Análise de Livros Espíritas


ANÁLISE DE LIVROS ESPÍRITAS

A Análise de Livros Espíritas, feita por estudiosos da Doutrina Espírita, não tem como objetivo criar qualquer tipo de polêmica. Não!
O nosso intuito é acender uma luz vermelha de alerta, sobre o que lemos, em termos de literatura espírita, por que infelizmente há Autores e por extensão, Editoras que não se preocupam com a indispensável coerência doutrinária e divulgam informações distorcidas, redigidas em linguagem incompatível com a nobreza, a dignidade e a seriedade da Doutrina Espírita.

Postar os Artigos, não significa que eu concordo com tudo o que os críticos e/ou analistas escreveram. A ideia é lançar o contraditório, pois sempre é bom ouvir várias opiniões, antes de nos definirmos por alguma

Análise de Livros Espíritas

O objetivo deste trabalho é chamar a atenção dos Dirigentes de Centros, Livrarias e Clubes do Livro Espírita quanto à responsabilidade que assumem ao divulgarem informações distorcidas, redigidas em linguagem incompatível com a nobreza, a dignidade e a serieda
Infinitas Moradas

— Estou olhando, Desidério – disse, fazendo o possível para não explodir. — Pode falar... Estou com conjuntivite; cheguei há pouco da Terra e, como sempre, havia muita fumaça lá embaixo... (...) (87)
Assim que ele se retirou, fazendo um esforço imenso para me controlar, pedi ao jovem enfermeiro que me chamasse, às pressas, o Manoel Roberto ao consultório. (90)
Essa, uma entrevista com um pretenso paciente, desenvolvida ao longo de uma conversa sem sentido, sem nenhum ensinamento, a não ser a revelação de que depois de desenvolver uma conjuntivite, a partir de uma contaminação adquirida na Terra, um psiquiatra do Mundo Espiritual, diretor de um hospital, quase se descontrolou ao final de uma conversa vazia, que tomou cinco páginas de um livro...
Note-se ao absurdo que esse Espírito fascinador leva seus leitores: Um Espírito desencarnado contaminar-se com doenças da Terra!
de da Doutrina Espírita.







Fundação Emmanuel
        
Confesso-lhes que eu não conseguia tirar os olhos do ventre daquela menina que me passou a inspirar enorme simpatia.   (98)
         — Para quando será a criança, minha filha? – questionei.
         — Dentro de uma semana, completarei os cinco meses...
         — Faltam três, para oito...
         — Não, doutor, o nosso tempo de gestação é menor – se passar da data, não será muito. (100)
Além do absurdo de uma gestação no Mundo Espiritual, há até erro no número de meses da gestação na Terra: são nove e não oito.
         — É verdade também o que o Resenha está dizendo?...
         — A menos que os jornais daqui também se equivoquem como os da Crosta costumam se equivocar – respondi.
         — “Aos espíritas que me criticam...” – leu o rapaz, em voz alta.
         — “...ofereço, solenemente, uma banana!...” – não me esquivei de concluir, na alusão grotesca ao gesto feito com a mão esquerda apoiar-se no braço direito, tendo o antebraço voltado para cima com a mão fechada. (135)
Esse Resenha seria um jornal que circularia, segundo o “Dr. Inácio”, no Mundo Espiritual, relatando fofocas da Terra.. Ao contrário do que se lê na obra Nosso Lar, cap. 23.
As manifestações de grosseria do “Dr. Inácio” continuam...
         — Desembuche, Manoel, antes que eu continue dizendo e escrevendo o que não devo...
         — Dr. Inácio – esclareceu –, quatro padres estão à sua espera...
         — Quatro?!... Um só já seria muito! Que desejam? Me converter?
         — Estão pedindo permissão para uma visita ao Hospital, alegando que receberam graves denúncias. (186)
Agora inventou padres fazendo inspeção num hospital no Mundo Espiritual!...
         — Que aparelho é esse no braço dela?
              (...)
         — É, então, um minicomputador...
         — Funciona como se fosse e é capaz de apontar, com precisão absoluta, desequilíbrios de risco para o organismo.
         — Como, por exemplo, a iminência de um colapso cardíaco, alteração da pressão sanguínea? 
         — Taxas de glicose, oscilação de temperatura, presença de um microorganismo patogênico... (226)
Aqui declara que a jovem grávida corria risco “de morrer” durante o parto, lá no Mundo Espiritual!
         — Meu caro Dr. Hernani – aparteou Odilon, aproveitando a deixa –, o senhor não repare, se precisamos ir; temos ainda uma visita a ser feita hoje...
         — Que pena! – lamentou.
         — Voltaremos para uma nova sessão de piadas – enfatizei. — Tenho algumas para lhe contar, mas só nós dois...
         — Picantes?
         — Piada espírita não tem graça, Hernani! (241)
Agora, envolve Hernani Guimarães Andrade e Cairbar Schutel numa roda de piadas, como se Espíritos desse nível fossem tão mundanos como ele...




Fala, Dr. Inácio!

