a fim de resgatar erros do passado. (Aqui, impõe-se esta pergunta: Pode um Espírito decidir, no Mundo Espiritual, a reencarnar como louco?) Escolheu a mediunidade, mas não foi fiel à promessa. (144/145)
Ao longo do livro, fazendo coro com a mensagem equivocada que tem chegado através de outros médiuns, encontramos um discurso agressivo e desencorajador a respeito de centros espíritas que seriam dirigidos por pessoas irresponsáveis:
Dizem-se servos do Senhor, mas não sonham com o trabalho. Querem sombra e água fresca, querem postos e favores, mas trazem a mente inimiga de qualquer mudança de conduta que lhes signifique um aumento de atividade. Boa parte usa do argumento de que não devem atordoar a mente das pessoas que frequentam a casa espírita porque elas não estariam preparadas para as transformações necessárias. (161)
Assim estamos, Ribeiro. Adelino e eu nos surpreendemos quando observamos que a maioria dos dirigentes espíritas está assumindo a insensata posição do fingido capitão, negando-se a alertar sua tripulação sobre os reais problemas do navio, bem como a de se preparar para o naufrágio. (162)
Acusações graves, através de um discurso semelhante ao dos Espíritos que se fazem passar por Ermance Dufaux e Dr. Inácio Ferreira, através de outros médiuns. Essa catilinária prossegue, páginas adiante, contra os dirigentes espíritas, até o final do capítulo:
Jesus sabe como somos e quantos serão levados no turbilhão. Talvez os espíritas se surpreendam com a quantidade deles próprios, alistados entre os que não poderão mais permanecer no mundo renovado, atingidos em cheio pela transformação da humanidade que lhes rasgará as ilusões com as quais se travestem, crendo-se eleitos de Deus, poupados de dores e aflições. Que se preparem, pois, espíritas iludidos, porquanto, para eles, a transição será mais dolorosa do que para os outros crentes (166/167).



Análise do livro ”Trabalhadores da Última Hora”, por José Passini – 2ª Parte

Aprende-se, no Espiritismo, que o Espírito humano é a resultante de um longo e laborioso caminhar, como princípio espiritual, acompanhando a evolução das formas físicas, através de milênios incontáveis. Na presente obra há uma adesão à teoria da queda do Espírito. Além do mais, o Autor refere-se ao “ato da criação”, como se fosse o momento da criação do Espírito, tomando ao pé da letra a expressão “simples e ignorante”:
O espírito, no ato da criação, foi criado sem corpo – simples e ignorante. A necessidade de evoluir é que, primeiro, o fez “encarnar” e “reencarnar” no Plano Espiritual, em sua “descida” à matéria. Adquirindo corpos, cada vez mais grosseiros, em sua “descida”, o espírito, em seu movimento de ascese, gradativamente, deles haverá de se despojar. (86/87)
Ao contrario do que se lê acima, aprende-se que o Espírito vai usando corpos cada vez mais sutis... A seguir, cita capciosamente André Luiz, querendo induzir o leitor a crer que o Espírito, ao respirar, no Mundo Espiritual, não o faz com o seu perispírito, mas por estar “reencarnado” lá.
No livro Nosso Lar (...) “meus pulmões respiravam a longos haustos”. (87)
O que se segue, não carece de comentário, diante do absurdo:
Absolutamente, eu não me considerava apto para o que ele solicitara: participar da dissecação do “cadáver” do seu perispírito! (90)
Como sempre, o Dr. Inácio, faz questão de mencionar seu contato com Espíritos que deixaram na Terra marcas do seu saber, da sua seriedade, da sua dignidade. Noutras obras, citou contato com Emmanuel, Bezerra de Menezes, André Luiz, Leopoldo Cirne, Eurípedes Barsanulfo, Hernani Guimarães Andrade. Fica difícil crer que esses Espíritos sérios tivessem tempo para dar atenção a quem cultivava a irreverência, o mau gosto, o deboche e até o anedotário reprovável... Desta vez, cita apena Hernani Guimarães Andrade e Hemendra Nath Banerjee. Ainda aqui, nota-se a preocupação de caricaturar as revelações de André Luiz sobre a vida no Mundo Espiritual:
Aos poucos, os pratos, que eu pedira que as nossas excelentes cozinheiras preparassem à moda indiana, foram chegando.
– Arroz basmati! – exclamou Banerjee.
– Em sua homenagem – respondi – Não sei se o tempero estará de seu agrado. A nossa cozinheira-chefe, que é mineira, está mais habituada a preparar arroz com tutu de feijão, uma pimentinha de bode e ...
– Maionese com caril! Exclamou ao ver o segundo prato que Anastácia, a cozinheira-chefe, trazia-nos pessoalmente, todo decorado com tenras folhas de alface. (140/141)
A descrição do jantar se prolonga, até a sobremesa, um pudim de iogurte.
Mais adiante, relata que fez uma palestra para jovens, sobre pesos atômicos, numa flagrante demonstração de quem quer encher páginas de livro. Depois, relata o encontro com Tomaz Novelino, discípulo de Eurípedes Barsanulfo, que teria fundado um colégio no Mundo Espiritual. Para tal, teria contratado um arquiteto, feito o projeto, só faltou dizer onde conseguiu o financiamento para a obra, cujo primeiro módulo teria 10.000 metros quadrados.
– Você gastou muito, Tomaz? – perguntei.
– Não, e vou explicar por quê. Aqui, Doutor, no Mundo Espiritual, as obras destinadas a beneficiar a comunidade – escolas, hospitais, fábricas e indústrias, parques de recreação, etc. – custam menos do que as de uso privativo.
– Interessante.
– Existe um decreto governamental que estabelece as obras comunitárias – da pedra do alicerce à laje de cobertura – custarem 1/3 menos que qualquer outra.
– Então os operários que se envolvem em sua construção ganham, menos?
– Absolutamente! Ganham mais! (159/160)
Alguém pergunta ao Dr. Inácio se ele não sabia disso quando construiu seu hospital, ao que ele respondeu que estava perguntando só porque estava escrevendo um livro... (160)
Não resistindo, mais uma vez, ao hábito de vangloriar-se, “transcreve” palavras de Tomaz Novelino:
– Sem a intenção de elogiá-lo, Doutor – longe de mim semelhante propósito – a tese da reencarnação no Mundo Espiritual, que o senhor vem apresentando em suas obras, amplia, consideravelmente, os horizontes da Vida!
– Não obstante – argumentei – a referida tese tem sido objeto de escárnio da parte de alguns adeptos da Doutrina... (166)
Kardec trouxe ao Mundo várias revelações, que foram complementadas através da obra de Chico Xavier, sempre redigidas em linguagem séria, elevada, digna. Será que o Alto, agora, enviaria à Terra novas revelações, através de um Espírito debochado, irreverente, gabola, desrespeitoso? Leiamos os trechos abaixo, analisando algumas expressões suas:
Seria digno de fazer revelações complementares a Kardec um Espírito que diz ter comido churrasco de porco espinho no Umbral, ter tido dor de barriga e, à falta de um sanitário, ter baixado as calças improvisando uma latrina, diante dos outros? Será digno de crédito um Espírito que, numa pretensa Fundação Emmanuel, no Mundo Espiritual, depois de ler os comentários num jornal veiculava fofocas, dá uma banana aos espíritas, da Terra, que o teriam criticado? Ou um Espírito que se diz diretor de um hospital – fundado por Eurípedes Barsanulfo – e que acorda de mau humor ou com crise de depressão?
O Dr. Inácio não revela se ele, Dr. Odilon, Domingas e Modesta estão “encarnados” no Mundo Espiritual, mas “revela” que são passíveis de se contaminarem por viroses por não se terem vacinado...
A nossa irmã Domingas está pálida – observou Carmelita, percebendo que ela transpirava.
– Creio tratar-se de uma virose – expliquei – e, por esse motivo, pediria a Modesta que a conduzisse de volta à nossa base, no Hospital dos Médiuns. (222)
A nossa irmã Domingas, realmente, não estava bem; notei-a muito abatida – comentou Carmelita.
– Como tivemos que vir muito rápido ponderei – não houve tempo para a devida imunização... (227)
Patuwa “desencarnou” e, conforme promessa, deixou seu corpo para o Dr. Inácio estudá-lo na Faculdade de Medicina. Como estava desencarnado há 22 anos, deveria, antes, preparar-se para a necropsia. Planejou ficar na Crosta três dias para sentir “como é estar encarnado”. Para isso, invade a intimidade de um encarnado, como se fosse um obsessor. Escolheu um homem que estava tomando café num bar:
Aproximei-me. Algo obeso e cansado, transpirando ao ponto de molhar a camisa nas axilas – o que sempre detestei! – ele pediu um café.
Quando ele levou a xícara à boca para tomar o primeiro gole, eu me justapus ao seu corpo, como se, a partir daquele instante fôssemos xifópagos.
Ele, notei, sentiu certa sensação de alívio, mas, de início, quase que me asfixio – tive de fazer força para conter a ânsia de vômito, não que ele me causasse asco, mas é qual se estômago, de maneira involuntária, intentasse livrar-se do alimento que não lhe caíra muito bem. (348/349)
Depois, entra na vida íntima do encarnado, não resistindo a tentação de demonstrar o seu desrespeito e mau gosto:
O coitado, quando ia tomar banho, a barriga dobrava e ele não consegui esfregar as partes íntimas, a dianteira e tampouco a traseira. Com assaduras generalizadas, ele tacava talco e... a higiene estava feita! (...) Afinal, na condição de exigente “inquilino”, eu praticamente vivera no corpo daquele pobre homem sem, até então, nada pagar pelo “aluguel”.
Esperei-o dormir (...) eu me sentei na beirada da cama. Cheirei o meu próprio sovaco – que estava um horror –  e auxiliei Sebastião a se destacar alguns centímetros do próprio corpo. (354)
Voltando ao hospital, durante a “autópsia”, o Dr. Inácio anuncia o peso do perispírito: um milésimo do peso do corpo humano:
Por exemplo: em alguém, cujo corpo carnal pese 70 quilos, o peso do perispírito será de 70 gramas – o corpo mental teria peso um milésimo de setenta gramas, quase o peso da glândula pineal, calculado entre 70 e 100 miligramas. (365)
A ser verdade essa “revelação”, os Espíritos desencarnados – e os encarnados libertos pelo sono – poderiam comprovar sua presença aqui na Terra, assentando-se no prato de uma balança...
A autópsia prossegue, com explicações descabidas do Dr. Inácio, entre as quais destaca-se:
Nos Espíritos Superiores, em seu corpo mental sutilíssimo, cérebro e coração se fundem! (367)
O livro todo é, como nos demais, um verdadeiro atentado ao bom senso, aos bons costumes, à dignidade e o respeito devidos à Doutrina Espírita.
De tudo isso, fica-nos a pergunta: como podem algumas pessoas acreditar nessas “revelações” feitas por esse Espírito, que prima pelo ataque aos espíritas, ao Movimento Espírita, usando uma linguagem tão irreverente e rasteira?
Será que os dirigentes de centros espíritas, de livrarias espíritas, os responsáveis por clubes do livro estão avaliando a responsabilidade que assumem perante o Alto promovendo a divulgação de obras como essas?


