Artigos



ARTIGOS

 
  Você é Espírita? Tem Certeza?

Quando perguntado às pessoas se elas são Espíritas, as respostas, em geral, são quatro: Não sou! Deus me livre! Sou! E a última: Estou tentando ser Espírita.
O que iremos falar hoje é a respeito das duas últimas respostas: Dos que assumem que são Espíritas e os que quando indagados, respondem que estão tentando ser Espíritas.
Eu acredito que para dar uma resposta desta, ambos sabem o que é Ser Espírita. Mas, será que sabem mesmo? O interessante é que há vários irmãos nossos que se dizem Espíritas, mas que não são e também há vários que dizem: Estou tentando ser Espíritas e que na realidade, já são Espíritas.
Quando eu entrei no Espiritismo, há mais de 30 anos, por absoluta falta de conhecimento da minha parte, eu achava que os Espíritas eram bem diferentes das demais pessoas. Diferentes e melhores, quase anjos!
Eu achava que no Centro Espírita jamais eu iria ver brigas por cargos de chefia, crises de vaidade, inveja, melindres, etc. Depois de algum tempo, cheguei à triste conclusão que eu estava errado. Muito! Bastante errado!
Os Espíritas não são diferentes das outras pessoas. Não! São iguais e em inúmeros casos, são até piores. Bem piores! Sabem por quê? Simples: Porque sabem o que não devem fazer, mas fazem!
Mas o que é que caracteriza e define um Espírita? Porque vir à Casa Espírita, ministrar ou tomar passe, assistir ou proferir palestra, beber água fluidificada, dirigir ou participar de Grupos da Casa, não faz de ninguém Espírita, haja vista que encontramos Casas Espíritas onde tais atividades são praticadas de forma inadequada, absolutamente fora dos parâmetros preconizados por Kardec e pelos Espíritos Superiores.
Também encontramos pessoas que vêm ao Centro, apenas por motivações interesseiras. Há até quem ache que a Casa Espírita é uma farmácia, aonde a pessoa chega, pega o remédio, vai embora e não pensa sequer em entender o quê e o porquê do que está lhe acontecendo e muito menos em retribuir de alguma forma pelo que recebeu. Não! A maioria só vai buscar e nada levar!
Acredito que cada um de nós, quando estamos frequentando uma Casa Espírita séria, imbuídos da missão de ajudar vivos, “mortos” e a nós mesmos, agindo com amor, respeito, responsabilidade e estamos sempre preocupados em nos melhorarmos moralmente, somos missionários. E se somos missionários ativos dentro de uma Casa Espírita, em consequência, não resta a menor dúvida, de que também somos Espíritas sim.
É claro que há pessoas que se dizem Espíritas, mas que na realidade querem transformar as Reuniões Mediúnicas em verdadeiros Consultórios do Além, tentando usar as reuniões para consultas de interesse pessoal: Arranjar um Casamento, passar no vestibular, conseguir um emprego, etc. Ou seja: Estão tentando transformar a Casa Espírita em uma agência de Casamentos, em Cursinhos para Concursos ou em Agência de Empregos!
Ou seja, esquecem-se que os Espíritos não fazem pelo homem, aquilo que ao homem compete fazer. Nós precisamos entender, aceitar e divulgar, de forma definitiva, que nós somos os únicos construtores, os únicos arquitetos e os únicos responsáveis pelos nossos destinos!
Há também quem ache que se é médium, é porque é Espírita. Errado! Mediunidade não tem nada a ver com Religião, com Espiritismo ou Moralidade. Há médiuns ateus, há médiuns de moral duvidosa e há médiuns Espíritas, como há médiuns evangélicos, católicos, etc..
Nas Casas Espíritas, fala-se muito em assiduidade, pontualidade, disciplina, reforma íntima, etc. Estas cobranças estariam erradas? Claro que não. Elas devem mesmo acontecer e os Espíritas sabem disso. Contudo, há Espíritas, principalmente quando ocupam algum cargo de chefia na Casa, que se melindram e ficam chateados se alguém lhes lembrar que estão falhando.
Ora, estariam os dirigentes isentos da mesma responsabilidade e disciplina que os demais trabalhadores? Quem disse que os dirigentes têm qualquer privilégio em relação aos outros? Não somos todos operários da fantástica e maravilhosa fábrica chamada Terra, trabalhando sob a batuta infalível do nosso gerente geral, o mestre Jesus? E o mais importante: Não cabe ao dirigente ensinar, principalmente pelo exemplo?
Eu tenho uma pergunta a fazer a todos nós que nos dizemos Espíritas. Que tipo de Espíritas nós somos? Donos da verdade? Arrogantes? Vaidosos? Medrosos? Bonzinhos? Ou verdadeiros Espíritas? Confesso que tenho muito medo do Espírita bonzinho, principalmente se for dirigente de algum grupo.
Um ex-dirigente de um grupo de psicofonia, me disse certa vez, que não chamava a atenção dos componentes do seu grupo, quando eles erravam, por que eles eram maiores, vacinados, que exerciam seu livre arbítrio e que ele, dirigente, fazia a sua parte e não iria se queimar com trabalhador!
O que ele esqueceu de dizer, é que fazer sua parte, como dirigente, inclui orientar, ensinar, aconselhar e se preciso for, dar um puxãozinho de orelhas nos menos experientes ou menos comprometidos com a Doutrina dos Espíritos.
Quanto ao livre arbítrio, todos somos livres para decidir quanto ao próprio destino, mas nossa liberdade de ser e de agir tem limites, quando se trata da Instituição que nos acolhe e de estarmos inseridos em um contexto maior, como em um Grupo de Trabalho. Há regras a serem respeitadas e o trabalhador tem que se adequar às normas da Casa, não a Casa se adequar ao trabalhador que se não estiver satisfeito ou não concorda, que procure uma Casa que atenda melhor aos seus anseios.
 Quando as pessoas chegam em uma Casa Espírita, pode lhes acontecer duas coisas: Alguns realmente começam a fazer a indispensável reforma íntima. A se melhorar! Mas outros, normalmente em número maior, permitem que desperte neles a perigosa Vaidade, filha predileta do Orgulho, prima preferida do Egoísmo e apadrinhada por um monte de obsessores de plantão!
Além disso, há Espíritas que se esforçam bastante para deturpar o que ensina a nossa Doutrina.
Um Espírita excessivamente empolgado, fanatizado, sem uma boa base doutrinária e sem conhecer realmente a proposta da Doutrina, chega a ser tão chato e inconveniente como aqueles irmãos crentes que em plena hora de almoço, tocam a campainha da nossa Casa e praticamente impõem que nós aceitemos Jesus!
Portanto, cabe aos Espíritas Verdadeiros, a tarefa de enobrecer nossa Doutrina, pois qualquer pessoa pode dizer-se Espírita. Mas a grande questão não é dizer-se Espírita; a grande questão é SER Espírita.
E infelizmente, lamentavelmente, sabemos que na Casa Espírita, também existem interesses pessoais, vontade de aparecer, de se destacar e tantos outros sentimentos negativos, que terminam impedindo que surja ali o verdadeiro Espírita. Vamos exemplificar:
É o Médium que não se conforma com a recomendação para disciplinar melhor sua faculdade porque ele, ao receber os Espíritos, bate os pés, as mãos, fala alto demais, com linguagem às vezes inadequada, etc. Então ele se melindra e não aceita as observações e conselhos dos mais experientes.
É o Expositor que não cumpre os horários, nem o programado, que desvia sempre do assunto da palestra, descambando para análises pessoais ou sem importância doutrinária, e que não aceita as recomendações da direção, afirmando que “nessa etapa da vida não está mais para ouvir críticas, especialmente de quem sabe menos ou é muito mais moço...”
É o Dirigente da Reunião Pública que faz do exórdio uma verdadeira palestra, que quando dá a palavra ao palestrante, já lhe tomou mais de quinze minutos e no final ainda acha que precisa sempre complementar algo sobre o que o palestrante falou, numa atitude descortês e deselegante para o palestrante.
E finalmente é o Espírita Sabe Tudo, que por se achar acima dos outros, também se acha no direito de ser grosseiro, intransigente e até mal educado, sem atentar para as boas normas de convivência fraterna.
Estou tentando ser Espírita! Vocês já pararam para pensar em como esta frase é estranha? Esquisita? Estou tentando ser Espírita! Isto, ao invés de ser um símbolo de humildade, para mim é uma maneira de gerar desconfiança naqueles que nos ouvem. Eles irão pensar: Como acreditar em uma Doutrina que não consegue convencer nem o próprio adepto? Nem o próprio seguidor? Que está em dúvida do que ele é?
Mas enfim: O que é ser Espírita? Segundo Allan Kardec, "Reconhece-se o verdadeiro Espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más."
Entendemos que ao usar a expressão "verdadeiro Espírita", Kardec se referia aos Espíritas que já assumiram consigo mesmos o compromisso de se melhorar.
Vejamos alguns tipos de Espíritas:
Há os Espíritas que simplesmente acreditam nas manifestações dos Espíritos; consideram o Espiritismo algo curioso; acham maravilhosa a mediunidade; admiram o que os Espíritos fazem; admiram a sua racionalidade, mas não modificam suas condutas e param por aí.
Também há os Espíritas que aceitam tudo o que vem dos Espíritos, sem exame, sem verificação, mesmo coisas absurdas, sem nada contestar, como se os Espíritos fossem donos da verdade, quando na verdade o que existe de Espírito mentiroso, brincalhão, velhaco, trambiqueiro, é brincadeira.
E graças à esta confiança cega, são iludidos facilmente e explorados por Espíritos mistificadores. Esse tipo de Espíritas, sem o saberem, dão armas aos incrédulos, aos zombadores, que desejam ridicularizar o Espiritismo.
Há também, os Espíritas Igrejeiros, que são aqueles que veem o Espiritismo apenas como uma religião e somente religião, O Espírita igrejeiro, por não acompanhar a proposta de Kardec, quanto à pesquisa, a observação e os avanços da Ciência, fica apenas rezando, rezando, rezando, porque entendem o Espiritismo apenas como uma doutrina de Rezação.
O espírita Patrulhador da Pureza Doutrinária. Somente ele conhece a Doutrina, mais ninguém. Geralmente se comporta como se tivesse uma procuração, outorgada pelo próprio Allan Kardec, reconhecida no cartório celestial, com amplos poderes para fiscalizar o que se faz, o que se diz e o que se escreve sobre o Espiritismo.
O espirita Esotérico, é aquele que permite tudo no seu Centro Espírita. Pelo fato da Cromoterapia ser algo bom (de fato é) ele acha que tem que implantar no Centro Espírita. Importam mantras para sua casa espírita, pois frequentemente, “os mantras são utilizados para se obter coragem em momentos difíceis e auxílio, ou para 'invocar' a força espiritual interior”.
Se alguém diz que é bom colocar uma pirâmide e deitar as pessoas embaixo, para tomar passe, ele coloca. Se alguém recomenda que as pessoas devem tirar os sapatos para entrar no Centro, todos têm que tirar os sapatos. Mulher se senta de um lado e homem de outro, as palmas das mãos têm que ficar para cima, na hora de receber o passe, porque o passe só entra pela palma da mão. No Centro tem que vestir branco, para atrair bons espíritos e por aí vai um monte de tolices...
O espirita Mestre de Velório, é aquele que faz do Centro Espírita um ambiente triste, sem nenhuma alegria. Ninguém pode sorrir, todo mundo tem que falar quase cochichando; expositor que faz a plateia rir demais não é um expositor sério; ninguém pode aplaudir ou elogiar quem quer que seja, por mais meritório que seja o seu trabalho, porque a vaidade pode fazer uma nova vítima, anulando desta forma, a educação, a elegância e os bons princípios humanos.
E temos finalmente os verdadeiros Espíritas. Que estudam, que se aprofundam no conhecimento Espírita, que sabem da importância da reforma íntima e de que a existência na Terra é passageira. São alegres nos Centros, do mesmo modo que são em suas Casas e em qualquer lugar. Sorriem, brincam, jamais perdem o humor e não se comportam, jamais, como Donos do Centro, como Donos do Espiritismo ou como se fossem mais importantes do que o Espiritismo.
Os verdadeiros Espíritas entendem que Caridade não é esmola e não se resume apenas em sopa para os pobres, meio quilo de farinha ou uma camisa velha. Ela pode e deve ser aplicada também em uma conversa dirigida a um rico que esteja pensando em suicídio, em aborto, eutanásia e em outras práticas infelizes.
Acredito que agora é possível concluirmos que tipo de Espíritas nós somos e como poderemos trabalhar para nos tornarmos verdadeiros Espíritas, porque agora sabemos que ser Espírita é ser alguém que caminha no mundo, mais, muito mais consciente dos seus erros do que dos seus acertos.
Lembremo-nos que para ser Espírita é necessário bem mais que apenas a fé cega. Allan Kardec deixa isso claro quando diz: “Fé inabalável só é a que encara a razão face a face em todas as eras da humanidade.”. Caracterizando, que a fé tem que ser racional e não cega!
Agora! Aos que responderam que são Espíritas, eu pergunto: Será que vale realmente a pena ser Espírita?
 Claro que vale! Pois é a Doutrina Espírita que explica quem sou, de onde vim, para onde vou e o que estou fazendo neste Planeta.
Vale a pena, porque é a Doutrina Espírita que ensina que preciso olhar para dentro de mim, me compreender para poder compreender o próximo. É ela que ensina que estamos todos no mesmo barco, na mesma luta, na mesma guerra interior, brigando conosco mesmos para corrigir nossas falhas.
Vale a pena, porque a Doutrina Espírita ensina que nosso próximo, é qualquer pessoa que convive conosco, seja ele de outra religião; ateu, de outra raça; heterossexual, homossexual; rico, pobre; branco, negro; culto ou analfabeto, etc., a todos respeitando, sem nenhum tipo de preconceito.
Vale a pena, porque a Doutrina Espírita nos mostra que Caridade não é só a esmola, mas também a tolerância, a paciência, o abraço amigo, a mensagem consoladora, a visita ao doente, uma prece, etc.
Vale a pena, porque a Doutrina Espírita ensina que ser Cristão vai além de cultos externos, de rótulos religiosos e que a Fé sem obras, não passa de uma fé morta.
Vale a pena, porque a Doutrina Espírita ensina que Ser Espírita é, em primeiro lugar, praticar os ensinamentos de Jesus e não apenas acreditar nele.
Ser Espírita é aceitar nossas imperfeições; nossos defeitos; nossas limitações; Ser Espírita é aceitar que não sabemos tudo, que não somos os donos da verdade e que não somos melhores do que ninguém. Ser Espírita é entender que nossa religião não é melhor do que qualquer outra, mas sim que qualquer religião é boa, desde que faça a pessoa ser melhor. Ser Espírita é superar a si mesmo, não superar o próximo; Ser Espírita não é apenas conhecer a Codificação e a vasta literatura que nos é proporcionada. Na realidade, é, principalmente, vivenciar seus ensinamentos dia após dia.
Por fim, Ser Espírita não é perder tempo construindo templos de pedra; é transformar o nosso coração em um templo de amor ao próximo,
Quando falamos que somos Espíritas, é porque estamos buscando constantemente, vencer nossas más inclinações, conscientes de que é o autoconhecimento e a autotransformação que nos tornam homens e mulheres melhores. Portanto, somos ou precisamos ser Espíritas 24 horas por dia, até porque não dá para vestir a capa da Humildade, da Fraternidade e da Caridade, somente quando estamos no Centro Espírita.
Assim, tenhamos a coragem de assumir a responsabilidade total pela nossa boa ou má construção, reforçando os Alicerces Morais das nossas Obras, para termos certeza que os Vendavais de Vaidade, os Furacões de Orgulho e os Terremotos de Egoísmo, não irão abalar as estruturas de um Espírita Verdadeiro, que tenha como pilares fundamentais, o Amor e a Caridade.
Para encerrar eu repito a afirmação de Kardec: Reconhece-se o verdadeiro Espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz em domar suas más inclinações.
Agora, perguntem-se mentalmente: Eu melhorei moralmente? Estou lutando contra minhas más tendências?
Se a resposta for positiva, digam a si mesmos: Eu sou Espírita!
E eu, Agnaldo, complemento: Você tem certeza?

NOTA: Nem todas as ideias aqui registradas, são minhas. Várias, eu assimilei nos meus estudos, nas minhas leituras, mas que infelizmente não lembro a autoria. Então, não considerem o texto acima, como sendo de Agnaldo Cardoso. O texto é de vários autores, inclusive meu, preocupados com a descaraterização que sofre a nossa fantástica Doutrina Espírita, por parte de irmãos pouco preocupados ou despreparados.                  


