Biografias de Gigantes do Espiritismo

 BIOGRAFIAS DE GIGANTES DO ESPIRITISMO


Embora reconhecendo que muitos Espíritos desencarnados não dão qualquer apreço às homenagens terrenas, é óbvio que os nossos pósteros não podem e não devem ignorar, ainda que de forma bastante resumida e apagada, a obra por eles deixada na Terra, pois muitos deles por aqui passaram como verdadeiros rasgos de luz a iluminar os horizontes do mundo.
O espírita pode até achar que possui a cruz mais pesada do mundo, mas, ao ler as biografias destes grandes obreiros, poderá observar nelas uma grande lição de vida, pois, saberá todo o sofrimento por eles passado e que a nossa cruz é muito mais leve, que o nosso sofrimento embora achemos exagerado, é muito pouco perto daquele passado por esses obreiros já desencarnados em tempos muito difíceis.
Ele deve levantar a cabeça, sentir-se mais propenso a aceitar a sua carga de trabalho com resignação e trabalhar com louvor.




BIOGRAFIAS

CESARE LOMBROSO



Nasceu em 6 novembro de 1835 e desencarnou em 19 de outubro de 1909.
Cientista universalmente conhecido pelos importantes trabalhos realizados no campo jurídico, desde muito cedo dedicou-se às letras.
Aos doze anos de idade, escreveu a obra intitulada "Grandeza e Decadência de Roma", que teve grande repercussão nos meios intelectuais de então.
Sobre a obra de Mazolo, grande psicólogo italiano, escreveu um artigo, que foi publicado num dos jornais italianos. Mazolo leu esse artigo e convidou Lombroso para ir à sua casa, pois desejava conhecer o novo escritor. Diante do menino, que contava apenas quatorze anos, ficou surpreendido, dada a sua inteligência precoce.
Lombroso converteu-se ao Espiritismo depois de haver realizado experiências sobre a mediunidade de Eusápia Paladino, que lhe fora apresentada pelo professor Chiaia, de Nápoles.
Em uma das sessões com esta médium, assistiu à materialização do Espírito de sua própria mãe.
Daí por diante, Lombroso não teve dúvidas quanto à sobrevivência e a comunicabilidade dos Espíritos.
Escreveu várias obras, tanto no campo da Medicina, quanto no da Filosofia.
Dentre elas, destacam-se a notável monografia "Antropologia Criminal", "L’Uomo di Gênio", "L’Uomo Delinqüente", além de outras sobre psicologia e psiquiatria.
Sobre o Espiritismo, não podemos deixar de citar a "Pesquisa Sobre os Fenômenos Hipnóticos e Espíritas", através da qual relata todas as experiências realizadas, não só com Eusápia Paladino, como também com outros médiuns de efeitos físicos, como Elizabeth D’Esperance e Politi.
Fonte: ABC do Espiritismo de Victor Ribas Carneiro.
Lombroso foi um dos maiores médicos criminalistas do século passado. Nasceu em Verona no dia 18 de novembro. Graduou-se em Medicina em Pavia, em 1858, onde recebeu grande influência do anatomista Panizza. Um ano depois de graduar-se em medicina obtém o diploma de cirurgia em Gênova. Aprimou seus conhecimentos em Viena com o clínico Skoda, e em Pádua com o médico Paolo Marzolo, cuja formação positivista haveria de exercer uma profunda influência sobre ele.
Aos vinte anos, com "A Loucura de Cardano", Lombroso já delineia os assuntos que vão torná-lo famoso: o contraste entre o gênio do homem e as teorias sobre a natureza degenerativa. Como oficial-médico escreve, em 1859, "Memória sobre as Feridas e as Amputações por Armas de Fogo", ainda hoje considerado um dos trabalhos mais originais da literatura médica italiana. A seguir é atraído, na Calábria, pelos problemas antropológicos e étnicos da região.
Em 1862, em Pavia, inicia um curso de psiquiatria e no ano seguinte transforma-o em curso de "clínica das doenças mentais e de antropologia". Suas freqüentes visitas ao hospital de doentes mentais, onde assiste gratuitamente pacientes, permitem-lhe aprofundar o estudo das relações entre gênio e neurose. "As idéias dos maiores pensadores arrebentam de improviso, desenrolam-se involuntariamente como os atos compulsivos dos maníacos", escreveu. No Congresso Internacional de Antropologia realizado em Milão, várias críticas foram levantadas contra a posição de Lombroso, mas foi reconhecido o seu pioneirismo na terapia com os doentes mentais: abrandamento racional do tratamento (até então intolerante), introdução de trabalho manual, conversações com gente de fora, diversões coletivas, diários escritos e impressos pelos próprios pacientes. Era um método novo, hoje empregado pela psicoterapia.
Em 1864, Lombroso ficou internacionalmente conhecido graças ao seu comentadíssimo livro "Gênio e Loucura", traduzido em vários idiomas e que exerce influência até hoje. Em 1867, escreve "Ações dos Astros e dos Cometas sobre a Mente Humana" e no ano seguinte "Relações entre a Idade, as Posições da Lua e os Acessos das Alienações Mentais", trabalhos recebidos com muitas reservas pelos demais cientistas do ramo. Psiquiatra e diretor do manicômio de Pádua nos anos de 1871 a 1876, Lombroso coleta dados suficientes para suas teorias. Do exame de centenas de doentes mentais e criminosos, ele chega à conclusão de que o criminoso é formado por alguma tendência básica inerente ao seu destino, e que as "sementes de uma natureza criminal" podem ser muitas vezes identificadas na criança. Acreditava, ainda, que o meio social, aliado às influências astrais, preparasse para a ação criminosa indivíduos cuja natureza fosse anti-social. Em 1876, ele vence o concurso para a cátedra de Higiene e Medicina Legal da Universidade de Turim e neste mesmo ano publica "O Homem Delinqüente", obra muito discutida na época.
Em 1882, em seu opúsculo "Estudo sobre o Hipnotismo", ele ridicularizava as manifestações espíritas mas, convidado pelo prof. Morselli a estudar melhor o assunto, participou de sessões com a médium Eusápia Palladino, convencendo-se da veracidade incontestável dos fatos. As pesquisas que fez com essa médium encontram-se no livro da sua autoria "Hipnotismo e Mediunidade".
As obras de Cesar Lombroso trouxeram-lhe fama, acenderam polêmicas e influenciaram muitos legisladores e escritores. Quando vai a Moscou, é em 1897, como participante do Congresso Psiquiátrico, conhece Tolstói, que sabia muito bem das suas idéias acerca do gênio e da loucura. Escritores como Emile Zola e Anatole France também sofreram sua influência. Entre os médicos, merece destaque Kraepelin, um dos maiores classificadores de doenças mentais, que sob a influência de Lombroso escreve acerca da abolição das penas. Legisladores de muitos países, inspirados em suas obras, propõem reformas das leis penais.
Lombroso, sempre fiel ao método experimental, legou aos espíritas um excelente acervo de esclarecimentos sobre a mediunidade e o vasto campo fenomenológico. Homem profundamente honesto defendeu a veracidade do Espiritismo até a sua morte, noticiada com destaque em todo mundo, no dia 19 de outubro de 1909.
Era o final da missão, que no seu caso, iniciada pelo avesso, da posição de ridículo para a de defensor sincero, haveria de fortalecer o movimento espírita pela sua prória inclusão em meio a seus pesquisadores e defensores.
Deus tem muitos caminhos para os homens. Para Lombroso, o caminho foi refazer o próprio camimho, ou seja, sedimentar aquilo que ele, por desconhecimento da realidade agredira, ao formular conceitos equivocados sobre o Espiritismo, retratando-se intimamente e publicamente a posteriori através do imenso trabalho que realizou.
Cesare Lombroso foi um professor universitário e criminologista italiano, nascido a 6 de novembro de 1835, em Verona. Tornou-se mundialmente famoso por seus estudos e teorias no campo da caracterologia, ou a relação entre características físicas e mentais.
Lombroso tentou relacionar certas características físicas, tais como o tamanho da mandíbula, à psicopatologia criminal, ou a tendência inata de indivíduos sociopatas e com comportamento criminal. Assim, a abordagem de Lombroso é descendente direta da frenologia, criada pelo físico alemão Franz Joseph Gall no começo do século IX e estreitamente relacionada a outros campos da caracterologia e fisiognomia (estudo das propriedades mentais a partir da fisionomia do indivíduo). Sua teoria foi cientificamente desacreditada, mas Lombroso tinha em mente chamar a atenção para a importância de estudos científicos da mente criminosa, um campo que se tornou conhecido como antropologia criminal.
Lombroso estudou na Universidade de Pádua, Viena, e Paris e foi posteriormente (1862-1876) professor de psiquiatria na Universidade de Pavia e medicina forense e higiene (1876), psiquiatria (1896) e antropologia criminal (1906) na Universidade de Turim. Foi também diretor de um asilo mental em Pesaro, Itália.
A principal idéia de Lombroso foi parcialmente inspirada pelos estudos genéticos e evolutivos no final do século IX, e propõe que certos criminosos têm evidências físicas de um "atavismo" (reaparição de caracteristicas que foram apresentadas somente em ascendentes distantes) de tipo hereditário, reminiscente de estágios mais primitivos da evolução humana. Estas anomalias, denominadas de estigmas por Lombroso, poderiam ser expressadas em termos de formas anormais ou dimensões do crânio e mandíbula, assimetrias na face, etc, mas também de outras partes do corpo. Posteriormente, estas associações foram consideradas altamente inconsistentes ou completamente inexistentes, e as teorias baseadas na causa ambiental da criminalidade se tornaram dominantes.
Apesar da natureza inconsistente destas teorias, Lombroso foi muito influente na Europa (e também no Brasil) entre criminologistas e juristas. Entre seus livros estão: L'Uomo Delinquente (1876; "O Homem Criminoso") e Le Crime, Causes et Remèdes (1899; O Crime, Suas Causas e Soluções).
Lombroso morreu em 19 de outubro de 1909, em Turim, Itália.