Análise do livro “Trabalhadores da Última Hora”, por José Passini – 1ª Parte

O Espírito que se faz passar pelo Dr. Inácio Ferreira tem procurado, nos seus últimos livros, atenuar seus comentários jocosos, desrespeitosos, chulos de que fez uso noutras obras. Depois de atacar os espíritas em geral e os médiuns, em particular, agora procura, com a técnica própria dos fascinadores, confundir pontos doutrinários. Esse livro constitui uma tentativa de, pelo exagero, levar ao inverossímil e ao ridículo as revelações feitas por André Luiz. Age assim também contra o Chico: Louva seus feitos, mas ridiculariza-lhe a obra. Veja-se o livro “Chico Xavier Responde”.
Transcreveremos, sem aspas, em negrito, os textos retirados do livro em análise. Nossos comentários serão grafados em tipo normal.
(...) há certo esvaziamento nos centros espíritas com o qual muitos estão preocupados e com justa razão. Se os condutores do rebanho se voltam, de cajado em punho, uns contra os outros, que rumo o rebanho tomará?
Essa afirmação é completamente destituída de fundamento, pois o que se observa é exatamente o contrário: É até preocupante o volume de pessoas que estão chegando às casas espíritas.
Estamos falhando pela base... O autoritarismo, o ranço, a luta pelo poder e a vaidade andam fazendo estragos quase irreparáveis!
Esse comentário, colocado na boca de Maria Modesto Cravo, faz coro com a cantilena levada a efeito por outro Espírito fascinador que, sob o nome de Ermance Dufaux, do alto de pretensa cátedra de psicologia, faz críticas semelhantes aos espíritas.
Depois de usar cinco páginas do livro descrevendo o desjejum que tomariam num tal Liceu, começam um estudo de “O Livro dos Espíritos”, de modo informal, como num bate papo... Nota-se aí a grande diferença entre os ambientes descritos por André Luiz, em “Nosso Lar”, onde se nota a seriedade com que os assuntos e trabalhos eram tratados.
A certa altura dos estudos sobre reencarnação, Domingas diz que ouviu de Chico Xavier, na Terra, a seguinte afirmativa: ... Os que possuem a crença inabalável na reencarnação vieram de outros mundos – imigraram de outros planetas para a Terra!
Não bastassem muitos encarnados estarem dando a público essa série de afirmativas baseadas no “Chico disse...”, agora também desencarnados! Note-se que essa afirmativa contraria o que se aprendeu sobre reencarnação até agora. Então, os espíritas vieram de outros planetas...
André Luiz revelou-nos a existência de vida organizada no Mundo Espiritual, de maneira análoga à da Terra. O Dr. Inácio exacerba esse aspecto “material”, falando em reencarnação lá, embora não exista carne. Procurando levar, pelo exagero, ao descrédito, falou, noutra obra, na possibilidade de conseguir terreno em comodato para fundação de estabelecimento destinado à proteção de animais e, agora, da posse de carro particular, com o qual o Dr. Odilon os leva a uma aldeia de índios, num serviço assistencial...
Eu trouxe algumas sacolas de alimento no carro – alimento para adultos e crianças – esclareceu.
Depois de repartir guloseimas com as crianças, ouve de uma menina:
Tio, o senhor benze? O vovô está acamado... o senhor benze?  É claro, vamos vê-lo – respondeu.
A mamãe – disse um garotinho, sem camisa –, com o remédio que o senhor lhe deu, já melhorou da dor de cabeça... O senhor trouxe mais?
Como vai o nosso Morubixaba?
– Melhorando – respondeu com uma piscadela. – A febre, no entanto, vai e volta. (58)
Estranhável o fato de um índio sábio, capaz de revelar, só pelo cheiro das mãos, encarnações passadas e futuras de alguns Espíritos ali presentes, ainda continuasse na condição de velho e doente.
Nesse ponto, Patuwa teve uma crise de tosse que quase o deixou sem fôlego. (62)
Saindo o Dr. Odilon em visita a outras famílias indígenas, ficou o Dr. Inácio a conversar com o índio Patuwa. Nessa conversa, coloca, como sempre, autoelogios, além de destacar-se na condição de revelador:
Patuwa gostou muito de você: homem sincero e destemido. A luta sua é grande, mas não pode haver desânimo. O homem no mundo precisa saber a verdade... chega de tanta mentira! Você escreve livros, não é?
Continuando a conversa, Patuwa diz que esteve encarnado à época dos Padres Anchieta e Manoel da Nóbrega. Depois, “revela” que Chico Xavier foi o Padre Anchieta... Como se não bastasse a polêmica inócua a respeito de Chico/Kardec, bem alimentada por ele, agora vem o Dr. Inácio com mais essa, colocadas na boca do índio Patuwa:
Depois, a última notícia que tive é que ele estava novamente na Terra – ele na Terra e o Padre Nóbrega aqui, neste Outro Lado... O Padre Nóbrega escrevia por ele – igual ao que Inácio vem fazendo com seu amigo!
– Anchieta, então?... – questionei, boquiaberto.
– Estava numa religião nova... O Page branco Odilon sabe de tudo!
– Ele era Chico Xavier?!
– Sim, os dois assumiram compromisso com Jesus para muito tempo... O Padre Anchieta na Terra e o Padre Nóbrega fora do corpo. Agora vai inverter!
O Morubixaba doente diz que vai “desencarnar” (seria melhor dizer “desesperipiritizar”) em breve, deixando seu corpo para o Dr. Inácio estudar:
Patuwa não diz, mas sabe que ele está perto de morrer de novo... Não diga nada a ninguém. O Pajé branco já sabe... Não quero tristeza na pequena tribo. Quando Patuwa” morrer”, vou dar meu corpo a você...
– A mim?! – perguntei com espanto.
– Entenda bem, para você estudar. Quero que você o abra, veja o que tem dentro e escreva para a Terra contando o que viu.
– Mas eu não sou cirurgião! – aleguei – Eu sou psiquiatra! Não sei mais dissecar um corpo... (67/68)
E o diálogo prossegue, culminando com esta afirmativa:
– Vou deixar documento assinado, doando meu corpo para você...
Desmentindo tudo o que se aprendeu até agora sobre perispírito, Patuwa dá aula de anatomia perispiritual. Mas a aula foi interrompida...
Patuwa teve outro acesso de tosse e algumas gotículas de sangue tingiram-lhe a camisa empapada de suor.
Tudo indica que Patuwa iria “desencarnar” por efeito de uma tuberculose, que lhe provocava febre, além da tosse:
– A febre está voltando cada vez mais forte – disse ele com tranquilidade. – Deixarei a carcaça na Lua Nova – previu com voz entrecortada.
No trecho abaixo, repete algo inverossímil que já fora relatado por outro médium:
São Francisco de Assis, em certas ocasiões, chegava a rolar sobre espinheiros, flagelando-se de maneira voluntária, para não oferecer sintonia aos espíritos que o tentavam!
De vez em quando, volta ao velho chavão de atacar espíritas e médiuns:

Interessante em certos adeptos do espiritismo: chegam agora à doutrina, que mal estão conhecendo, praticam meia dúzia de ações na Caridade, começam o exercício da mediunidade incipiente e já se julgam espíritos superiores... Quanta ilusão! 

Análise do livro “Trabalhadores da Última Hora”, por José Passini – 1ª Parte

O Espírito que se faz passar pelo Dr. Inácio Ferreira tem procurado, nos seus últimos livros, atenuar seus comentários jocosos, desrespeitosos, chulos de que fez uso noutras obras. Depois de atacar os espíritas em geral e os médiuns, em particular, agora procura, com a técnica própria dos fascinadores, confundir pontos doutrinários. Esse livro constitui uma tentativa de, pelo exagero, levar ao inverossímil e ao ridículo as revelações feitas por André Luiz. Age assim também contra o Chico: Louva seus feitos, mas ridiculariza-lhe a obra. Veja-se o livro “Chico Xavier Responde”.
Transcreveremos, sem aspas, em negrito, os textos retirados do livro em análise. Nossos comentários serão grafados em tipo normal.
(...) há certo esvaziamento nos centros espíritas com o qual muitos estão preocupados e com justa razão. Se os condutores do rebanho se voltam, de cajado em punho, uns contra os outros, que rumo o rebanho tomará?
Essa afirmação é completamente destituída de fundamento, pois o que se observa é exatamente o contrário: É até preocupante o volume de pessoas que estão chegando às casas espíritas.
Estamos falhando pela base... O autoritarismo, o ranço, a luta pelo poder e a vaidade andam fazendo estragos quase irreparáveis!
Esse comentário, colocado na boca de Maria Modesto Cravo, faz coro com a cantilena levada a efeito por outro Espírito fascinador que, sob o nome de Ermance Dufaux, do alto de pretensa cátedra de psicologia, faz críticas semelhantes aos espíritas.
Depois de usar cinco páginas do livro descrevendo o desjejum que tomariam num tal Liceu, começam um estudo de “O Livro dos Espíritos”, de modo informal, como num bate papo... Nota-se aí a grande diferença entre os ambientes descritos por André Luiz, em “Nosso Lar”, onde se nota a seriedade com que os assuntos e trabalhos eram tratados.
A certa altura dos estudos sobre reencarnação, Domingas diz que ouviu de Chico Xavier, na Terra, a seguinte afirmativa: ... Os que possuem a crença inabalável na reencarnação vieram de outros mundos – imigraram de outros planetas para a Terra!
Não bastassem muitos encarnados estarem dando a público essa série de afirmativas baseadas no “Chico disse...”, agora também desencarnados! Note-se que essa afirmativa contraria o que se aprendeu sobre reencarnação até agora. Então, os espíritas vieram de outros planetas...
André Luiz revelou-nos a existência de vida organizada no Mundo Espiritual, de maneira análoga à da Terra. O Dr. Inácio exacerba esse aspecto “material”, falando em reencarnação lá, embora não exista carne. Procurando levar, pelo exagero, ao descrédito, falou, noutra obra, na possibilidade de conseguir terreno em comodato para fundação de estabelecimento destinado à proteção de animais e, agora, da posse de carro particular, com o qual o Dr. Odilon os leva a uma aldeia de índios, num serviço assistencial...
Eu trouxe algumas sacolas de alimento no carro – alimento para adultos e crianças – esclareceu.
Depois de repartir guloseimas com as crianças, ouve de uma menina:
Tio, o senhor benze? O vovô está acamado... o senhor benze?  É claro, vamos vê-lo – respondeu.
A mamãe – disse um garotinho, sem camisa –, com o remédio que o senhor lhe deu, já melhorou da dor de cabeça... O senhor trouxe mais?
Como vai o nosso Morubixaba?
– Melhorando – respondeu com uma piscadela. – A febre, no entanto, vai e volta. (58)
Estranhável o fato de um índio sábio, capaz de revelar, só pelo cheiro das mãos, encarnações passadas e futuras de alguns Espíritos ali presentes, ainda continuasse na condição de velho e doente.
Nesse ponto, Patuwa teve uma crise de tosse que quase o deixou sem fôlego. (62)
Saindo o Dr. Odilon em visita a outras famílias indígenas, ficou o Dr. Inácio a conversar com o índio Patuwa. Nessa conversa, coloca, como sempre, autoelogios, além de destacar-se na condição de revelador:
Patuwa gostou muito de você: homem sincero e destemido. A luta sua é grande, mas não pode haver desânimo. O homem no mundo precisa saber a verdade... chega de tanta mentira! Você escreve livros, não é?
Continuando a conversa, Patuwa diz que esteve encarnado à época dos Padres Anchieta e Manoel da Nóbrega. Depois, “revela” que Chico Xavier foi o Padre Anchieta... Como se não bastasse a polêmica inócua a respeito de Chico/Kardec, bem alimentada por ele, agora vem o Dr. Inácio com mais essa, colocadas na boca do índio Patuwa:
Depois, a última notícia que tive é que ele estava novamente na Terra – ele na Terra e o Padre Nóbrega aqui, neste Outro Lado... O Padre Nóbrega escrevia por ele – igual ao que Inácio vem fazendo com seu amigo!
– Anchieta, então?... – questionei, boquiaberto.
– Estava numa religião nova... O Page branco Odilon sabe de tudo!
– Ele era Chico Xavier?!
– Sim, os dois assumiram compromisso com Jesus para muito tempo... O Padre Anchieta na Terra e o Padre Nóbrega fora do corpo. Agora vai inverter!
O Morubixaba doente diz que vai “desencarnar” (seria melhor dizer “desesperipiritizar”) em breve, deixando seu corpo para o Dr. Inácio estudar:
Patuwa não diz, mas sabe que ele está perto de morrer de novo... Não diga nada a ninguém. O Pajé branco já sabe... Não quero tristeza na pequena tribo. Quando Patuwa” morrer”, vou dar meu corpo a você...
– A mim?! – perguntei com espanto.
– Entenda bem, para você estudar. Quero que você o abra, veja o que tem dentro e escreva para a Terra contando o que viu.
– Mas eu não sou cirurgião! – aleguei – Eu sou psiquiatra! Não sei mais dissecar um corpo... (67/68)
E o diálogo prossegue, culminando com esta afirmativa:
– Vou deixar documento assinado, doando meu corpo para você...
Desmentindo tudo o que se aprendeu até agora sobre perispírito, Patuwa dá aula de anatomia perispiritual. Mas a aula foi interrompida...
Patuwa teve outro acesso de tosse e algumas gotículas de sangue tingiram-lhe a camisa empapada de suor.
Tudo indica que Patuwa iria “desencarnar” por efeito de uma tuberculose, que lhe provocava febre, além da tosse:
– A febre está voltando cada vez mais forte – disse ele com tranquilidade. – Deixarei a carcaça na Lua Nova – previu com voz entrecortada.
No trecho abaixo, repete algo inverossímil que já fora relatado por outro médium:
São Francisco de Assis, em certas ocasiões, chegava a rolar sobre espinheiros, flagelando-se de maneira voluntária, para não oferecer sintonia aos espíritos que o tentavam!
De vez em quando, volta ao velho chavão de atacar espíritas e médiuns:
Interessante em certos adeptos do espiritismo: chegam agora à doutrina, que mal estão conhecendo, praticam meia dúzia de ações na Caridade, começam o exercício da mediunidade incipiente e já se julgam espíritos superiores... Quanta ilusão!