– Só para determinado jornal, eu respondi a três entrevistas que não foram publicadas...
        – Eu sei, mas também quem manda você não contemporizar? Faça política... È o que esse pessoal quer: ser bajulado! Diga que eles foram personalidades ilustres em vidas anteriores, ligadas a Allan Kardec, etc. Você não mente... Como é que quer fazer parte da “panela”, se não entra nela? Corrompa-se, e você terá espaço. (71)
Seriam conselhos como esse dados por um Espírito equilibrado? Onde, na legítima literatura espírita viu-se algo semelhante?
– E quando se trata de gravidez ocasionada por estupro?
        – Quando se trata de estupro, creio que se deve dar à mulher o direito de decidir, e respeitá-lo, seja qual for. (128)
        – Mesmo que ela decida pelo aborto?
        – A sociedade não pode obrigá-la a arcar com as consequências de tal violência. Ponhamo-nos no lugar da mulher aviltada em sua dignidade... A pretexto de ética religiosa ou o que o valha, não podemos traçar regras de comportamento para os outros. (128)
Não se trata de uma “ética religiosa” discutível. Trata-se do que nos ensinam os Espíritos Superiores, conforme  “O Livro dos Espíritos” (item 358)
        – A mulher deve ter o direito de abortar o anencéfalo?
        – Creio que Deus, através dos progressos da Ciência, está nos dotando de meios a fim de que tenhamos certas provas suavizadas. Sabemos que a dor é benéfica para o espírito, no entanto, recorremos ao analgésico. (131)
Sim, é lícito o uso do analgésico. Mas para aliviar uma pretensa dor moral, seria lícito o assassinato de um nascituro?
        – Então, a gravidez do anencéfalo deve ser interrompida?
        – Se os pais, e principalmente a mãe tomarem tal decisão, após a confirmação do diagnóstico, cabe-nos, repito, acatá-la sem recriminações. (131)
Então a Codificação está errada?

Estudando Nosso Lar

... vasculhando papéis sobre a mesa, me deparei com a carta que uma irmã me endereçara da Terra.
– Dr. Inácio, – escrevera ela –, fico encantado (sic) com o seu amor aos animais... (95)
Esse Espírito fascinador subestima tanto a capacidade de análise do leitor, que não explica como uma carta de um encarnado chega ao Mundo Espiritual e é colocada sobre sua mesa. E ele a responde!...
– Cavalos e cães que, além de comer, fazem sexo...
– Eu sabia que o senhor chegaria aí! – comentou Domingas. (254)
Novamente, defende a tese da reencarnação no Mundo Espiritual (Reencarnação sem carne!)
– Isso é uma aula de botânica! Brincou Domingas.
– Muitos dirão que é pornografia... Uma banana para eles, de preferência verde! (256)
– Pronto! Agora está me puxando o saco... E o pior, não, o melhor é que espírito também tem isso...  (264)
Livros como este não necessitam de exame doutrinário. É só o leitor lembrar-se de que um Espírito que tenha um mínimo de refinamento jamais usaria expressões como essas. Será que quem se expressa dessa forma conviveria no Mundo Espiritual com Eurípedes, Bezerra, Emmanuel, André Luiz, conforme declara em seus livros?



A Vida Viaja na Luz



– No outro dia, bem cedo, na companhia de Modesta e Manoel Roberto, fui ver, nas imediações do Hospital, uma chácara que conseguíramos em regime de comodato, para a realização de velho sonho. (25)

Aluguel de terreno no Mundo Espiritual?
– O Hospital dos médiuns será a instituição mantenedora da Sociedade Protetora dos Animais “Francisco de Assis”!
– Uma Sociedade Protetora dos Animais no Além! (27)
– O Hospital dos Médiuns, do ponto de vista jurídico, responderá pela Sociedade “Francisco de Assis”. (30)
Tentativa de desmerecer as revelações de André Luiz, levando as semelhanças da vida no Mundo Espiritual com a da Terra a níveis inaceitáveis.
– Ultimamente, muitos espíritas recém-desencarnados marcam consulta comigo. Não que estejam propriamente doentes, mas desejam ajustar certas ideias em conflito com a realidade da Vida, ante a qual se deparam na existência de Além-Túmulo. (184)
Não só ele, mas também outros Espíritos buscam demonstrar que pouco valeram, para os espíritas, as luzes do Espiritismo, pois chegam necessitando de “marcar consulta” com um psiquiatra. Onde, na obra de André Luiz, vimos esse funcionamento tão terreno de um consultório médico?
– Você é espírita?
– Sim, há mais de 40 anos...
– Desencarnou, e daí?
– Não aconteceu absolutamente nada. Estou na mesma
– Não volitou?
– Mal me arrastei e estou me arrastando...
– Come e dorme?
– E bebo água!
– Faz sexo?
– Faço!
– Com o que?
– Doutor, o senhor é louco!
– Responda.
– Com as coisas, ué!
– Você é espírito vampiro?
– Não, eu sou normal.
– Então, você faz sexo é com desencarnado?
– É! Pensou o quê? Eu não sou íncubo...
– Tem orgasmo?...
Bem, desculpem-me, mas o restante da entrevista é proibido para menores e não quero poluir a cabeça desse nosso pessoal beato, que considera pecado ter orgasmo num só lado da Vida, quanto mais nos Dois! (190/191)
P.S: No que se refere à coragem do testemunho e verdadeiro amor à Causa, não posso deixar de reconhecer que, por seus ovários, muitas mulheres possuem mais “bolas” do que muitos homens! (271)
Julgo desnecessário qualquer comentário do texto acima, pois parece retirado de uma revista humorística de baixo nível.
 