Carlos Imbassahy

Nascido em 9 de setembro de 1884, doutor Carlos Imbassahy enfrentou galhardamente a passagem do século vivendo até 1969, quando desencarnou antes de completar seus 85 anos de existência bem vivida.
Em 1901 era um jovem advogado que militava nos meios forenses, tendo sido nomeado por concurso público Promotor Público na comarca de Andaraí, uma cidade interiorana do seu estado natal, a Bahia.
A vida forense não lhe sorriu e, como conta, no livro Memórias Pitorescas do Meu Pai, o doutor Imbassahy se deparou com um Juiz ciumento, achando que todos cobiçavam sua distinta consorte (ou sem sorte) e mais os políticos da região, todos armados e determinando a conduta dos demais.
Não podendo cumprir sua função, foi obrigado a largar a magistratura, vindo para o Rio de Janeiro, onde, ainda por concurso, ingressou na carreira de Estatístico do Ministério da Fazenda.
Foi aí que conheceu Amaral Ornelas, o grande poeta espírita, com o qual fez amizade e teve seus primeiros contatos com o estudo doutrinário.
Não vamos repetir aqui o que o livro de suas memórias, já citado, narra.
Por esta época, já dedicado à literatura, havia escrito seu primeiro romance, intitulado Leviana e que era um pouco da sua própria história com a fantasia do literato, juntado outros fatos ao enredo, a fim de criar a trama romântica.
Como ainda não era espírita, o autor imprimiu no livro a sua já configurada tendência para o conhecimento dos estudos referentes à doutrina codificada por Kardec.
Assas curioso tal fato e, posteriormente, ele próprio, já desencarnado, veio complementar a obra, dando-lhe as explicações espirituais que envolviam a trama. A segunda edição deste romance sairá com este apêndice literário mediúnico.
Acumulando com as suas funções de funcionário público, o Dr. Imbassahy também exercia a profissão de jornalista, chegando a ser o Redator-chefe e Diretor da Revista da Estrada de Ferro, além de trabalhar na redação de jornais diários do Rio de Janeiro.
Foi assim que acabou sendo convidado para se tornar redator da revista O Reformador publicada pela Federação Espírita Brasileira (FEB), ocupando o cargo de secretário durante longos anos.
Junto com seu amigo Amaral Ornelas e com Bernardino Oliva da Fonseca Filho, o Bebé, grande médium psicógrafo, fundaram os três um Centro Espirita em cuja presidência os mesmos se alternavam.
Todavia, suas atribuições não impediam que participasse ativamente do movimento espírita onde foi lançado como orador pelo próprio Ornelas.
Adotou um estilo novo de expor, procurando alternar os ensinamentos doutrinários com assuntos leves e até mesmo jocosos que fossem capazes de atrair a atenção dos seus ouvintes. Com isso, aos poucos, foi criando Escola, apesar de combatido pelos mais austeros líderes do movimento espírita.
Mesmo, pertencente à direção da revista editada pela FEB, ele ainda não tinha tido conhecimento dos trabalhos de J. B. Roustaing sobre o docetismo cristão que este autor tentara implantar no meio espírita de França e que a FEB resolvera seguir.
Foi quando um padre, em Juiz de Fora, resolveu atacar o Espiritismo. Os companheiros de Doutrina acharam por bem pedir socorro à casa máter, isto é, à FEB que, para atendê-los, indicou o Dr. Imbassahy. Este deveria comparecer àquela cidade, dita manchester mineira, para rebater as acusações do membro eclesiástico da Igreja.
Na hora em que embarcou, por ferrovia, para a aludida cidade, um dos diretores, para ajudá-lo, entrega-lhe os volumes traduzidos pela própria FEB, da obra de Roustaing, dizendo-lhe:
- Imbassahy: aqui você encontrará tudo o que precisa par acabar com o padre!
E o enviado para combater o eclesiástico em Juiz de Fora aproveitou a viagem para estudar a obra que ainda não conhecia. Começou a lê-la. Sua razão, evidentemente, fê-lo estarrecer-se do conteúdo - ao qual considerou absurdo - daquela obra que tinha em mãos.
O principal tópico dos debates seria a ressurreição de Lázaro e quando Dr. Imbassahy leu as explicações dadas pela comunicação mediúnica à Sr.ª Collignon, ficou horrorizado, pensando no fiasco que faria se apresentasse aquilo como argumento para debate.
Foi seu primeiro contato e sua primeira decepção com Roustaing.
Segundo ele, sua grande sorte foi a de que o Padre, no dia do debate, resolveu se ausentar da cidade e ele, “magnanimamente”, preferiu não abordar os temas em foco.
Como era muito amigo dos diretores da FEB, suas atribuições ante a revista, como jornalista, não sofreram qualquer abalo.
Os tempos se passam e desencarna o presidente Guillon Ribeiro. Elegem para substituí-lo um jovem militante roustainguista que tinha outra visão da Doutrina e que achava fundamental que todos os participantes dos cargos diretivos da Federação Espírita Brasileira fossem não apenas adeptos, mas militantes professos do roustainguismo. E, com isso, Dr. Imbassahy, praticamente, foi excluído do seu cargo e afastado, a bem da comunidade, do movimento federacionista.
Mas, à essa altura, seu lastro doutrinário e sua fama de escritor já lhe haviam coroado a carreira literária. Foi dessa forma que seus novos livros encontraram uma série de editores fora do contexto febiano para serem publicados.
E sua bagagem foi enriquecida com excelentes livros cujas edições esgotadas mereciam nova republicação.
Afastado da FEB, passou a ser um dos grandes expoentes, ao lado de seu querido amigo e conterrâneo Leopoldo Machado, o baluarte dos movimentos espíritas que não tinham apoio daquela entidade.
Assim foi orador oficial do Congresso Sul-americano de Espiritismo realizado no Rio de Janeiro, participou de todos os congressos de Escritores e Jornalistas Espíritas realizados no Brasil, até seu desencarne, incrementou o movimento de jovens e teve importante participação junto ao I (e único) Congresso Brasileiro de Mocidades Espíritas, enfim, destacou-se sobremodo pelo apoio que sempre deu às Semanas Espíritas e a quaisquer atividades doutrinárias que tivessem como escopo a difusão do Espiritismo.
Junto com sua esposa, participou do Teatro Espírita, encenando esquetes e pequenas peças ou entreatos durante Semanas Espíritas, escrevendo, até, uma comédia intitulada Firma Roscof e Cia, incentivando os jovens espíritas à arte pura e sadia, enfim, como literato, como jornalista e como expositor doutrinário, realizou uma obra gigantesca que, sem dúvida, deixou um marco indelével em nosso século 20.
São inúmeros os casos pitorescos de sua vida, contados em livro e que merecem ser lidos por todos. Além de divertir, mostra a verve de um grande baluarte da Doutrina que soube aliar a difusão doutrinária com a arte, com sabedoria.
Dr. Alberto de Souza Rocha e o filho do Dr. Carlos reuniram numa obra uma série de documentos do Dr. Imbassahy que ainda não veio a lume porque nosso querido companheiro Alberto desencarnou antes de completar seu trabalho. São acervos do arquivo pessoal do grande escritor, com cartas particulares, inclusive uma endereçada a Wantuil de Freitas quando presidia a FEB que é um libelo terrível contra o roustaingismo.
Não poderia falar do Dr. Imbassahy sem fazer uma especial referência à sua esposa, dona Maria, médium de excelentes predicados e que era seu braço forte, no incentivo e em tudo mais que uma companheira dedicada e apaixonada pode fazer por seu marido.
Discorrer sobre o casal, seria escrever outro livro.
Dona Maria também era uma excelente comediante, só que nunca se dedicou à profissão, senão, participando ao lado do esposo em sua apresentações cênicas no meio espírita. Faziam um par impagável e juntaram-se ao Olympio Campos, outro excelente ator que, depois de crescido, órfão de pais, elegeu o casal para ser seus novos genitores. Os três juntos faziam as cenas de humor nas Semanas Espíritas de que participavam, mostrando que a arte sadia também tem lugar dentro do movimento espírita.
O casal Imbassahy teve um único filho, o Carlos, meu marido e por quem se redobravam em cuidados, coisa comum de pais que têm filho único.
O neném, o menino, o rapaz, o adulto, o pai dos seus netos, para eles, era uma eterna criança. Tais os desvelos e cuidados que tinham, aliados à preocupação natural em tais casos.
Casaram-se tarde. Quando o filho nasceu já tinham idade suficiente para conhecerem a vida, contudo, um filho é sempre um filho.
Dr. Imbassahy teve uma vida de glórias. De um comportamento espiritual exemplar, nunca faltou àqueles que lhe pediam ajuda. Certa vez, um pobre camundongo, fugindo à fúria dos seus perseguidores, procurando abrigo sob o salto de seu sapato, não foi denunciado, porque Dr. Imbassahy não teve coragem de delatar o roedor que procurou salvação junto a ele.
Foram inúmeros e sinceros os seus amigos. São casos altamente pitorescos os que envolvem o seu relacionamento com eles. Coisas curiosas que recomendam a leitura das suas memórias.
Finalmente, aos 84 anos, foi acometido de uma leucose aguda que, em pouco mais de seis meses, levou-o à sepultura. Seu enterro (04-08-69), concorridíssimo, deixou uma lacuna dentro do movimento espírita. E, até hoje, ainda não se encontrou um substituto à altura para seu lugar.
Carmem Imbassahy