A Vida Viaja na Luz, do Médium Carlos A. Baccelli – 2ª Parte

Esse Espírito, que se diz Dr. Inácio, moderou um tanto os ataques aos espíritas e as piadas que fazia em seus livros anteriores, mas não as deixou de todo, como se vê nesses diálogos que diz ter tido com um espírita recém-desencarnado:
- Você não podia: sorrir era contra a pureza doutrinária! Aliás, para muitos espíritas, fumar é mais contra a pureza da Doutrina do que contra a pureza dos pulmões!
O amigo agora passou a rir sonoramente.
- Eu mesmo, Doutor – ponderou -, já combati muito o hábito de se comer carne... Chego a este Outro Lado e percebo que certos espíritos...
- Espíritos , não – homens! – consertei.
- Correto. Percebo que muitos homens estão se desabituando aos poucos... (189)
Prosseguindo a conversa, passou a entrevistar o Espírito:
- Você é espírita?
- Sim, há mais de 40 anos...
- Desencarnou, e daí?
- Não aconteceu absolutamente nada. Estou na mesma.
- Não volitou?
- Mal me arrastei e estou me arrastando...
- Come e dorme?
- E bebo água!
- Faz sexo?
- Faço!
- Com o que?
- Doutor, o senhor é louco!
- Responda.
- Com as coisas, ué!
- Você é espírito vampiro?
- Não, eu sou normal.
- Então, você faz sexo é com desencarnado?
- É! Pensou o quê? Eu não sou íncubo...
- Tem orgasmo?...
Bem, desculpem-me, mas o restante da entrevista é proibido para menores e não quero poluir a cabeça desse nosso pessoal beato, que considera pecado ter orgasmo num só lado da Vida, quanto mais nos Dois! (190-191)
Numa entrevista concedida a um jornal (sic) da colônia espiritual onde se encontrava, o Dr. Inácio declara algo inusitado, como o fato de um Espírito desencarnado normalmente não se lembrar de sua última encarnação:
-Se estamos vindo da Terra – de sua contraparte mais materializada -, por que não nos lembramos?
- Pela mesma razão que, ao reencarnar, o espírito não se recorda de onde vem! (202)
Imaginemos a confusão que causa em alguém que se está iniciando no Espiritismo, ao ter conhecimento de que um Espírito, que se diz médico e orientador de grupos espirituais, se apresente resfriado, com o nariz escorrendo:
Percebendo que eu estava com o nariz escorrendo, o companheiro me perguntou:
- O senhor se resfriou?
- Não sei – respondi - se é a “suína”, com a qual o pessoal anda preocupado lá embaixo, mas estou todo entupido, a cabeça pesada, respirando mal... (209)
- Logo pela manhã daquela quinta-feira, depois de me ter afastado do consultório por três dias consecutivos, a fim de me recuperar de um forte resfriado, Nelson compareceu para mais uma consulta. (227)
- Em toda a obra de André Luiz não há nem um relato de doença em Espíritos trabalhadores do Bem. O Dr. Inácio apresenta essa novidade.
A informação abaixo é errada, pois “Nosso Lar” é apenas uma das milhares de cidades espirituais. De fato, não se pode fazer paralelo com a paródia apresentada na obra:
-A referida colônia é uma organização sui generis ! Não se tem paralelo a respeito em nenhuma outra obra de cunho espiritualista, transmitida para a Terra mediunicamente. (213)
O capítulo 28 é dedicado a uma crítica ao Movimento Espírita Unificado, e aos espíritas em geral. Depois de muito se queixar do trabalho que tem como Diretor-Médico de um hospital, recusa-se a filiá-lo a uma entidade de unificação existente no Mundo Espiritual. Seu interlocutor, buscando aproximar-se do Dr. Inácio, se declara, também ele, maçom (sic). Imaginando que seu interlocutor falasse em intervenção no hospital, o Dr. Inácio, não perdeu a oportunidade para uma bravata:
- Não é meu receio, porque, primeiro, vocês teriam que passar por cima de mim. Enquanto eu estiver na direção deste nosocômio, exceto Jesus e os Maiores que nos orientam, ninguém se intromete. Nesse sentido, se fosse o caso, não hesitaria em recorrer aos préstimos de um bom advogado! (240)
Parece que o Dr. Inácio quer materializar o Mundo Espiritual a ponto de torná-lo inverossímil... Finalmente, depois de muita conversa, o Dr. Inácio sai-se com esta, como se circulasse dinheiro no Mundo Espiritual:
Vocês podem contar conosco, inclusive, se for o caso, com dinheiro para as promoções em pauta, mas não nos filiaremos. (243)
E continua com seus ataques à Unificação:
Quase me arrisquei a dizer que nos moldes com que vem sendo conduzido, o Movimento de Unificação é mais prejudicial do que útil ao Espiritismo. (244)
Usa todo o capítulo 29 para descrever uma conversa informal com a cozinheira do sanatório, o que dá ao leitor ideia de que o hospital está no plano físico... Além do mais, diz que a cozinheira chegara com a criança pela mão, com fome! Não é isso que se aprende com André Luiz, notadamente nas obras “Entre a Terra e o Ceu” e “Libertação”, relativamente a crianças desencarnadas.
- Lembra-se de como cheguei aqui, trazendo o Benedito pela mão? Medrosa e retraída feito uma cadelinha assustada... O senhor me olhou, brincou com o Benedito, perguntou se estávamos com fome e nos trouxe justamente para cá, a Cozinha – o senhor mesmo fez o prato do Benedito!...
-... que comeu feito um leão!
-Estávamos com fome, Doutor. A maioria das pessoas não sabe o que é passar fome e chegar escorraçada do mundo... (260)
Algo que não encontra explicação no livro é o fato de o Dr. Inácio receber cartas de encarnados e de desencarnados, como essa que ele responde abaixo:
“Confesso que as suas obras muito me têm auxiliado a entender o que André Luiz escreveu através de Chico Xavier. (...) E o senhor é o único espírito a defender a obra mediúnica de Chico Xavier – Não generalizando, a maioria não diz uma única palavra, a não ser para exaltar a si mesma! Receba meu abraço e bola para a frente!” (264 - 265)
Respondendo a carta recebida, ataca médiuns e o Movimento Unificador:
- O Espiritismo, meu amigo, para muita gente, hoje virou meio de vida. A inquisição que os “cardeais” do movimento vêm fazendo aos novos médiuns, no fundo, é luta pelo poder e – pasme! – pelo vil metal! Muitos deles, sem que percebam, estão sendo usados pelos lobos disfarçados de ovelhas... (268)
Mais adiante, continuando a resposta à “carta” que recebera, faz uma defesa da obra mediúnica de Chico Xavier, como se aquela que ele recebeu quando encarnado, como médium, estivesse sendo contestada. Mas a defesa que ele faz é dessas obras pretensamente atribuídas ao Chico desencarnado, recebidas por Baccelli, materializadas em aberrações como “Chico Xavier Responde”:
Mas, antes do ponto-final, preciso lhe dizer mais uma coisa: não duvide de que, no próprio meio espírita, haja uma conspiração contra as obras mediúnicas da lavra de Chico Xavier! (270)
No final de sua resposta, retoma aquele linguajar rasteiro dos seus primeiros livros:
- Seja você mesmo e, conforme disse, ”bola para a frente”! Permita-me apenas pluralizar a palavra “bola”, concitando-o a ser digno representante dos que, sem serem machistas, são machos o suficiente para dizerem o que pensam.
P.S: No que se refere à coragem do testemunho e verdadeiro amor à Causa, não posso deixar de reconhecer que, por seus ovários, muitas mulheres possuem mais “bolas” do que muitos homens! (271)
Depois de falar, noutras obras, em reencarnação no Mundo Espiritual, Dr. Inácio agora tenta amenizar a tese, misturando reencarnação com materialização, argumentando com o que relata André Luiz em “Nosso Lar” e em “Libertação”:
- Em suas bases o fenômeno é o mesmo; o que difere é o processo... daí, em passant, nós podermos conjeturar em torno da reencarnação nos diferentes planos espirituais da Vida, sem que, para tanto, o sexo concorra, nos padrões com que concorre na Terra, noutros mundos e dimensões. (287)
No cap. 36 há uma curiosa carta que Chico, desencarnado, teria dirigido ao Dr. Inácio. Sempre a tentativa do Dr. Inácio de “materializar” o Mundo Espiritual. (314)
Sempre atacando e ridicularizando os espíritas que estudam e que seguem uma linha moral :
- Os ortodoxos, no campo da Filosofia Espírita, estão impedindo o nosso povo de pensar – estão cometendo um crime! Essa turma de clérigos reencarnados, que se cansou de ajoelhar, mas não de ter os outros ajoelhados diante de si, acha que a Lei de Causa e Efeito funciona sozinha! Se fosse assim, também a Lei da Reencarnação também funcionaria – não haveria necessidade nem de relação sexual! O espermatozoide – eu não sei por que orifício -, sairia sozinho perguntando em cada esquina: - “Vocês viram um óvulo dando sopa por aí?...” Ora, não façam pouco da minha já tão pouca inteligência...
- Os espíritas precisam mesmo atualizar sua concepção de vida além da morte! (319)
Noutra tentativa de “materializar” a Vida Espiritual, fala de força policial no Além, que viria à Terra aprisionar Espíritos:
- Iremos, mas vou entrar em contato com o Dr. Elpídio, amigo meu e Delegado de Polícia, para que providencie um destacamento policial. Aquelas entidades necessitam ser presas! (319)
- Conforme combinado, Odilon veio me encontrar no hospital e, em companhia de Elpídio, previamente contatado por mim e mais três detetives sob o seu comando, partimos em direção à Crosta (324)
- Enquanto “descíamos”, fomos, naturalmente, integrando-nos no ambiente, de tal maneira a sermos identificados na condição de entidades recém-desencarnadas. Inalando fluidos menos rarefeitos, na atmosfera da Terra, promovemos relativa condensação em nossos corpos espirituais e, então, confundimo-nos com os transeuntes da cidade que visitávamos. (324)
“Confundimo-nos com os transeuntes”. Então materializaram-se, como disse no livro “Por Amor ao Ideal”, referindo-se a Edgar Alan Poe, que se teria materializado com o ectoplasma do cadáver de um bêbado e teria andado pelas ruas de Uberaba, a fim de consultar-se, como se fosse um paciente encarnado. Se é assim como fala o Dr. Inácio, fica difícil saber se estamos vendo um Espírito encarnado ou um desencarnado materializado!
Afinal, trata-se de um trabalho grosseiro, emanado de um Espírito que pretende informar equivocadamente aqueles que estão se interessando pelo Espiritismo, ao tempo que conta com a falta de cuidado daqueles que, conhecendo a Doutrina, nada fazem para coibir sua ação nefasta.
Com a palavra principalmente os responsáveis por centros, livrarias e clubes de livros espíritas pela divulgação de livros como esse.