 

VIDA SEXUAL DOS ESPÍRITOS


Após a desencarnação, homens e mulheres continuam, no perispírito, com os órgãos sexuais, mas estes não conservam as mesmas funções que possuíam na Terra. Todos os Espíritos errantes nutrem os sentimentos e emoções inerentes à sua condição.
O que não há, evidentemente, é a procriação. Isso só ocorre no plano terrestre, onde as Leis Divinas impulsionam o macho e a fêmea, através do instinto e do amor, a colaborar na criação. Entretanto, a problemática sexual continua, não no sentido terreno, pois todos se encontram desembaraçados do corpo físico; não desaparece, uma vez que é a fonte da vida.
Como regra geral, o Espírito, ao desencarnar, conserva, na erraticidade, a forma perispiritual da última encarnação. Talvez, por algum condicionamento ou necessidade, o Espírito permaneça na condição de homem ou mulher. Informa o Espírito Silveira Sampaio, na obra O Mundo em que Eu Vivo, psicografado por Zíbia M. Gasparetto, que alguns desencarnados têm extrema dificuldade de mudar qualquer característica física da última encarnação.
Todavia, como regra geral, os Espíritos errantes podem manipular o perispírito a seu bel-prazer e de acordo com as lembranças de vidas passadas que mais lhes agradarem.
Pergunta: Os Espíritos não têm sexo. Entretanto, como ainda há poucos dias sereis um homem, tendes neste novo estado uma natureza mais masculina do que feminina? Acontece o mesmo com o Espírito que tivesse deixado seu corpo há muito tempo?
Resposta: Não temos de possuir natureza masculina ou feminina: os Espíritos não se reproduzem. Deus os criou pela sua vontade, e se, nos seus maravilhosos desígnios, quis que os Espíritos se reencarnem na Terra, teve de acrescentar para isso a reprodução das espécies por meio das condições próprias do macho e da fêmea.
Mas vós o sentis, sem necessidade de nenhuma explicação — os Espíritos não podem ter sexo. (O Céu e o Inferno, de Allan Kardec) Melhores esclarecimento temos em O Livro dos Espíritos, na resposta que Allan Kardec obtém dos Espíritos à pergunta 201:
Pergunta: O Espírito que animou o corpo de um homem, em nova existência pode animar o de uma mulher e vice-versa?
Resposta: Sim, são os mesmos Espíritos que animam os homens e as mulheres. Os Espíritos se encarnam homens ou mulheres porque eles não têm sexo. Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, lhe oferece provas e deveres especiais, além da oportunidade de adquirir experiência. Aquele que fosse sempre homem não saberia senão o que sabem os homens.
Outra informação interessante a respeito do sexo dos Espíritos é encontrada na Revista Espírita, de Allan Kardec, publicada em janeiro de 1866: Os sexos só existem no organismo. São necessários à reprodução dos seres materiais.
Mas os Espíritos, sendo criação de Deus, não se reproduzem uns pelos outros, razão por que os sexos seriam inúteis no Mundo Espiritual. (…) Aos homens e às mulheres, são, assim, destinados deveres especiais, igualmente importantes na ordem das coisas; são dois elementos que se completam um pelo outro.
Na obra O Sexo Além da Morte, seu autor, R. A. Ranieri, através de desdobramentos, visita zonas da Espiritualidade em que se encontram criaturas profundamente envolvidas com problemas sexuais que lhes impedem a marcha ascensional. Segundo suas observações, estão elas de tal forma arraigadas às práticas aberrantes e viciosas, que apresentam o perispírito totalmente deformado. São Espíritos errantes que abusaram do sexo e que continuam, após a desencarnação, com os mesmos hábitos. Condicionados a práticas libidinosas, vivem nos bordéis terrenos, usufruindo dos prazeres sexuais, juntamente com os encarnados com que têm afinidade, em processos obsessivos recíprocos.
 
 
 Você sabe o que são os Espíritos Íncubos e Súcubos?
 
Nestes Espíritos, denominados de vampiros pelo professor J. Herculano Pires, os apelos sexuais são tão intensos, que os desequilibram psiquicamente; as entidades denominadas de íncubos e súcubos (ÍNCUBOS: seres espirituais, com características masculinas, que mantêm relações sexuais com mulheres; no seu oposto estão os SÚCUBOS, que seduzem os homens.), responsáveis por terríveis obsessões, pertencem a essa categoria.
Na obra Sexo e Destino, ditada pelo Espírito André Luiz, através dos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, temos informação da existência do Hospital-escola Almas Irmãs. Instituição destinada a socorrer Espíritos desencarnados de todas as idades e de ambos os sexos, necessitados de reeducação sexual, está sediada em quatro quilômetros quadrados de edifícios e arruamentos, parques e jardins.
É, na realidade, uma pequena cidade. Levado pela curiosidade, o Espírito André Luiz pede informações ao instrutor Neves a respeito do Instituto. Esclareceu, então, que a agremiação possuía uma diversidade de habitantes: Desde os alienados reclusos em manicômios até os remanescentes de tragédias passionais já pacificados e de aparência hígida.
No Hospital-escola os enfermos têm, como tema central de estudos, o sexo, pesquisado e enobrecido nas inúmeras Faculdades de ensino e desdobrado em especialidades, tais como: sexo e amor; sexo e matrimônio; sexo e maternidade, sexo e estímulo, sexo e equilíbrio; sexo e medicina; sexo e evolução; sexo e penalogia.
Podemos deduzir das informações dos Espíritos que, no Além-Túmulo, continuam a atração sexual, os ciúmes e outros sentimentos, bem mais intensos entre os insensatos que cometem sua dose de insensatez antes de atingir estádios elevados de desenvolvimento.
Em Cartas de um Morto Vivo, o Espírito David Hacht depara com um desencarnado que casara duas vezes na Terra. Estando todos desencarnados, viviam as esposas em litígio a reclamar a posse do marido que não tinha sossego. O marido, por sua vez, sentia-se, ainda, atraído pela segunda esposa e, de alguma forma, afeiçoado à primeira. O Espírito David Hacht se torna muito amigo deste trio singular.
Conta ele que, certa feita, as esposas lhe solicitaram o arbítrio: Com qual delas deveria o esposo ficar? Lembrou-se, então, da resposta do Cristo aos saduceus a uma pergunta semelhante: Quando ressuscitarem de entre os mortos, não casarão, nem serão pedidos em casamento; devem ser como anjos do Céu. Querendo que eles entendessem que, na condição em que se encontravam, não deveria haver o sentimento de posse e nem utilizariam os órgãos sexuais com a mesma finalidade do casamento terreno.
Nos planos superiores da Espiritualidade, não existe o sexo como vulgarmente conhecemos, porém, objetivando o programa reencarnacionista, realizam-se planejamentos de uniões de almas, a fim de criar oportunidades de burilamento e progresso. Nos seus relatos, os Espíritos errantes falam dos diálogos que os futuros esposos mantêm em seus passeios pelos jardins das Colônias Espirituais a projetar as próximas encarnações.
 

É possível saber como vou desencarnar?


ANTÔNIO CARLOS NAVARRO
Se há uma certeza em nossas vidas, é a do retorno ao Mundo Espiritual, que é de onde viemos. Sendo a vida física uma etapa na vida do Espírito, o momento de transição entre o estado de encarnado e de desencarnado varia de pessoa para pessoa raiando o infinito, mas sempre de acordo com a individualidade espiritual.
Allan Kardec propôs aos Espíritos Superiores:
“O Espírito sabe por antecipação como desencarnará? – Sabe que o gênero de vida escolhido o expõe a desencarnar mais de uma maneira do que de outra…”
Comum são os relatos a respeito de pessoas que pareciam ter conhecimento do desencarne, pelas atitudes tomadas anteriormente, ou ainda, pela forma com que tocaram direta ou indiretamente no assunto. Isso confirma a informação dada pelos Espíritos Superiores, porque o acaso não faz parte das Leis Universais.
Sobre o instante da morte física perguntou Kardec:

“A separação se opera instantaneamente e por uma transição brusca? Há uma linha de demarcação nitidamente traçada entre a vida e a morte?
– Não; a alma se desprende gradualmente e não escapa como um pássaro cativo subitamente libertado. Esses dois estados se tocam e se confundem de maneira que o Espírito se desprende pouco a pouco dos laços que o retinham no corpo físico: eles se desatam, não se quebram.”
Observamos, pela resposta acima, que mesmo nas mortes instantâneas o espírito retém “ligações” com o corpo sem vida, se não pelos laços físicos, também pelos laços desenvolvidos por seus valores e vícios morais.

Seria o caso de perguntarmos: o que exerce influência no desprendimento do espírito de seu corpo físico sem vida?
“Pois, onde está o teu tesouro, ali estará também o teu coração”, esclareceu-nos Nosso Senhor Jesus Cristo, como a nos dizer que os laços do sentimento nos vincularão a tudo o que nos é caro ao espírito, sejam coisas, propriedades ou pessoas, pois que estas últimas também consideramos como propriedades nossas.
“Amém vos digo que tudo que ligardes sobre a terra, estará ligado nos céus” (4) também disse Nosso Senhor Jesus Cristo. Aqui, por céus podemos entender Mundo Espiritual, o que significa que mesmo do “lado de lá”, mantemos os laços firmados aqui, inclusive na transição entre o estado de encarnado para o de desencarnado.
Necessário se faz, portanto, incrustarmos em nossa cultura de vida a consciência da precariedade dos laços que nos prendem ao mundo físico, incluindo às pessoas, que também são espíritos em evolução.
As enfermidades fatais, e muitas vezes as de longo curso, tornam-se períodos de meditação a respeito dos valores pessoais diante da vida, permitindo um melhor preparo íntimo para a transição e readaptação ao mundo espiritual.
Não se deve entender, no entanto, que o desprendimento das coisas e pessoas deste mundo cheguem ao despautério de nos tornarmos frios e insensíveis.
O que se espera é tão somente que saibamos trabalhar os sentimentos do espírito imortal, administrando a influência que as coisas do mundo exercem sobre nós, tirando o devido proveito para crescimento espiritual, porque, se é fato que estamos reencarnados, também o é que um dia vamos desencarnar.
A Doutrina Espírita tem todas as ferramentas necessárias para trabalharmos nossos valores íntimos, dando-nos o ensejo para o devido preparo para a grande transição que, embora já a tenhamos experimentado muitas e muitas vezes, ainda se faz presente com muito peso em nossa forma de viver a vida física.
Pensemos nisso.
 
 
Eu Quero Ser Médium

Embora muitos insistam em afirmar que a mediunidade é dívida, antes de qualquer outra coisa, baseando-se em uma afirmação de Emmanuel, (essa afirmação precisa ser melhor interpretada), na realidade, mediunidade é um sério compromisso que assumimos conscientemente antes de retornar à carne, seja por sugestão da espiritualidade superior ou por iniciativa nossa.
Mediunidade é o instrumento de nossa evolução e oportunidade de reparação de um mais que provável passado de erros. Recusá-la quando já estamos aqui, é fugir da responsabilidade, do compromisso, que assumimos no mundo espiritual, em detrimento de nós mesmos.
O Espiritismo está conosco há mais de cento e cinquenta anos e ainda hoje a prática mediúnica claudica em muitas casas espíritas. Não são raros os casos em que, logo na primeira visita, a pessoa é encaminhada ao desenvolvimento da sua mediunidade, mesmo não tendo nenhuma noção sobre como se processa o intercâmbio com os Espíritos.
O resultado disso, inúmeras vezes, é desastroso: Pessoas ficam apavoradas e com ideias erradas sobre o contato entre os homens e os desencarnados. E essa mentalidade é cultivada entre nós basicamente, pelo pouco ou nenhum estudo doutrinário, sobretudo das obras básicas.
Sabemos que o fenômeno mediúnico é um bom meio de atração para os que ainda não conhecem o Espiritismo, mas não se pode inverter a escala de valores das coisas. O estudo, a divulgação da Doutrina Espírita e a reforma íntima, fundamentais para a vida futura do Espírito imortal, devem ser as principais preocupações dos espíritas, principalmente dos dirigentes.
Milhares de pessoas, batem às portas dos centros espíritas, apresentando sintomas de mediunidade, desejando ser assistidas, a fim de se livrarem do desequilíbrio. Grande parte dos médiuns principiantes querem desenvolver a mediunidade, mesmo desconhecendo completamente o que isto significa, pois acreditam que, unicamente, na sessão mediúnica, desenvolverão sua mediunidade, seus obsessores serão doutrinados e alcançarão automaticamente o equilíbrio, a paz e a saúde. Em outras palavras, querem a conquista mágica e fácil, através do simples fenômeno mediúnico!
Grupos espíritas, sem conhecimento mais aprofundado do Espiritismo, ansiosos em aumentar o número de trabalhadores da casa, encaminham pessoas para a prática mediúnica, tão somente porque demonstram possuir mediunidade.
Quando alertados, muitos dirigentes afirmam estar fazendo um ato de caridade, quando, na verdade, poderão estar promovendo uma tremenda desorganização psíquica, forçando o desenvolvimento mediúnico em pessoas despreparadas. O erro torna-se muito mais grave, porque a pressa com o fenômeno mediúnico, torna o fenômeno mais importante que o próprio Espiritismo. E o resultado é infeliz: Soma ao despreparo dos dirigentes, a persistente má vontade dos médiuns em estudar Espiritismo.
Repetimos: O estudo continuado, a divulgação incessante da Doutrina Espírita, – principalmente pelo exemplo – e a indispensável e indelegável reforma íntima, absolutamente fundamentais para a vida futura do Espírito imortal, devem ser sempre as principais preocupações dos espíritas, principalmente dos seus dirigentes.
 

Não vim para Batizar, de Leda Maria Flaborea


Batismo é a prática dos ensinamentos do Cristo, fé em Deus e trabalho no bem.
Nos vários departamentos da atividade cristã, em todos os tempos, surgem controvérsias no que se refere aos problemas do batismo na fé...  A sua origem está nas práticas dos povos ditos pagãos. Entretanto, ele se modifica no seu conceito, após Jesus: antes d`Ele, o batismo era feito com água e, depois d`Ele, com fogo.  Os homens batizando na carne, Jesus no Espírito.
Irmãos nossos de outras crenças, cristãos ou não, têm em suas práticas o uso da água como purificação espiritual. O sacerdócio criou, para isso, cerimoniais e sacramentos. Assim, há batismos de recém-nascidos, há batismos de pessoas adultas, dependendo da crença que envolva as instituições. Sem desmerecer seus ritos, é necessário, todavia, que o examinemos à luz da Doutrina Espírita.
Todo aquele que crê em Deus e aceita os ensinamentos do Mestre Jesus, poderia analisar melhor esse assunto através da lógica. É importante nos lembrarmos desse procedimento, porque a renovação espiritual não se verificará somente por práticas externas, nesta ou naquela idade física.   Determinadas cerimônias materiais, nesse sentido, segundo nosso estimado benfeitor espiritual Emmanuel, eram compreensíveis nas épocas em que foram empregadas.
Paulo deixou claro que o batismo como era realizado à época de Jesus não era mais importante que a divulgação, o ensino e a prática das luzes que Ele deixou. E o apóstolo assim dizia, porque sabia que o ponto alto de sua missão era a evangelização das massas e não o batismo como era prática comum entre os profetas e os apóstolos, daí a sua assertiva em uma carta aos coríntios, (1:14 a 17): “(...) porque o Cristo me enviou não para batizar, mas para evangelizar”.
Evangelizar, então, segundo Paulo de Tarso, (São Paulo para os irmãos de outros credos cristãos), é levar àqueles que não sabem os ensinamentos de Jesus, ajudando-os a vivenciá-los, como forma de elevação espiritual e aperfeiçoamento moral.
Sabemos que nos anos iniciais da escola humana, mais precisamente na instrução infantil, os pequenos precisam da colaboração de figuras, de objetos, de tudo que seja concreto, coisas adequadas ao seu entendimento, para que possam atravessar as portas iniciais do conhecimento e avançar até estudos mais complexos, o que vai exigir, mais adiante, maiores elaborações do pensamento.
Todavia, em relação ao ensino do Evangelho, ele próprio não deixa dúvidas, pois faz imensa luz. E é em Atos, (19:5), que encontramos a conclusão: “(...) E os que ouviram foram batizados em nome de Jesus”.  Aí está o batismo de fogo: o convite do Excelso amigo à renovação, à transformação dos nossos sentimentos e nossos pensamentos, que demandará de cada um de nós atitudes de renúncia e sacrifícios, esforços e determinação... 
É o convite para “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, tão difícil de ser realizado, pois ainda estamos presos às raízes do egoísmo, do orgulho desmedido, do olhar para si mesmo e imaginar que somos o centro do mundo.
A proposta de Jesus a uma mudança na nossa forma de olhar o outro coloca-nos em situação de igualdade, irmanados nas mesmas dificuldades, pois, ao conseguirmos enxergar mais o outro do que a nós mesmos, atendendo ao convite bendito do Mestre de amor e bondade, teremos sido batizados em nome d`Ele... Aí reside a sublime verdade. “A bendita renovação da alma àqueles que ouviram os ensinamentos do Mestre Divino, exercitando-lhes as práticas. Muitos recebem notícias do evangelho todos os dias, mas somente os que ouvem estarão transformados”, afirma Emmanuel com muita propriedade, no livro Vinha de Luz, na lição 158.
Sob essa luz, parece-nos possível concluir que, para o Espiritismo, batismo é a prática dos ensinamentos do Cristo, através do exemplo vivido com resignação, fé na Providência Divina e trabalho no bem.
As nossas transgressões às leis divinas podem ser remidas através do batismo de fogo da expiação que elas suscitam. Provações e expiações terrenas são, portanto, formas de batismo; e quando tivermos triunfado sobre elas teremos sido batizados, mais uma vez, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Em O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec escreve, por causa da intensa perseguição que a Doutrina Espírita sofria no seu início, o seguinte comentário, lembrando outra forma de batismo: “(...) A perseguição é o batismo de toda ideia nova, grande e justa, e cresce com a magnitude e a importância da ideia”.  Foi assim com Jesus; é assim com o Espiritismo!
Na concepção espírita do pecado original, posto que ninguém será responsabilizado pelo erro que o outro cometeu, o batismo deve ser encarado como uma cerimônia iniciática ou de consagração à crença que o postulante abraça. Como espíritas, entretanto, devemos entender, segundo revelação dos Espíritos Iluminados, que o verdadeiro batismo da criança se processa através da educação.
O Espiritismo educa o homem para a vida em sociedade, e prepara-o para a caminhada em direção a Deus.  E como espíritas, na sagrada missão de paternidade, compreender que o batismo, aludido no Evangelho, é a solicitação das bênçãos divinas para todos aqueles que venham a se reunir no instituto da família.
Longe de quaisquer cerimônias de natureza religiosa, o espírita deve entender o batismo como o apelo do seu coração ao Pai de Misericórdia, para que os seus esforços sejam santificados no trabalho de conduzir as almas que lhes são confiadas, compreendendo, além disso, que esse ato de amor e compromisso divino deve ser continuado por toda a vida, na renúncia e no sacrifício, em favor da perfeita cristianização dos filhos, sob o pálio do trabalho, da dedicação. Assim afirma Emmanuel, respondendo a questão 298, do livro O consolador, psicografado pelo saudoso Francisco Cândido Xavier.
E é, ainda, no prefácio do livro No Mundo Maior, de André Luiz, também chegado a nós pela abençoada mediunidade de Chico Xavier, que Emmanuel deixa registrada uma frase de grande alerta para todos nós. Diz ele, textualmente: “O batismo simbólico ou o tardio arrependimento no leito de morte não bastam para garantir o futuro espiritual de ninguém. Se a mera arte humana exige a paciência dos anos para se chegar ao seu término, que dizer da obra sublime do aperfeiçoamento da alma, destinada a glórias indescritíveis”.
A generosa pedagogia de Jesus continua a propor, até hoje, que se busque o Reino de Deus, entendendo a expressão como a espiritualidade que devemos conquistar, conscientes de que ninguém a logrará à custa de rituais externos, por mais honestos que sejam, que não impliquem a mobilização de nossas forças intelectuais, morais e às vezes físicas.
O que nos parece verdadeiro é que cada movimento que fazemos na busca de solucionar nossas dificuldades, com dignidade, honestidade, com fé em Deus e em nós mesmos; cada luta que travamos conosco, no nosso íntimo, procurando ser criaturas melhores todos os dias; cada pequeno sucesso de superação das nossas imperfeições morais mostra que estamos no caminho certo. Caminho de luz, de harmonia dentro e fora de nós, de profundo agradecimento ao Pai Misericordioso pelas oportunidades que nos dá de sermos todos os dias batizados em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. 
 