Nicolas Camille Flammarion

Nicolas Camille Flammarion nasceu em 26 de fevereiro de 1842 e era filho de comerciantes, que moravam em Montigni-Le-Roi, na França. Por insistência dos pais, Flammarion era proibido de brincar com as crianças de seu bairro e foi direcionado aos estudos desde muito pequeno. Aos seus 5 anos ele já sabia ler, escrever e iniciava seus estudos em Gramática e Aritmética. Aos 9 anos estudava Latim na cidade de Langres e já possuía uma biblioteca particular de 50 volumes.
Posteriormente, entrou numa escola católica, onde vislumbrou-se com a Astronomia, pois que o vigário Lassale lhe falava muito sobre a beleza da ciência e a grandeza da Astronomia, como também ensinava sobre a Oratória e o Novo Testamento.
Etienne Jules, pai de Flammarion, presenteou-lhe certa vez com um livro de Cosmografia que obtinha os sistemas de Ptolomeu, Copérnico e TychoBrahe, um livro que o ajudou muito em seus estudos.
Em 1856 a família Flammarion teve que se mudar para Paris, por enfrentar uma epidemia de cólera na cidade natal e também por dificuldades financeiras. O jovem Camille já com 14 anos começou então a trabalhar por 15 horas como auxiliar de gravador e estudava aos domingos, frequentando cursos gratuitos na Associação Politéccnica de Paris. Sua dedicação aos estudos era espantosa. Toda noite ele juntamente com uma pequena vela ao lado de sua cama no chão frio, lia e relia seus livros. No ano seguinte ele concluiu seu livro com 500 páginas e ilustrado com 150 desenhos; com o nome de Cosmogonia Universal: estudo do mundo primitivo.
Como pagamento, Camille recebia um lugar para dormir e comida. Além de comer mal e dormir numa cama muito dura, o trabalho como aprendiz de gravador era bastante rigido.
Na Escola de Monges de Saint Roch, Flammarion decidiu fundar a Academia da Juventude, com apenas 16 anos, proferindo palestra de abertura sobre A Maravilha da Natureza. Posteriormente, numa missa, Flammarion desmaia em frente a todos na Igreja; provavelmente em decorrência de tanta dedicação ao serviço e a má alimentação.
Esse desmaio, no entanto, foi providencial, pois que o Dr. Edouvard Fomié ao visitá-lo em seus aposentos, encontrou alguns dos textos do livro ainda não publicado Cosmologia Universal. O Dr. Edouvard se surpreende com a capacidade do jovem Camille e lhe promete colocá-lo no Observatório Nacional como aprendiz de Astronomia.
No Observatório de Paris, o Diretor Leverrier recebeu Camille com muita desconfiança e também não aceitava o fato de que o menino de 16 anos possuía tantos conhecimentos e capacidade intelectual de grandes cientistas. A facilidade que tinha de escrever, a sua capacidade intelectual e todo seu conhecimento sobre Astronomia demonstram que realmente se tratava de um Espírito antigo com grandes conhecimentos e aprendizados, voltado à uma missão aqui na Terra.
Em 1861 Camille descobre em uma livraria O Livro dos Espíritos. De pronto ele compra o livro e o devora. O Livro dos Espíritos colabora muito para o livro que ele já estava escrevendo intitulado A Pluralidade dos Mundos Habitados. Ele procura por Allan Kardec e acaba por conhecer a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.
Logo após, Kardec o convida a participar das reuniões mediúnicas , com o passar do tempo Camille desenvolve a sua pisicografia; recebendo mensagens do ilustre Galileu Galílei. Muitas destas mensagens estão postadas no livro A Gênese e são também comentadas por Allan Kardec nas edições da Revista Espírita.
Allan Kardec demonstra muita admiração pelo jovem Camille que, tendo um pouco mais que dezoito anos já colaborava com a Codificação Espírita e demonstrava grande ascensão espiritual e intelectual.
No decorrer dos anos, Camille foi se tornando um célebre cientista e muito conhecido em Paris e no mundo. Sua atividade junto ao Espiritismo foi até o fim de seus dias, proferindo palestras, programando Congressos. Foi ele quem fez também o lindo discurso de homenagem a Allan Kardec no dia do seu sepultamento.
Carlos Fernandes Jr.