José Passini passinijose@yahoo.com.br


A Vida Viaja na Luz, do Médium Carlos A. Baccelli – 1ª Parte

Ao longo desta análise, deveriam ser colocados entre aspas os nomes dos Espíritos citados, pelo fato de suas palavras e atitudes não nos convencerem da identidade a eles atribuída. Entretanto, para facilitar a redação deste texto, deixamos de fazê-lo.
Esse Espírito, que se fez passar pelo Dr. Inácio Ferreira, depois de achincalhar a mediunidade, de atacar os espíritas, de inventar materialização a partir de ectoplasma haurido de um cadáver de um bêbado, de inventar reencarnação no Mundo Espiritual, de usar uma linguagem absolutamente incompatível com a sobriedade, a dignidade e a nobreza da Doutrina Espírita, agora coloca-se, em linguajar bem mais moderado, como defensor do Chico, esquecido de que no livro “Chico Xavier Responde” colocou na boca do médium uma clara defesa ao aborto. 
- É uma tentativa de lançar ao descrédito toda a mensagem dele, via mediúnica. Veja: contestam alguns livros de sua lavra psicográfica – tendo o visível intuito de que não sejam admitidos por complemento da Codificação... (22)
Se esse Espírito fosse realmente o ilustre Dr. Inácio Ferreira, deveria valorizar a obra do médium Chico Xavier, estudando e desdobrando as teses apresentadas por André Luiz, que se apresentam como um desdobramento da Codificação. Mas, numa tentativa de valorizar o trabalho equivocado do médium que lhe serve de instrumento, primeiro defende a tese de que Chico Xavier foi Kardec, e agora apresenta-se como médium de Chico, logo, do próprio Kardec, que viria complementar sua obra.
Quem estuda a obra de André Luiz tem uma visão clara de como se organiza a vida no Mundo Espiritual. O Dr. Inácio nunca se refere à bela organização delineada na comunidade “Nosso Lar” e noutras colônias, em que são ressaltados os valores espirituais, a vivência evangélica, a ordem, a seriedade, o merecimento, a obediência. 
Os textos do livro serão transcritos em negrito. As páginas, entre parênteses.
- No outro dia, bem cedo, na companhia de Modesta e Manoel Roberto, fui ver, nas imediações do Hospital, uma chácara que conseguíramos em regime de comodato, para a realização de velho sonho. (25)
- O Hospital dos médiuns será a instituição mantenedora da Sociedade Protetora dos Animais “Francisco de Assis”!
– Uma Sociedade Protetora dos Animais no Além! (27)
- O Hospital dos Médiuns, do ponto de vista jurídico, responderá pela Sociedade “Francisco de Assis”. (30)
O Dr. Inácio, em seu consultório, encontrou sobre sua mesa uma carta confidencial de Chico Xavier, como se houvesse lá um serviço postal. (33-35)
Essa, uma das inúmeras tentativas que faz no sentido de tornar a vida espiritual semelhante à vivida na Terra, numa tentativa clara de minimizar as revelações de André Luiz. Depois, recebe um homem que havia sido condenado a 200 anos de prisão no Mundo Espiritual, e que havia obtido licença do juiz para uma consulta.
- Jamais poderia supor que, na Vida de Além-Túmulo, a justiça funcionasse como funciona na Terra. Assim que me vi fora do corpo, deram-me voz de prisão e fui para uma penitenciária, onde fiquei aguardando julgamento. (49)
Observe-se a continuação do relato do madeireiro desencarnado:
-Conforme lhe disse, assim que me vi fora do corpo – tive oportunidade de ver meu corpo imóvel, caído no banheiro de uma das minhas propriedades -, dois detetives se aproximaram e me perguntaram se eu era o dono daquelas propriedades e da serraria.
- Os detetives pronunciaram o meu nome completo. Noutras circunstâncias, como fugi inúmeras vezes, eu teria fugido, mas... Eu tinha inúmeros contatos na polícia, Doutor! (50)
- Conforme lhe disse, deram-me voz de prisão e me algemaram.
- E você foi algemado?
- Conduzido na viatura?
-Levaram-me para o presídio. Tiraram-me as algemas, um médico me examinou e prescreveu alguns medicamentos. Devo ter dormido uns quatro ou cinco dias seguidos... (51)
A estória prossegue, dando-nos a impressão de que o Dr. Inácio tornou-se um novelista... 
Mais adiante, diz que foi a Uberaba e, tendo materializado um ouvido e um olho (por que?), ouviu umas conversas de espíritas e presenciou algumas cenas triviais, cuja descrição, como muitas outras, serve apenas para encher páginas de livros. (58)
Lecionando bons costumes, diz que leu nos jornais (sic) da localidade onde habita:
- Você leu, nos jornais, a lei que foi aprovada recentemente?
– Quem for pego jogando papel no chão, ou cuspindo, além de ser multado, será condenado a um mês de serviços comunitários! (60)
Difícil de comentar é a afirmativa da possibilidade de afogamento seguido de morte na colônia “Nosso Lar”. Depois da morte, o sepultamento, ou a cremação
- Será que, sem saber nadar, se algum de nós cairmos nas águas do Rio Azul, poderá se afogar e morrer? Doutor, se o corpo espiritual é dotado de sistema pulmonar e tudo mais, se continuamos a inflar os pulmões de oxigênio, a resposta é lógica: sim, poderá se afogar e morrer! (87)
E não só morre, mas é enterrado ou cremado...
- Morre e é enterrado! Vai para o cemitério, ou, como neste Outro Lado, é mais comum, para o forno crematório! (119)
Mas como pode haver desencarnação se não há carne? Apesar do absurdo, o Dr. Inácio prossegue no seu raciocínio falacioso, aproveitando para reafirmar sua tese da reencarnação no Mundo Espiritual:
- Minha gente, reflita comigo. Se do Lado de Cá se morre, ou seja, desencarna-se, o que impede que também se reencarne? (119)
Paulo, na sua Primeira Carta aos Coríntios (15: 40), faz distinção entre corpo carnal e corpo espiritual, demonstrando que este sobrevive à morte: “E há corpos celestes e corpos terrestres (...)”. Mas, O Dr. Inácio cita a passagem apenas pela metade, tentando confundir o leitor:
- “ ... também há corpos celestiais”! (121)
Continuando na sua campanha de disseminar descontentamento no meio espírita, faz acusações, como se houvesse algum órgão censor:
- Sim. Sob o pretexto, por exemplo, de pureza doutrinária, em substituição à fraternidade, a intolerância vem sendo adotada. Estamos quase a repetir os erros cometidos pela Igreja, no campo da censura às novas ideias com o cerceamento da liberdade de expressão. (133)
Logo adiante, o Dr. Odilon afirma justamente o contrário, ou estará fazendo um mea culpa em nome do Dr. Inácio e advertindo o seu médium?
- É sumamente desagradável falarmos, mas os médiuns, notadamente os psicógrafos, deveriam ser mais comedidos. Nem todo médium nasceu para escrever sob a inspiração dos espíritos. Em consequência, pressionados pelas editoras, os médiuns perdem todo o critério de avaliação quanto ao que se refere à conveniência ou não de se publicar esta ou aquela obra de sua coautoria. (137)
No cap. 19, o Dr. Inácio faz uma interpretação curiosa da Parábola do Filho Pródigo, na qual se aventura como teólogo e produz afirmativas como esta, em que nega a encarnação como necessidade evolutiva, quando diz que só depois de o filho ter deixado a casa paterna é que necessitou da reencarnação (será esta uma nova versão da “queda dos anjos”?):
- Em tradução metafísica, deixando o Plano Etéreo, ele reencarna! Mergulha, de cabeça, na experiência da reencarnação! Até então, ele não possuía carma, estava isento! (158) 
Note-se como é “terreno” o plano espiritual em que o Dr. Inácio se situa:
- Meu caro, por onde é que você andava? – perguntei ao Cássio.
- Por aí, Doutor.
- O que está fazendo agora?
- Lecionando e cuidando da Clínica.
- Você abriu uma clínica por aqui? (178)
Na obra “Nosso Lar” há uma observação de Lísias a André Luiz, no sentido de serem evitados comentários que não sejam construtivos. No livro “Fundação Emmanuel”, o Dr Inácio faz referência a um jornal, intitulado “Resenha”, que circularia naquela região, levando comentários feitos na Terra. Ao tomar conhecimento de apreciações que lhe foram desagradáveis, o Dr. Inácio dá uma banana aos espíritas que não concordam com suas teses. No livro em estudo, há uma afirmação equivocada, afirmando a existência de imprensa na colônia “Nosso Lar”, o que não é verdade:
- A lembrança de Altiva é interessante, Inácio- falou Modesta -, o pessoal que lê a obra “Nosso Lar” pouco comenta sobre a Imprensa no Mundo Espiritual. (179)
O Dr. Inácio, sempre diminuindo o valor dos espíritas, e dando-se importância...
- Ultimamente, muitos espíritas recém-desencarnados marcam consulta comigo. Não que estejam propriamente doentes, mas desejam ajustar certas ideias em conflito com a realidade da Vida, ante a qual se deparam na existência de Além-Túmulo. (184)



Trabalhadores da Última Hora

As Trevas, se assim posso me expressar, consentiram que o Cristo pregasse a Boa Nova em seu reduto, que era a Terra, desde que, por fim, triunfassem permanentemente. (279) (Grifei)
As Trevas deram consentimento? Estão na direção do Planeta? Essa é a tese dos “Testemunhas de Jeová”, que distribuem um folheto colorido, declarando que Satanás é quem governa o Mundo.
Tio, o senhor benze? O vovô está acamado... o senhor benze?  É claro, vamos vê-lo – respondeu.
A mamãe – disse um garotinho, sem camisa –, com o remédio que o senhor lhe deu, já melhorou da dor de cabeça... O senhor trouxe mais?
Essa, uma conversa que o “Dr. Inácio” teria tido com Espíritos desencarnados, residentes na colônia onde ele se encontra. Lá ele distribui remédios, benze, cura dor de cabeça...
Como vai o nosso Morubixaba?
Patuwa não diz, mas sabe que ele está perto de morrer de novo... Não diga nada a ninguém. O Pajé branco já sabe... Não quero tristeza na pequena tribo. Quando Patuwa” morrer”, vou dar meu corpo a você...
– A mim?! – perguntei com espanto.
– Entenda bem, para você estudar. Quero que você o abra, veja o que tem dentro e escreva para a Terra contando o que viu.
– Mas eu não sou cirurgião! – aleguei – Eu sou psiquiatra! Não sei mais dissecar um corpo... (67/68)
O morubixaba dá ordens ao “Dr. Inácio”! O índio estava tuberculoso, no Mundo Espiritual. Previa sua “morte” e doava seu perispírito para o “Dr. Inácio”, determinando o que dele deveria ser feito...
– Melhorando – respondeu com uma piscadela. – A febre, no entanto, vai e volta. (58)
A febre no perispírito, que tosse, escarra sangue...
– A febre está voltando cada vez mais forte – disse ele com tranquilidade. – Deixarei a carcaça na Lua Nova – previu com voz entrecortada. (71)
O morubixaba acabou “desperispiritizando”. Não se pode dizer que desencarnara, pois não estava encarnado... Esse Espírito fascinador louva, endeusa o Chico, mas trabalha no sentido de desmentir-lhe a obra.
São Francisco de Assis, em certas ocasiões, chegava a rolar sobre espinheiros, flagelando-se de maneira voluntária, para não oferecer sintonia aos espíritos que o tentavam! (78)
Referência a um livro psicografado por João Nunes Maia, onde é afirmado que Francisco de Assis, para fugir à tentação do sexo, lançava-se sobre espinheiros, ferindo sua genitália. Se Francisco de Assis precisava fazer isso, onde estava a sua força mental?


Reencarnação No Mundo Espiritual



– É uma honra, Doutor, é uma alegria trabalhar ao seu lado!

– Não puxe, não, hem?, que arrebenta... (130)

– A situação, às vezes, é vexaminosa... A gente se descompõe, não é?

– E tem que rezar muito, Longino, para não fazer besteira...

– Eu sei: dizer palavrão, tirar a roupa...

– Para mostrar o quê? Se bem que, agora, com o Viagra, a gente reage...
O meu interlocutor gargalhou.
– Impagável, Doutor! Veja se esta é conversa de dois espíritas, no Além?!
– De dois espíritas normais, é! (134)
Seria necessário comentar esses diálogos? Relato num livro espírita ou na mesa de um bar?
– De quando em quando, faço questão de visitar a Terra, apenas para ver como estão aqueles que, quando eu tinha 80, estavam com os seus 30, 40 de idade... Se não se cuidarem, não chegarão à minha marca, com os cigarros que fumei a vida inteira! Alguns estão irreconhecíveis, com as rugas que têm no rosto contando das lutas que enfrentam na vida. Coitados! E eu, neste Outro Lado, remoçado e forte, simpático como sempre fui, tendo de me esconder do assédio da mulherada... (141)
Modo muito grosseiro de se referir a mulheres, talvez própria da mesa de um bar, mas não de um local no Mundo Espiritual organizado no Bem. Ou no Umbral?
A correspondência sobre uma de minhas mesas se acumulava. Missivistas da Terra e do Além me escreviam, expondo suas dúvidas sobre os mais variados assuntos: Perguntas sobre temas da Doutrina, questões pessoais, indagações sobre mediunidade, pedidos de intercessão em favor de um ente querido desencarnado, palavras de estímulo e coragem ao trabalho que estamos desenvolvendo... (148)
Confiando tanto na incapacidade de o leitor analisar, nem tenta explicar como uma carta escrita na Terra chegara à sua mesa de trabalho, nem como a resposta seria enviada... É fazer muito pouco do conhecimento doutrinário, ou mesmo da capacidade mental do leitor...
seriedade necessárias.