A Escada de Jacó - 6ª Parte



         “Acordando mal-humorado, respondi ao cumprimento de Manoel Roberto com um simples muxoxo e fui direto para o meu gabinete.” (30)

Seria possível um diretor de hospital no Mundo Espiritual, acordar mal-humorado?

“— Para aparecer alguém e colocar tudo a perder, não é, Modesta? Eu não sei o que o Odilon tem a dizer, mas, no que me compete, eu o mandaria às favas... O Espiritismo não tem dono e a mediunidade também não! Se, na condição de espírita, eu tivesse que prestar obediência a alguém, eu não seria espírita! Vocês me conhecem, e neste ponto, sou radical.”
Bravatas e grosserias comuns nas manifestações desse Espírito.
 “— Doutor, não me deixe morrer! O que houve com os meus braços, que não consigo senti-los? Onde estão o meu pai e a minha mãe, a minha avó e os meus primos? Está doendo muito, Doutor!...”
Conversando com um menino árabe, atingido por explosão que lhe arrancara os dois braços. Seria possível a alguém que tivesse tido arrancados os dois braços, manter esse diálogo? Não há explicação se estava materializado, ou se o menino era médium vidente, e como falara árabe.
“A uns duzentos metros do local, um camelo atingido por tiros de metralhadora agonizava e observei que, de sua boca e narinas, escorria uma substância esbranquiçada.
— O “plasma” daquele pobre animal nos servirá. Teça com ele uma espécie de manta... Não temos tempo a perder!” (186)
Afirma ter estancado a hemorragia com ectoplasma de um camelo agonizante. Por que, então, os Espíritos, trabalhadores do Bem, não buscam, para socorro a encarnados, essa substância abundante em matadouros?
“Não tivemos que esperar muito. Curtindo tremenda ressaca, o casal se despiu dos trajes mais íntimos e, com certeza, o resto os nossos irmãos nos dispensarão de relatar. Digo-lhes somente que fiquei sem entender quando, após terem atingido o orgasmo, Flávio foi praticamente sugado dos meus braços e, como se o perispírito ainda mais se lhe restringisse, atravessando a barreira das dimensões diferentes, encolheu-se feito um filhote de pássaro no ninho.” (282)
Descrição grosseira da invasão na intimidade de um casal, contrariando o que André Luiz relata em “Missionários da Luz”, cap. 12, quando fala do respeito que os Espíritos têm pela intimidade do casal, e que a ligação do reencarnante à forma física se dá horas depois do ato sexual. No livro “O Pensamento Vivo do Dr. Inácio”, ele próprio se desmente, citando Chico Xavier: “O processo é mais lento, tratando-se de reencarnação compulsória, nessa categoria de espírito. Leva mais de ano para completar o restringimento” (121)
                          
       