Palestrantes Espíritas ou Imitadores? Plagiadores? Copiadores? Fraudes ambulantes? (o título é meu e o artigo a seguir é de Jorge Hessen)

 

 

Acessando diversos vídeos do YouTube somos convidados a reconhecer que há no Brasil, de maneira especial em Brasília, alguns palestrantes que plagiam os gestos, a dicção (entonação) verbal e trechos de palestras produzidas pelo Divaldo Franco. Há, (pasmem!) os que não se refreiam na incontida autopromoção e montam (nos salões de palestras) uma superprodução de filmagens, visando posteriormente comercializarem os DVD’s da “monumental” palestra gravada e logicamente espalharem (ao vivo) pela Internet seus discursos “prestigiosos”.

É evidente que tais confrades não têm o menor senso de ridículo ao apoderarem-se da identidade alheia, sem o menor constrangimento, Ao imitarem Divaldo, esquecem-se de que tal atitude não passa de uma comédia. Sabemos daqueles que permanecem “horas a fio” em frente ao espelho para treinarem os gestos ou entoação de voz do imitado, que invariavelmente é sempre Divaldo Franco.

Como se não bastasse, oferecem-se (mendigam fazer palestras) em todas casas espíritas do Brasil (afinal são notáveis na oratória). Para isso, entram em contato de forma insistente com os escaladores e oferecem, “gentilmente”, o seu “famoso” nome para serem designados, a fim de palestrar no Centro Espírita.

Confeccionam cartazes coloridos e divulgam nas redes sociais e em tudo que é canto da Internet, afinal sua palestra é evento especial (ainda que seja uma data de palestras rotineiras do centro).

A esses irmãos “oradores”, candidatos ao estrelismo no movimento espírita, relembramos que cabe-nos a tarefa de construirmos um discurso próprio e original do Espiritismo. Imitar é horroroso, pois a imitação não consegue reproduzir o verdadeiro conteúdo. Pode-se, até mesmo, imitar o estilo divaldista, mas nunca recriar a profundidade ou a beleza que caracterizam as produções do Divaldo que reaparecem de forma, perfeitamente, reconhecíveis através da legítima oratória.

Recomendamos usarem a linguagem simples e de bom gosto, lembrando que estamos na tribuna  a serviço do Cristo para explicar e fazer o público entender a mensagem do Espiritismo, não para autopromoção e exaltação da vaidade. Pois quando alguém se propõe a ouvir um orador Espírita, o faz no pressuposto de que ele sabe o que está falando e lhe oferece, silenciosamente, um voto de credibilidade, capaz de mudar, metodicamente, ideias ou conceitos errôneos que nele estavam arraigados, podendo transformar, até mesmo, toda uma vida!

Jamais julgar-se imprescindível ou privilegiado, criando exigências ou solicitando considerações especiais. Há aqueles palestrantes que abusam da insensatez ao narrarem casos chistosos para fazer público rir durante boa parte da palestra. Usam a tribuna como se fosse um palco de teatro para humoristas. Ora, se o palestrante tem o dom da hilaridade, sem desdouro, que frequente o teatro e exerça a profissão de ator. É muito mais honesto.

Tais oradores, via de regra, além de plagiarem, são artificiais; não mantêm ordenamento do raciocínio, com começo meio e fim do tema proposto; desconsideram as características da plateia e falam como se todos os ouvintes fossem iguais; apresentam pouco conteúdo e despreparo intelectual; fazem, não raramente,  defesas de ideias que vão “de encontro” ao interesse do ouvinte. Recordemos que  por mais modesto e simples que seja o orador, em sendo ele mesmo, terá êxito. Se imitar o Divaldo, por melhor que seja a imitação, não terá credibilidade e vira circo.

Em suma, os oradores precisamos palestrar com simplicidade, impedir os próprios arroubos lúdicos, fugir do azedume, controlar a inquietação, posto que a palavra revela o nosso bom senso ou a insensatez. Devemos, portanto, silenciar qualquer finalidade de evidência, calando ostentações de conhecimentos. Todos os oradores somos responsáveis pelas imagens que sugerimos nas mentes dos ouvintes.

.

Comentários de BRUNO TAVARES
.

Meus queridos amigos e irmãos, eis aqui este artigo do meu querido amigo e irmão de ideal espírita, Jorge Hessen, no qual ele com a lucidez de sempre, escreve sobre o orador espírita e seus equívocos, quando abandona a naturalidade e a autenticidade, caindo na armadilha da oratória performática, chegando ao ridículo da imitação e do plágio dos grandes expoentes das tribunas espíritas. Como Jorge afirma em seu importantíssimo relato, isso vem acontecendo muito em nosso movimento, pela falta mesmo, desses candidatos a palestrantes, de um estudo aprofundado da nossa doutrina, mais notadamente das obras de Allan Kardec, único meio no qual sairiam da superficialidade e da vaidosa pretensão de brilharem nos palcos, tendo uma postura mais condizente para com uma atividade tão nobre e bela, que é repassar o conhecimento espírita!

Jesus abençoe ao querido Jorge Hessen, pelo grande alerta a todos nós! Jesus abençoe também ao querido Divaldo Franco, para mim aquele que é, em todos os campos e em todas as épocas, um dos maiores oradores que já existiram! 

Que Jesus abençoe a todos nós!

Bruno Tavares

 
Sofremos Injustiças?  De Vania Mugnato de Vasconcelos

Nem a vida, nem Deus são injustos. A injustiça é aparente e cessa na compreensão de que não se vive uma vida só. A doença não é um mal, bem como não o é a dificuldade. A própria morte é só um meio, consequência da necessidade de voltar para casa - a vida espiritual.
Esse, dentre outros, o motivo do espírita ser reencarnacionista. Ele sabe que é um Espírito imortal que vive muitas vidas carnais; sabe que uma vida resulta da outra, estando tudo interligado e, portanto, absolutamente correto, pois não se colhe frutos senão da árvore que pessoalmente foi plantada.
Estar encarnado é receber de Deus a oportunidade de viver por um tempo na escola da existência física para aprender o necessário ao desenvolvimento moral e intelectual, de forma que no futuro todos se tornem "anjos", Espíritos superiores em virtude e conhecimento (nada mais justo do que merecer a perfeição!).
A doença é demonstração de desequilíbrio do Espírito e resulta dos atos da vida presente ou das passadas, e pode ser, ainda, gerada através do pensamento negativo reiterado: a somatização das doenças é mais comum do que se pensa.
Por outro lado, as dificuldades são lições de casa ofertadas para que cada um mostre quanto aproveitou das aulas fartamente disponibilizadas pela vida, durante a existência na matéria.
Tantos se dizem pessoas de fé, mas falham grosseiramente ao primeiro vento da adversidade. Fé não é teoria, é convicção praticada nos bons e nos maus momentos.
Aquele que diz crer, que busque aprofundar-se na fé. Confie mais em Deus, pois Ele é Amoroso, Bom e Justo. Como um Ser com estas infinitas virtudes permitiria o mal se o bem não lhe fosse a natural consequência?
 

CONHEÇA 20 COLÔNIAS ESPIRITUAIS QUE ESTÃO SOBRE O BRASIL


As Colônias Espirituais são de diversos tipos: Socorristas; Correcionais; Estudo e de Desenvolvimento das Artes; Pesquisas no Conhecimento Científico e muitas outras.
O que rege a formação das Colônias Espirituais é a Lei de Afinidade.

1. COLÔNIA DAS ÁGUAS
Próxima à entrada do rio Amazonas, em terras do Brasil, ainda com o nome de Solimões, estendendo-se no sentido em que correm as águas do grande rio, no seu encontro com o mar.
Sua especialidade: Receber os desencarnados por problemas circulatórios e que são afetados no perispírito, pela impressão da doença.

2. COLÔNIA AMIGOS DA DOR
Fica ao norte de MG, passando pelo Extremo Sul da Bahia, passando por Porto Seguro e avançando pelo Oceano Atlântico.
Realiza grande socorro a recém-desencarnados através de missas, visto que os tarefeiros desta Colônia prestam atendimento nas igrejas, nas santas casas de misericórdia e em funções de ritual católico. É uma das mais antigas colônias em terras brasileiras.

3. COLÔNIA DA PRAIA
Fica no sudeste do Espírito Santo, próximo a Marataízes, estendendo-se além da Ilha dos Franceses.
É voltada para atividades espirituais que atuam na ecologia terrena, desenvolvendo estudos e mantendo observação atuante no equilíbrio exercido pelo oceano, na estrutura do planeta. Funciona como um dos pontos de vigilância na harmonia planetária.

4. COLÔNIA DAS FLORES
É uma das maiores colônias espirituais. Inicia-se na parte central de Santa Catarina, nas proximidades de Tangará, seguindo sem interrupção até o norte de Goiás, na cidade de Alto Paraíso de Goiás.
Como pontos de referência, no Paraná, está próxima a União da Vitória, a Londrina. Adentrando São Paulo, às cidades de Presidente Prudente, Pereira Barreto e Santa Fé do Sul. Segue em direção do sudoeste de Minas Gerais, adentra Goiás, por São Simão, Paraúna até Alto Paraíso.
Especializou-se no socorro aos que desencarnam vítimas de câncer e que quase sempre conservam a impressão da doença no perispírito.

5. COLÔNIA NOVA ESPERANÇA
Poderia ser chamada de “Colônia da Estatística Planetária”, devido à sua importantíssima função, na catalogação de todos os espíritos que entram, saem e que permanecem no Orbe planetário, o que, hoje, equivale a aproximadamente 30 bilhões de espíritos. Ela se localiza bem próximo à cidade de Palmelo/GO (na direção de leste a norte), estendendo-se nas direções das localidades de Pires do Rio, Ipameri e Caldas Novas, respectivamente.
É grande a quantidade de espíritos que chegam para os primeiros socorros, devido à sua potente irradiação planetária. Após o tratamento inicial, vários espíritos são encaminhados a outras colônias, para o prosseguimento de tratamentos específicos ou por afinidade e vontade, ou, ainda, por solicitação de espíritos familiares, com méritos para isso.
Possui vários postos de socorro e atendimento espalhados por vários lugares da Crosta Terrena, e estes postos recebem todos o nome de “Boa Esperança”.
As atividades espirituais são intensas e possui muitos emissários de luz. Todo trabalho de serviço prestado na Colônia, recebe-se “bônus-hora”.

6. COLÔNIA MORADA DO SOL
Localiza-se na parte leste do Brasil, estendendo-se do norte da Bahia, próximo a Altamira, atravessa Sergipe, passando por Aracaju, segue por Alagoas, por via de Maceió, indo até o norte de Pernambuco, na Ilha de Itamaracá.
Esta Colônia também coordena um trabalho de equipes espalhadas pelo planeta, levando socorro, assistência e amparo a todos os portadores de “doenças tropicais”, os quais se encontram encarnados.

7. COLÔNIA RAIOS DO AMANHECER
Localiza-se na parte central do planeta, acompanhando a imaginária linha do equador.
Forma uma quase “ciranda” em torno da Terra, embora apresente núcleos de espaço em espaço. Os maiores núcleos estão no Brasil, norte do Amapá, passando pelas Guianas em direção ao Atlântico; na África, abrange os dois Congos e o Quênia; e o outro grande núcleo se encontra nas Ilhas da Indonésia, entre os oceanos Índico e Pacífico. Além desses existem outros núcleos menores e o conjunto deles é que constitui a Colônia Raios do Amanhecer.
Cada núcleo apresenta características filosóficas próprias, embora seja a do Cristo a filosofia de atendimento em todos eles.
No Brasil, a colônia tem o aspecto de uma grande “parque infantil”, pois é o mundo espiritual das crianças. Os grandes centros de lazer infantil na Terra foram inspirados nessa Colônia.

8. COLÔNIA REGENERAÇÃO
Localiza-se nas proximidades de Goiânia, seguindo em direção a Brasília, envolvendo Anápolis, Pirenópolis, Luziânia até Formosa. Trabalha também na recuperação dos espíritos mutilados no perispírito, área que envolve muitos setores de atendimento: fluídico concentrado, terapias, academias, esportes, tudo isso com uma contínua conscientização de renovação interior.

9. COLÔNIA DO SOL NASCENTE
Fica no sudoeste do Estado de SP, envolvendo as áreas de S. José dos Campos, Campos do Jordão, Itajubá (MG), Pouso Alegre (MG), Águas de Lindóia e Bragança Paulista, em SP.
A Colônia apresenta também um setor de preparação do espírito para o reencarne aguardando o momento determinado por Deus; geralmente ficam felizes com a nova oportunidade e aguardam esperançosos; e há os que são encaminhados para lá para receberem essa preparação para voltarem à vida física.

10. COLÔNIA REDENÇÃO
Fica no leste da Bahia, com uma forma mais ou menos triangular, numa área de envolve Salvador, Alagoinhas e Feira de Santana e é de grande referência no plano espiritual.
É um grande laboratório fluídico, do qual toda a colônia se beneficia e distribui seus fluidos através de suas equipes socorristas na Terra.
Nesta colônia encontra-se um arquivo com as mais lindas histórias e exemplos de amor que o Planeta conheceu, começando pela história de Jesus, com cenas vivas.

11. COLÔNIA DAS MONTANHAS
Localiza-se a noroeste de MG, próxima à divisa com Goiás, adentrando o sudoeste entre a Serra Bonita (MG) e a Serra da Capivara (BA) e a Serra dos Gaúchos (MG), envolvendo toda a área do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, onde envolve as águas dos rios Urucaia e Pardo com seus afluentes.

12. COLÔNIA BOM RETIRO
Localiza-se no Paraná entre Curitiba e Ponta Grossa, estendendo-se ao norte até Cerro Azul e, ao sul, até Água Azul. Tem o formato de um losango.
Além do socorro espiritual a desencarnados, sua função principal é voltada ao reequilíbrio do espírito.