Por Amor ao Ideal

— Vamos, quem é o macho que vai se denunciar?... Quero esfolá-lo vivo! Aqui ninguém é pago para cochilar no serviço. Se não aparecer o culpado, vou escolher qualquer um e demiti-lo. (40)
Nesse livro, o “Dr Inácio” pretende fazer um relato, enquanto encarnado, de sua vida como diretor do Hospital Espírita de Uberaba. Lendo-se a biografia do Dr. Inácio Ferreira, constata-se que essa postura é mentirosa.
— Vai-se ver, Doutor, que na outra encarnação... – intrometeu-se uma morena redonda, das melhores cozinheiras que já passaram pelo Sanatório.
— Cuide de suas panelas... Como é que pode ir adiante um hospital de loucos em que até a cozinheira dá palpites? Que outra encarnação, que nada!... É a primeira vez que estou vivendo no meio dessa corja – primeira e última, se Deus quiser.
A morena sorriu e caminhou requebrando com sua pesada traseira, não dando a mínima para o que eu havia falado. (42)
Esse Espírito fascinador faz tudo para mostrar que o Dr. Inácio era desequilibrado quando encarnado, o que é uma infâmia.
Porém, profanando o ambiente, eu não resisti. Antes de me levantar e ir embora, aproximei os lábios de seu estúpido conduto auditivo e sussurrei-lhe, pausadamente, certos termos chulos que quase todo menino da rua sabe dizer! O homem arregalou os olhos, as suas faces ficaram congestas e eu pensei que, ao invés de um, teríamos dois cadáveres expostos no salão... (91)
Nota-se, em todo o livro, o desejo de mostrar que o Dr. Inácio sempre foi grosseiro como ele é pintado agora.
O meu misterioso paciente estava de volta... Chegou à minha casa num sábado à tarde, num desses sábados sem luminosidade, com excesso de nuvens escuras no firmamento. Havia vários meses que eu não o via. (261)
— Tem obras publicadas?
— Alguns ensaios apenas; nada que tenha repercutido...
— E o seu sotaque?
— Eu já preciso ir, Doutor — levantou-se, sem me responder.
— Mandarei, depois, o dinheiro da consulta... (273)
No entanto, quando abri o livreto, quase caí de costas: Um retrato a bico-de-pena, feito com tinta nanquim, era a reprodução exata do rosto do meu paciente!... “E. A. Poe” – dizia o pequeno texto —, morto em 1918, vitimado por alcoolismo.  Contista e poeta norte-americano que, infelizmente, nos deixou tão cedo — aos 39 anos de idade.” (275/6)
Este, talvez o relato mais absurdo do livro, em que esse Espírito menospreza a capacidade de o leitor analisar: como é que um médico, principalmente um psiquiatra, recebe um cliente em consulta sem saber-lhe o nome? Mais tarde, fica sabendo que conversara com Edgar Alan Poe, desencarnado há 140 anos. No livro, há um erro de data, pois ali é afirmado que a desencarnação ocorrera em  l918.
O que vou lhes dizer em seguida – caros leitores –, ficará a critério de vocês aceitarem ou não. Devo ser fiel à verdade dos fatos.
Prosseguindo pela voz da médium, o célebre criador do romance policial contou:
— Observando-me as tentativas frustradas de contactá-lo, um desconhecido me orientou:
— “Por que você não se materializa? Não é tão difícil assim... É só conseguir ectoplasma...”
— Ora – explicou a entidade –, eu jamais havia ouvido falar em ectoplasma... “Que substância é esta?” – perguntei sem me dar conta, como das vezes anteriores, do idioma em que eu estava me expressando: eu pensava em inglês e ele entendia em português, exatamente, Doutor, como está acontecendo agora.
— “Ectoplasma – respondeu-me – é fluido animal;  se você conseguir quantidade suficiente para se revestir, poderá tornar-se visível...”
— De que maneira obtê-lo? – quis saber, curioso.
— “Através de um doador vivo ou... morto.”
— Morto? – questionei, duvidando que aquela história toda fosse verdade.
—“Sim, no cemitério...”
— Poderei encontrar tal substância materializante no cemitério?
—“Não nos corpos em adiantado estado de decomposição, mas nos que morreram recentes...”
— E o que devo fazer?
—“Mentalize, plasme-se...” falou o espírito, que se retirou.
— Quase a desanimar (Poe deu sequência à inusitada narrativa), localizei o cemitério e me pus a esperar um enterro. Foi difícil, pois não me consentiam me aproximar de certos cadáveres... Algumas entidades que não falavam comigo dispersavam uma matéria brilhante na atmosfera e os cadáveres ficavam vazios. “Aquilo é o ectoplasma” – pensei.
Depois disso, um enterro com quase nenhum acompanhamento chegou ao cemitério... O corpo inanimado era o de um homem que, bêbedo, havia caído de um andaime; espessa substância leitosa ainda lhe escapava abundante, dos orifícios e, inclusive, dos poros, a praticamente envolver-lhe toda a forma física... Dele, curiosamente, eu pude me aproximar sem qualquer embaraço e, após o seu corpo ter descido à cova rasa, postei-me ao seu lado e, com as mãos, comecei a me cobrir com aquele tecido gaseificado... O meu desespero era tamanho, Doutor, que eu o introduzia na boca, eu o inalava através das narinas, como se eu fosse um paciente hospitalizado recebendo uma transfusão de sangue...
— Aos poucos, sem que eu pudesse explicar o fenômeno – prosseguiu dizendo –, fui tomando forma humana, ou melhor, retomando-a... Era interessante observar. Felizmente, não havia ninguém por perto... A imagem que eu conservava de mim era tão forte em minha mente, que, devagar, fui reconstituindo, com a força do pensamento, detalhe a detalhe, inclusive a própria indumentária – aquela que, de hábito, eu envergava em meus derradeiros dias no corpo quando, infelizmente, tombei vítima do alcoolismo.
Quando a metamorfose se completou, a minha primeira iniciativa foi a de procurar um espelho – eu queria me ver... Saí do túmulo no qual praticamente me encontrava mergulhado e, percebendo um carro estacionado à porta do campo santo, me fitei no seu retrovisor externo – era eu, sem tirar nem pôr! De imediato, acudiu-me uma ideia à cabeça: – Que bom seria, se eu pudesse, sempre me conservar assim: este corpo certamente não adoece e... não morre, não estando sujeito às vicissitudes do corpo feito de carne... De certa maneira, inclusive, eu me remoçara e aquelas indisposições orgânicas haviam desaparecido.
A narrativa de Poe me surpreendia; eu nunca havia lido nada parecido a respeito na extensa bibliografia espírita especializada. (282/6)
Nem poderia ter lido, pois se trata de ficção da pior espécie! Para constatar a falácia desse “conto”, é só consultar o livro “Missionários da Luz”, cap. 10, onde há uma descrição minuciosa do preparo de uma reunião destinada à materialização de um Espírito. Essa operação envolveu, dentre outros, a cooperação de vinte entidades de nobre hierarquia.
É curioso que ele diz: ”fui tomando forma humana, ou melhor, retomando-a... Era interessante observar. Felizmente, não havia ninguém por perto...” Quer ele dizer que o Espírito desencarnado não tem forma, que só toma a forma humana quando se materializa...


No Limiar do Abismo

Que os nossos irmãos, pois, permaneçam atentos e não se deixem ludibriar; não há sobre a Terra, na atualidade, um único médium encarnado com suficiente autoridade para penetrar nos enigmas pertinentes às anteriores experiências reencarnatórias de quem quer que seja. O que revelam, nesse sentido, não passa de mera suposição ou invencionice. (62).
Como é que, em livro posterior, ele “revela” que Chico foi a reencarnação de Anchieta?
         — Preciso ir ao sanitário – disse-lhes, tentando me colocar de pé.
         — Sanitário, aqui?!... – reagiu, Paulino, tão surpreso quanto eu.
         — Por favor – solicitei, afrouxando a calça –, afastem-se...
         E, ali mesmo, sem qualquer escrúpulo, improvisei uma latrina. (192)
O desarranjo intestinal fora, segundo ele, causado pela ingestão de um pedaço de churrasco de javali, no Umbral...
— Em meu primeiro livro escrito depois de morto, “Sob as Cinzas do Tempo”, eu me refiro diversas vezes ao meu antigo hábito de fumar; pois bem: segundo soube, houve alguém que teve o capricho e a paciência de contar o número de vezes que fiz menção ao tabaco, para chegar à conclusão de que não sou um Espírito Superior... (217)
Sim, eu contei e publiquei suas 25 referências ao hábito de fumar, relatadas até com certo ar de vitória, sem, nem uma única vez, falar dos danos causados pelo uso do tabaco. Na obra “Obsessão e Cura”, refere-se, igualmente, 12 vezes, tendo, à pág. 178, declarado estar fumando durante uma prece a Jesus.

— Essa história de ter sido médium 40, 50 anos, de ter feito inúmeras palestras, de ter escrito dezenas de livros ou artigos em jornais e revistas, de nunca ter perdido a pose... (219)
Sempre atacando os espíritas... Agora, claramente ataca quem se projeta...
Do Outro Lado do Espelho e Na Próxima Dimensão

  O espírita tem a mania de se julgar sempre com a verdade.” (16) “— Nós, os considerados mortos, em matéria de mediunidade temos que nos contentar com percentagem: 30% nossos, 70% do médium... Quando, pelo menos, são 50% para cada lado, vá lá... Raro o médium que nos permite o empate. Isso sem falarmos nos médiuns que vivem colocando palavras inteiramente suas em nossos lábios: é um tal de termos dito, sem termos dito nada...  (...) Os médiuns hoje querem improvisar... Quanta mistificação!...” (160)
Um discurso específico visando ao descrédito da mediunidade. Descrédito que se estenderia até à Codificação, que teria, no mínimo, 50% de contribuição dos médiuns com os quais Kardec desenvolveu a Codificação.

Na Próxima Dimensão

“(...) grande hospital, cuja direção, no Mais Além, estava sob minha responsabilidade (eu não sei quando é que vou me livrar desse carma!)” (12)
Todo desencarnado equilibrado sente-se honrado em trabalhar no Mundo Espiritual. Como pode um Espírito que se diz diretor de um hospital, fundado por Eurípedes Barsanulfo, ver essa honrosa tarefa a ele atribuída como carma? E desejar desincumbir-se dela?
“(...) o casal havia renunciado a qualquer tipo de convivência mais íntima na esfera sexual, para devotar-se aos valores do espírito, e, tanto assim que ambos não geraram herdeiros diretos (...)” (56).
Aqui entra na vida íntima de Kardec e de sua esposa para fazer essa “revelação”. Em livro subsequente, diz que o casal era estéril...                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                             
“(...) também sou suscetível a periódicas crises de depressão... Afinal, ao que me consta, ainda sou gente, não é?” (138).
Seria crível que um diretor de um hospital psiquiátrico, fundado por Eurípedes Barsanulfo, sofrer crises de depressão?
“O sexo, além da morte, não é algo pecaminoso: é instrumento de sublimação.” (216).
O sexo não é pecaminoso nem na Terra, nem no Mundo Espiritual. O seu mau uso, sim.

 
Infinitas Moradas



— Estou olhando, Desidério – disse, fazendo o possível para não explodir. — Pode falar... Estou com conjuntivite; cheguei há pouco da Terra e, como sempre, havia muita fumaça lá embaixo... (...) (87)

Assim que ele se retirou, fazendo um esforço imenso para me controlar, pedi ao jovem enfermeiro que me chamasse, às pressas, o Manoel Roberto ao consultório. (90)

Essa, uma entrevista com um pretenso paciente, desenvolvida ao longo de uma conversa sem sentido, sem nenhum ensinamento, a não ser a revelação de que depois de desenvolver uma conjuntivite, a partir de uma contaminação adquirida na Terra, um psiquiatra do Mundo Espiritual, diretor de um hospital, quase se descontrolou ao final de uma conversa vazia, que tomou cinco páginas de um livro...