Análise das Obras de Ermance Dufaux – por Jair Soares



O Livro Seara Bendita – 5ª Parte

O primeiro livro lançado da série Harmonia Interior, chama-se Seara Bendita, onde 35 (trinta e cinco) espíritos, expoentes do espiritismo, assinam comunicações através do médium. O livro é curioso por possuir inúmeros aspectos singulares que depõem contra o valor da obra (Neste ponto, remetemos o leitor à página 15 destas nossas anotações para que leia o artigo escrito pelo confrade Wilson Garcia chamado Um novo projeto para o Espiritismo brasileiro).
O livro possui vícios insanáveis tais como: autores femininos e masculinos possuem o mesmo estilo e linguagem, expressões absolutamente idênticas utilizadas por espíritos que possuíam ideias e estilos diferentes, outros espíritos apresentam estilos e maneiras de se expressarem totalmente diversas de suas obras e comportamento quando encarnados, sem falar que seria Bezerra de Menezes um dos patronos desse movimento reformador do Espiritismo.
O que os livros não esclarecem é porque esse mesmo Bezerra de Menezes jamais expressou essas ideias em suas comunicações na Federação Espírita Brasileira, quando de suas inúmeras comunicações dadas nas reuniões do Conselho Federativo Nacional.
Outros autores têm suas identidades tão modificadas que simplesmente se deformaram, como observa Wilson Garcia: “São três bons exemplos de estilos distintos e característicos: quando encarnado Cairbar (Schutel) era viril, Vinicius era suave e Telles (Olimpio Telles de Menezes) possuía um discurso mais empolado.
A coerência era uma marca comum aos três. Aqui, porém, além da uniformidade de estilo entre personalidades distintas, os três assumem algumas posturas estranhas. Os recursos empregados para identificar Cairbar incluem a utilização de expressões que seriam próprias dele, mas aqui elas aparecem sem o mesmo brilho e de modo acintoso, repetitivo, forçado qual não ocorria quando encarnado.
Por exemplo, são utilizadas cinco expressões latinas, todas como referência direta ou indireta ao clero católico, uma delas tomada para título da mensagem: Edictus Vaticanum. Cairbar, a partir de uma contundente análise do Catolicismo faz acerba crítica aos espíritas não-religiosos (ditos laicos), classificando-os como espíritos de ex-padres, que no plano espiritual combatiam os espíritas, mas foram dolorosamente doutrinados e, reencarnados, de um lado aceitam o Espiritismo e de outro se opõem ao Espiritismo-religião.
Trata-se de um argumento ingênuo. Além disso, esse tipo de postura não é comum a este Espírito e não é habitual em outros de incontestável superioridade. Acusar e denunciar ao mesmo tempo não une, desune. Por mais firmes que os Espíritos superiores sejam, jamais se aliam a uma facção em detrimento de outra. Trata-se, isto sim, de uma postura política comum a certa classe de encarnados, mas não aos Espíritos esclarecidos.
Ainda nesse texto de Cairbar encontramos outro ponto discutível. É quando analisa a vinda do Papa João Paulo II ao Brasil e afirma que ela foi positiva para o Espiritismo, por ter confundido os Espíritos católicos que combatem-no através das influências que exercem a partir do plano espiritual. Eis a novidade perigosa que não possui senão o bom-senso como base de análise e, convenhamos, o bom-senso aqui não encontra lugar.
De fato, o bom-senso não encontra lugar de jeito nenhum nessas obras. Entre tantas coisas sem sentido, especificamente nessa obra e, por já terem sido analisadas por Wilson Garcia não repisaremos, podemos salientar uma que nos chama muito a atenção; trata-se da descrição de um encontro que chega as raias da comicidade: o livro diz que Bezerra de Menezes, ao ver Ermance Dufaux, simplesmente perdeu a voz...
Se ele tivesse visto Jesus Cristo, dava pra entender, mas, Ermance Dufaux?
Nas próximas páginas, inserimos um artigo de Wilson Garcia que fez uma análise mais detalhada deste livro e de onde, por nossa vez, tiramos algumas observações contidas neste texto.



 Xavier teve pouca escolaridade na sua última encarnação, mas sempre respondia com sabedoria, segurança e objetividade as perguntas que lhe eram formuladas. Quem o assistiu na televisão, ou leu os diálogos que, em várias ocasiões, ele manteve com jornalistas, deve fazer comparação com a pobreza das respostas que são registradas, em seu nome, na obra ora em análise. Em verdade, certas respostas só poderiam ser pobres, diante da trivialidade das perguntas.
            Chico deixou pouca coisa escrita de sua lavra pessoal, mas não há nada que se compare à banalidade disso que está sendo atribuído a ele. Ao longo de sua vida, sua sabedoria foi-se revelando, sobrepondo-se à pouca escolaridade que teve na infância. Ele, como Espírito inteligente, dedicado, além de fazer vir à tona conhecimentos de sua bagagem espiritual, muito se enriqueceu na convivência com os Benfeitores que lhe usavam as faculdades e lhe partilhavam os dias.
            Para aqueles que dizem ser ele a reencarnação de Kardec, a situação é mais delicada, pois se admitem que Chico tinha de ser assistido por Benfeitores Espirituais para responder as perguntas, face à sua pouca escolaridade na última encarnação, agora, com a memória integral, Chico / Kardec não responderia com profunda sabedoria?      .
            Se Chico Xavier foi a reencarnação de Kardec, fica difícil conciliar a trivialidade dos assuntos que lhe foram submetidos agora, e algumas respostas evasivas, com a postura do grande educador, sociólogo, teólogo, cientista, humanista, que teve capacidade para inquirir Espíritos Superiores sobre os assuntos pertinentes à Codificação, dialogando com eles, de igual para igual, a fim de codificar a Doutrina Espírita. É também difícil conciliar aquela nobre figura tão bem descrita por Humberto de Campos, no livro “Cartas e Crônicas” (cap. 28), com essa figura tão disponível para um bate-papo informal, superficial, aqui na face da Terra. Ou seria nos Altos Planos de onde ele saiu para comparecer àquela memorável reunião na noite de 31 de dezembro de 1799? Ou será que o médium foi lá a fim de entrevistá-lo?
            Ficam aí, Irmãs e Irmãos, nossas observações, colocando-nos, por nossa vez, à sua disposição para ser analisado.
                                                                                                                                    José Passini
                                                                                                                                    Juiz de Fora


Reencarnação, de Orson Peter Carrara (O que é? Como ocorre? Para que serve? Seria resgate, sofrimento ou oportunidade?)