13. COLÔNIA PADRE CHICO
Fica no Triângulo Mineiro, na região que envolve Uberlândia, Tupaciguara, Monte Alegre de Minas, Prata e Miraporanga, como pontos de referência material.
É também conhecida no Plano Espiritual como a Colônia das Margaridas, pela grande quantidade dessa flor espalhada por toda a Colônia, na cor branca e na amarela.
Colônia de porte médio, tem vida intensa e movimentada devido ao grande número de espíritos nela abrigados tanto para socorro quanto para trabalharem e servirem em nome do Cristo nas:
– Ala dos Hospitais
– Ala dos Albergues
– Ala das Escolas
– Ala de informações
– Áreas residenciais
– Parte central da Colônia

14. COLÔNIA DO MOSCOSO
Situada na parte centro-leste do Espírito Santo. Envolve a área que abrange Vitória, Vila Velha, Domingos Martins, Cariacica, Serra, Jacaraípe e Oceano Atlântico.
Tem o formato de um retângulo – características orientais, por ter sido fundada pelos “Moscos”, povos que habitavam entre o Mar Negro e o Mar Cáspio, havia milhares de anos e que vieram em migração espiritual para o psiquismo do Brasil.
Tem como característica o desenvolvimento de técnicas especiais, que auxiliam o espírito à autodescoberta, como essência divina. Distribui equipes de tarefeiros, por toda a parte, estimulando e concedendo apoio a toda tarefa que visa à educação da alma, no domínio de si mesma, ampliando os setores de autoconhecimento.
Inspiram encarnados nos livros de autoajuda oferecendo o resultado de suas pesquisas e esforços visando ao autoconhecimento.

15. COLÔNIA DO ROUXINOL
Fica ao norte do Brasil, no Maranhão, na região que envolve a Serra das Alpercatas. Suas extremidades aproximam-se ao norte da cidade de Presidente Dutra; ao sul, de Raimundo das Mangabeiras; a leste, da Represa da Boa Esperança (divisa com Piauí) e, a oeste, de Naru.
Há uma profunda sensação de paz e ali ficam os espíritos que desencarnaram após longos períodos de enfermidade ou que tiveram morte súbita, com perda de sangue (o plasma da vida).

16. COLÔNIA DAS VIOLETAS
É uma colônia do Brasil central. Se estende do rio Sucunduri (AM) ao Parque Nacional do Araguaia (TO), passando pela Serra do Cachimbo, por Santa Maria das Bandeiras (PA) e pela Serra dos Apiacás e Alta Floresta (MT).
A Colônia desenvolve técnicas voltadas para a cura de enfermidades cardíacas. Nos seus educandários e laboratórios, espíritos estudiosos oferecem não só no plano espiritual mas também aos estudiosos encarnados, o resultado de suas pesquisas. O avanço médico, no setor cardíaco, recebe direta ou indiretamente a influência positiva dessa Colônia inspirando os transplantes do coração, pequenas, médias e grandes cirurgias cardíacas e todo avanço desenvolvida nessa área vem desta Colônia.

17. COLÔNIA GRAMADO
Em Gramado / RS. A Colônia desenvolve também um trabalho específico – técnicas de estudo relacionadas com a “coluna vertebral”, “coordenação motora das pernas e pés”.
Muitos dos profissionais dessa área encarnados têm afinidades com esta colônia recebendo dela muita influência, em especial os que fazem “cirurgias de hérnia de disco”, para se aprimorarem as técnicas dessa enfermidade. Cuidam também de serviços relacionados com “paralisias”.

18. COLÔNIA DO ABACATEIRO
Abrange os estados de Goiás e Mato Grosso na região que fica entre o distrito de Aparecida do Rio Claro, próximo a Montes Claros de Goiás (GO), Barra do Garças (MT), Primavera do Leste (MT), Chapada dos Guimarães, Cuiabá, Rondonópolis (MT) e Bom Jardim de Goiás (GO), como pontos de referência. Aparecida do Rio Claro e Cuiabá são os pontos extremos a leste e oeste, e toda a colônia é cercada de abacateiros.
A Colônia desenvolve técnicas e tratamentos específicos no atendimento “renal”, tanto no perispírito quanto no auxílio a todos os processos de enfermidade renal dos encarnados em resgate nesse setor.

19. COLÔNIA ESTUDO E VIDA
Encontra-se no Mato Grosso do Sul e parte da Bolívia. No Brasil, envolve a região do Pantanal Matogrossense adentrando a Bolívia pela Lagoa Mandiorê.
A finalidade da Colônia é o estudo da vida. Todo espírito que deseja aprofundar-se em algum estudo de autoconhecimento, para compreensão dos próprios conflitos e desencontros, para qualquer assunto que vise ao bem, à elevação de conceitos e à busca de Deus, desde que tenha “bônus-horas” suficientes para se inscrever na Colônia, poderá dirigir-se a ela e permanecer enquanto desejar.
Espíritos também fazem uma retrospectiva, reprogramando-se para o futuro, verificando que pontos ainda os fazem ingressar na matéria, para posteriormente poderem deixar o planeta Terra em busca de outro.

20. COLÔNIA ARCO-ÍRIS
Localizada na região norte do Brasil, a colônia vai de Porto Velho (RO) a Manaus (AM), em linha reta, abrindo aproximadamente 20 km de largura.
Espíritos volitam entre esses arcos-íris como se fossem viadutos no espaço em tarefas de amparo aos encarnados e conhecidos como “os filhos do arco-íris”.
Estas foram poucas das muitas Colônias Espirituais existentes em nosso país...

Livro: Moradas Espirituais de Vania Arantes
 
 O DIRIGENTE DAS TREVAS

Esta é uma figura frequente nos trabalhos de desobsessão. Comparece
para observar, estudar as pessoas, sondar o doutrinador, sentir mais de perto
os métodos de ação do grupo, a fim de poder tomar suas “providências”.
Foi geralmente um encarnado poderoso, que ocupou posições de mando.
Acostumado ao exercício da autoridade incontestada é arrogante, frio,
calculista, inteligente, experimentado e violento. Não dispõe de paciência para
o diálogo, pois está habituado apenas a expedir ordens e não a debater
problemas, ainda mais com seres que considera inferiores e ignorantes, como
os pobres componentes de um grupo de desobsessão. Situa-se num plano de
olímpica superioridade e nada vem pedir; vem exigir, ordenar, ameaçar,
intimidar.
Tais dirigentes são ágeis de raciocínio, envolventes, inescrupulosos, pois o
poder de que desfrutam não pode escorar-se na doçura, na tolerância, na
humildade, e sim na agressividade, na desconfiança, no ódio. Enquanto
odeiam e infligem dores aos outros, estão esquecidos das próprias angústias,
como se a contemplação do sofrimento alheio provocasse neles generalizada
insensibilização.
Evitam descer do pedestal em que se colocam para revelar-nos seus
problemas pessoais, mesmo porque, consciente ou inconscientemente, temem
tais revelações, que personalizam os problemas que enfrentam e os colocam
na “perigosa” faixa de sintonia emocional que abre as portas de acesso à
intimidade do ser.
Não são executores, gostam de deixar bem claro, são chefes. Estão ali
somente para colher elementos para suas decisões; a execução ficará sempre
a cargo de seus asseclas. Comparecem cercados de toda a pompa, envolvidos
em imponentes “vestimentas”, portando símbolos, anéis, indicadores, enfim, de
“elevada” condição.
Estão rodeados de servidores, acólitos, guardas, escravos,
assessores, às vezes “armados”, “montados” em “animais” ou transportados
sob “pálios”, como figuras de grandes sacerdotes e imperadores.
Um deles me disse, certa vez, que eu não o estava tratando com o devido
respeito — o que não era verdadeiro — porque achava impertinentes minhas
perguntas e comentários. Para me dar uma ideia da sua grandeza, informou-
me que, quando se deslocava, iam à frente dele áulicos, tocando campainhas
portáteis, para que todos abrissem alas e soubessem quem vinha.
Pobre irmão desorientado! Num irresistível processo de regressão de
memória, invisível aos nossos olhos, mas de tremendo realismo para ele,
contemplou, com horror, sua antiga condição: Participara do doloroso drama da
Crucificação do Cristo.
O impacto desta revelação, ou seja, desta lembrança, que emergiu, incontrolável, dos registros indeléveis do seu perispírito, deixaram-no em estado de choque e desespero, pois vinha nos afirmando, desde a primeira manifestação, que era um dos trabalhadores do Cristo e não desejava senão restabelecer o poderio da “sua” Igreja.
Livro: Diálogo com as sombras/ Hermínio C. Miranda
 
Centro Espírita Doméstico e Trabalhar em mais de uma Casa Espírita
 Iniciamos lamentando a não uniformidade dos ensinamentos espíritas nos templos que os adotam, onde as infiltrações e enxertos de outras religiões são introduzidos pelo personalismo dos dirigentes, em prejuízo da pureza doutrinária. 
Centros espíritas existem situando-se em área física doméstica, extensão da cozinha, ou recuados a fundo de quintal, onde o tipo de espiritismo é ditado pelo dono, que não raro estabelece aí o seu reinado, até que o desencarne lhe ponha na horizontal a carcaça, ocasião em que um “príncipe herdeiro” assume em pompas a direção dos trabalhos, devidamente “preparado” para dar continuidade à dinastia.

Falo em centro espírita doméstico. Não que isso não ocorra em outros templos espíritas situados em sedes próprias, locais doados para atendimento à comunidade e propagação da doutrina. É que nestes, devido à rotatividade da direção, as decisões tomadas em conjunto e a liberdade da crítica sincera que visa a compatibilizar as ações com a teoria espírita são fatores convergentes de pureza doutrinária.

Naqueles, às vezes, existe a tentação da evidência, do estrelismo, de ser sempre consultado, mesmo quando apenas para mudar um móvel de local, de mandar, de ter dependentes da sua vontade. Esse tipo de dirigente-dono, no desserviço que presta à doutrina, confunde o centro espírita, que são os trabalhadores, com a casa espírita, que são as paredes. Admite-se não apenas possuidor do prédio, mas igualmente da vontade dos trabalhadores, e, o que é pior, das normas espirituais, que devem ser moldadas pela sua soberana vontade.

Pobres pigmeus! Pessoas que não conseguiram postos de comando na sociedade e transportam para a casa espírita, que deve ser tribuna livre, a sede do mando! Pessoas que se julgam autossuficientes e acreditam que nenhum outro trabalhador é capaz de as substituírem nas funções.

Seja qual for o motivo, fica de pronto demonstrado, de maneira clara e inequívoca, o orgulho e a prepotência que ostentam, antípodas da humildade e da caridade. Se não houvesse a sede de poder, batizada por eles como zelo ao patrimônio, o terreno ou o prédio onde se localizam as paredes da casa espírita seria doado a serviço da comunidade e não eternamente vinculado a uma posse.

Desapareceria a figura do dono e, portanto, a dinastia e sua corte. Mas isso os tornaria trabalhadores iguais aos outros, o que teriam como um rebaixamento; portanto, inadmissível para suas cabeças predestinadas à coroa, embora de barro, reluzente apenas à visão eclipsada dos tolos. Em termos religiosos, a única coroa que tem valor é a de espinhos, esquecem esses pobres mortais.

Feito esse aparte, afirmamos que o trabalhador espírita organiza-se melhor quando se vincula apenas a um centro espírita no seu exercício mediúnico, o que não o impede de auxiliar em palestras e trabalhos sociais em outras searas.

Cada grupo mediúnico tem equipe própria, que registra em fichas individuais os seus operários, requisitando-os diuturnamente para trabalhos específicos relacionados àquela casa. O médium que atua em duas casas espíritas, simultaneamente, fica dividido e divide as equipes responsáveis, no sentido de permanente consulta uma a outra, sobre a utilização daquele trabalhador em seus serviços.

O trabalho mediúnico requer afinidade entre os membros do grupo, estudo, compromisso, dedicação, renovação… O que exige bastante esforço do trabalhador filiado a um único grupo mediúnico.

Penso que fazer o trabalho bem feito em um grupo apenas, é melhor que desenvolvê-lo parcialmente em dois. Todavia se este não condiz com os ensinamentos espíritas e, após o médium lutar galhardamente para promover as mudanças necessárias, for tido como dissidente ou perturbador, que busque outro local de trabalho, pois ali a sintonia será difícil para o seu estilo.

O compromisso do espírita, médium ou não, é com a causa espírita e não com a casa espírita. A casa é apenas a referência geográfica no momento, que pode e deve ser substituída quando não atender aos requisitos moralizadores da doutrina espírita.

Além do exposto, salienta-se que o médium deve harmonizar-se tanto com a equipe mediúnica desencarnada que dirige os trabalhos, quanto com a equipe dos encarnados, seus companheiros de luta. Duas casas espíritas usadas como campo de trabalho pelo mesmo médium duplicam as razões de queda, expostas no frontispício do capítulo.

Sobre a crítica que inicia o capítulo, nós a fazemos para alertar o medianeiro sobre o seu compromisso com a doutrina em particular, e não com aqueles que professam a doutrina à sua maneira, lembrando que omissão, às vezes, é também participação no erro.

A fidelidade espírita é para com o Cristo, o que não significa baixar a crista, em eterno amém ao personalismo disfarçado em Espiritismo.

Perguntamos: se Jesus é a porta e Kardec é a chave, aquele que entre eles se põe, o que será? Certamente, não mais que uma pedra de tropeço.

Pensando sobre isso, o médium decidirá melhor onde deverá fazer verter o seu suor.

LUIZ GONZAGA PINHEIRO

Comentário de Bruno Tavares

Meus queridos amigos e irmãos, eis aqui este artigo do querido e renomado escritor espírita Luiz Gonzaga Pinheiro sobre uma questão bem mais comum do que muita gente imagina, a frequência de médiuns a mais de uma corrente mediúnica. Conheço um centro onde médiuns trabalham determinados dias na casa espírita e em outros dias em terreiro de umbanda. Pasmem!!!

Daí se vê quão oportuno e tremendamente atual um artigo como este, despertando tanta gente para sua responsabilidade ante essa tarefa de luz que é a mediunidade!

Jesus abençoe aos medianeiros sérios, recatados e que cuidam da sua ferramenta, equipagem-mediúnica, com zelo e amor! 

Que Jesus abençoe a todos nós!

Bruno Tavares

 

Por que o sono acontece com tanta frequência na Casa Espírita?

O primeiro, talvez o mais comum dentre todos, é o sono durante uma palestra ou uma reunião de estudos doutrinários.
Muitas vezes, o expositor não colabora e, tornando sua palestra desinteressante, pode induzir alguém ao chamado cochilo. É, pois, fundamental que ele realize um esforço para corrigir a situação, que pode, a médio prazo, colocar em risco a seriedade do seu trabalho. Quanto aos ouvintes, é óbvio ser necessário que se mantenham alertas, procurando evitar as condições que favoreçam o sono em tais situações. Se vier a sonolência, deve a pessoa pedir licença, levantar-se, respirar fundo e, após refazer-se, voltar ao local onde se encontrava.
Numa palestra ou numa reunião de estudos é evidente que o sono só prejudica, porque em casos assim a atenção é fundamental para compreensão, retenção e consequente assimilação do que é exposto.
Outro momento em que o sono pode ocorrer dá-se, às vezes, quando da leitura de um livro.
Divaldo Franco fala sobre o assunto no livro Diretrizes de Segurança, questão 88, em que diz:
“O sono normalmente decorre da falta de hábito da leitura, excepcionalmente quando a pessoa está em processo obsessivo, durante o qual as entidades inimigas operam por meio de hipnose, para impedirem àquele que está sob o seu guante que se esclareça, que se ilumine, e, consequentemente, se liberte. Mas, não em todos os casos.
Na grande maioria, as pessoas cochilam na hora da leitura porque não se interessam e não fazem o esforço necessário para se manterem lúcidas, como também cochilam durante a sessão, por não estarem achando-a interessante; mas permanecem na maior atividade, quando vão ao cinema, ou ficam diante da televisão até altas horas, quando os programas lhes agradam”.
Um terceiro momento em que o sono pode ocorrer é nas sessões mediúnicas. Por que isso ocorre? Como evitá-lo?
Raul Teixeira, na questão 53 da obra acima mencionada, dá-nos sobre o assunto a seguinte explicação:
“As causas podem ser várias. Desde o cansaço físico, quando o indivíduo vem de atividades muito intensas e, ao sentar-se, ao relaxar-se, naturalmente é tomado pelo torpor da sonolência. Também, pode ser causado pela indiferença, pelo desligamento, quando alguém está num lugar, fisicamente, entretanto pensando em outro, desejando não estar onde se acha. Compelido por uma circunstância qualquer, a pessoa se desloca mentalmente.
O sono pode, ainda, ser provocado por entidades espirituais que nos espreitam e que não têm nenhum interesse em nosso aprendizado para o nosso equilíbrio e crescimento.
Muitas vezes, os companheiros questionam:
– Mas nós estamos no Centro Espírita, estamos num campo protegido. Como o sono nos perturba?
Temos que entender que tais entidades hipnotizadoras podem não penetrar o circuito de forças vibratórias da Instituição, ficam do lado de fora. Mas, a pessoa que entrou no Centro, na reunião, não sintonizou com o ambiente, continua vinculada aos que se conservam fora, e através dessa porta, desse plug aberto, ou dessa tomada, as entidades que ficaram lá de fora lançam seus tentáculos mentais, formando uma ponte.
Então, estabelecida a ligação, atuam na intimidade dos centros neuroniais desses incautos, que dormem, que se dizem desdobrar:
– Eu não estava dormindo... Apenas desdobrei, eu ouvi tudo...
Eles viram e ouviram tudo o que não fazia parte da reunião. Foram fazer a viagem com as entidades que os narcotizaram.
Deparamos aí com distúrbios graves, porque quando termina a reunião o indivíduo está fagueiro, ótimo e sem sono, e vai assistir à televisão até altas horas, depois de se haver submetido aos fluidos enfermiços.
Por isso recomendamos àqueles que estão cansados fisicamente que façam um ligeiro repouso antes da reunião, ainda que seja por poucos minutos, para que o organismo possa beneficiar-se do encontro, para que fiquem mais atentos durante o trabalho doutrinário. Levantar-se, borrifar o rosto com água fria, colocar-se em uma posição discreta, sempre que possível ao fundo do salão, em pé, sem encostar-se, a fim de lutar contra o sono.
Apelar para a prece, porque sempre que estamos desejosos de participar do trabalho do bem, contamos com a eficiente colaboração dos Espíritos Bondosos. Faze a tua parte que o céu te ajudará. Temos, então, o sono como esse terrível adversário de nossa participação, de nosso aprendizado, de nosso crescimento espiritual. Não permitamos que ele se apodere de nós.
Lutemos quanto conseguirmos, e deveremos conseguir sempre, para combatê-lo, para termos bons frutos no bom aprendizado”.
Resumindo o assunto, podemos afirmar com segurança que o sono é importante como refazimento das forças físicas, mas no horário e no local costumeiro, e não nas reuniões e nas circunstâncias acima descritas.
 