Note-se ao absurdo que esse Espírito fascinador leva seus leitores: Um Espírito desencarnado contaminar-se com doenças da Terra!
de da Doutrina Espírita.






Fundação Emmanuel
        
Confesso-lhes que eu não conseguia tirar os olhos do ventre daquela menina que me passou a inspirar enorme simpatia.   (98)
         — Para quando será a criança, minha filha? – questionei.
         — Dentro de uma semana, completarei os cinco meses...
         — Faltam três, para oito...
         — Não, doutor, o nosso tempo de gestação é menor – se passar da data, não será muito. (100)
Além do absurdo de uma gestação no Mundo Espiritual, há até erro no número de meses da gestação na Terra: são nove e não oito.
         — É verdade também o que o Resenha está dizendo?...
         — A menos que os jornais daqui também se equivoquem como os da Crosta costumam se equivocar – respondi.
         — “Aos espíritas que me criticam...” – leu o rapaz, em voz alta.
         — “...ofereço, solenemente, uma banana!...” – não me esquivei de concluir, na alusão grotesca ao gesto feito com a mão esquerda apoiar-se no braço direito, tendo o antebraço voltado para cima com a mão fechada. (135)
Esse Resenha seria um jornal que circularia, segundo o “Dr. Inácio”, no Mundo Espiritual, relatando fofocas da Terra.. Ao contrário do que se lê na obra Nosso Lar, cap. 23.
As manifestações de grosseria do “Dr. Inácio” continuam...
         — Desembuche, Manoel, antes que eu continue dizendo e escrevendo o que não devo...
         — Dr. Inácio – esclareceu –, quatro padres estão à sua espera...
         — Quatro?!... Um só já seria muito! Que desejam? Me converter?
         — Estão pedindo permissão para uma visita ao Hospital, alegando que receberam graves denúncias. (186)
Agora inventou padres fazendo inspeção num hospital no Mundo Espiritual!...
         — Que aparelho é esse no braço dela?
              (...)
         — É, então, um minicomputador...
         — Funciona como se fosse e é capaz de apontar, com precisão absoluta, desequilíbrios de risco para o organismo.
         — Como, por exemplo, a iminência de um colapso cardíaco, alteração da pressão sanguínea? 
         — Taxas de glicose, oscilação de temperatura, presença de um microorganismo patogênico... (226)
Aqui declara que a jovem grávida corria risco “de morrer” durante o parto, lá no Mundo Espiritual!
         — Meu caro Dr. Hernani – aparteou Odilon, aproveitando a deixa –, o senhor não repare, se precisamos ir; temos ainda uma visita a ser feita hoje...
         — Que pena! – lamentou.
         — Voltaremos para uma nova sessão de piadas – enfatizei. — Tenho algumas para lhe contar, mas só nós dois...
         — Picantes?
         — Piada espírita não tem graça, Hernani! (241)
Agora, envolve Hernani Guimarães Andrade e Cairbar Schutel numa roda de piadas, como se Espíritos desse nível fossem tão mundanos como ele...




Fala, Dr. Inácio!

– Só para determinado jornal, eu respondi a três entrevistas que não foram publicadas...
        – Eu sei, mas também quem manda você não contemporizar? Faça política... È o que esse pessoal quer: ser bajulado! Diga que eles foram personalidades ilustres em vidas anteriores, ligadas a Allan Kardec, etc. Você não mente... Como é que quer fazer parte da “panela”, se não entra nela? Corrompa-se, e você terá espaço. (71)
Seriam conselhos como esse dados por um Espírito equilibrado? Onde, na legítima literatura espírita viu-se algo semelhante?
– E quando se trata de gravidez ocasionada por estupro?
        – Quando se trata de estupro, creio que se deve dar à mulher o direito de decidir, e respeitá-lo, seja qual for. (128)
        – Mesmo que ela decida pelo aborto?
        – A sociedade não pode obrigá-la a arcar com as consequências de tal violência. Ponhamo-nos no lugar da mulher aviltada em sua dignidade... A pretexto de ética religiosa ou o que o valha, não podemos traçar regras de comportamento para os outros. (128)
Não se trata de uma “ética religiosa” discutível. Trata-se do que nos ensinam os Espíritos Superiores, conforme  “O Livro dos Espíritos” (item 358)
        – A mulher deve ter o direito de abortar o anencéfalo?
        – Creio que Deus, através dos progressos da Ciência, está nos dotando de meios a fim de que tenhamos certas provas suavizadas. Sabemos que a dor é benéfica para o espírito, no entanto, recorremos ao analgésico. (131)
Sim, é lícito o uso do analgésico. Mas para aliviar uma pretensa dor moral, seria lícito o assassinato de um nascituro?
        – Então, a gravidez do anencéfalo deve ser interrompida?
        – Se os pais, e principalmente a mãe tomarem tal decisão, após a confirmação do diagnóstico, cabe-nos, repito, acatá-la sem recriminações. (131)
Então a Codificação está errada?

Estudando Nosso Lar

... vasculhando papéis sobre a mesa, me deparei com a carta que uma irmã me endereçara da Terra.
– Dr. Inácio, – escrevera ela –, fico encantado (sic) com o seu amor aos animais... (95)
Esse Espírito fascinador subestima tanto a capacidade de análise do leitor, que não explica como uma carta de um encarnado chega ao Mundo Espiritual e é colocada sobre sua mesa. E ele a responde!...
– Cavalos e cães que, além de comer, fazem sexo...
– Eu sabia que o senhor chegaria aí! – comentou Domingas. (254)
Novamente, defende a tese da reencarnação no Mundo Espiritual (Reencarnação sem carne!)
– Isso é uma aula de botânica! Brincou Domingas.
– Muitos dirão que é pornografia... Uma banana para eles, de preferência verde! (256)
– Pronto! Agora está me puxando o saco... E o pior, não, o melhor é que espírito também tem isso...  (264)
Livros como este não necessitam de exame doutrinário. É só o leitor lembrar-se de que um Espírito que tenha um mínimo de refinamento jamais usaria expressões como essas. Será que quem se expressa dessa forma conviveria no Mundo Espiritual com Eurípedes, Bezerra, Emmanuel, André Luiz, conforme declara em seus livros?



A Vida Viaja na Luz



– No outro dia, bem cedo, na companhia de Modesta e Manoel Roberto, fui ver, nas imediações do Hospital, uma chácara que conseguíramos em regime de comodato, para a realização de velho sonho. (25)

Aluguel de terreno no Mundo Espiritual?

– O Hospital dos médiuns será a instituição mantenedora da Sociedade Protetora dos Animais “Francisco de Assis”!

– Uma Sociedade Protetora dos Animais no Além! (27)

– O Hospital dos Médiuns, do ponto de vista jurídico, responderá pela Sociedade “Francisco de Assis”. (30)

Tentativa de desmerecer as revelações de André Luiz, levando as semelhanças da vida no Mundo Espiritual com a da Terra a níveis inaceitáveis.

– Ultimamente, muitos espíritas recém-desencarnados marcam consulta comigo. Não que estejam propriamente doentes, mas desejam ajustar certas ideias em conflito com a realidade da Vida, ante a qual se deparam na existência de Além-Túmulo. (184)

Não só ele, mas também outros Espíritos buscam demonstrar que pouco valeram, para os espíritas, as luzes do Espiritismo, pois chegam necessitando de “marcar consulta” com um psiquiatra. Onde, na obra de André Luiz, vimos esse funcionamento tão terreno de um consultório médico?

– Você é espírita?

– Sim, há mais de 40 anos...

– Desencarnou, e daí?

– Não aconteceu absolutamente nada. Estou na mesma

– Não volitou?

– Mal me arrastei e estou me arrastando...
– Come e dorme?
– E bebo água!
– Faz sexo?
– Faço!
– Com o que?
– Doutor, o senhor é louco!
– Responda.
– Com as coisas, ué!
– Você é espírito vampiro?
– Não, eu sou normal.
– Então, você faz sexo é com desencarnado?
– É! Pensou o quê? Eu não sou íncubo...
– Tem orgasmo?...
Bem, desculpem-me, mas o restante da entrevista é proibido para menores e não quero poluir a cabeça desse nosso pessoal beato, que considera pecado ter orgasmo num só lado da Vida, quanto mais nos Dois! (190/191)
P.S: No que se refere à coragem do testemunho e verdadeiro amor à Causa, não posso deixar de reconhecer que, por seus ovários, muitas mulheres possuem mais “bolas” do que muitos homens! (271)
Julgo desnecessário qualquer comentário do texto acima, pois parece retirado de uma revista humorística de baixo nível.
 

A Escada de Jacó - 6ª Parte



         “Acordando mal-humorado, respondi ao cumprimento de Manoel Roberto com um simples muxoxo e fui direto para o meu gabinete.” (30)

Seria possível um diretor de hospital no Mundo Espiritual, acordar mal-humorado?

“— Para aparecer alguém e colocar tudo a perder, não é, Modesta? Eu não sei o que o Odilon tem a dizer, mas, no que me compete, eu o mandaria às favas... O Espiritismo não tem dono e a mediunidade também não! Se, na condição de espírita, eu tivesse que prestar obediência a alguém, eu não seria espírita! Vocês me conhecem, e neste ponto, sou radical.”

Bravatas e grosserias comuns nas manifestações desse Espírito.

 “— Doutor, não me deixe morrer! O que houve com os meus braços, que não consigo senti-los? Onde estão o meu pai e a minha mãe, a minha avó e os meus primos? Está doendo muito, Doutor!...”

Conversando com um menino árabe, atingido por explosão que lhe arrancara os dois braços. Seria possível a alguém que tivesse tido arrancados os dois braços, manter esse diálogo? Não há explicação se estava materializado, ou se o menino era médium vidente, e como falara árabe.

“A uns duzentos metros do local, um camelo atingido por tiros de metralhadora agonizava e observei que, de sua boca e narinas, escorria uma substância esbranquiçada.

— O “plasma” daquele pobre animal nos servirá. Teça com ele uma espécie de manta... Não temos tempo a perder!” (186)

Afirma ter estancado a hemorragia com ectoplasma de um camelo agonizante. Por que, então, os Espíritos, trabalhadores do Bem, não buscam, para socorro a encarnados, essa substância abundante em matadouros?

“Não tivemos que esperar muito. Curtindo tremenda ressaca, o casal se despiu dos trajes mais íntimos e, com certeza, o resto os nossos irmãos nos dispensarão de relatar. Digo-lhes somente que fiquei sem entender quando, após terem atingido o orgasmo, Flávio foi praticamente sugado dos meus braços e, como se o perispírito ainda mais se lhe restringisse, atravessando a barreira das dimensões diferentes, encolheu-se feito um filhote de pássaro no ninho.” (282)

Descrição grosseira da invasão na intimidade de um casal, contrariando o que André Luiz relata em “Missionários da Luz”, cap. 12, quando fala do respeito que os Espíritos têm pela intimidade do casal, e que a ligação do reencarnante à forma física se dá horas depois do ato sexual. No livro “O Pensamento Vivo do Dr. Inácio”, ele próprio se desmente, citando Chico Xavier: “O processo é mais lento, tratando-se de reencarnação compulsória, nessa categoria de espírito. Leva mais de ano para completar o restringimento” (121)
                                 