Antônio Gonçalves da Silva - Batuíra

Nascido a 19 de março de 1839, em Portugal, na Freguesia de Águas Santas, hoje integrada no Conselho de Maia, e desencarnado em São Paulo, no dia 22 de janeiro de 1909.
Completada a sua instrução primária, veio para o Brasil, com apenas onze anos de idade, aportando no Rio de Janeiro, a 3 de janeiro de 1850.
Seu nome de origem era Antônio Gonçalves da Silva, entretanto, devido a ser um moço muito ativo, correndo daqui para acolá, a gente da rua o apelidara "o batuíra", o nome que se dava à narceja, ave pernalta, muito ligeira, de voo rápido, que frequentava os charcos na várzea formada, no atual Parque D. Pedro II, em S. Paulo, pelos transbordamentos do rio Tamanduateí. Desde então o cognome "Batuíra" foi incorporado ao seu nome.
Batuíra desempenhou uma série de atividades que não cabe registrar nesta concisa biografia, entretanto, podemos afirmar que defendeu calorosamente a ideia da abolição da escravatura no Brasil, quer seja abrigando escravos em sua casa e conseguindo-lhes a carta de alforria, ou fundando um jornalzinho a fim de colaborar na campanha encetada pelos grandes abolicionistas Luiz Gama, José do Patrocínio, Raul Pompéia, Paulo Ney, Antônio Bento, Rui Barbosa e tantos outros grandes paladinos das ideias liberais.
Homem de costumes simples, alimentando-se apenas de hortaliças, legumes e frutas, plantava no quintal de sua casa tudo aquilo de que necessitava para o seu sustento. Com as economias, adquiriu os então desvalorizados terrenos do Lava-pés, em S. Paulo, edificando ali boa casa de residência e, ao lado dela, uma rua particular com pequenas casas que alugava a pessoas necessitadas. O tempo contribuiu para que tudo ali se valorizasse, propiciando a Batuíra apreciáveis recursos financeiros. A rua particular deveria ser mais tarde a Rua Espírita, que ainda lá está.
Tomando conhecimento das altamente consoladoras verdades do Espiritismo, integrou-se resolutamente nessa causa, procurando pautar seus atos nos moldes dos preceitos evangélicos. Identificou-se de tal maneira com os postulados espíritas e evangélicos que, ao contrário do "moço rico" da narrativa evangélica, como que procurando dar uma demonstração eloquente da sua comunhão com os preceitos legados por Jesus Cristo, desprendeu-se de tudo quanto tinha e pôs-se a seguir as suas pegadas. Distribuiu o seu tesouro na Terra, para entrar de posse daquele outro tesouro do Céu.
Tornou-se um dos pioneiros do Espiritismo no Brasil. Fundou o "Grupo Espírita Verdade e Luz", onde, no dia 6 de abril de 1890, diante de enorme assembleia, dava início a uma série de explanações sobre "O Evangelho Segundo o Espiritismo".
Nessa oportunidade deixara de circular a única publicação espírita da época, intitulada "Espiritualismo Experimental" redigida desde setembro de 1886, por Santos Cruz Junior. Sentindo a lacuna deixada por essa interrupção, Batuíra adquiriu uma pequena tipografia, a que denominou "Tipografia Espírita", iniciando a 20 de maio de 1890, a publicação de um quinzenário de quatro páginas com o nome "Verdade e Luz", posteriormente transformado em revista e do qual foi o diretor- responsável até a data de sua desencarnação.
A tiragem desse periódico era das mais elevadas, pois de 2 ou 3 mil exemplares, conseguiu chegar até 15 mil, quantidade fabulosa naquela época, quando nem os jornais diários ultrapassavam a casa dos 3 mil exemplares. Nessa tarefa gloriosa e ingente Batuíra despendeu sua velhice. Era de vê-lo, trôpego, de grandes óculos, debruçado nos cavaletes da pequena tipografia, catando, com os dedos trêmulos, letras no fundo dos caixotins.
Para a manutenção dessa publicação, Batuíra despendeu somas respeitáveis, já que as assinaturas somavam quantia irrisória. Por volta de 1902 foi levado a vender uma série de casas situadas na Rua Espírita e na Rua dos Lava-pés, a fim de equilibrar suas finanças.
Não era apenas esse periódico que pesava nas finanças de Batuíra. Espírito animado de grande bondade, coração aberto a todas as desventuras, dividia também com os necessitados o fruto de suas economias.
Na sua casa a caridade se manifestava em tudo: jamais o socorro foi negado a alguém, jamais uma pessoa saiu dali sem ser devidamente amparada, havendo mesmo muitas afirmativas de que "um bando de aleijados vivia com ele". Quem ali chegasse, tinha cama, mesa e um cobertor.
Certa vez um desses homens que viviam sob o seu amparo, furtou-lhe um relógio de ouro e corrente do mesmo metal. Houve uma denúncia e ameaças de prisão. A esposa de Batuíra 1amentou- se, dizendo: "é o único objeto bom que lhe resta". Batuíra, porém, impediu que se tomasse qualquer medida, afirmando: "Deixai-o, quem sabe precisa mais do que eu".
Batuíra casou-se em primeiras núpcias com Da. Brandina Maria de Jesus, de quem teve um filho, Joaquim Gonçalves Batuíra, que veio a desencarnar depois de homem feito e casado. Em segundas núpcias, casou-se com Da. Maria das Dores Coutinho e Silva; desse casamento teve um filho, que desencarnou repentinamente com doze anos de idade. Posteriormente adotou uma criança retardada mental e paralítica, a qual conviveu em sua companhia desde 1888.
Figura bastante popular em S. Paulo, Batuíra tornou-se querido de todos, tendo vários órgãos da imprensa leiga registrado a sua desencarnação e apologiado a sua figura exponencial de homem caridoso e dedicado aos sofredores.


AMÁLIA DOMINGOS SOLER

Nascida a 10 de novembro de 1833, da cidade de Sevilha, Espanha, e desencarnada a 29 de abril de 1909.
Foi figura de grande destaque no seio do Espiritismo espanhol, tendo a sua fama ultrapassado mesmo as fronteiras da península ibérica, para atingir os países americanos de fala castelhana.
No Brasil ela tornou-se muito conhecida pela sua obra “As memórias do Padre Germano”, verdadeiro repositório de ensinamentos dos mais vivificantes.
Amália não nasceu num lar risonho e sua vida foi entrecortada de dores físicas e morais, entretanto, ela tudo suportou com estoicismo, pois somente os Espíritos fortes sabem vencer os obstáculos, compreendendo que as tribulações da vida terrena são imperativos da lei divina, impostos aos homens pelas suas transgressões cometidas em vidas pretéritas.
As adversidades que ela deparou pelo caminho nunca constituíram entraves à sua persistente luta, no sentido de projetar os ensinamentos da Doutrina Espírita na Espanha do século passado. Através de sua luta conseguiu também elevar bem alto o conceito da mulher no campo da divulgação.
Com a idade de dez anos, começou a escrever; aos dezoito já dava à publicidade as suas poesias. No propósito de melhor poder difundir os seus escritos, transferiu-se para Madri. Na Capital espanhola, trabalhou de forma tão intensa que ficou completamente cega.
Debalde procurou consolo no seio das religiões tradicionais. Os dogmas não a satisfaziam. Os conceitos da vida no além-túmulo, apregoados por essas religiões, não preenchiam o imenso vácuo que existia em sua alma.
Um dia, porém, através do periódico “El Critério”, editado pela Federação Espírita Espanhola, tomou conhecimento do Espiritismo. Dali por diante os seus escritos, que apenas expressavam amargura, passaram a constituir uma fonte de consolação.
Havia compreendido, afinal, que os sofrimentos experimentados nesta vida, são heranças de faltas cometidas em vidas pretéritas, e que, embora muitas pessoas tenham diante de si horizontes sombrios, devem-se compenetrar que Deus é Pai de misericórdia e de amor, sempre pronto a conceder benesses de luz e dar sustentação às almas alquebrantes.
Passou Amália a compreender que o Evangelho de Jesus é, na realidade, uma fonte de água viva que jorra para a vida eterna.
Os cognomes de “poetisa das violetas” e “cantora do Espiritismo” lhe foram outorgados, pois o seu nome projetou-se de tal forma que ela se tornou, de direito e de fato, uma das mais apreciadas poetisas de seu tempo.
Animada de profunda fé em Jesus Cristo e nos benfeitores espirituais, conseguiu um dia recobrar a visão. Eis como ela relata esse importante acontecimento de sua vida:
“- Bela manhã, estando em sua casa sentiu repentinamente doloroso e estranho fenômeno: pareceu-me, disse ela, que toda minha cabeça se tinha enchido de neve, tal o frio intenso que senti na mesma.
Prestei atenção e acreditei ouvir esta breve palavra: LUZ... LUZ... LUZ... para a minha alma e para os meus olhos; gritei movida por inexplicável impressão: LUZ necessito, meu Deus. E sem saber por que, chorei, não com amargura desconsolada, pelo contrário, aquelas lágrimas pareciam que davam vida. Sem dar conta do que fazia, encaminhei-me para um espelho, numa exclamação de júbilo e de assombro indescritível ao ver meus olhos perfeitamente abertos como há muito não os podia ver, pois que sempre os tinha com as pálpebras caídos, o que me impossibilitava de ver.
Havia chegado a hora da minha liberdade? Perguntei em alta voz; julgando que alguém pudesse me responder. Sim, murmurou uma voz longínqua. Louca de contentamento corri para o médico que me disse: Amália, graças a Deus, a partir de amanhã poderás trabalhar, porém, sem excessos.”
Podemos afiançar que o trabalho de Amália Domingo Soler no campo da divulgação do Espiritismo, foi de relevante importância, tendo contribuído decididamente para que a Doutrina dos Espíritos passasse a desfrutar de enorme prestígio naquela nação.
Amália foi uma mulher singular. Era um exemplo vivo de firmeza, de fé e de amor, na defesa dos ideais que esposava. Em novembro de 1878, desenvolveu ingente trabalho no sentido de rebater acusações que eram lançadas contra o Espiritismo pelo cura Manterola, na “A Gazeta de Catalunha”. Nesse propósito ela escreveu uma série de cinquenta e dois artigos.
Fonte: Personagens do Espiritismo. Antonio de Souza Lucena e Paulo Godoy



Alexandre Aksakof

Este gigante da literatura espírita nasceu em Ripievka, Rússia, no dia 27 de maio de 1832, e desencarnou em 4 de janeiro de 1903. Foi diplomata e conselheiro privado do Imperador Alexandre III, Czar da Rússia.
Começou a estudar os fenômenos espíritas em 1855, quando se encontrava na Alemanha, em missão diplomática.
Foi colaborador de William Crookes nas experiências de materializações do Espírito de Katie King; fez parte da Comissão de Milão para investigação dos fenômenos produzidos por Eusápia Paladino.
Escreveu o livro "Animismo e Espiritismo", que foi publicado em 1890 e traduzido para várias línguas, inclusive para o português.
Homem de ciência e de uma convicção inabalável, jamais temeu a crítica. Dizia ele:
"Não tenho outra coisa a fazer senão afirmar publicamente o que tenho visto, entendido e ouvido."
Fonte: ABC do Espiritismo de Victor Ribas Carneiro