 
POR QUE EU SOU ESPÍRITA?
 
SIMPLES: A DOUTRINA DOS ESPÍRITOS ME EXPLICOU...

“Quem sou, de onde vim, para onde vou e o que estou fazendo neste planeta.
 
ELA ME ENSINOU QUE...
É preciso olhar para dentro de si, se compreender para poder compreender o próximo. Pois, se eu tenho meus conflitos, falhas, erros, dificuldades, defeitos, com certeza, todos que convivem comigo neste mundo, também têm. Estamos todos na luta, numa guerra interior, brigando consigo mesmo para corrigir estas falhas.
 
ENSINOU QUE LIVRE ARBÍTRIO...
Não é propriedade minha, mas de todos. Por isso devo respeitar quando alguém pensa e age diferente de mim. Não tenho o direito de impor nada a ela. E quando uso mal este livre arbítrio, haverá uma consequência que terei de reparar nesta ou na outra encarnação. O plantio é livre, mas a colheita é obrigatória.
Que tenho direitos, mas tenho também OBRIGAÇÕES e que meu direito acaba quando começa o do próximo.
 
QUE TODAS AS RELIGIÕES SÃO BOAS...
E consequentemente, devo respeitá-las porque gosto que respeitem a minha.
 
QUE A SALVAÇÃO NÃO DEPENDE DA RELIGIÃO...
Mas da prática da caridade conosco e com o próximo.
 
QUE O PRÓXIMO...
É qualquer pessoa que conviva conosco neste planeta, seja ele de outra religião, de outra raça, heterossexual ou homossexual, rico ou pobre. Enfim, devemos ajudar e conviver bem, respeitando, sem preconceito.
 
QUE CARIDADE...
Não é só a esmola, mas também a tolerância, a paciência, o abraço amigo, a mensagem consoladora, a visita ao doente, uma prece, etc. etc. etc.
 
QUE SER CRISTÃO...
Vai além de cultos externos, de rótulo religioso, de declarações de amor vazias sem a prática dos ensinamentos do Cristo, enfim, que a fé sem obras é morta.
 
ENSINOU QUE O JESUS DO ESPÍRITA
 
Não é visto apenas com interesse de pedir, mas de ensinar e que serve de GUIA e MODELO a ser seguido.
COM ESTA COMPREENSÃO, de saber que cada um está num grau de evolução. Que temos um passado reencarnatório que está presente nesta encarnação. Que estamos resgatando e reparando erros.
Que convivemos na família com afetos e desafetos, para aprendermos a AMAR, para nos reconciliarmos e perdoarmos…
ALIVIA e DÁ FORÇAS para seguir em frente buscando ser hoje melhor do que ontem, E TENTAR SER AMANHÃ MELHOR DO QUE FUI HOJE.
Essa é a minha Cartilha de Vida, difícil de ser seguida e praticada, mas dela eu me alimento todos os dias, na busca incessante de me tornar uma pessoa melhor.
Fonte: Amigos Chico Xavier
 

 

“Espíritas amai-vos, Eis o 1º Mandamento; instruí-vos, Eis o 2º Mandamento”, de Juana Feitosa

A Lei do amor é o mais importante preceito da doutrina espírita; a maior lição que Jesus nos deixou foi sem dúvida a necessidade de amar. O dicionário Aurélio nos lembra que o amor é um sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem, é afeição, simpatia, carinho e zelo.
Será que amamos verdadeiramente ou estamos disfarçando nosso egoísmo, vaidade e insegurança sob o pretexto do amor? Estamos seguindo o Evangelho de Mateus e fazendo para o outro, e com o outro o que gostaríamos que fizessem conosco? Como bem disse Lázaro, o amor é o requinte do sentimento e a fonte das virtudes que constituem as afeições sinceras e duradouras, que deverá um dia matar o egoísmo em seus diversos aspectos.
“Os efeitos da lei do amor são o aperfeiçoamento moral da raça humana e a felicidade durante a vida terrena. Os mais rebeldes e os mais viciosos deverão reformar-se, quando presenciarem os benefícios produzidos pela prática deste princípio: “Não façais aos outros os que não quereis que os outros vos façam, mas fazei, pelo contrário, todo o bem que puderdes” (Fénelon).
Se pelo amor acontece o aperfeiçoamento, será importante que o conhecimento seja compartilhado pela instrução coletiva e esclarecimento fraterno. “Esclarecer é também amar (...) Necessitamos encarar essa nova fórmula de amor (...) conscientes de que todo bem conseguido por nós, em proveito do próximo, não é senão o bem de nossa própria alma, em virtude da realidade de uma só lei, que é a lei do amor, e um só dispensador dos bens, que é Deus” (EMMANUEL) .
Através da instrução esclarecedora, o aprendizado será concretizado e a reforma íntima possível. Mas para tal, é preciso abandonar as máscaras, reconhecer e aceitar as sombras que existem em cada um, para a partir de então iluminar essas sombras e, galgando os degraus do crescimento, fazer viver espíritos melhores. “O homem que se ilumina conquista a ordem e a harmonia para si mesmo.
E para que a coletividade realize semelhante aquisição, para o organismo social, faz-se imprescindível que todos os elementos compreendam os sagrados deveres da auto iluminação. (...) Quem se ilumina, cumpre a missão da luz sobre a Terra. E a luz não necessita de outros processos para revelar a verdade, senão o de irradiar espontaneamente o tesouro de si mesma” (EMMANUEL) .

Compartilhar conhecimento com o outro, estimular nele o aprendizado e a busca pela iluminação transformadora são formas de exercer a caridade, demonstrar amor e assim contribuir com a Lei do Progresso. A evolução individual e coletiva permite a aproximação dos mundos felizes, porém essa aproximação só será possível quando a humanidade for capaz de amar indistintamente e estiver moralmente transformada pela instrução. Portanto, é inegável que o amor e a instrução são os reais mandamentos da vida, que só serão cumpridos efetivamente quando baseados na reciprocidade e apoio mútuo.  



O Caso Petitinga



Apraz-nos relatar em seguida, resumidamente, o episódio narrado por Manoel Philomeno de Miranda, que teve como protagonista o querido dirigente espírita da Bahia, José Petitinga, conforme está no livro Os Bastidores da Obsessão.

O fato aconteceu numa manhã de domingo, quando da reunião pública de exposição doutrinária na união Espírita Baiana. 

O expositor era Petitinga, que explanava sobre o cap. X, de O Evangelho segundo o Espiritismo, "Instruções dos Espíritos", a mensagem de Simeão, ditada em Bordeaux, em 1862, intitulada Perdão das ofensas. A sua palavra harmoniosa comovia os presentes que o ouviam enlevados. Em certo momento,
quando o orador fez pequena pausa, adentrou-se pela sala um homem, pertencente a respeitável família local, porém, portador de obsessão, que dirigiu-se ruidosa e intempestivamente à tribuna, com a fisionomia congestionada e gritou para Petitinga:

- Hipócrita! Quem és a pregar? Imperfeito como tu, como te atreves a falar da verdade e ensinar pureza, possuindo largas faixas de desequilíbrio íntimo, que ocultas dos que te escutam? Dize!

Houve um grande constrangimento entre os presentes e um silêncio tumular se abateu sobre o auditório. Mas Petitinga, embora tenha empalidecido, manteve-se calmo e olhando o agressor respondeu, humilde:

- Tens toda a razão e eu o reconheço. O tema em pauta hoje, que o caro irmão não ouviu, se refere exatamente ao "Perdão das ofensas"...

Mas o homem não o deixou terminar e retrucou: 

- Não te evadas covardemente. (...) Refiro-me às condições morais de que se devem revestir os que ensinam o que chamas a verdade, e que te faltam... Desafio-te a que abandones a tribuna religiosa ou abandones a vida que levas...

O público estava paralisado perante a cena inusitada. A entidade enferma desejava semear a suspeita "quanto à conduta ilibada, transparente e nobre do Evangelizador, e o desafiava a um duelo verbal negativo e pernicioso". Mantendo-se sereno, Petitinga humildemente, chamando a entidade que se manifestava através daquele homem, de "amigo espiritual" e lhe dando razão no que o acusava, declarou aos presentes: 

- (...) Ensinou o Mestre que nos confessássemos uns aos outros, prática essa vigente entre os primeiros cristãos e que o tempo esmaeceu e deturpou dolorosamente. Nunca me atrevi, nunca experimentei coragem para dizer aos companheiros sobre as minhas próprias dificuldades. Agora, utilizando-me do auxílio do irmão que me faculta ensejo, digo da luta intensa que travo n'alma para servir melhor ao Senhor, tentando, cada dia, aprimorar-me intimamente, lapidando grossas arestas e duras angulações negativas da minha personalidade enferma.

Depois de ter conhecido Jesus, minha alma luta denodadamente contra o passado sombrio, nem sempre logrando êxito na ferrenha batalha de superação dos velhos padrões de ociosidade e crime em que viveu, na imensa noite dos tempos. Abandonar, todavia, o arado, porque tenho as mãos impróprias, quando a erva má grassa e escasseiam obreiros, não o farei nunca! (...) 

Prefiro a condição de enfermo ajudando doentes, a ser ocioso buscando a saúde para poder ajudar com eficiência, enquanto se desgastam corpos e almas ao relento da indiferença de muitos, que as minhas mãos calejadas podem socorrer. Miserabilidade socorrendo misérias maiores, à posição falsa daquele que recebeu o talento e o sepultou, conforme nos fala a parábola do Senhor.
Embora imperfeito, deixo luzir minha alma quando contemplo a Grande luz; vasilhame imundo, aromatizo-me ao leve rocio do perfume da fé; espírito infeliz, mas não infelicitador, banho-me na água lustral da esperança cristã... Perdoa-me, Senhor, na imperfeição em que me demoro e ajuda-me na redenção
que persigo... 
Com o rosto banhado em lágrimas, Petitinga calou-se. O auditório emocionado, em peso, chorava, envolvido pelas vibrações superiores que se derramavam sobre todos. Inesperadamente, a entidade jogou o médium ao chão e presa da mesma emoção, bradou: 
- Perdoa-me, tu! A tua humildade venceu-me a braveza, velhinho bom! Deus meu! Deus meu! Blasfemo! O ódio gratuito cega-me. Perdoa-me, velhinho bom, e ajuda-me com a tua humildade a encontrar-me a mim mesmo. Infeliz que sou. Tudo mentira, mendacidade inditosa, a que me amarga os lábios. Ajuda-me, velhinho bom, na minha infelicidade...
Petitinga desceu os degraus da tribuna, aproximou-se do sofredor, falou-lhe bondosamente e amparou o médium, convidando-o a sentar-se. E levantando a voz, rogou: "- Oremos todos a Jesus, pelo nosso irmão sofredor, por todos nós, os sofredores". 

Comentando o fato, Miranda afirma que raras vezes presenciara cena mais comovedora, "era como se o Mundo Excelso baixasse à Terra e os homens pudessem transitar no rumo daquele mundo onde reside a felicidade...".

A Alfândega da Morte



Quando estamos desencarnados e tomamos contato com a realidade da vida nos dois planos, muitos de nós solicitamos a oportunidade de fazer parte das fileiras dos espíritas. De sermos praticantes da maravilhosa Doutrina dos Espíritos. Sem dúvida que isso é realmente alvissareiro. Mas é preciso ter cuidado com as escolhas, pois “a quem muito é dado, muito será cobrado”, por que, inúmeras vezes esquecemos que o conhecido “véu do esquecimento” cairá sobre nossas lembranças.

 Ora, a Terra ainda é um mundo materialista por excelência e alguém belo, poderoso e rico, é uma fonte de terríveis tentações.

Mas fomos atendidos nas nossas pretensões e começamos a trabalhar no Espiritismo. O que pode acontecer? Duas situações: fazermos a nossa reforma íntima ou deixamos despertar em nós a perigosa vaidade, filha dileta do orgulho e apadrinhada por qualquer obsessor de plantão!

O homem é senhor e responsável absoluto dos seus atos e quando encarnado, sujeito às excitações proporcionadas pela matéria, beleza, dinheiro e dons mediúnicos, precisa ficar muito atento, sempre se lembrando do Orai e Vigiai!

A Terra, como enfatizamos, ainda é um mundo materialista, onde o TER ainda supera em muito o SER. Mas nós sabemos mesmo o que realmente nos pertence? Ouçam...

José estava comendo um pão, quando se aproxima uma moça de nome Maria e lhe pede um pedaço. Ele nega, respondendo com visível irritação:

– Vá trabalhar como eu! E começa a pensar em voz alta.

Ah, como é bom nos aferrarmos ao dinheiro e imaginar que vamos mantê-lo conosco para sempre! E já que é nosso, o melhor e mais inteligente, é fazer com que aumente sempre.

É bem mais interessante ouvir o tilintar das moedas no meu bolso, do que ouvir um fraco, um débil obrigado, que às vezes nem se ouve, da boca de um faminto; é bem mais gratificante ficar admirando a beleza e o luxo da minha casa e do meu carro, do que estragar meu dia na contemplação de casebres imundos, à procura de alguém que precise de alguma ajuda; ora, e se eu posso, aproveitando a extrema necessidade de quem me procura, emprestar-lhe dinheiro a juros exorbitantes, por que eu me daria ao trabalho ou à loucura de dar dinheiro a quem quer que seja?

– Este é um dos maiores problemas da nossa evolução. O eu e o meu! Nunca o nós, nunca o nosso!

Aqueles que escolhem a porta larga e que se locomovem lentamente pela estrada atapetada da vida, curvados ao peso do seu ouro, a Alfândega da Morte lhes confiscará toda a sua bagagem dourada, pois ela é material! O que lhe sobra? Apenas uma pequena maletinha, aquela que deverá conter os bens e tesouros imperecíveis, que são de uso da alma.

Decepção! Está vazia! E ela também é confiscada, por não ter nada a transportar pelo vale da morte!