Análise das Obras de Ermance Dufaux – por Jair Soares



O Livro Seara Bendita – 5ª Parte

O primeiro livro lançado da série Harmonia Interior, chama-se Seara Bendita, onde 35 (trinta e cinco) espíritos, expoentes do espiritismo, assinam comunicações através do médium. O livro é curioso por possuir inúmeros aspectos singulares que depõem contra o valor da obra (Neste ponto, remetemos o leitor à página 15 destas nossas anotações para que leia o artigo escrito pelo confrade Wilson Garcia chamado Um novo projeto para o Espiritismo brasileiro).
O livro possui vícios insanáveis tais como: autores femininos e masculinos possuem o mesmo estilo e linguagem, expressões absolutamente idênticas utilizadas por espíritos que possuíam ideias e estilos diferentes, outros espíritos apresentam estilos e maneiras de se expressarem totalmente diversas de suas obras e comportamento quando encarnados, sem falar que seria Bezerra de Menezes um dos patronos desse movimento reformador do Espiritismo.
O que os livros não esclarecem é porque esse mesmo Bezerra de Menezes jamais expressou essas ideias em suas comunicações na Federação Espírita Brasileira, quando de suas inúmeras comunicações dadas nas reuniões do Conselho Federativo Nacional.
Outros autores têm suas identidades tão modificadas que simplesmente se deformaram, como observa Wilson Garcia: “São três bons exemplos de estilos distintos e característicos: quando encarnado Cairbar (Schutel) era viril, Vinicius era suave e Telles (Olimpio Telles de Menezes) possuía um discurso mais empolado.
A coerência era uma marca comum aos três. Aqui, porém, além da uniformidade de estilo entre personalidades distintas, os três assumem algumas posturas estranhas. Os recursos empregados para identificar Cairbar incluem a utilização de expressões que seriam próprias dele, mas aqui elas aparecem sem o mesmo brilho e de modo acintoso, repetitivo, forçado qual não ocorria quando encarnado.
Por exemplo, são utilizadas cinco expressões latinas, todas como referência direta ou indireta ao clero católico, uma delas tomada para título da mensagem: Edictus Vaticanum. Cairbar, a partir de uma contundente análise do Catolicismo faz acerba crítica aos espíritas não-religiosos (ditos laicos), classificando-os como espíritos de ex-padres, que no plano espiritual combatiam os espíritas, mas foram dolorosamente doutrinados e, reencarnados, de um lado aceitam o Espiritismo e de outro se opõem ao Espiritismo-religião.
Trata-se de um argumento ingênuo. Além disso, esse tipo de postura não é comum a este Espírito e não é habitual em outros de incontestável superioridade. Acusar e denunciar ao mesmo tempo não une, desune. Por mais firmes que os Espíritos superiores sejam, jamais se aliam a uma facção em detrimento de outra. Trata-se, isto sim, de uma postura política comum a certa classe de encarnados, mas não aos Espíritos esclarecidos.
Ainda nesse texto de Cairbar encontramos outro ponto discutível. É quando analisa a vinda do Papa João Paulo II ao Brasil e afirma que ela foi positiva para o Espiritismo, por ter confundido os Espíritos católicos que combatem-no através das influências que exercem a partir do plano espiritual. Eis a novidade perigosa que não possui senão o bom-senso como base de análise e, convenhamos, o bom-senso aqui não encontra lugar.
De fato, o bom-senso não encontra lugar de jeito nenhum nessas obras. Entre tantas coisas sem sentido, especificamente nessa obra e, por já terem sido analisadas por Wilson Garcia não repisaremos, podemos salientar uma que nos chama muito a atenção; trata-se da descrição de um encontro que chega as raias da comicidade: o livro diz que Bezerra de Menezes, ao ver Ermance Dufaux, simplesmente perdeu a voz...
Se ele tivesse visto Jesus Cristo, dava pra entender, mas, Ermance Dufaux?
Nas próximas páginas, inserimos um artigo de Wilson Garcia que fez uma análise mais detalhada deste livro e de onde, por nossa vez, tiramos algumas observações contidas neste texto.



 Xavier teve pouca escolaridade na sua última encarnação, mas sempre respondia com sabedoria, segurança e objetividade as perguntas que lhe eram formuladas. Quem o assistiu na televisão, ou leu os diálogos que, em várias ocasiões, ele manteve com jornalistas, deve fazer comparação com a pobreza das respostas que são registradas, em seu nome, na obra ora em análise. Em verdade, certas respostas só poderiam ser pobres, diante da trivialidade das perguntas.
            Chico deixou pouca coisa escrita de sua lavra pessoal, mas não há nada que se compare à banalidade disso que está sendo atribuído a ele. Ao longo de sua vida, sua sabedoria foi-se revelando, sobrepondo-se à pouca escolaridade que teve na infância. Ele, como Espírito inteligente, dedicado, além de fazer vir à tona conhecimentos de sua bagagem espiritual, muito se enriqueceu na convivência com os Benfeitores que lhe usavam as faculdades e lhe partilhavam os dias.
            Para aqueles que dizem ser ele a reencarnação de Kardec, a situação é mais delicada, pois se admitem que Chico tinha de ser assistido por Benfeitores Espirituais para responder as perguntas, face à sua pouca escolaridade na última encarnação, agora, com a memória integral, Chico / Kardec não responderia com profunda sabedoria?      .
            Se Chico Xavier foi a reencarnação de Kardec, fica difícil conciliar a trivialidade dos assuntos que lhe foram submetidos agora, e algumas respostas evasivas, com a postura do grande educador, sociólogo, teólogo, cientista, humanista, que teve capacidade para inquirir Espíritos Superiores sobre os assuntos pertinentes à Codificação, dialogando com eles, de igual para igual, a fim de codificar a Doutrina Espírita. É também difícil conciliar aquela nobre figura tão bem descrita por Humberto de Campos, no livro “Cartas e Crônicas” (cap. 28), com essa figura tão disponível para um bate-papo informal, superficial, aqui na face da Terra. Ou seria nos Altos Planos de onde ele saiu para comparecer àquela memorável reunião na noite de 31 de dezembro de 1799? Ou será que o médium foi lá a fim de entrevistá-lo?
            Ficam aí, Irmãs e Irmãos, nossas observações, colocando-nos, por nossa vez, à sua disposição para ser analisado.
                                                                                                                                    José Passini
                                                                                                                                    Juiz de Fora


Reencarnação, de Orson Peter Carrara (O que é? Como ocorre? Para que serve? Seria resgate, sofrimento ou oportunidade?)


Proposta:
A proposta do livro é a de estimular estudos e reflexões sobre a reencarnação. Basicamente se dedica a explorar aspectos que sugiram a sua veracidade e que expliquem a sua necessidade facilitando ao leitor a assimilação da idéia reencarnacionista.

 

Formato:
O livro possui um tamanho médio contendo aproximadamente 200 páginas distribuídas em 38 pequenos capítulos. Possui ainda um apêndice descrevendo uma dinâmica de grupo sobre um projeto reencarnatório. A editoração é de boa qualidade.


Linguagem:
A linguagem do autor é clara e voltada para o leitor. Em especial, neste aspecto destaca-se o uso de expressões como 'leitor amigo', 'meu caro', ... A linguagem também é didática observando-se um equilíbrio entre textos do próprio autor e transcrições de outros autores.


Avaliação:
A obra é de fácil leitura e especialmente para aqueles que já estão familiarizados com a proposta reencarnacionista da doutrina espírita. E o autor valoriza bastante o trabalho de Kardec transcrevendo trechos de várias de suas obras.

Em termos de projeto deve-se fazer algumas observações importantes. Primeiramente, percebe-se a falta de um encadeamento entre os capítulos embora o autor tenha se esforçado em apontar no final de alguns deles as referências de outros.

Esta falta de encadeamento é observado sobretudo pelo número excessivo de capítulos que são, na verdade, pequenos artigos.

Complementando a observação anterior verifica-se uma quantidade grande de repetições de ideias, de citações, ou de recomendações ao leitor. Esta repetição pode ser um recurso interessante para o convencimento do leitor sobre uma dada questão, mas é desagradável para quem faz a leitura do começo ao fim. Apenas para exemplificar temos repetições entre os capítulos 7 e 23, 2 e 28, e entre 34 e 36.

Uma das ideias mais repetidas pelo autor é a da lei de ação e reação. E aí há algo um tanto controvertido porque alguns textos sugerem que alguns sofrimentos são a consequência de pagamentos (ou em outras palavras: expiações, reparações, penas) por atos equivocados cometidos no passado e outros sugerem o contrário.

Por exemplo, no capítulo 26 encontramos: "O ser está caminhando e utiliza a reencarnação também para reparar os males que produziu. É um erro, todavia, afirmar que nascemos para 'pagar dívidas do passado'.".

Contudo é importante frisar que há uma tendência clara por parte do autor em reconhecer como melhor uma proposta mais flexível da citada lei de ação e reação. E esta flexibilização é retratada de forma interessante no capítulo 37 onde se lê: "Como o caso daquele homem que solicitou perder o braço (em virtude de ato vergonhoso no passado), mas, como era uma pessoa muito caridosa, perdeu apenas a ponta do dedo indicador.".

Aliás, a expressão "ação e reação" tem sido mal empregada porque nos remete a lei física de que para uma dada ação haverá sempre (frise-se o sempre) uma reação no sentido inverso e de mesma intensidade (frise-se o mesma). E esta explicação não reflete a ideia mais flexível da lei. Cabe ainda destacar que esta expressão não tem origem em Kardec, que a propósito falava em outros termos: causa e efeito.

Embora não tenha sido a proposta do autor em apresentar de forma global o que seria a reencarnação parece que ficou faltando algumas palavras sobre o processo de evolução da alma considerando a reencarnação. Isto é, a origem e o destino da alma são pontos muito importantes para serem desprezados numa obra que fala sobre a reencarnação.

                                                                         Vital Cruvinel 

 

Conheça a Alma dos Animais, de Severino Barbosa


Proposta:
Convencer o leitor de que os animais possuem uma alma e que ela um dia se tornará uma alma humana. Para isto levanta dados que aproximam a realidade humana da realidade dos animais. Baseia-se também em afirmações nas obras de Kardec, Dellane, Dennis, e Chico.

Formato:
Tamanho médio, padrão, ilustrando na capa uma agradável foto de um cachorrinho. Contém aproximadamente 30 mil palavras (ou 3 horas de leitura) distribuídas em 16 capítulos também ilustrados por fotos de animais. Por se tratar de um estudo, sente-se a falta de uma seção de conclusão e uma de referências bibliográficas.

Linguagem:
Em geral, linguagem simples e direta, sem preocupação em fazer literatura. É recheada de relatos de experiências com animais. Por vezes, estes relatos se sobrepõem e causam uma certa confusão, embora sem comprometer a leitura.

Avaliação:
É sempre louvável a boa vontade para tornar mais digna a vida dos animais não humanos. O autor demonstra esta sensibilidade e escreve algumas poucas linhas procurando convencer o leitor da existência de uma alma para todo animal. Porém, é preciso mais!
Este tema está longe de ser novo e estudos como este já existem aos montes. Decerto ainda há demanda. Mas, já que se optou por abordar o tema então seria preciso avaliar outros aspectos ou fazer uma leitura diferenciada da questão a fim de contribuir para o conhecimento espírita.
Há pessoas que se convencem pela repetição, mas outras (a maioria, acredito eu) se cansam e abandonam a leitura. Praticamente todo o livro é dedicado a apresentar pequenos casos dispersos no tempo e no espaço demonstrando que os animais são inteligentes e possuem sentimentos. Seria suficiente ao leitor (pelo menos a mim) se lhe apresentasse um único estudo recente feito por pesquisadores renomados e publicado em revista científica idônea. E com certeza este estudo existe!
A ligação com o pensamento dos pioneiros do Espiritismo (Kardec, Dellane, Dennis, e outros) é adequada e acertada. Por outro lado, é preciso um pouquinho mais de objetividade sendo necessário reconhecer que a questão, na época, não estava totalmente fechada. Por exemplo, Kardec não fechou questão em relação ao ponto de ligação da alma do homem com a dos outros animais.
O autor se revela ao longo da obra um tanto preconceituoso ou mesmo desinformado em relação à ciência. Possui ainda a visão equivocada de que, cientificamente falando, a espécie humana é o último degrau da evolução. Em verdade, as espécies se ramificam intensamente e nada indica que um dia existirão só homens.
Frases como a de que "o homem tem o privilégio de ser a obra prima da Criação de Deus" (pag. 22) é que tem nos levado a achar que somos um ser à parte deslocado da realidade dos outros animais. Ainda é o resquício da gênese bíblica! Ao contrário do que pensa o autor, a ciência já superou esta ideia.
Não se pode ainda atribuir a ciência afirmações como a de que "todo corpo vivo tem um duplo etéreo" (pag. 62) baseando-se apenas em algumas experiências científicas ultrapassadas. E nem que "os animais têm alma" (pag. 118).
A despeito desta confusão do que é ou o que não é científico, o autor falha em não apresentar as consequências práticas da aceitação de que tanto animais como homens possuem almas e estas estariam em estágios diferentes de um mesmo processo evolutivo. A consequência pode parecer óbvia, mas precisaria ser explicitada e desenvolvida.
 Vital Cruvinel 

 

A Cura pela Fé, de Ricardo Orestes Forni


Proposta:
Apresentar aspectos e práticas espíritas relacionados a doença e a cura valorizando aqueles ligados a religiosidade e a fé.

Formato:
Tamanho médio com aproximadamente 50 mil palavras distribuídas em 20 capítulos. Ao final faz uma homenagem ao pesquisador Hernani Guimarães Andrade apresentando sua biografia.