Proposta:
A proposta do livro é a de estimular estudos e reflexões sobre a reencarnação. Basicamente se dedica a explorar aspectos que sugiram a sua veracidade e que expliquem a sua necessidade facilitando ao leitor a assimilação da idéia reencarnacionista.

 

Formato:
O livro possui um tamanho médio contendo aproximadamente 200 páginas distribuídas em 38 pequenos capítulos. Possui ainda um apêndice descrevendo uma dinâmica de grupo sobre um projeto reencarnatório. A editoração é de boa qualidade.


Linguagem:
A linguagem do autor é clara e voltada para o leitor. Em especial, neste aspecto destaca-se o uso de expressões como 'leitor amigo', 'meu caro', ... A linguagem também é didática observando-se um equilíbrio entre textos do próprio autor e transcrições de outros autores.


Avaliação:
A obra é de fácil leitura e especialmente para aqueles que já estão familiarizados com a proposta reencarnacionista da doutrina espírita. E o autor valoriza bastante o trabalho de Kardec transcrevendo trechos de várias de suas obras.

Em termos de projeto deve-se fazer algumas observações importantes. Primeiramente, percebe-se a falta de um encadeamento entre os capítulos embora o autor tenha se esforçado em apontar no final de alguns deles as referências de outros.

Esta falta de encadeamento é observado sobretudo pelo número excessivo de capítulos que são, na verdade, pequenos artigos.

Complementando a observação anterior verifica-se uma quantidade grande de repetições de ideias, de citações, ou de recomendações ao leitor. Esta repetição pode ser um recurso interessante para o convencimento do leitor sobre uma dada questão, mas é desagradável para quem faz a leitura do começo ao fim. Apenas para exemplificar temos repetições entre os capítulos 7 e 23, 2 e 28, e entre 34 e 36.

Uma das ideias mais repetidas pelo autor é a da lei de ação e reação. E aí há algo um tanto controvertido porque alguns textos sugerem que alguns sofrimentos são a consequência de pagamentos (ou em outras palavras: expiações, reparações, penas) por atos equivocados cometidos no passado e outros sugerem o contrário.

Por exemplo, no capítulo 26 encontramos: "O ser está caminhando e utiliza a reencarnação também para reparar os males que produziu. É um erro, todavia, afirmar que nascemos para 'pagar dívidas do passado'.".

Contudo é importante frisar que há uma tendência clara por parte do autor em reconhecer como melhor uma proposta mais flexível da citada lei de ação e reação. E esta flexibilização é retratada de forma interessante no capítulo 37 onde se lê: "Como o caso daquele homem que solicitou perder o braço (em virtude de ato vergonhoso no passado), mas, como era uma pessoa muito caridosa, perdeu apenas a ponta do dedo indicador.".

Aliás, a expressão "ação e reação" tem sido mal empregada porque nos remete a lei física de que para uma dada ação haverá sempre (frise-se o sempre) uma reação no sentido inverso e de mesma intensidade (frise-se o mesma). E esta explicação não reflete a ideia mais flexível da lei. Cabe ainda destacar que esta expressão não tem origem em Kardec, que a propósito falava em outros termos: causa e efeito.

Embora não tenha sido a proposta do autor em apresentar de forma global o que seria a reencarnação parece que ficou faltando algumas palavras sobre o processo de evolução da alma considerando a reencarnação. Isto é, a origem e o destino da alma são pontos muito importantes para serem desprezados numa obra que fala sobre a reencarnação.

                                                                         Vital Cruvinel 

 

Conheça a Alma dos Animais, de Severino Barbosa


Proposta:
Convencer o leitor de que os animais possuem uma alma e que ela um dia se tornará uma alma humana. Para isto levanta dados que aproximam a realidade humana da realidade dos animais. Baseia-se também em afirmações nas obras de Kardec, Dellane, Dennis, e Chico.

Formato:
Tamanho médio, padrão, ilustrando na capa uma agradável foto de um cachorrinho. Contém aproximadamente 30 mil palavras (ou 3 horas de leitura) distribuídas em 16 capítulos também ilustrados por fotos de animais. Por se tratar de um estudo, sente-se a falta de uma seção de conclusão e uma de referências bibliográficas.

Linguagem:
Em geral, linguagem simples e direta, sem preocupação em fazer literatura. É recheada de relatos de experiências com animais. Por vezes, estes relatos se sobrepõem e causam uma certa confusão, embora sem comprometer a leitura.