Não! Não vamos nos iludir com o brilho fascinante do ouro. A Alfândega da Morte a que nos referimos, é incorruptível e só deixa que levemos conosco, as migalhas de amor que houvermos distribuído; os pequenos favores que tivermos articulado pelos outros; os simples benefícios que tenhamos feito a terceiros, tudo em nome da verdadeira caridade desinteressada.
Entretanto, com enorme facilidade esquecemos que a verdadeira propriedade é a riqueza moral e espiritual. O resto, é apenas uma questão de saber quem tem mais ou menos bens materiais.
A caridade, que não é apenas a divina virtude que o Mestre Jesus nos ensinou. Ela é o mais completo e verdadeiro sistema contábil do universo, que nos permite ajudar para sermos ajudados.
E já que falamos nisso, como será que estão as nossas contas-correntes no Banco da Vida?
Infelizmente, parece que bem magrinhas, provavelmente no vermelho... Por que afinal, nenhum de nós ainda se diplomou na Escola da Verdadeira Vida, porque se ainda estamos gravitando em torno do planeta Terra, é porque ainda não fomos admitidos na maravilhosa e desejada Universidade Cósmica dos Espíritos Superiores!
Na realidade, o que realmente conta, é o que o homem é e não o que ele tem. O que ele é, sempre o acompanha e o que ele tem, é confiscado para sofrer a ação da traça e ferrugem, de que nos fala o Mestre Jesus.
Se a nossa intenção é ficarmos milionários, então mãos à obra! Vamos dar mais, cada vez mais. Quanto mais damos, mais temos.
O que temos dado? Doamos muito? Pouco? Não doamos nada? Ou temos doado tudo o que nos é possível? O que preferimos? Sermos comparados a um filete de água barrenta, aonde milhares nunca chegam e os que chegam não saciam a sua sede, devido à péssima qualidade da água? Ou comparados a um manancial de água cristalina, aonde todos os que chegarem terão suas gargantas ressequida pela avareza de terceiros, maravilhosamente refrigeradas?
Roguemos pois, ao Senhor dos Espíritos, que nos dê forças, coragem e determinação, para que nos transformemos em verdadeiros shoppings, de onde ninguém saia sem levar o que precisa.
Se nos pedirem pão e não tivermos, que eles levem a certeza de que amanhã haverá; se nos pedirem roupas e não tivermos, coloquemos sobre os seus ombros, um manto de esperança; se precisam de remédios e não temos, vamos oferecer-lhes o bálsamo da resignação; solicitam sapatos e não dispomos? Que tal tirarmos as pedras do seu caminho, para que não firam seus pés?
Por fim, quando os nossos Shoppings  estiverem vazios, é porque nos avizinhamos das fronteiras da vida física e as nossas maletas, repletas de amor, caridade, e boas ações, estarão livres, absolutamente livres do confisco pela Alfândega da Morte. Isso realmente nos pertence. É a nossa verdadeira propriedade!
E nesse momento, José, que recusou dividir seu pão com Maria e os que como ele pensam e agem, saberão, com a mais absoluta certeza, que apenas dando é que se recebe!
Agnaldo Cardoso

 Baleia Azul e a Epidemia de Suicídios, por Divaldo Franco


Com caráter epidêmico, o suicídio alcança índices surpreendentes na estatística dos óbitos terrestres, havendo ultrapassado o número daqueles que desencarnam vitimados pela AIDS.
A ciência, aliada à tecnologia, tem facultado incontáveis benefícios à criatura humana, mas não conseguiu dar-lhe segurança emocional.
Em alguns casos, a comunicação virtual tem estimulado pessoas portadoras de problemas psicológicos e psiquiátricos a fugirem pela porta abissal do autocídio, como se isso solucionasse a dificuldade momentânea que as aturde.
Por outro lado, sites danosos estimulam o terrível comportamento, especialmente entre os jovens ainda imaturos, que não tiveram oportunidade de experienciar a existência. De um lado, as promessas de felicidade, confundidas com os gozos sensoriais, dão à vida um colorido que não existe e propõem usufruir-se do prazer até a exaustão, como se a Terra fosse uma ilha de fantasia.
Embalados pelos muito bem feitos estimulantes de fuga da realidade, quando as pessoas dão-se conta da realidade, frustram-se e amarguram-se, permitindo-se a instalação da revolta ou da depressão, tombando no trágico.
Recentemente a Mídia apresentou uma nova técnica de autodestruição, no denominado clube da baleia azul, no qual os candidatos devem expor a vida em esportes radicais ou situações perigosíssimas, a fim de demonstrarem força e valor, culminando no suicídio.
Se, por acaso, na experiência tormentosa há um momento de lucidez e o indivíduo resolve parar é ameaçado pela quadrilha de ter a vida exterminada ou algum membro da sua família pagará pela sua desistência.
O uso exagerado de drogas alucinógenas, a liberdade sexual exaustiva e as desarrazoadas buscas do poder transitório conduzem à contínua insatisfação e angústia, sendo fator preponderante para a covarde conduta.
O suicídio é um filho espúrio do materialismo, por demonstrar que o sentido da vida é o gozo e que, após, tudo retorna ao caos do princípio.
É muito lamentável esse trágico fenômeno humano, tendo-se em vista a grandeza da vida em si mesma, as oportunidades excelentes de desenvolvimento do amor e da criação de um mundo cada vez melhor.
Ao observar-se, porém, a indiferença de muitos pais em relação à prole, a ausência de educação condigna e os exemplos de edificação humana, defronta-se, inevitavelmente, a deplorável situação em que estertora a sociedade.
Todo exemplo deve ser feito para a preservação do significado existencial, trabalhando-se contra a ilusão que domina a sociedade e trabalhando-se pelo fortalecimento dos laços de família, pela solidariedade e pela vivência do amor, que são antídotos eficazes ao cruel inimigo da vida – o suicídio!
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 20-04-2017.

Médium Divaldo Franco

Espíritos Afins, de Jorge Hessen


1 - Jennifer Bricker participa de espetáculos de acrobacias aéreas e fascina as plateias com sua técnica. O mais impressionante é que Jennifer não possui as duas pernas. Aos 11 anos, já era uma campeã da ginástica, esporte pelo qual se apaixonou ao ver Dominique Moceanu ganhar uma medalha de ouro olímpica para os Estados Unidos em 1996.
Jennifer não sabia, porém, que as duas tinham muito mais em comum do que o talento de atleta, eram irmãs consanguíneas. Jennifer tinha poucos meses quando foi entregue para adoção porque não tinha pernas. Aos três anos recebeu próteses para as pernas, mas nunca as usava - se movimentava melhor sem elas. Ela adorava ver a equipe de ginástica feminina dos Estados Unidos e, especialmente, uma atleta: Dominique Moceanu.
Aos 10 anos, ela disputou os Jogos Olímpicos da Juventude e aos 11, foi campeã de ginástica tumbling pelo Estado de Illinois. Quando completou 16 anos, Jennifer perguntou à Sharon, a mãe adotiva, se havia algo que ela não tinha lhe contado sobre a sua família biológica. A adolescente não imaginava que a resposta fosse "sim". Sharon revelou-lhe que o sobrenome da sua família biológica era Moceanu e Dominique era sua irmã.
Quatro anos depois, Jennifer escreveu uma carta para Moceanu, contando sua história explicando que Dominique foi seu ídolo a vida inteira a tinha inspirado a ser uma ginasta também. Ambas se encontraram e até hoje estão unidas.
2 - Outro caso interessante aconteceu com as irmãs gêmeas Anais Bordier e Samantha Futerman. Ambas puderam se conhecer após 25 anos de idade. Uma não sabia da existência da outra, mas, um episódio da vida e a internet fizeram com que elas se reunissem. Ambas foram separadas depois do nascimento na Coréia do Sul e viveram e adotadas por famílias em diferentes países; Anais, em Paris, na França, e Samantha, em Los Angeles, nos Estados Unidos.
O reencontro começou a ser desenhado em dezembro de 2012, enquanto Anais, uma designer de moda, estava em um ônibus e recebeu de um amigo a imagem de um vídeo do YouTube onde aparecia Samantha, que é atriz. Anais diz que pensou que alguém havia postado um vídeo dela, mas percebeu que era uma garota que vivia nos Estados Unidos muito parecida com ela.
Entrou em contato pelo Skype e ficaram mais de três horas de conversa. Posteriormente elas se conheceram pessoalmente em maio de 2013, em Londres, e desde então, mesmo vivendo em países diferentes, se comunicam várias vezes ao dia. Para Anais, descobrir que tem uma irmã é incrível, mas perceber que tem uma irmã gêmea é ainda mais inacreditável, porque as duas têm muito em comum.
A história das irmãs foi transformada no livro "Separated @ Birth: A True Love Story of Twin Sisters Reunited", lançado em 2014 e o interessante é que cada uma escreveu um capítulo alternadamente.
3 - Sob o enfoque espírita, efetivamente, muitas afeições terrenas são condições construídas, geralmente nas preexistências, através dos laços permanentes de afinidades espirituais, que se estabelecem entre seres, que comungam das mesmas inclinações psicológicas, em estado semelhante de evolução intelecto-moral.
Portanto, podemos analisar tema pelo prisma das almas “afins” que reencarnam na mesma família. Sabemos que a reencarnação é um mecanismo extremamente complexo. Suas variáveis vinculam-se ao estágio espiritual de cada reencarnante, considerando-se as obrigações de aprendizagem de todos os espíritos envolvidos para a convivência na Terra. Quando o espírito detém boa estrutura moral pode esquematizar sua reencarnação junto dos seres “afins”, sob a supervisão dos Benfeitores do além.
Na dimensão espiritual, estando libertos das paixões que nos ligaram na Terra, nos atraímos e agrupamos em famílias mais amplas, unidos por sentimentos sinceros, tendo em vista o aperfeiçoamento de todos e alegrando-nos, com as conquistas de cada um dos nossos entes queridos em cada regresso ao além-túmulo, após mais uma vida na Terra, plena de lutas e provações experimentadas e ultrapassadas.
No conjunto das reencarnações, “se uns espíritos encarnam e outros permanecem no além, nem por isso deixam de estar unidos pelo pensamento. Os que se conservam “livres” [no além] velam pelos que se acham em “cativeiro” [no corpo físico]. Os mais adiantados se esforçam por fazer que os retardatários progridam. Após cada existência, todos têm avançado um passo na senda do aperfeiçoamento. ”[1]
É bem verdade que dois Espíritos, que se afeiçoam, naturalmente se procuram um ao outro, nas suas caminhadas. Não ignoramos que entre os seres humanos há ligações afetivas ainda indecifráveis nos seus códigos misteriosos. O espectro do magnetismo é o auxiliar destas ligações, que futuramente compreenderemos melhor. ” [2]
Os personagens mencionados nesta narrativa são incontestavelmente espíritos afins que se juntaram, pelas leis da atração e amam estar juntos. Não obstante, nem todos os espíritos “afins” tenham necessariamente que se ter conhecido numa vida anterior, pois eles se atraem magneticamente por inclinações semelhantes, isso frequentemente acontece.
“A afeição que existe entre pessoas [especialmente]parentes são um índice da simpatia anterior que as aproximou…”[3] Desta forma, se todas as afeições forem purificadas “acima dos laços do sangue, o sagrado instituto da família se perpetuará no Infinito, através dos laços imperecíveis do Espírito. ”[4]
Referências bibliográficas:
[1]        KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. IV, item 18, RJ: Ed. FEB, 1977
[2]        KARDEC, Alan. O Livros dos Espíritos, questão 388, RJ: Ed. FEB, 2002
[3]        KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. IV, item 19, RJ: Ed. FEB, 1977
[4]        XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador, questão 175, RJ: Ed. FEB, 2001
 

Pureza ou Dureza Doutrinária?


Estava eu, dirigindo na engarrafada Avenida Brasil, em uma dessas manhãs ensolaradas,  quando me deparo com o adesivo no carro da frente, com os dizeres gritantes: “Em nome de Jesus, muita safadeza se produz”, frase de efeito, um tanto chula, é fato, mas que me remeteu imediatamente a outra frase famosa na internet: “Jesus é gente boa, o que estraga é o fã clube“, expressões emblemáticas da decepção vigente com as religiões e as suas sucessivas deturpações dos seus espíritos originais, adaptados não à realidade, mas às conveniências, fraquezas e ambições do ser humano e seus jogos de poder.
Nesse movimento de deturpação, trocamos sem cerimônia, na História da humanidade, o amor pela graça, a plenitude pela salvação, a confiança pela fé cega e seguimos, de forma conveniente, adaptando verdades, calando o nosso bom senso, chegando a conjecturas ridículas, que viram verdadeiras piruetas filosóficas para adaptar escritos religiosos aos nossos conceitos.
Vou abster-me de enumerar tais situações para evitar controvérsias estéreis, mas sabemos que essas manobras passam por questões de sexualidade, igualdade social e mitigação de conceitos humanistas.
Entretanto, nós outros, defensores das ideias do pedagogo francês que viu seus livros queimados em praça pública, que soube revolucionar paradigmas de forma coerente e pacífica, também padecemos de nossas fixações deturpatórias, inebriados por uma ideia de disciplina, de ordem, de padronização, em uma postura vestal e por vezes alienada do mundo real, e nesse sentido, destacaremos no presente artigo um grande instrumento de opressão e segregação nas fileiras espíritas: A pureza doutrinária.
Justificado pela observância dessa pureza, que busca catalogar atos e fatos como doutrinários ou não, com vieses na prática no qual o próximo de uma cultura afro não recebe o mesmo tratamento de algo na linha cristã-ocidental, cometemos violências simbólicas de censuras, proscrições e banimentos. Fazemos da pureza doutrinária o que é e já foi a Bíblia, tratada como escritura sagrada, imutável régua a medir a tudo e a todos.
Espere… Espere! Entendi bem, ou na constante pressão que sofremos no movimento espírita com a possibilidade de invasão de práticas estranhas, você autor, está defendendo uma liberação geral de tudo e de todos, um supra relativismo, um grande “pan-espiritismo ecumênico”, no qual caiba tudo, independente dos ensinos kardequianos, agregando práticas e ideias de toda ordem, em especial ao gosto do freguês?
Não. Definitivamente não… Se estivesse propondo isso, seria compactuar com uma mercantilização religiosa, de agradar os demandantes, adaptando-se para se expandir. O que defendo aqui é que não precisamos de bulas papais ou comissões inquisitórias que classifiquem saberes à luz de suas interpretações, sem debate, de forma hierárquica.
O que aponto é a necessidade de se fortalecer o diálogo crítico em relação às práticas e que sejamos caridosos nessas relações, respeitando as pessoas e as suas peculiaridades.
Falando do aspecto caridoso, inicialmente, até resgatando a ideia inicial de deturpação apresentada no artigo, cometemos absurdos em nome dessa pureza doutrinária. Somos duros, rígidos, encapsulados em relação às pessoas, mais preocupados com a forma e menos com o conteúdo, alheios às necessidades de cada um, tentando encontrar uma doutrina estática e universal, o que seria uma grande pretensão, vinculando todos a nossas interpretações. Um caminho perigoso, de autoritarismos…
E isso gera, por vezes, um patrulhamento doutrinário diretivo, que poderia ser substituído pelo debate franco sobre as ideias ali postas. Exemplo dessa atitude última é a de amigos do movimento que mantêm página na qual discutem abertamente a pertinência de determinadas obras, em face à profusão de literatura mediúnica na qual vivemos.
Tem-se ali um debate, no qual se argumenta e se expõe o que daquela obra é incoerente com a lógica e com os postulados espíritas. Exercita-se assim, de maneira fraterna, o chamado diálogo crítico.
E no que se refere ao diálogo crítico, complementando a ideia do parágrafo anterior, a força de nossas convicções é a análise racional dos atos e fatos à luz de nosso paradigma, entendendo que, como dizia Gibran na sua obra “O profeta”, não diga que encontrou a verdade, e sim uma verdade. Sim, o espiritismo não é e nunca se propôs a ser estático, a verdade absoluta, mas isso não faz dele uma panaceia que tudo absorve. É preciso estudar e refletir, e não consumir pacotes prontos do que é bom ou ruim, e nisso está a capacidade de sobrevivência do espiritismo.
Por isso, o espaço do doutrinário ou não doutrinário deve ser substituído, ao meu ver, pelo espaço do razoável ou não, do coerente ou não, ampliando-se discussões, abertos a realidades, para que se enxergue sem medo o que anda por aí, e que pensemos que torcer a cara sem nem saber direito do que se trata, ou abraçamos algo por que o médium “X” disse que é bom, é um raso olhar classificador binário, cabendo-nos entender o que daquilo fere o bom senso,  mas respeitando aqueles que encontraram ali a sua verdade, rompendo as barreiras, como um certo francês que se recusou a crer que eram as mesas que falavam.
Afinal, esse é o segredo da convivência pacífica entre ideias, da chamada tolerância religiosa, ou mesmo das discussões ditas como ecumênicas. Entender esse contexto de ideias que surgem e que devem ser analisadas e discutidas, com respeito e humildade. Ideias religiosas, ideias do mundo.
 No mundo da ciência e do conhecimento, tudo muda, tudo se molda. Por isso, a ideia doutrinária e religiosa se impõe à força, dilema que o Espiritismo vem romper com uma “fé raciocinada, capaz de enfrentar a razão em todas as épocas da humanidade”, e isso gera uma constante reavaliação crítica.
Ilustrando essa assustadora possibilidade de mudanças, nos servimos de Thomas Kuhn, um estudioso que vincula a ciência à resolução de problemas em um determinado contexto, do qual emergem verdades em um paradigma, verdades úteis naquele grupo/momento e que podem ser substituídas por outras verdades, diante de situações que surgem.
A ciência, para esse autor, se faz em ciclos, nos quais a ciência normal irrompe em crises, revoluções e depois volta a uma nova ciência normal, com o abandono do antigo paradigma e a adoção de um novo, cujos entendimentos sobre conceitos antigos se modificam, não sendo possível interpretar o novo sem uma nova visão, sendo, então, paradigmas incomensuráveis, ou seja, que não se comunicam.
Nesse sentido, uma visão doutrinária hermética e autoritária é um consenso momentâneo de Kuhn, que pode ser minada pela realidade, aquela que não nos pede licença para romper nossos paradigmas e impedir a nossa fossilização, cabendo a nós ter a mente aberta e afiada criticamente para analisar o que surge – mas com o respeito caridoso por outras verdades – e bom senso para ler as forças e os interesses que acompanham cada nova proposição.
Então já posso acender meu incenso na casa espírita ou estudar o levítico nas reuniões doutrinárias, alternado pelo Torá? Bem, o Espiritismo é uma visão de livre consciência, mas a casa espírita é um local de estudo da Doutrina Espírita.
O único e especializado local para isso! Nessas casas construímos a relação desse conhecimento espírita com as realidades que se apresentam, respeitando outros saberes e visões, incorporando o que couber à sua lógica, entendendo que aí sempre existem consensos e jogos de força.
O que se disse aqui é que estamos distantes de ter uma verdade plena e que cometemos muitas coisas reprováveis em nome de manutenção destas pretensas verdades.
Por isso estudamos e refletimos, não cuidando de decorar trechos de livros como textos sagrados. Essa é a essência espírita, na qual o conceito vale mais que a letra. Se ficarmos estáticos diante dos conceitos que explicam a realidade, não alcançaremos o saber profundo, buscando discutir filigranas de nosso paradigma vigente e fechados ao que surge na realidade à luz de nossa visão.
Precisamos de reflexão, humildade e uma mente aberta, para fazer essa relação tríplice de filosofia, ciência e moral (ética), entendendo que os efeitos são relevantes para que a pureza doutrinária não seja, pela sua dureza, um revival de tempos inquisitórios, deturpando a essência do Espiritismo como uma ferramenta filosófica de homens melhores, trabalhando a sua espiritualidade, guiados pela razão e com espírito investigativo.
Marcus Vinicius de Azevedo Braga