Leopoldo Cirne exerceu o cargo de Presidente da Federação Espírita Brasileira durante o período de 1900 a 1914. Nasceu em 31 de Abril de 1870, na Paraíba do Norte, criando-se, porém, na cidade do Recife. Desencarnou no Rio de Janeiro, na manhã de 31 de Julho de 1941. Desde cedo, nele se revelou acentuado pendor pelos estudos e, favorecido por viva inteligência, avançava, com real proveito, em seu curso de humanidades.
Dificuldades financeiras obrigaram-no a abandonar os estudos e a ingressar no comércio, quando contava onze anos de idade. Os comerciários atualmente desfrutam regalias e liberdades que aos de seu tempo não eram concedidas. Mal despontava a aurora, até às caladas da noite , estava o empregado no serviço ativo. Só uma pequena parte do Domingo podia o comerciário de então respirar mais livremente e dispor da sua vontade. Quis, porém, o destino que o nosso biografado, apenas de ter a alma cheia de belos sonhos, se visse na contingência de enfrentar, ainda menino, as lutas e a rude disciplina comercial, sacrificando, assim, seus mais caros ideais de formação intelectual !
Ignoramos se em aqui chegando, pelo ano de 1891, trazia já sua crença firmada na Terceira Revelação. O certo, porém, é que em pleno desabrochar da sua juventude, pois contava mais ou menos vinte e dois anos de idade, já ao lado do inolvidável Bezerra de Menezes trabalhava tão sincera e entusiasticamente a prol do Espiritismo, que desde logo granjeou a confiança de seus confrades que lhe sufragaram, em 1895, o nome para Vice-Presidente da Federação Espírita Brasileira.
Despontava o dia 11 de Abril de 1900 e a família espírita brasileira, os pobres, os pequeninos, os ignorados que o espírito de Adolfo Bezerra de Menezes, o grande Presidente da Federação Espírita Brasileira, partira para as regiões sublimes do Além!
Foi, pois, a uma personalidade dessas que coube a Leopoldo Cirne substituir na suprema direção da Casa de Ismael. E a sua atuação nesse alto posto foi tão marcante que, por cerca de catorze anos, o exerceu com verdadeiro amor evangélico e dentro daquele espírito de sincera humildade de que o Cristo nos deu edificante exemplo. Em começo dissemos que se vira ele obrigado a interromper seu curso de humanidades; todavia, com esforço próprio conseguiu Leopoldo Cirne ser um dos mais puros vernaculistas, deixando-nos artigos e obras que até hoje deixando-nos artigos e obras que até hoje merecem a nossa admiração.
Á sua perseverante força de vontade e de confiança na misericórdia do Alto, deve a Federação Espírita Brasileira a sede na Avenida Passos, inaugurada no dia 10 de Dezembro de 1911.
Consagrou-se no campo da literatura filosófico-religiosa como um dos grandes pensadores do Movimento Espírita do País, sendo mesmo cognominado - o Léon Denis brasileiro.
Conhecia profundamente a Bíblia e tinha de cor muitos trechos da Imitação do Cristo. As melhores obras de religião, filosofia, ciência, arte e literatura em geral lhe eram familiares.
Traduziu vários livros para o nosso idioma, entre eles “No Invisível“ e “Cristianismo e Espiritismo“, ambos de Léon Denis, e organizou, em 1904, o opúsculo “Memória Histórica do Espiritismo“.
Zêus WANTUIL. Grandes Espíritas do Brasil. FEB.


BITTENCOURT SAMPAIO

Homem público de grande projeção na política, ao tempo do Império. Nasceu a 1.º de fevereiro de 1834, em Laranjeiras, Estado de Sergipe, e desencarnou a 10 de outubro de 1895, no Rio de Janeiro.
Foi Presidente da antiga Província do Espírito Santo e Diretor da Biblioteca Nacional. Como jornalista emérito, sempre esteve ao lado do Direito e da Justiça.
Na seara espírita, Bittencourt Sampaio prestou relevantes serviços. Além de médium receitista afamado, publicou várias obras, dentre elas "Jesus Perante a Cristandade" e "De Jesus para a Criança", poemas de alto cunho moral.
Como um dos trabalhadores da última hora, Bittencourt Sampaio encontra-se no rol daqueles que não mediram esforços no sentido de propagar a Doutrina dos Espíritos aos quatro cantos da Terra, chegando mesmo a abandonar a política para dedicar-se, de corpo e alma, à tarefa meritória e santa de difundir os sublimes ensinos de Jesus, interpretados à luz do Espiritismo.

Inácio Bitencourt

Foi notável médium receitista. Realizou inúmeras curas, constituindo-se, pela preciosa faculdade que possuía, num dos expoentes máximos do Espiritismo no Brasil.
Homem dotado de fé inabalável, humildade ímpar, Inácio Bittencourt dedicou quase toda sua vida em minorar o sofrimento de seus semelhantes.
Como acontece com a maioria dos médiuns, foi ele também perseguido pelos inimigos do Espiritismo. Vários processos foram movidos contra ele pelo exercício ilegal da Medicina, mas, graças à interferência do plano espiritual, sua absolvição não tardava.
Acresce esclarecer, ainda, que não foi somente como médium receitista e curador que Inácio Bittencourt grangeou fama entre os espíritas ou não, mas, principalmente, pela inspiração de que era possuído quando assomava à tribuna para falar sobre os sublimes ensinos de Jesus, pois os seus discursos eram ricos de belas imagens, abrangendo conceitos científico-filosóficos, de grande profundidade.

Desencarnou a 18 de fevereiro de 1943, deixando, como se vê, claro sulco de lembranças que jamais se apagará de nossos Espíritos, pois, durante sua existência terrena, cumpriu, com devotamento e abnegação, seu dever como trabalhador na grande seara do Mestre, característica essa daqueles que já alcançaram elevado grau na senda do progresso espiritual.

CAIRBAR SCHUTEL

Nasceu no Rio de Janeiro, mas passou quase toda sua existência em Matão, Estado de São Paulo, onde sua ação, como espírita, se fez sentir, acentuadamente. Pela imprensa e pelo rádio, Cairbar Schutel não se cansava de pregar a Doutrina que abraçara. Sua obra de escritor é bastante substanciosa. Publicou cerca de 15 livros, cujas edições se esgotam, constantemente.
Na cidade de Matão, fundou o jornal "O Clarim" e a "Revista Internacional do Espiritismo", que, até hoje, são editados, sem nenhum interesse comercial.
Cairbar Schutel foi quem iniciou a propaganda radiofô-nica no Brasil através dos microfones da Rádio Araraquara "P.R.D. 4".

Esse inesquecível apóstolo do Espiritismo no Brasil, desencarnou no dia 30 de janeiro de 1938. Deixou imensa bagagem literária, contribuindo, grandemente, para a propagação da Doutrina em nossa Terra.


EURÍPIDES BARSANULFO

Nasceu no dia 1.º de maio de 1880, na cidade de Sacramento, Estado de Minais Gerais, e desencarnou a 1.º de novembro de 1918, com a idade de 38 anos.
Barsanulfo colaborou na fundação do Liceu de Sacramento, onde lecionou durante muito tempo, pois era dotado de grande vocação para o Magistério.
Nessa época, professava o Catolicismo, religião em que fora educado. Na Câmara Municipal de sua cidade natal, prestou inestimáveis serviços na qualidade de Vereador Especial, apresentando vários projetos de lei, que visavam melhorar os serviços de água, luz, bonde e outros.
Converteu-se ao Espiritismo, através da leitura das obras básicas de Kardec, estudo que fez com a intenção de aceitar ou não os ensinos nelas contidos. Tornou-se médium ouvinte, receitista, curador, vidente, falante e psicógrafo, além de possuir o dom do desdobramento.
Em 1905, fundou o Colégio "Allan Kardec" onde ministrava aulas de Português, Francês, Astronomia, Física, História Natural e Doutrina Espírita.
No setor de assistência social, Barsanulfo atendia a todos os que o procuravam. Sua farmácia estava sempre aberta, fosse para quem fosse. De todos os recantos chegavam doentes e obsidiados em busca de tratamento.
Sacramento, apesar de ser uma pequena cidade interiorana, chegou a possuir muitos hotéis e mais de vinte pensões, pois grande era o número de pessoas que procurava o famoso médium curador para o alívio de seus males.
Como pregador da Doutrina dos Espíritos, Barsanulfo destacou-se, na época, pois, além de possuir sólidos conhecimentos sobre o Espiritismo, era também dotado da palavra fácil.
Como quase todos os médiuns, Barsanulfo também sofreu perseguição por parte do Clero que, aliado a um médico católico de Uberaba, moveu-lhe execrável perseguição, culminada por um processo penal baseado no exercício ilegal da Medicina. Todavia, o Juiz da Comarca não quis pronunciá-lo, julgando o caso, finalmente, prescrito.
Barsanulfo, ao desligar-se dos laços materiais, exclamou:
"Graças, Pai, estou salvo".
Realmente, estava salvo dos liames que o prendiam à carne, e redimido pelo trabalho realizado no cumprimento da missão que lhe fora confiada pelo plano espiritual.