Linguagem:
Simples e acessível. O autor se dirige diretamente ao leitor procurando despertar sua atenção para a leitura. Há bastante transcrições de trechos de autores consagrados no meio espírita como Chico Xavier / André Luiz e Divaldo Franco / Joanna de Ângelis para apoio nas argumentações.

Avaliação:
O livro oferece uma boa visão de como se entende no meio espírita a problemática das doenças e das curas. É dirigido ao leitor comum que tem um pouco ou mesmo nenhum conhecimento a respeito do tema. Dessa forma, não se deve esperar argumentações sofisticadas em defesa da fé e da religião como elementos importantes num processo de cura.
O autor consegue tratar de forma razoável o contraponto entre uma inflexível lei de causa e efeito e a possibilidade de reparação de um mal através da prática do bem.
O apoio de autores famosos nas argumentações é bem apropriado para o estudo, embora algumas vezes haja um certo excesso na transcrição dos textos destes autores.
Há uma aparente presunção em algumas passagens quando o autor se mostra como o "dono da verdade" ao se apoiar em uma simples afirmação contida nos textos dos autores referenciados.

Discussão:
O autor inicia sua obra com uma curiosa estória do Chico Xavier receitando apenas a fé para uma tuberculosa já que ele não tinha recursos para oferecer os remédios necessários para o tratamento. Mas, depois da metade da obra o autor revela que Chico quando enfermo não prescindia da medicina humana. Será que apenas a fé não seria suficiente para o tratamento dos problemas do Chico?
Na página 100 o autor afirma que "a doutrina espírita nos esclarece sobre os centro de forças existentes no corpo material que são: coronário, frontal, laríngeo, cardíaco, esplênico e genésico". Seria interessante o autor citar a fonte ou explicar o que entende por doutrina espírita.
 Vital Cruvinel 
1.           Ricardo Orestes Forni
Prezado crítico, quando Chico Xavier recorre à ciência dos homens para seu tratamento, ele está dando-nos uma lição de que devemos respeitar os conhecimentos que o ser humano conquista através de seus esforços. o fato de recorrermos à medicina da Terra não é uma afirmativa de falta de fé, aliás, os Espíritos recomendam a utilização do auxílio do plano espiritual em conjunto com a medicina dos homens. obrigado
Prezado crítico, quem se julga "dono da verdade" não cita textos "em demasia" de autores consagrados. quem se julga "dono da verdade", afirma por si mesmo. por isso essa crítica é contraditória em si mesma. Quantos ao pontos energéticos, vários autores espíritas referem-se a eles, bastando para isso uma pesquisa mais pacienciosa e extensa da sua parte para encontrá-los.
grato
Prezado critico, quando Jesus ensinou o método da cura definitiva, ele não utilizou de nenhuma afirmação sofisticada. disse apenas: vá e não peque mais.
como poderia eu ter a pretensão de levantar hipóteses sofisticadas depois dessa afirmativa Dele?
Prezado crítico, a Doutrina Espírita é uma ciência já que começou através da pesquisa de determinados fatos por Kardec, homem de ciência; dessas revelações surgiram uma filosofia de vida, por isso Doutrina Espírita é uma filosofia e, finalmente, Doutrina Espírita é uma religião pelo seu apelo de religar a criatura ao Criador através da sua reforma íntima.
Prezado crítico, a lei de causa e efeito não é inflexível como você afirma. O Apóstolo Pedro afirmou que o amor cobre a multidão de pecados no sentido de podermos sim modificar a colheita através da semeadura do amor. Diante da mulher equivocada que lhe banhava os pés com o perfume de nardo, Jesus afirmou que muito lhe havia sido perdoado porque muito ela havia amado.Inflexivel é a lei do Karma que não é uma afirmativa espírita, mas sim de outras filosofias religiosas. portanto, não fiz colocações no livro sobre "a inflexível lei de causa e efeito". o conceito é seu e não da minha pessoa.

Olá, Ricardo! Primeiramente, é um prazer receber seus comentários a minha análise. De verdade, obrigado! Vou tentar esclarecer alguns pontos:
1. Também concordo com você sobre a recomendação em não descartar nem a fé e nem a medicina. O que quis salientar é que você contou duas estórias sobre o Chico que aparentemente se contradizem. Se existe a recomendação para usar a medicina também então porque o Chico não encontrou uma outra solução para a tuberculosa?
2. Em relação a presunção da verdade eu observei algumas passagens onde se estabelecia um simples argumento de autoridade. Por outro lado, em outras passagens eu identifiquei um excesso de transcrições e isto não é algo ruim para a argumentação, mas ruim para a leitura do texto.
3. Também concordo com você sobre a existência de referências sobre os centros de força. A minha crítica se deveu a falta de indicação destas referências. Como você sabe o conceito de centros de força ou chakras não faz parte do legado de Kardec.
4. Quanto a questão da "sofisticação" eu quis exatamente enaltecer a simplicidade na argumentação. Esta, para mim, é uma das boas qualidades de seu trabalho. Tanto é assim que recomendei seu livro ao nosso clube do livro daqui de São Carlos (com quase 2000 sócios).
5. Perdão, mas acho que houve um engano de sua parte em relação a minha afirmação sobre lei de causa e efeito. Existem autores, não é o seu caso, que dão interpretações bem inflexíveis para esta lei. E um dos pontos altos de seu trabalho é justamente "quebrar" esta inflexibilidade. Ou seja, eu estava elogiando o contraponto que você fez.
Abraços e muito sucesso! Vital.

Ricardo Orestes
Quanto a solução do Chico perante a tuberculosa, vale lembrar que nem mesmo Jesus procedeu da mesma maneira com todos os doentes que encontrou. segundo, naquela época, não existia o demagógico SUS. a paciente não tinha recursos financeiros e nem o Chico, restando a ele, diante do desespero da enferma, lançar mão do que tinha à mão no momento. veja você que ele não recriminou que ela tivesse procurado a medicina da Terra, cujos recursos financeiros, não estavam presentes na ocasião.
Quanto ao "excesso de transcrição", se eu não os tivesse feito, aí sim cairia na posição de ser dono da verdade. Entre essa hipótese e a primeira, prefiro sempre ficar com essa última.
Em relação aos centros de força, Kardec não se referiu a eles, mas a bibliografia de André Luis é esclarecedora sobre eles. Como o livro não se ateve exclusivamente em Kardec, não foge à Doutrina Espírita a referência a esses centros de energia.
Ainda sobre a moça tuberculosa, a sabedoria do Chico não excluiu a medicina da Terra que ensina mobilizar o otimismo do paciente em favor de sua imunidade. ao recomendar a ela que tomasse a receita em pequenos pedaços já que naquele momento não havia recurso financeiro para outra atitude, Chico aliava o estímulo à imunidade da paciente e a fé numa mesma atitude.


O Homem Que Veio da Sombra, de Luiz Gonzaga Pinheiro


Proposta:
Oferecer textos poemas que falam sobre a vida e sobre a espiritualidade.


Formato:
Tamanho médio para ser lido em 2 horas ou em 2 dias. É composto por mais de 50 textos poemas. O projeto gráfico é de muito boa qualidade.


Linguagem:
Aqui as palavras são muito bem tratadas. O autor é elegante, sem ser prolixo; é simples, sem ser simplista; é sensível, sem ser piegas. 


Avaliação:
Este livro é obra de um sonhador, de um poeta que sabe trabalhar as palavras e consegue transmitir sentimentos através delas. E, no caso específico, só bons sentimentos que nos emocionam e nos fazem refletir.

O otimismo e a esperança na vida são marcas do autor que nos atingem sem cessar. E como aprendi com ele que "quem realmente ama uma pérola sente vontade de doá-la" então lhes ofereço um dos seus belos poemas:

 

Apelos do Tempo

Quem quer mesmo a verdade absoluta
Sem quedar-se aos séculos para vê-la pronta,
Muitos zeros receberá na conta
Que o tempo faz para cedê-la em luta.

Quem a verdade tem como impoluta
E a guarda em frases que a razão afronta,
Reconhecerá após a cova pronta
O quanto foi vã sua disputa

O imponderável, o absoluto, o definitivo,
O que de tão belo faz cativo
Só os milênios trarão um dia

Busca no hoje o que te faz altivo
Rega a suor teu um grão de lenitivo
Pois a verdade agora te espedaçaria.



Como Nasce um Centro Espírita, de Carlos Alberto Garcia, Dermeval Carinhana Jr e Silvestre (espírito)


Proposta:

Apresentar a história e os bastidores da formação de um grupo de espíritos que evoluem juntos e se dedicam na construção de um centro espírita.


Formato:

Tamanho médio contendo pouco mais de 200 páginas distribuídas em 31 capítulos e para uma leitura de aproximadamente 8 horas. Após cada capítulo há uma análise com comentários do segundo autor. Há também um índice remissivo no final do livro.

Embora o projeto editorial do livro seja de boa qualidade há uma falha relativamente grave em relação ao título; na capa aparece apenas "Como nasce um Centro Espírita", nos dados de catalogação aparece "Projeto de Luz: como nasce um Centro Espírita", e no cabeçalho das páginas aparece "Projeto Ponto de Luz: como nasce um Centro Espírita".


Linguagem:

A narrativa do romance usa uma linguagem objetiva e clara. Por outro lado, os autores exploram pouco a emoção, e isto torna os diálogos mais ou menos burocráticos. Mas, de qualquer forma, não é o propósito do autor fazer literatura.

Por sua vez, a linguagem das análises ao final de cada capítulo é bem clara e didática revelando boas reflexões. Aqui como na narrativa do romance o Português está impecável, sem ser prolixo e sem ser simplista.


Avaliação:

O grande destaque desta obra são as boas iniciativas de acompanhar a narrativa do romance com análises e reflexões e também de oferecer um índice remissivo. As análises dão uma outra dimensão ao trabalho oferecendo uma visão privilegiada dos autores sobre a narrativa. A partir destas análises é possível acompanhar o raciocínio dos autores e compreender, pelo menos superficialmente, como a obra foi construída.

Além disto, as análises ajudam o leitor a focar sua atenção na essência da narrativa e também em detalhes importantes para o melhor aproveitamento dos conhecimentos acerca do mundo espiritual. Pode contar ainda com referências nas principais obras espíritas que contribuem, assim, para sua credibilidade.

Estas análises representam uma ótima novidade na produção dos romances espíritas e, a meu ver, deveriam ser utilizadas por outros autores. Aliás, só não é novidade porque Kardec já fazia isto nas Conversas Familiares de Além Túmulo publicadas nas edições mensais da Revista Espírita.

O cuidado em empregar um Português correto e claro deve ser louvado. Isto favorece bastante que o leitor não se perca na leitura e nem fique desestimulado a terminar de ler... principalmente por se tratar de uma obra volumosa.

Em toda a obra se observa a naturalidade com que os autores procuram demonstrar a convivência e a sinergia entre os dois planos, material e espiritual. Chegam mesmo a chamar a atenção para experiências relegadas a segundo plano pelo espíritas como o acompanhamento dos espíritos protetores ou a libertação da alma durante o sono físico.


Discussão:

Nas análises do capítulo 5 (e do 14) o autor se remete a Allan Kardec para justificar a necessidade de repouso físico do perispírito. Mas, o mesmo Kardec admite apenas o repouso moral... as manifestações de cansaço e fome seriam apenas ilusões dos espíritos.

Na análise do capítulo 24 o autor afirma que "em nenhum momento, em toda a obra de Allan Kardec, os espíritos superiores utilizaram esses termos [lei de ação e reação, ou causa e efeito], cujos significados podem ser facilmente confundidos com a Lei de Talião ...".

Também concordo que a rigidez desta lei tenha que ser abandonada, mas há algumas passagens como, por exemplo, o diálogo 764 no Livro dos Espíritos.

No capítulo 25 há a informação de que quatro personagens desencarnaram no século XIX por volta dos 70 anos. O autor faz uma boa análise crítica avaliando se esta informação poderia ser verdadeira já que a "esperança de vida da Inglaterra do século XIX era muito abaixo disso". Pesquisando na Internet acharam a informação de que na época do desencarne uma parcela da população tinha mais de 70 anos. Com isso a informação seria consistente, mas seria preciso considerar que a probabilidade de que quatro pessoas desencarnem com uma idade bem acima da esperança de vida é muito pequena.

 Vital Cruvinel 


 


 

Um comentário:

  1. Excelentes as reflexões desses autores!!
    Gratidão por tão importante aprendizado!!

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