Avaliação:
É sempre louvável a boa vontade para tornar mais digna a vida dos animais não humanos. O autor demonstra esta sensibilidade e escreve algumas poucas linhas procurando convencer o leitor da existência de uma alma para todo animal. Porém, é preciso mais!
Este tema está longe de ser novo e estudos como este já existem aos montes. Decerto ainda há demanda. Mas, já que se optou por abordar o tema então seria preciso avaliar outros aspectos ou fazer uma leitura diferenciada da questão a fim de contribuir para o conhecimento espírita.
Há pessoas que se convencem pela repetição, mas outras (a maioria, acredito eu) se cansam e abandonam a leitura. Praticamente todo o livro é dedicado a apresentar pequenos casos dispersos no tempo e no espaço demonstrando que os animais são inteligentes e possuem sentimentos. Seria suficiente ao leitor (pelo menos a mim) se lhe apresentasse um único estudo recente feito por pesquisadores renomados e publicado em revista científica idônea. E com certeza este estudo existe!
A ligação com o pensamento dos pioneiros do Espiritismo (Kardec, Dellane, Dennis, e outros) é adequada e acertada. Por outro lado, é preciso um pouquinho mais de objetividade sendo necessário reconhecer que a questão, na época, não estava totalmente fechada. Por exemplo, Kardec não fechou questão em relação ao ponto de ligação da alma do homem com a dos outros animais.
O autor se revela ao longo da obra um tanto preconceituoso ou mesmo desinformado em relação à ciência. Possui ainda a visão equivocada de que, cientificamente falando, a espécie humana é o último degrau da evolução. Em verdade, as espécies se ramificam intensamente e nada indica que um dia existirão só homens.
Frases como a de que "o homem tem o privilégio de ser a obra prima da Criação de Deus" (pag. 22) é que tem nos levado a achar que somos um ser à parte deslocado da realidade dos outros animais. Ainda é o resquício da gênese bíblica! Ao contrário do que pensa o autor, a ciência já superou esta ideia.
Não se pode ainda atribuir a ciência afirmações como a de que "todo corpo vivo tem um duplo etéreo" (pag. 62) baseando-se apenas em algumas experiências científicas ultrapassadas. E nem que "os animais têm alma" (pag. 118).
A despeito desta confusão do que é ou o que não é científico, o autor falha em não apresentar as consequências práticas da aceitação de que tanto animais como homens possuem almas e estas estariam em estágios diferentes de um mesmo processo evolutivo. A consequência pode parecer óbvia, mas precisaria ser explicitada e desenvolvida.
 Vital Cruvinel 

 

A Cura pela Fé, de Ricardo Orestes Forni


Proposta:
Apresentar aspectos e práticas espíritas relacionados a doença e a cura valorizando aqueles ligados a religiosidade e a fé.

Formato:
Tamanho médio com aproximadamente 50 mil palavras distribuídas em 20 capítulos. Ao final faz uma homenagem ao pesquisador Hernani Guimarães Andrade apresentando sua biografia.

Linguagem:
Simples e acessível. O autor se dirige diretamente ao leitor procurando despertar sua atenção para a leitura. Há bastante transcrições de trechos de autores consagrados no meio espírita como Chico Xavier / André Luiz e Divaldo Franco / Joanna de Ângelis para apoio nas argumentações.

Avaliação:
O livro oferece uma boa visão de como se entende no meio espírita a problemática das doenças e das curas. É dirigido ao leitor comum que tem um pouco ou mesmo nenhum conhecimento a respeito do tema. Dessa forma, não se deve esperar argumentações sofisticadas em defesa da fé e da religião como elementos importantes num processo de cura.
O autor consegue tratar de forma razoável o contraponto entre uma inflexível lei de causa e efeito e a possibilidade de reparação de um mal através da prática do bem.
O apoio de autores famosos nas argumentações é bem apropriado para o estudo, embora algumas vezes haja um certo excesso na transcrição dos textos destes autores.
Há uma aparente presunção em algumas passagens quando o autor se mostra como o "dono da verdade" ao se apoiar em uma simples afirmação contida nos textos dos autores referenciados.

Discussão:
O autor inicia sua obra com uma curiosa estória do Chico Xavier receitando apenas a fé para uma tuberculosa já que ele não tinha recursos para oferecer os remédios necessários para o tratamento. Mas, depois da metade da obra o autor revela que Chico quando enfermo não prescindia da medicina humana. Será que apenas a fé não seria suficiente para o tratamento dos problemas do Chico?
Na página 100 o autor afirma que "a doutrina espírita nos esclarece sobre os centro de forças existentes no corpo material que são: coronário, frontal, laríngeo, cardíaco, esplênico e genésico". Seria interessante o autor citar a fonte ou explicar o que entende por doutrina espírita.
 Vital Cruvinel 
1.           Ricardo Orestes Forni
Prezado crítico, quando Chico Xavier recorre à ciência dos homens para seu tratamento, ele está dando-nos uma lição de que devemos respeitar os conhecimentos que o ser humano conquista através de seus esforços. o fato de recorrermos à medicina da Terra não é uma afirmativa de falta de fé, aliás, os Espíritos recomendam a utilização do auxílio do plano espiritual em conjunto com a medicina dos homens. obrigado
Prezado crítico, quem se julga "dono da verdade" não cita textos "em demasia" de autores consagrados. quem se julga "dono da verdade", afirma por si mesmo. por isso essa crítica é contraditória em si mesma. Quantos ao pontos energéticos, vários autores espíritas referem-se a eles, bastando para isso uma pesquisa mais pacienciosa e extensa da sua parte para encontrá-los.
grato
Prezado critico, quando Jesus ensinou o método da cura definitiva, ele não utilizou de nenhuma afirmação sofisticada. disse apenas: vá e não peque mais.
como poderia eu ter a pretensão de levantar hipóteses sofisticadas depois dessa afirmativa Dele?
Prezado crítico, a Doutrina Espírita é uma ciência já que começou através da pesquisa de determinados fatos por Kardec, homem de ciência; dessas revelações surgiram uma filosofia de vida, por isso Doutrina Espírita é uma filosofia e, finalmente, Doutrina Espírita é uma religião pelo seu apelo de religar a criatura ao Criador através da sua reforma íntima.
Prezado crítico, a lei de causa e efeito não é inflexível como você afirma. O Apóstolo Pedro afirmou que o amor cobre a multidão de pecados no sentido de podermos sim modificar a colheita através da semeadura do amor. Diante da mulher equivocada que lhe banhava os pés com o perfume de nardo, Jesus afirmou que muito lhe havia sido perdoado porque muito ela havia amado.Inflexivel é a lei do Karma que não é uma afirmativa espírita, mas sim de outras filosofias religiosas. portanto, não fiz colocações no livro sobre "a inflexível lei de causa e efeito". o conceito é seu e não da minha pessoa.