Eusápia Paladino - A ilha Roubaud 2ª Parte

Em 1894, na residência do prof. Charles Richet, na Ilha Roubaud, sir Oliver Lodge e Frederich W. H. Myers presenciaram fenômenos físicos impressionantes, aparentemente autênticos e muito bem controlados.
Oliver Lodge fez um relatório e encaminhou-o à Society for Psychical Research, de Londres. O dr. Richard Hodgson nesta ocasião residia em Boston, nos EUA, mas assim mesmo criticou o trabalho de sir Oliver Lodge, asseverando que as precauções assinaladas não teriam sido suficientes para ter evitado uma possível fraude. A atitude de forte cepticismo manifestada por Hodgson provocou a reação de Lodge, Myers e Richet. Os quais responderam cada um a seu turno. As respostas de Myers e Lodge foram publicadas em periódico da própria SPR.
Damos abaixo um extrato da resposta de Richet: «Dizer a mão está bem segura, que significa, primeiro, que não se tem nenhuma dúvida sobre o lado da mão que se retém. Se, prendendo a mão enquanto um fenômeno se produzia, eu não estivesse mais absolutamente seguro de que era a mão direita (no caso em que eu tinha por missão prender a mão direita) logo eu parava tudo dizendo Eu soltei a mão, e todos os experimentadores faziam o mesmo.
«Nós havíamos combinado prender a mão fortemente, todos os dedos em nossa palma, ou o punho e uma parte dos dedos.
«Tínhamos cuidado, a cada fenômeno, de chamarmo-nos, uns aos outros, para a observação exata. Dez vezes, cem vezes, no curso de uma sessão, de maneira a tornarmo-nos insuportáveis, ad nauseam, nós repetíamos Eu seguro bem a mão direita, eu seguro bem a mão esquerda.
«Não tínhamos outra preocupação senão impedir que uma das mãos de Eusápia se nos escapasse. Pois bem!

«Sem nos acreditarmos mais perspicazes e mais hábeis do que convém, parece-me que após três meses de exercício e meditação, pode chegar-se à certeza de que se agarra bem uma mão humana» (Richet, C., «Traité de Métapsychique», Paris: Félix Alcan, 1923, p.543).
Apesar do testemunho de Richet, Myers e Lodge, o cepticismo dos membros da SPR, particularmente de Richard Hodgson, não arrefeceu. Eusápia foi convocada para ser observada em Cambridge, Inglaterra.

As experiências de Cambridge

Eusápia Paladino chegou a Cambridge em Agosto de 1895. Foi hospedada na residência de Myers, onde permaneceu várias semanas, pois as experiências prolongaram-se pelo mês de Setembro.
O objetivo era submetê-la à observação de alguns membros da SPR (Society for Psychical Research), de Londres.
Parece que Eusápia se ressentiu com o clima inglês ou, talvez, com a atmosfera do frio cepticismo e excessiva desconfiança de alguns dos investigadores ingleses; nem todos, evidentemente. Eusápia adoeceu.
Henry Sidgwick e Richard Hodgson continuaram a insistir na tese da fraude. Um dos principais recursos usados pela médium seria a libertação de uma das mãos da mesma, que os vigilantes pensavam estar a segurar. Infelizmente, Eusápia não foi bem sucedida em Cambridge.
Em 11 de Outubro de 1895, Henry Sidgwick apresentou uma comunicação à assembleia geral da SPR, afirmando «que a médium havia empregado ou tentado empregar esses diversos recursos nas experiências de Cambridge, que deviam ser considerados como fraudulentos, e que pelo mesmo motivo não havia lugar a que se inserissem entre os Proceedings da Sociedade». (De Rochas, A. «Exteriozación de la Motilidad», Barcelona; Maucci, 1896, p. 139).
Myers, que houvera assistido às sessões de Cambridge, concordou em parte com o relatório de Sidgwick. Ao que parece Eusápia foi mesmo apanhada a tentar usar uma das suas mãos liberta, para simular um dos fenômenos. Mas ele afirmou que as experiências feitas com Richet, na ilha Roubaud em 1894, foram perfeitamente controladas e os fenômenos indubitavelmente genuínos.
E procedeu à leitura de uma carta remetida por Lodge, o qual não pudera comparecer à reunião. Vamos transcrever um trecho dessa carta: «Não assisti, em Cambridge, a mais que duas sessões que tiveram lugar depois da descoberta da fraude. Na primeira, acreditei ver alguns fenômenos autênticos; a segunda foi completamente fraudulenta».
«Procurei examinar com a maior atenção a dita fraude e estou convencido da sua existência, embora não possa determinar se Eusápia procede consciente ou inconscientemente.
«Sejam quais forem as condições fisiológicas em que a médium se encontre, o fato material é que, na sessão que nos ocupa, ficou em liberdade uma das suas mãos.
«Resta agora por examinar até que ponto pode modificar-se a minha primeira comunicação, inserida no «Journal» da SPR, do mês de Novembro de 1894. Aos olhos do público (se é que o público o leu) parecerá uma nota de descrédito, porém, ante o juízo de todo o homem prudente e investigador da verdade, os principais fatos determinados no dito documento não podem aparecer como fantasias do meu espírito.
Até atrevo-me a dizer que alguns dos fenômenos observados em Cambridge, não creio possam explicar-se cientificamente por uma hipótese tão simples como a de uma mão livre, desprovida de algum mecanismo.
«Admito, sem embargo, a conveniência de apurar, até o final, qualquer explicação normal e, por esta razão, considero que a decisão mais prudente é deixar de lado muitos fatos que não podem explicar-se racionalmente.
«Sem embargo, se olvidarmos as condições em que se colocava Eusápia na ilha de Roubaud, dentro das quais resultava dificílima a substituição das mãos, expor-nos-emos a sacrificar muitos fato autênticos.
«E quando me recordo do fato da chave metida na fechadura, da quantidade de luz que penetrava pela janela, e da atenção com que todos dirigíamos as vistas para o espaço que ficava livre entre a porta e Eusápia; quando acode à minha mente o transporte da chave desde a porta até à mesa e vice-versa, não posso menos que considerar muito absurda a suposição de que Eusápia chegasse a realizar estes transportes, sem que algum de nós se desse conta.
«Quando me recordo da levitação da caixinha de música enquanto Eusápia se apoiava em mim, achando-se fora do alcance do instrumento; quando penso nos movimentos daquela cadeira perceptíveis à luz da Lua; o inflar da cortina, o tinteiro que se afastava gradualmente do nosso círculo, etc., não posso ver de nenhum modo semelhança alguma entre as miseráveis sessões fraudulentas de Cambridge, e as manifestações da ilha de Roubaud.
«E a personalidade chamada John (John King) que se revela no transe da médium? Na sessão de Cambridge apenas se manifestou, enquanto na ilha de Roubaud tivemos ocasião de reconhecer uma direção invisível que dava testemunho do seu zelo, fazendo com que se repetissem os fenômenos quando algum dos assistentes expressava as suas dúvidas» (De Rochas, opus cit, pp.140 e 141).
A carta de sir Oliver Lodge prossegue aceitando a classificação de fraudulentas dada às sessões de Cambridge, mas reafirmando a autenticidade e o correto controlo havido nas sessões da ilha de Roubaud.

A sessão de 1908
Em 1908, Everard Feilding, Hereward Carrington e W. W. Baggally levaram a efeito uma série de doze sessões com Eusápia Paladino. Para isso fizeram uma preparação prévia do local e um plano praticamente perfeito de controle. Contrataram um taquígrafo para anotar minuciosamente o desenrolar das sessões, inclusive aquilo que fosse dito durante as mesmas.
Submetida ao mais rigoroso controle, Eusápia logrou produzir nada menos de 470 fenômenos, os mais variados, sem haver conseguido fraudar nem uma só vez. Foi esta, talvez, uma das mais rigorosas séries de sessões a que Eusápia foi submetida.
Feilding assinalou, com surpresa, que quanto mais perfeito era o controle sobre a médium tanto mais fenômenos autênticos ela produzia, reduzindo-se significativamente as suas tentativas de fraudar. Ao que parece, as sessões de Cambridge foram levadas a cabo numa ocasião em que Eusápia se achava na sua fase negativa.
O desejo da médium de realizar os fenômenos esperados levou-a a tentar efetuá-los, usando os meios naturais facilitados de que ela dispunha na ocasião; por exemplo, se lograva libertar uma das mãos, instintivamente Eusápia procurava utilizar-se deste membro livre. Em Cambridge, a médium achava-se enferma e acuada por uma atmosfera de frio cepticismo e extrema desconfiança. Ocorreu aquilo que ela sempre afirmara: «Se me pedem que eu fraude, assim eu procedo...». O médium é, antes de tudo, um sensitivo, e não uma máquina de produzir fenômenos maravilhosos.