  A Minha Primeira Vez


De novo? Eu já a repelira uma vez, há uns dez anos. Agora lá vinha ela mais uma vez se insinuando, com aquele jeitinho sutil e faceiro. E não vinha sozinha! Chegava trazida pelas mãos generosas de dois dos meus melhores amigos: o casal Hugo e Cida Albuquerque. Mesmo correndo o risco de ser descortês com os meus amigos, novamente tentei repeli-la deixando claro que eu já estava com outra e em outra.
Hugo e Cida, provavelmente para me deixar mais à vontade, foram embora e ficamos eu e ela. Frente à frente! Olho no olho! Era o que eu estava esperando para livrar-me dela o quanto antes e de uma forma definitiva!
– Por favor! Desculpe-me a sinceridade, mas entenda que eu não quero nada com você! Tenho outra e estou muito bem! Eu lhe disse.
– Mas não exijo exclusividade e nem sou ciumenta! Conheça-me melhor e depois eu aceitarei a tua decisão, seja ela qual for! Ela respondeu.
Não posso negar que a admirei pela persistência e olhei-a melhor, profundamente, olho no olho, e já começando a respeitá-la mais, muito mais, eu passei a examiná-la munido com a lupa de quem procurava defeitos que me fornecessem o pretexto que eu queria, para rejeitá-la definitivamente.
Enquanto conversávamos de forma sincera, aberta, honesta, eu a examinava e testava seus valores. Com certeza eu descobriria o suficiente para mandá-la ir embora e...
Mas preciso confessar. Ela era linda! Belíssima! Quando me olhava, parecia mergulhar no meu íntimo e mesmo quando descobria os meus defeitos, era bondosa o suficiente, para me encorajar a mudar e me fazer acreditar que seria possível sim, eu me melhorar!
Eu precisava de mais tempo para encontrar a desculpa necessária para mandá-la embora de vez! Tempo! Mais um tempinho e eu descobriria que... Nossa! Além de bela e bondosa era de uma coerência e de uma lógica que beiravam o absurdo!
Não! Ela não poderia ser tão perfeita assim... Eu iria estudá-la mais até descobrir que aquela perfeição, era apenas uma enganosa aparência. Com tantas e diferentes qualidades, provavelmente ela seria muito impositiva, exigente, dispendiosa... Como se adivinhasse meus pensamentos, ela disse-me suavemente:
– Não! Eu não imponho, uma vez que adoro conscientizar! Não exijo, porque sem o livre arbítrio, qual seria o mérito em fazer algo apenas por que eu exigi? Dispendiosa? Também não, uma vez que a única coisa que realmente cobro, é que você assuma a responsabilidade de me dividir com as outras pessoas!
Meio sem argumentos e sem entender o “dividi-la com outras pessoas”, eu lhe perguntei:
– E a outra, minha querida? Aquela que, mesmo sem sermos muitos íntimos, está ligada à minha vida praticamente desde que nasci? Vou simplesmente descartá-la?
Ela não deixou passar o meu “querida”.
– Ah! Você me chamou de querida? É um bom sinal...
– Chamei? Acho que escapou... Tentei despistar para não mostrar que os meus sentimentos já estavam no mais puro estado de ebulição. Ela continuou.
– Agnaldo, eu não sou ciumenta e sugiro que inicialmente você fique com nós duas, procure nos conhecer bem e aquela que melhor atender aos teus anseios, será a tua escolhida. Seja imparcial e nos analise de forma desapaixonada, para poder decidir de forma coerente.
– Você parece estar muito segura! Provoquei.
– Eu não estou segura, eu sou! Porque se você decidir realmente com coerência, tenho certeza de que serei eu a escolhida! Ela respondeu com serenidade e sem qualquer sintoma de arrogância.
Aquilo me desnorteou profundamente e do fundo meu peito, agora totalmente descompassado pela felicidade que nascia, eu entreguei os pontos e lhe disse:
– Você é uma dádiva divina e eu agradeço a Deus por você ter aparecido na minha vida. Hoje, com a mais absoluta certeza, eu confesso que é A Minha Primeira Vez. A primeira vez que eu estou real e perdidamente apaixonado!
– Perdidamente apaixonado por mim. Espero que você não confunda paixão com amor...
– Não! Foi só uma forma de expressão... É que você me fascina e...
– Fascino? Perguntei.
– Também não. O fascínio muitas e inadvertidas vezes, leva ao fanatismo e este é uma venda nos olhos da realidade e do equilíbrio. Não, meu querido, a grande, misteriosa e mágica palavra é... Amor!
– Amor? Então é isso! Claro! É exatamente este o sentimento que acelera as batidas do meu coração neste momento.
– Então, se você me ama, não seja egoísta e não me queira apenas para si. Torne seus sentimentos públicos, para que outros também possam se apaixonar por mim.
– Está bem. Agora?
– Agora. Grite bem alto. Grite, para que o mundo te ouça.
– Eu te amo! Querida Doutrina dos Espíritos! Eu te amo!

(Este artigo foi escrito em 2009, mas a conversa entre eu e a Doutrina dos Espíritos, aconteceu em 1985, na cidade de Marabá, Estado do Pará)

Agnaldo Cardoso                                                                                                              Olinda

“Como foi a Chegada de Chico Xavier ao retornar para o Mundo Espiritual?” Relato de Joanna de Ângelis


Quando mergulhou no corpo físico, para o ministério que deveria desenvolver, tudo eram expectativas e promessas. Aquinhoado com incomum patrimônio de bênçãos, especialmente na área da mediunidade, Mensageiros da Luz prometeram inspirá-lo e ampará-lo durante todo o tempo em que se encontrasse na trajetória física, advertindo-o dos perigos da travessia no mar encapelado das paixões, bem como das lutas que deveria travar para alcançar o porto de segurança.
Orfandade, perseguições rudes na infância, solidão e amargura estabeleceram o cerco que lhe poderia ter dificultado o avanço, porém, as providências superiores auxiliaram-no a vencer esses desafios mais rudes e a crescer interiormente no rumo do objetivo de iluminação.
Adversários do ontem que se haviam reencarnado também, crivaram-no de aflições e de crueldade durante toda a existência orgânica, mas ele conseguiu amá-los, jamais devolvendo as mesmas farpas, os espículos e o mal que lhe dirigiam.
Experimentou abandono e descrédito, necessidades de toda ordem, tentações incontáveis que lhe rondaram os passos ameaçando-lhe a integridade moral, mas não cedeu ao dinheiro, ao sexo, às projeções enganosas da sociedade, nem aos sentimentos vis. Sempre se manteve em clima de harmonia, sintonizado com as Fontes Geradoras da Vida, de onde hauria coragem e forças para não desfalecer.
Trabalhando infatigavelmente, alargou o campo da solidariedade, e acendendo o archote da fé racional que distendia através dos incomuns testemunhos mediúnicos, iluminou vidas que se tornaram faróis e amparo para outras tantas existências. Nunca se exaltou e jamais se entregou ao desânimo, nem mesmo quando sob o metralhar de perversas acusações, permanecendo fiel ao dever, sem apresentar defesas pessoais ou justificativas para os seus atos.
Lentamente, pelo exemplo, pela probidade e pelo esforço de herói cristão, sensibilizou o povo e os seus líderes, que passaram a amá-lo, tornou-se parâmetro do comportamento, transformando-se em pessoa de referência para as informações seguras sobre o Mundo Espiritual e os fenômenos da mediunidade. Sua palavra doce e ungida de bondade sempre soava ensinando, direcionando e encaminhando as pessoas que o buscavam para a senda do Bem.
Em contínuo contato com o seu Anjo tutelar, nunca o decepcionou, extraviando-se na estrada do dever, mantendo disciplina e fidelidade ao compromisso assumido. Abandonado por uns e por outros, afetos e amigos, conhecidos ou não, jamais deixou de realizar o seu compromisso para com a Vida, nunca desertando das suas tarefas. As enfermidades lhes minaram as energias, mas ele as renovava através da oração e do exercício intérmino da caridade.
A claridade dos olhos diminuiu até quase apagar-se, no entanto a visão interior tornou-se mais poderosa para penetrar nos arcanos da Espiritualidade. Nunca se escusou a ajudar, mas nunca deu trabalho a ninguém. Seus silêncios homéricos falaram mais alto do que as discussões perturbadoras e os debates insensatos que aconteciam a sua volta e longe dele, sobre a Doutrina que esposava e os seus sublimes ensinamentos.
Tornou-se a maior antena parapsíquica do seu tempo, conseguindo viajar fora do corpo, quando parcialmente desdobrado pelo sono natural, assim como penetrar em mentes e corações para melhor ajudá-los, tanto quanto tornando-se maleável aos Espíritos que o utilizaram por quase setenta e cinco anos de devotamento e de renúncia na mediunidade luminosa. Por isso mesmo, o seu foi mediunato incomparável...
E ao desencarnar, suave e docemente, permitindo que o corpo se aquietasse, ascendeu nos rumos do Infinito, sendo recebido por Jesus, que o acolheu com a Sua bondade, asseverando-lhe:
– Descansa, por um pouco, meu filho, a fim de esqueceres as tristezas da Terra e desfrutares das inefáveis alegrias do reino dos Céus.

JOANNA DE ÂNGELIS (Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco, no dia 2 de julho de 2002, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.) Texto extraido do Reformador - Agosto/2002 Especial - FEB

 

O que o Espírito tem que fazer para sair do Umbral? – 3ª Parte

Desta forma o Umbral nada mais é do que o reflexo dos pensamentos, desejos e vontades de inúmeras pessoas semelhantes naqueles sentimentos negativos que acabo de listar acima.
Estes sentimentos intoxicam a alma e dificultam ou impedem que estas pessoas recebam ajuda de parentes, amigos e espíritos superiores.
Na Terra só é possível ajudar as pessoas que querem receber ajuda, que aceitam a ajuda, e para ser ajudado você precisa primeiro reconhecer o erro. Lá do outro lado é a mesma coisa.
Se você sofre por ter dentro de si o sentimento de vingança, só pode ser curado deste sofrimento se conseguir perceber que precisa de ajuda. Somente nesta situação é que você consegue ser ajudado a sair do Umbral.


ADMINISTRAÇÃO DO UMBRAL – 2ª Parte

Como numa nação, lá também se pode dividir em cidades; cada uma com seus próprios líderes. Chefes, governadores, mestres, presidentes, imperadores, reis etc. São espíritos inteligentes mas que usam sua inteligência para a prática consciente do mal. São estudiosos de magia, conhecem muito bem a natureza e adoram o poder, quase sempre odeiam o bem e os bons que podem por em risco sua posição de liderança.
Há grupos de pessoas nas cidades que trabalham para os chefes. Acreditam ter liberdade e muitas vezes gostam de servirem seu chefe na ansiedade pelo poder e status. Consideram-se livres, mas na verdade não o são, ao menor erro ou na tentativa de fugir são duramente punidos.
Existem os espíritos escravos que vivem nas cidades realizando trabalho e mantendo sua estrutura sem receberem nada em troca além da possibilidade de lá morarem. São duramente castigados quando desobedecem e vivem cercados pelo medo imposto pelo chefe da cidade.
As cidades possuem construções semelhantes às que encontramos nas cidades da Terra. As maiores construções são de propriedade do chefe e de seus protegidos. Sempre existem locais grandiosos para festas, e local para realização de julgamentos dos que lá habitam.
Em cada cidade existem leis diferentes especificadas pelos seus lideres. Lá também encontramos bibliotecas recheadas de livros dedicados a tudo que de mal e negativo possa existir. Muitos livros e revistas publicados na Terra são encontrados lá, principalmente os de conteúdo pornográfico.
Além das cidades encontramos o que é chamado de Núcleos. Não constitui uma cidade organizada como conhecemos, mas se trata de um agrupamento de espíritos semelhantes. Os grupamentos maiores e mais conhecidos são os dos suicidas. Estes núcleos são encontrados nas regiões montanhosas, nos abismos e vales. Por serem espíritos perturbados são considerados inúteis pelos habitantes do Umbral e por isto não são aceitos.
Os vales dos suicidas são muito visitados por espíritos bons e ruins. Os bons tentam resgatar aqueles que desejam sair dali por terem se arrependido com sinceridade do que fizeram. Os espíritos ruins fazem suas visitas para se divertirem, para zombarem ou para maltratarem inimigos que lá se encontram em desespero. Não é difícil imaginar um local com centenas de milhares de pessoas que cometeram suicídio, todas ali unidas, sem entender o que está acontecendo, já que não estão mortas como desejariam estar.
Existem algumas poucas cidades de drogados de porte grande no Umbral. Realizam-se grandes festas e são cidades movimentadas. Existem relatos psicografados sobre uma região de drogados chamada de Vale das Bonecas e cidades como a de Tongo que é liderada por um Rei.
Para todo tipo de vício da carne existem cidades e núcleos de viciados. Por exemplo, existem cidades de alcoólatras ou de compulsivos sexuais. Todos os viciados costumam visitar o planeta Terra em bandos para sugarem as energias prazerosas dos vivos que possuem os mesmos vícios.
Mas lá também há os Postos de Socorro. Encontram-se espalhados pelas regiões sombrias do Umbral. Este local de ajuda, semelhante a um complexo hospitalar, normalmente é vinculado a uma colônia de nível superior. Nele encontramos espíritos missionários vindos de regiões mais elevadas que trabalham na ajuda aos espíritos que vivem nas cidades e regiões do Umbral e que estão à procura de tratamento ou orientação.
Quando o espírito ajudado desperta para a necessidade de melhorar, crescer e evoluir é levado para uma colônia onde será tratado e passará seu tempo estudando e realizando tarefas úteis para seu próximo. Quando se sentem incomodados e mergulhados em sentimentos como o ódio, vingança, revolta acabam retornando espontaneamente para os lugares de onde saíram. Continuamos sempre com nosso livre arbítrio.
Ninguém vai para o Umbral por castigo: A pessoa vai para o lugar que melhor se adapta à sua vibração espiritual. Quando deseja melhorar existe quem ajude. Quando não deseja melhorar fica no lugar em que escolheu. Todos que sofrem no Umbral um dia são resgatados por espíritos do bem e levados para tratamento para que melhorem e possam viver em planos de vibrações superiores. Existem muitos que ficam no Umbral por livre e espontânea vontade se aproveitando do poder e dos benefícios que acreditam ter em seus mundos.

 

COMO É A VIDA DOS ESPÍRITOS NO UMBRAL? – 1ª Parte. De  HUGO GIMENEZ


O Umbral não é o que nos ensinaram sobre o Inferno, não! O Umbral funciona como região destinada a esgotamento de resíduos mentais; uma espécie de zona purgatorial, onde se queima o material deteriorado das ilusões que a criatura adquiriu quando estava em vida. Concentra-se, aí, tudo o que não tem finalidade para a vida superior. Exemplo: Vingança, Ódio, Inveja, Rancor, Raiva, Orgulho, Soberba, Vaidade, Ciúme, etc.
O espírito impregnado com esses sentimentos se encontra intoxicado. Mas por que o Umbral é representado como um ambiente imundo, feio e sem vida? Todas as pessoas se atraem por afinidades e semelhanças. Isto acontece na Terra e no mundo espiritual.
Desta forma todas as pessoas com sede de vingança e ódio acabam se atraindo para localizações comuns do outro lado da vida, é justamente o que ocorre no Umbral. E a junção de tantas mentes doentias num mesmo espaço e a força dessas mentes acabam construindo todo o ambiente. Fica fácil perceber que um local repleto de pessoas emocionalmente desequilibradas que estão unidas pelo pensamento não é um local bonito e agradável.

Existem documentos que mostram detalhes da vida dos espíritos no Umbral?

Sim, muitos. A Doutrina Espírita é repleta de obras, sejam da codificação (obras de Allan Kardec), quanto incontáveis outras histórias, onde os próprios espíritos detalham a vida no Umbral. Contam o que sofrem (sede, fome, dor e maus tratos). Sim! Eu falei FOME, SEDE e DOR, pois as impressões da carne, no Umbral, ainda são muito fortes e a maioria dos espíritos que lá vivem, ainda não aprenderam a se desfazer dessas necessidades; coisas que espíritos mais elevados já não precisam mais. Temos relatos de que até a MENSTRUAÇÃO é presente nas mulheres que lá frequentam.