Olá, Ricardo! Primeiramente, é um prazer receber seus comentários a minha análise. De verdade, obrigado! Vou tentar esclarecer alguns pontos:
1. Também concordo com você sobre a recomendação em não descartar nem a fé e nem a medicina. O que quis salientar é que você contou duas estórias sobre o Chico que aparentemente se contradizem. Se existe a recomendação para usar a medicina também então porque o Chico não encontrou uma outra solução para a tuberculosa?
2. Em relação a presunção da verdade eu observei algumas passagens onde se estabelecia um simples argumento de autoridade. Por outro lado, em outras passagens eu identifiquei um excesso de transcrições e isto não é algo ruim para a argumentação, mas ruim para a leitura do texto.
3. Também concordo com você sobre a existência de referências sobre os centros de força. A minha crítica se deveu a falta de indicação destas referências. Como você sabe o conceito de centros de força ou chakras não faz parte do legado de Kardec.
4. Quanto a questão da "sofisticação" eu quis exatamente enaltecer a simplicidade na argumentação. Esta, para mim, é uma das boas qualidades de seu trabalho. Tanto é assim que recomendei seu livro ao nosso clube do livro daqui de São Carlos (com quase 2000 sócios).
5. Perdão, mas acho que houve um engano de sua parte em relação a minha afirmação sobre lei de causa e efeito. Existem autores, não é o seu caso, que dão interpretações bem inflexíveis para esta lei. E um dos pontos altos de seu trabalho é justamente "quebrar" esta inflexibilidade. Ou seja, eu estava elogiando o contraponto que você fez.
Abraços e muito sucesso! Vital.

Ricardo Orestes
Quanto a solução do Chico perante a tuberculosa, vale lembrar que nem mesmo Jesus procedeu da mesma maneira com todos os doentes que encontrou. segundo, naquela época, não existia o demagógico SUS. a paciente não tinha recursos financeiros e nem o Chico, restando a ele, diante do desespero da enferma, lançar mão do que tinha à mão no momento. veja você que ele não recriminou que ela tivesse procurado a medicina da Terra, cujos recursos financeiros, não estavam presentes na ocasião.
Quanto ao "excesso de transcrição", se eu não os tivesse feito, aí sim cairia na posição de ser dono da verdade. Entre essa hipótese e a primeira, prefiro sempre ficar com essa última.
Em relação aos centros de força, Kardec não se referiu a eles, mas a bibliografia de André Luis é esclarecedora sobre eles. Como o livro não se ateve exclusivamente em Kardec, não foge à Doutrina Espírita a referência a esses centros de energia.
Ainda sobre a moça tuberculosa, a sabedoria do Chico não excluiu a medicina da Terra que ensina mobilizar o otimismo do paciente em favor de sua imunidade. ao recomendar a ela que tomasse a receita em pequenos pedaços já que naquele momento não havia recurso financeiro para outra atitude, Chico aliava o estímulo à imunidade da paciente e a fé numa mesma atitude.


O Homem Que Veio da Sombra, de Luiz Gonzaga Pinheiro


Proposta:
Oferecer textos poemas que falam sobre a vida e sobre a espiritualidade.


Formato:
Tamanho médio para ser lido em 2 horas ou em 2 dias. É composto por mais de 50 textos poemas. O projeto gráfico é de muito boa qualidade.


Linguagem:
Aqui as palavras são muito bem tratadas. O autor é elegante, sem ser prolixo; é simples, sem ser simplista; é sensível, sem ser piegas. 


Avaliação:
Este livro é obra de um sonhador, de um poeta que sabe trabalhar as palavras e consegue transmitir sentimentos através delas. E, no caso específico, só bons sentimentos que nos emocionam e nos fazem refletir.