Conclusão
Aqui encerramos esse rápido relato a respeito de Eusápia Paladino. Infelizmente o espaço de que dispomos apenas permitiu-nos dar uma pálida idéia desta extraordinária médium.
A parapsicologia jamais resgatará a sua dívida para com esta mulher humilde, sofrida, e tantas vezes injustiçada que, não obstante, sacrificou a sua existência a serviço desta disciplina científica.
Fontes: Hernani Guimarães Andrade «Revista de Espiritismo» nº. 39, Abril-Maio-Junho 1998


Eusápia Paladino, a grande médium italiana – 1ª Parte

Eusápia Paladino foi uma das médiuns mais conhecidas da sua época; foi também uma das mais controvertidas. Poucos médiuns atraíram a atenção de tantos e tão proeminentes cientistas como Eusápia. No entanto, ela era uma mulher inculta, de precária educação, temperamental e de saúde instável.
Os fenômenos provocados graças à sua mediunidade, conquanto na sua maioria autênticos, eram mesclados com tentativas de fraude. Quando Eusápia (1854-1918) não lograva produzir um fenômeno solicitado ou anunciado por ela própria, o seu primeiro gesto era obtê-lo fraudulentamente. Este comportamento valeu-lhe e aos seus investigadores sérios aborrecimentos. Quem perlustra o vasto relato das suas atividades mediúnicas encontra uma divisão de opiniões acerca da autenticidade dos fenômenos provocados por Eusápia. Os pesquisadores mais tolerantes e persistentes lograram observar fatos autênticos e realmente extraordinários.
Os excessivamente cépticos e com a ideia fixa de que iriam apanhar Eusápia em alguma fraude praticamente não conseguiram presenciar senão fenômenos medíocres, misturados com várias tentativas de trapacear. A opinião mais generalizada era a de que tais atitudes visando a enganar os observadores seriam inconscientes. Pareciam um reflexo da disposição dos investigadores. Ela própria explicava as suas falhas dizendo: Eles pedem que eu os engane e eu atendo aos seus desejos. Era, talvez, a influência do observador sobre o evento observado, graças à susceptibilidade da sensitiva em estado de transe.
Mas, como iremos ver, a fama de Eusápia era merecida e apoiada em fatos realmente notáveis e autênticos, testemunhados por pesquisadores sérios, competentes e capazes de controlarem rigorosamente a médium, de maneira a não haver margem para dúvidas.

Dados biográficos
Eusápia Paladino nasceu em Minervo-Murge, próximo de Bari, em Itália, em 21 de Janeiro de 1854. A sua mãe faleceu em consequência deste parto. Em 1866, aos 12 anos de idade, testemunhou o assassinato do seu pai por bandidos. Eusápia viu-se órfã, e foi acolhida em casa de pessoas amigas. Tratava-se de uma família abastada de Nápoles, que a recebeu como empregada doméstica.
Quando era ainda mais nova e morava com o pai, Eusápia ouvia batidas nas peças do mobiliário, para as quais ela dirigia o olhar. Quando ficava no escuro, via olhos a observarem-na. À noite, apavorava-se ao sentir que mãos invisíveis puxavam os seus cobertores.
Em casa dos seus patrões ela foi logo notada como sendo uma jovem diferente das demais. Era costume na Europa, naquela época, as famílias divertirem-se consultando as mesas girantes. Uma ocasião, as pessoas com as quais ela convivia convenceram-na a sentar-se à mesa na companhia de outros participantes. Passados alguns instantes, a mesa levitou, as cadeiras deslizaram sozinhas pelo chão, as cortinas da sala agitaram-se, os copos, garrafas e outros objetos da cristaleira tiniram, batendo uns nos outros. Feita uma triagem entre os presentes à mesa, logo se descobriu que Eusápia era a potente médium causadora daquilo tudo.
A sua verdadeira educação mediúnica deve-se a um espírita, sr. Damiani, um bom investigador de fenômenos paranormais. Damiani era casado com uma senhora inglesa. A esposa de Damiani assistia a uma sessão em Londres, quando o conhecido espírito John King se manifestou naquela ocasião e disse a dona Damiani que procurasse em Nápoles uma poderosa médium.
Deu o endereço de Eusápia rua e número, acrescentando que Eusápia era a reencarnação da filha do próprio John King. Este fato ocorreu em 1872, quando, então, Eusápia já tinha 18 anos. A dona Damiani teve uma sessão com a médium, durante a qual se manifestou o espírito de John King. Daí em diante ele tornou-se o «guia» de Eusápia.
Em 1888, no n.º 20 do periódico de Roma, «Fanfulla della Domenica», o professor Cesare Lombroso publicou um artigo intitulado «Influência da Civilização sobre o Gênio». Num certo ponto do seu trabalho, Lombroso dizia: «... Quinze ou 20 anos bastam para fazer admirar por todo o mundo uma descoberta qualificada de loucura no momento em que foi feita; presentemente as sociedades acadêmicas riem-se do hipnotismo e da homeopatia; quem sabe se os meus amigos, e eu que nos rimos do espiritismo, não nos encontramos em erro, precisamente como ocorre aos hipnotizados? Graças à ilusão que nos envolve, talvez sejamos incapazes de reconhecer o nosso engano, e, como muitos alienados, colocando-nos ao lado oposto da verdade, rimo-nos dos que não estão conosco».
Nesta ocasião, o professor Ercole Chiaia estava empenhado em observar os fenômenos provocados por Eusápia Paladino. Entusiasmado com as palavras de Lombroso, ele dirigiu uma carta aberta a este último, publicando-a num periódico de Roma, em 9 de Agosto de 1888. Nesta carta, Ercole Chiaia elogiou a posição e convidou-o a assistir a sessões levadas a efeito com Eusápia. Eis um excerto da carta de Chiaia a Lombroso: Refiro-me a uma enferma de uns 30 anos de idade que pertence à classe mais humilde da sociedade, e que é bastante ignorante.
O seu olhar não é nem fascinante nem dotado daquela força que os criminalistas modernos denominam de irresistível; porém, em virtude de fenômenos surpreendentes, próprios da sua enfermidade, pode, se o desejar, divertir durante uma hora, tanto de noite como de dia, a um grupo de curiosos mais ou menos cépticos, mais ou menos fáceis de contentar.
Atada a uma cadeira, ou segura com força pelos braços dos curiosos, atrai os móveis que a rodeiam, levanta-os, sustém-nos no ar como o féretro de Mahomet, e os faz descer, com movimentos ondulatórios, como se obedecessem a uma vontade estranha; aumenta ou diminui o seu peso; golpeia as paredes, o teto e o chão, com ritmo e cadência, respondendo aos convites dos assistentes; clarões parecidos com os da eletricidade saem do seu corpo, envolvem-na ou rodeiam os assistentes dessas cenas maravilhosas; desenha o que se deseja sobre o papel, números, assinaturas, nomes, frases, estendendo apenas a mão para o sítio indicado; coloca-se num lugar qualquer da habitação uma bacia com argila úmida, encontram-se depois de alguns instantes a impressão de uma mão grande ou pequena, a impressão de um rosto de admirável precisão, visto de frente ou de perfil, e de cada qual pode tirar-se um molde.
Esta mulher eleva-se no ar, sejam quais forem os laços que a retenham, ficando como que deitada no vazio, contrariando todas as leis da estática e parecendo franquear as da gravidade; faz soar instrumentos de música, órgãos, campainhas, tambores, como se estivessem sendo tocados por mãos, ou agitados pelo sopro de gnomos invisíveis.
A carta aberta de Chiaia a Lombroso faz um intervalo, tecendo algumas considerações sobre as possíveis reações de Lombroso diante dessas revelações, e prossegue acrescentando mais o seguinte: Porém, permita-me continuar; esta mulher, em certas condições, pode aumentar a sua estatura mais de 10 centímetros; é como uma boneca de guta-percha, como um autômato de novo gênero; adquire formas raras; quantas pernas e braços tem? Não o sabemos.
Enquanto os seus membros estão seguros pelos assistentes mais incrédulos, vemos aparecer outros sem saber de onde saem. O seu calçado torna-se muito pequeno para conter os pés aumentados, e esta circunstância faz supor a intervenção de um poder misterioso.
Quando se ata esta mulher, vê-se aparecer um terceiro braço, que ninguém sabe de onde vem, o qual tira chapéus, relógios, dinheiro e demais jóias, devolvendo-as com alegre familiaridade.
Muda de lugar algumas peças da indumentária dos concorrentes, acaricia e retorce os bigodes, dando ocasião a que reparta algum estalo, pois tem os seus momentos de mau humor.
É sempre uma mão grosseira e calosa (já se disse que a de Eusápia é pequena) com grandes unhas e umedecida, fazendo estremecer ao seu contacto, porque passa do calor ao frio glacial do cadáver. Esta mão deixa-se apertar e observar com atenção, tanto como permite a luz do ambiente, e acaba por erguer-se, ficando suspensa no ar, como se estivesse amputada à raiz do antebraço, parecendo as mãos de madeira que são expostas nos mostruários das casas de luvas.
Concluímos aqui a transcrição do trecho da carta do professor Ercole Chiaia ao professor Cesare Lombroso.
Escolhemos este importante documento porque ele retrata com grande riqueza de detalhes a extensa fenomenologia produzida graças à mediunidade de Eusápia, justamente quando a médium se encontrava no início da sua carreira e quando se mostrava no apogeu da sua energia mediúnica.
É desnecessário dizer que Lombroso aceitou o desafio, mas investigou o caso de Eusápia somente em 1891, tendo-se rendido à evidência dos fatos. Converteu-se e escreveu o seguinte: «Estou cheio de confusão, e lamento haver combatido com tanta persistência a possibilidade dos fatos chamados espíritas».
A conversão de Lombroso teve como conseqüência despertar a atenção de um grande número de cientistas europeus famosos, levando-os a investigar os fenômenos da Eusápia Paladino.

Os cientistas interessam-se
O prestígio de Cesare Lombroso era enorme no meio científico. Isto fez com que inúmeros sábios de renome internacional se dispusessem a investigar os fenômenos de Eusápia Paladino. Após as sessões em que tomou parte Lombroso, em 1891, foram constituídas várias comissões integradas por nomes famosos que passaram a estudar tais ocorrências.
A comissão de Milão, em 1892, era integrada pelo professor Schiaparelli, director do Observatório de Milão; prof. Gerosa, catedrático de Física; prof. Emarcora, doutor em Filosofia Natural; dr. Alexandre Aksakof, conselheiro de Estado do czar da Rússia; barão Carl Du Prel, doutor em Filosofia, de Munich; e prof. Charles Richet, da Universidade de Paris. Realizaram 16 sessões.
Sucessivamente, foram constituídas outras comissões de investigação, as quais, por ordem de data, são as seguintes: em Nápoles, 1893; em Roma, 1893 e 1894; em Varsóvia e França, 1894; a de França, em 1894, foi controlada pelo prof. Charles Richet, sir Oliver Lodge, mr. F. W. H. Myers e doutor Julien Ochorowicz. Em 1895, Eusápia foi a Inglaterra, onde, na casa de F. W. H. Myers, foi observada pelo prof. Henry Sidgwick e sua esposa, por sir Oliver Lodge e o dr. Richard Hodgson. Em 1895 foram realizadas em França, em casa do coronel Eugene Auguste Albert De Rochas, uma série de sessões, as quais inspiraram a obra de De Rochas: «Exteriorização da Motilidade». Neste ótimo trabalho ele faz um relato muito minucioso acerca da mediunidade de Eusápia. É uma das obras mais completas a respeito desta notável médium.
Outras sessões foram levadas a efeito: em Tremezzo, Auteil e Choisy Yvrac, em 1896; em Nápoles, Roma, Paris, Montfort e Bordéus, em 1897; em Paris, em Novembro de 1898, perante uma comissão composta dos seguintes cientistas: Camille Flammarion, Charles Richet, De Rochas, Victorien Sardou, Jules Claretie, Adolph Bisson, Gabriel Delanne, Guy de Fontenay e outros; finalmente, em 1901, no Clube Minerva, em Genebra, com a presença dos seguintes observadores: professores Porro, Morselli, Bozzano, Venzano, Lombroso, Vassalo e outros. Além dessas, Eusápia produziu muitas outras sessões, na Europa e na América do Norte, quase todas assistidas por cientistas.


DIVALDO PEREIRA FRANCO (1927)

Desde a infância que se comunica com os Espíritos. Cursou a Escola Normal Rural de Feira de Santana, recebendo o diploma de professor primário, em 1943. Aos 18 anos, em 1945, Divaldo mudou-se para Salvador, tendo sido aprovado no concurso para o IPASE (Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado), onde ingressou em 05 de novembro de 1945. Administra a Mansão do Caminho, gigantesca obra social educacional em Salvador, que está atendendo atualmente a 3.000 crianças carentes por dia.
Ainda jovem, foi abalado pela morte de seu irmão mais velho, o que o deixou traumatizado e enfermo. Foram consultados diversos médicos especialistas, sem obter nenhum resultado satisfatório. Foi a mão amiga de dona Ana Ribeiro Borges que o conduziu à Doutrina Espírita, libertando-o do trauma e trazendo a consolação tanto para ele, como para toda a família.
Percorreu mais de 1.000 cidades, 53 países e 11.000 palestras proferidas. Recebeu quase 600 homenagens, procedentes de Instituições culturais, políticas, universidades, associações beneficentes, núcleos espiritualistas, centros espíritas etc., destacando-se o título de Doutor Honoris Causa em Humanidades pela Universidade do Canadá e, no Brasil, mais de 80 títulos de cidadania. 
Em 1964, Joanna de Ângelis selecionou várias mensagens de sua autoria e enfeixou-as no livro "Messe de Amor", que se tornou o primeiro livro psicografado por Divaldo. Atualmente, o médium é recordista e conta com 175 títulos publicados, incluindo os biográficos que retratam a sua vida e obra. Seis milhões de exemplares (edições e reedições), sendo que cerca de 80 obras foram traduzidas para outros idiomas (francês, inglês, castelhano, polonês, checo, esperanto, alemão, turco, sueco, holandês, albanês italiano e braille). (FERNANDES, 2000)


CHICO XAVIER (1910-2002)

Com mais de 400 obras psicografadas, que transformadas em tempo perfazem aproximadamente 11 anos de transe mediúnico. Chico Xavier, com 92 anos de idade, deixou-nos em 30/06/2002, ficando dele os exemplos de fé, esperança e caridade.
Educado no catolicismo, não foi muito fácil a aceitação dos parentes e amigos sobre o desenvolvimento de sua mediunidade. As suas obras psicografadas servem de lenitivo para as almas enfermas que gravitam neste mundo de provas e expiações.
Sua atividade mediúnica começou desde garoto, isto é, desde os 5 anos de idade, quando já conversava com sua mãe desencarnada. Dela recebia uma série de conselhos que o ajudaram a suportar todos os revezes e dissabores de sua infância sofrida junto à sua madrinha. O Espírito Emmanuel é o seu guia protetor. Esse espírito, como a maioria dos Espíritas sabe, foi Públio Lêntulus, senador romano da Antiguidade. Diz-se também que ele teve uma reencarnação no Brasil como Padre Manoel da Nóbrega.
2º) relata o episódio do avião, que em pleno voo começou a fazer peripécias no espaço e, ele como os demais tripulantes, começaram a gritar no que Emmanuel retruca: "Se tiver de morrer, morra com educação";
É por intermédio de Emmanuel que o Chico Xavier escreveu a maioria de seus livros. Além disso, guia-o, inclusive, no aprimoramento do idioma português, para melhor expressar a Doutrina dos Espíritos. Confessa isso no programa Pinga Fogo, levado ao ar pela antiga TV Tupi, em 1971. A vida de Chico Xavier é entremeada de muitos fatos, entre os quais, relatamos: 1º) para auxiliar um cego que tinha sofrido uma queda, precisou da colaboração de 2 prostitutas, que depois mudaram de vida em virtude de suas preces; 3º) sua vizinha roubava-lhe as verduras. Pede auxílio à sua mãe, já desencarnada. Esta o aconselha, quando todos saírem, a entregar a chave da casa para a vizinha tomar conta. Consequência: acabou o furto
Das suas inúmeras obras, citamos: Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, pelo Espírito Humberto de Campos, A Caminho da Luz, pelo Espírito Emmanuel, Nosso Lar, pelo Espírito André Luiz e Vinha de Luz, pelo Espírito Emmanuel. (IBSEN, 1994)




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