O otimismo e a esperança na vida são marcas do autor que nos atingem sem cessar. E como aprendi com ele que "quem realmente ama uma pérola sente vontade de doá-la" então lhes ofereço um dos seus belos poemas:

 

Apelos do Tempo

Quem quer mesmo a verdade absoluta
Sem quedar-se aos séculos para vê-la pronta,
Muitos zeros receberá na conta
Que o tempo faz para cedê-la em luta.

Quem a verdade tem como impoluta
E a guarda em frases que a razão afronta,
Reconhecerá após a cova pronta
O quanto foi vã sua disputa

O imponderável, o absoluto, o definitivo,
O que de tão belo faz cativo
Só os milênios trarão um dia

Busca no hoje o que te faz altivo
Rega a suor teu um grão de lenitivo
Pois a verdade agora te espedaçaria.



Como Nasce um Centro Espírita, de Carlos Alberto Garcia, Dermeval Carinhana Jr e Silvestre (espírito)


Proposta:

Apresentar a história e os bastidores da formação de um grupo de espíritos que evoluem juntos e se dedicam na construção de um centro espírita.


Formato:

Tamanho médio contendo pouco mais de 200 páginas distribuídas em 31 capítulos e para uma leitura de aproximadamente 8 horas. Após cada capítulo há uma análise com comentários do segundo autor. Há também um índice remissivo no final do livro.

Embora o projeto editorial do livro seja de boa qualidade há uma falha relativamente grave em relação ao título; na capa aparece apenas "Como nasce um Centro Espírita", nos dados de catalogação aparece "Projeto de Luz: como nasce um Centro Espírita", e no cabeçalho das páginas aparece "Projeto Ponto de Luz: como nasce um Centro Espírita".


Linguagem:

A narrativa do romance usa uma linguagem objetiva e clara. Por outro lado, os autores exploram pouco a emoção, e isto torna os diálogos mais ou menos burocráticos. Mas, de qualquer forma, não é o propósito do autor fazer literatura.

Por sua vez, a linguagem das análises ao final de cada capítulo é bem clara e didática revelando boas reflexões. Aqui como na narrativa do romance o Português está impecável, sem ser prolixo e sem ser simplista.


Avaliação:

O grande destaque desta obra são as boas iniciativas de acompanhar a narrativa do romance com análises e reflexões e também de oferecer um índice remissivo. As análises dão uma outra dimensão ao trabalho oferecendo uma visão privilegiada dos autores sobre a narrativa. A partir destas análises é possível acompanhar o raciocínio dos autores e compreender, pelo menos superficialmente, como a obra foi construída.

Além disto, as análises ajudam o leitor a focar sua atenção na essência da narrativa e também em detalhes importantes para o melhor aproveitamento dos conhecimentos acerca do mundo espiritual. Pode contar ainda com referências nas principais obras espíritas que contribuem, assim, para sua credibilidade.

Estas análises representam uma ótima novidade na produção dos romances espíritas e, a meu ver, deveriam ser utilizadas por outros autores. Aliás, só não é novidade porque Kardec já fazia isto nas Conversas Familiares de Além Túmulo publicadas nas edições mensais da Revista Espírita.

O cuidado em empregar um Português correto e claro deve ser louvado. Isto favorece bastante que o leitor não se perca na leitura e nem fique desestimulado a terminar de ler... principalmente por se tratar de uma obra volumosa.

Em toda a obra se observa a naturalidade com que os autores procuram demonstrar a convivência e a sinergia entre os dois planos, material e espiritual. Chegam mesmo a chamar a atenção para experiências relegadas a segundo plano pelo espíritas como o acompanhamento dos espíritos protetores ou a libertação da alma durante o sono físico.


Discussão:

Nas análises do capítulo 5 (e do 14) o autor se remete a Allan Kardec para justificar a necessidade de repouso físico do perispírito. Mas, o mesmo Kardec admite apenas o repouso moral... as manifestações de cansaço e fome seriam apenas ilusões dos espíritos.

Na análise do capítulo 24 o autor afirma que "em nenhum momento, em toda a obra de Allan Kardec, os espíritos superiores utilizaram esses termos [lei de ação e reação, ou causa e efeito], cujos significados podem ser facilmente confundidos com a Lei de Talião ...".

Também concordo que a rigidez desta lei tenha que ser abandonada, mas há algumas passagens como, por exemplo, o diálogo 764 no Livro dos Espíritos.

No capítulo 25 há a informação de que quatro personagens desencarnaram no século XIX por volta dos 70 anos. O autor faz uma boa análise crítica avaliando se esta informação poderia ser verdadeira já que a "esperança de vida da Inglaterra do século XIX era muito abaixo disso". Pesquisando na Internet acharam a informação de que na época do desencarne uma parcela da população tinha mais de 70 anos. Com isso a informação seria consistente, mas seria preciso considerar que a probabilidade de que quatro pessoas desencarnem com uma idade bem acima da esperança de vida é muito pequena.

 Vital Cruvinel 


 


 

Um comentário:

  1. Excelentes as reflexões desses autores!!
    Gratidão por tão importante aprendizado!!

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