Principais características do Umbral e a vida nesse lugar:

O tempo, e as condições climáticas do Umbral seguem um ritmo equivalente ao local terrestre onde se encontra. Quando é noite sobre uma cidade, é noite em sua equivalência no Umbral. A névoa densa que cobre toda atmosfera dificulta a penetração da luz solar e da lua. A impressão que se tem é que o dia é formado por um longo e sombrio fim de tarde.
À noite não é possível ver as estrelas e a lua aparece com a cor avermelhada entre grossas nuvens. Sua maior concentração populacional está junto as regiões mais populosas do globo. Encontramos cidades de todos os portes, grupos de nômades e espíritos solitários que habitam pântanos, florestas e abismos.
É descrito por quem já esteve lá como sendo um ambiente depressivo, angustiante, de vegetação feia, ambientes Resultado de imagem para umbral sujos, fedorentos, de clima e ar pesado e sufocante. Para alguns espíritos é uma região terrível e horripilante. Para outros é o local onde optaram viver.
A vegetação varia de acordo com a região do Umbral. Muitas vezes constituída por pouca variedade de plantas. As árvores são normalmente de baixa estatura, com troncos grossos e retorcidos, de pouca folhagem.
É possível encontrar alguns tipos de animais e aves desprovidos de beleza. No Umbral se encontram montanhas, vales, rios, grutas, cavernas, penhascos, planícies, regiões de pântano e todas as formas que podem ser encontradas na Terra. Como os espíritos sempre se agrupam por afinidade (igual a todos nós aqui na Terra), ou seja, se unem de acordo com seu nível vibracional, existem inúmeras cidades habitadas por espíritos semelhantes. Algumas cidades se apresentam mais organizadas e limpas do que outras.



GAVETA DE PAPÉIS – 2ª Parte

Disso não se eximiu nem mesmo o nascente Protestantismo, cuja intolerância religiosa conduziu a crimes lamentáveis. Era melhor queimar um corpo físico — pensavam todos — do que permitir que aquela alma “rebelde” contaminasse outros seres incautos, com as suas doutrinas, e acabasse pelos arrastar às fornalhas do inferno.
Vemos, então, que a ideia da salvação se prende solidamente a duas outras: a do céu e a do inferno. A questão é que também estas precisam de um reexame muito sério. Aqueles de nós que têm tido oportunidade de entrar em contato com Espíritos desencarnados, ficam abismados com a quantidade imensa de pobres seres desarvorados que não conseguem entender o estado em que se encontram e a vida no Além, ficando numa confusão dolorosa por um lapso de tempo imprevisível.
O Espírito que levou uma ou mais existências ouvindo a pregação dogmática, sem cuidar de examiná-la, praticando as mais nobres virtudes, frequentando religiosamente todos os sacramentos e assistindo a todas as cerimônias do ritual, sente-se, com certa razão, com direitos inalienáveis ao prêmio que lhe foi prometido, isto é, subir para Deus imediatamente após a morte do corpo físico.
No entanto, não é isso que acontece. Quem somos nós, Senhor, já não digo para sermos acolhidos no seio de Deus, mas para suportar com nossos pobres olhos o brilho de um Espírito mais elevado? Que mérito temos nós, ainda tão imperfeitos, para exigir o chamado céu, após uma vida (uma só, como creem os ortodoxos) em que tanto erramos, por melhores que tenham sido nossas intenções? Como poderemos ambicionar chegar a Deus se nem ainda tivemos tolerância suficiente para admitir a coexistência de outras crenças?
Daí o desapontamento daquele que morreu em pleno seio da sua Igreja amada, protegido por todos os sacramentos, recomendado por tantas missas e serviços religiosos, mas que, a despeito de tudo isto, ainda não viu a Deus.
Conhecemos também a angústia daqueles que, conscientes dos seus erros e crimes, ou mesmo ainda indiferentes a eles, mergulham num clima de angústia que lhes parece irremediável e sem fim, tal como lhes diziam que era o inferno. Hipnotizados à ideia do sofrimento eterno, nem sequer sabem que estão “mortos” na carne nem suspeitam que podem recuperar-se pela oração e pelo arrependimento.
Figuras sinistras passeiam à sua volta e deles escarnecem e os fazem sofrer. São os demônios, pensa a criatura aterrada e desalentada. No entanto, são seres como ele próprio, também desarvorados e infelizes, todos inconscientes das forças libertadoras que trazem em si próprios e que podem ser despertadas pelo poder da lágrima e da prece.
Tanto num caso como noutro, não há como negar, estamos diante de vítimas do dogmatismo cego que proíbe o livre exame das questões.
Enquanto na carne, aceitavam aquelas ideias ou seriam forçados a abandonar as igrejas a que pertenciam, se não excomungados, pelo menos proscritos do meio. E se de um lado estão os que não se dispuseram a deixar as ideias erradas por indiferença ou comodismo, de outro vemos os que não as deixaram por receio de não se salvarem, pois que uma das doutrinas prediletas das organizações dogmáticas é a de que fora delas não há salvação.
Assim, vai a criatura inteiramente despreparada para enfrentar o momento supremo da sua vida terrena, isto é, aquele em que, mais uma vez, se encontra diante do trágico balanço da sua existência.
Por isso o Espiritismo mudou o conceito da salvação. Não dizemos que fora do Espiritismo não há salvação, e sim que fora da caridade não há salvação. Mas completamos esse nobre conceito explicando que céu e inferno são figuras de ficção que já perderam sua razão de ser e, ainda, que nunca essas ideias se conciliaram com a de um Deus justo e bom, puro e perfeito.
Esse Deus, imenso de caridade e amor, não iria criar filhos seus para as chamas do inferno irremediável e eterno, como também não ficaria como um potentado, rodeado de multidões a Lhe cantarem loas eternas.
O que Deus quer de nós é o trabalho fraterno e a conquista da nossa própria paz interior, palmo a palmo, com o nosso próprio esforço, se bem que muito ajudados pelo infinito amor que Ele derrama tão generosamente por todo esse grandioso Universo, fervilhante de vida. Salvar-se, para o Espiritismo, não é escapar às penas de um inferno mitológico, para subir às glórias de um céu de contemplação extática.
Salvamo-nos caminhando sempre para a luz divina, aos pouquinhos, vencendo nossas fraquezas, caindo aqui, levantando ali, ajudando e sendo ajudados, distribuindo as alegrias que nos sobram e recebendo um pouco da mágoa que aos outros aflige, pois que já disse alguém que a felicidade aumenta com o dar-se e o sofrimento alivia quando partilhado.
Salvar-se, para a Doutrina Espírita, não é escapar ao inferno que não existe, é aperfeiçoar-se espiritualmente, a fim de não cairmos em estados de angústia e depressão após o transe da morte, em suma, libertar-se dos erros, das paixões insanas e da ignorância. Salvamo-nos do mal e nos liberamos para o bem, eis tudo. Examine o leitor as suas ideias, como quem remexe uma gaveta de papéis.
Aqui e acolá vai encontrando alguns que não servem mais e precisam ser postos fora, como também encontrará alguns conceitos novos que, sem se saber ao certo, juntaram-se à nossa bagagem. Estes também precisam de ser examinados com atenção. Talvez nos sejam úteis, mas tenha cuidado com eles. Uma ideia pode ser nova e boa e pode ser apenas nova. Pode ser velha e excelente e pode ser não mais que uma velharia que já teve seu tempo e desgastou-se.
A pedra de toque de todas as ideias é a Verdade e esta somente nos ajuda a selecionar o nosso mobiliário mental e espiritual quando vamos adquirindo serenidade e humildade no aprendizado constante que é a vida, aqui e no Espaço.
Fonte: Reformador – agosto, 1964


GAVETA DE PAPÉIS – 1ª Parte

Acho que as ideias, como os seres, os bichos e as plantas, também envelhecem e também morrem quando se aferram à sua condição transitória, esquecidas do apoio eterno da verdade. Isso é natural e explicável, pois que, se assim não fosse, a lei evolutiva, que evidentemente governa o Universo inteiro, seria impossível.
De vez em quando temos de fazer uma revisão em nossas ideias, a fim de abandonar as que não servem mais e examinar com cuidado as que se incorporaram aos nossos arquivos psíquicos. E’ assim que evoluímos espiritualmente, pois, afinal de contas, o Espírito tem uma vocação irresistível para o aperfeiçoamento moral e o esclarecimento intelectual.
Mais ainda: é preciso desenvolver harmoniosamente os dois termos da equação humana: moral e intelecto. Nem tudo pode fazer uma criatura moralizada, quando reduzidos lhe são os recursos intelectuais, não lhe permitindo uma atividade esclarecedora em benefício próprio e alheio. Em todo o caso, é infinitamente melhor sermos bem evolvidos moralmente e acanhados do ponto de vista intelectual, do que sermos grandes sábios, pejados de conhecimentos, sem uma estrutura moral suficientemente desenvolvida.
Deficiências morais e intelectuais são transitórias; essas faculdades tendem a se ajustarem, de vez que o Espírito às vezes se detém na sua caminhada, mas nunca recua, como ensina Allan Kardec. Acabará o Espírito por encontrar em si mesmo o justo equilíbrio, tornando-se moral e intelectualmente evoluído, o que, de resto, constitui seu objetivo e seu passaporte para o mundo maior.
Em suma: é muito melhor ser bom e inculto, do que sábio e imoral, mas o ideal só começamos a alcançar quando nos tornamos bons e sábios. Enquanto não nos bafejamos com a brisa da bondade e da sabedoria, em doses equilibradas e justas, precisamos, não obstante, viver, aqui e no mundo espiritual, à medida que vamos e voltamos, em sucessivas encarnações.
Ora, viver é escolher. A vida é uma série infinita de escolhas, de decisões e resoluções. Temos de as tomar, no livre exercício do nosso arbítrio. Ninguém pode, em sã consciência, pegar-nos pela mão e nos conduzir ao nosso destino; temos de ir com as nossas próprias forças e recursos.
Quanto mais alta a hierarquia espiritual daqueles que se incumbem da espinhosa missão de nos guiar, mais cuidadosos se mostram em não tomar por nós decisão que nos compete. O que fazem esses orientadores é nos mostrar as alternativas. Se resolvermos pelo caminho do bem, dizem-nos, teremos o mérito das nossas vitórias; se nos decidirmos pelo mal, ficaremos com a responsabilidade e os ônus dos nossos erros. O Espírito, portanto, é deixado livre na sua escolha e iniciativa.
Nessas contínuas e repetidas decisões é que vamos renovando nossas ideias e treinando a nossa vontade. O que ontem nos parecia certo, hoje pode parecer duvidoso e amanhã inteiramente inaceitável. De outro lado, muito do que considerávamos há pouco completamente errôneo, pode, de repente, assumir aspectos menos hostis, até que acabamos por incorporar as novas ideias à nossa bagagem intelectual.
Há, porém, a considerar, aqui, um ponto da mais alta importância: é que tanto podemos caminhar na direção da luz como permanecer nas trevas, tateando, ou nelas afundando cada vez mais, conforme esteja ou não alertada aquela condição básica a que o Mestre chamou vigilância. Se nos faltar esta que, ainda segundo o Cristo, se fortalece com a oração (orai e vigiai), vamos aceitando ideias indignas e dissolventes que antes nos repugnavam, mas que passamos a achar muito naturais.
Se estamos atentos, se guardamos em nós a singeleza de coração que nos leva a receber, com humildade, não apenas as alegrias, mas principalmente as tristezas, então as ideias que começamos a considerar são as que constroem e educam, que aperfeiçoam e moralizam cada vez mais. E’ aí, pois, que entra em ação a nossa capacidade de escolha e decisão.
E surge a pergunta: a ideia que se nos oferece é digna de ser incorporada à estrutura do nosso espírito ou é uma dessas que só vão contribuir para nos dificultar a marcha? Será que não estaremos trocando uma ideia nova, que à primeira vista nos seduz a imaginação, por uma outra que, embora velha, está escorada na Verdade?
Ou, examinando a medalha do outro lado: será que não estamos desprezando uma ideia magnífica, apenas porque não desejamos, por comodismo ou temor, abandonar a ilusória segurança das nossas velhas e desgastadas noções?
Essas coisas todas me ocorrem quando me lembro da dificuldade que temos para nos livrarmos de ideias que somente nos prejudicam. Algumas delas têm sido mesmo responsáveis por muitas das nossas aflições e, em acentuada proporção, pelo próprio retardamento da marcha evolutiva da Humanidade.
Estão neste caso alguns dos dogmas mais caros e mais irredutíveis da teologia ortodoxa. E aqui não se distingue a teologia católica da teologia protestante. Esta última, a despeito de todo o seu ímpeto reformista, conservou certos princípios que ainda prevalecem, como a questão da salvação.
Espero que o leitor fique bem certo de que não pretendo atacar o Catolicismo nem o Protestantismo. Reencarnacionistas convictos, como somos os espíritas kardequianos, podemos estar razoavelmente certos de já havermos trilhado os caminhos da ortodoxia religiosa.
E’ bem provável que muitos de nós tenhamos até trabalhado ativamente para propagar essas ideias dogmáticas que agora não mais podemos aceitar. No entanto, temos de pensar sem que nisso vá nenhuma pitada de superioridade — que aqueles caminhos ainda servem a muitos e muitos irmãos nossos.
Mas, voltando ao fio da conversa, em que consiste a salvação? Salvamos a nossa alma, diz o teólogo, das penas do inferno e vamos para o Céu, se agirmos de acordo com os preceitos da lei moral e se praticarmos fielmente os sacramentos, observando os ritos, conforme a prescrição canônica.
Para a teologia ortodoxa não basta que o homem seja altamente moralizado, bom e puro; é preciso também que pratique os sacramentos e se conforme com a estrita orientação espiritual da sua Igreja. O desvio, por menor que seja, é logo tido por heresia e o seu iniciador é proscrito do meio, depois de esgotados os recursos habituais de persuasão, com o objetivo de reconduzir ao seio da comunidade a ovelha desgarrada.
Convém examinar bem essa ideia da salvação, pois esta é uma das que têm trazido bastante dano à evolução do espírito humano. No fundo, é um conceito egoístico: o Espírito se salva pela fé e pelas obras, diz o católico.
Não, diz o protestante, basta a fé, porque o homem é intrinsecamente pecador e sem a graça vai para o inferno irremediavelmente. E, assim, muitos se encerraram em claustros, passaram a viver isolados do mundo para que nele não contaminassem suas almas destinadas ao Senhor, logo após a libertação da morte.
Outros, empenhados não apenas em salvar as suas próprias almas, como a dos outros, saíram pregando aquilo que lhes parecia ser a doutrina final, a última palavra em matéria teológica.
Ainda outros, mais zelosos e exaltados, achavam que não bastava salvar suas próprias almas e convocar as de seus irmãos a fim de lhes mostrar o caminho; era necessário obrigá-los a se salvarem, porque nem todos estariam em condições de decidir acerca dessas coisas tão importantes.
E, por isso, aqueles que estudavam Teologia e se diziam em íntimo contato com Deus e agiam em nome do Senhor, se sentiam não apenas no dever, mas na obrigação de salvar a massa ignara que nada entendia disso. “Creia porque eu creio e eu mais do que você” — parecia pensarem estes mais agressivos salvadores de almas.
Quando o irmão recalcitrava, era preciso corrigi-lo, aplicando penas que iam desde a advertência amiga e verdadeiramente cristã, até o extremo da tortura e, finalmente, do inacreditável assassínio frio e calculado, em masmorras infectas ou nas fogueiras purificadoras.

Fonte: Reformador – agosto, 1964



Homossexualidade, por Sérgio Ribeiro



A questão 202 de O Livro dos Espíritos afirma: “Quando errante o que prefere o espírito: Encarnar no corpo de um homem ou de uma mulher? Isso pouco lhe importa. O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar”.

Essa colocação da codificação demonstra a existência da bissexualidade psicológica do espírito, o que não identifica uma concordância com a vivência bissexual do ser, enquanto encarnado no campo da genitalidade.

Posteriormente, essa postura doutrinária encontraria confirmação nos estudos da psicanálise.

Na Revista Espírita, Allan Kardec assim se expressa quanto às experiências sexuais do espírito em suas diversas encarnações: “É com o mesmo objetivo que os espíritos encarnam Homossexualidade nos diferentes sexos. Aquele que foi homem poderá renascer mulher e aquele que foi mulher poderá renascer homem, a fim de realizar os deveres de cada uma dessas posições e sofrer as provas. (...) Pode acontecer que o espírito percorra uma série de existências no mesmo sexo, fazendo com que, durante muito tempo, possa conservar no estado de espírito o caráter de homem ou de mulher, cuja marca nele ficou impressa”.

Por meio da mediunidade de Chico Xavier, André Luiz assim esclarece: “Na essência, o sexo é a soma das qualidades passivas ou positivas do campo mental do ser. É natural que o espírito acentuadamente feminino se demore séculos e séculos nas linhas evolutivas da mulher e que o espírito marcadamente masculino se detenha por longo tempo nas experiências do homem”.

É essa condição de que o sexo seja mental, como bem esclarece a codificação e as obras secundárias, que pode explicar a questão da homossexualidade. Se o sexo não fosse mental, não haveria razão para a existência de tal condição, já que a morfologia do corpo não se superpõe aos poderes da mente, mas se sujeita às suas ordens. E essa estrutura psicológica na qual se erguem os destinos, foi manipulada com os ingredientes do sexo através de milhares de reencarnações, conforme afirma Emmanuel pela psicografia de Chico Xavier.

 As causas morais

No campo das causas morais, encontramos aquelas criaturas que abusaram das faculdades genésicas tanto da posição masculina como da feminina, arruinando a vida de outros indivíduos, destruindo uniões e lares diversos. Elas são induzidas a procurar uma nova posição ao reencarnarem, em corpos físicos opostos às suas estruturas psicológicas, a fim de que possam aprender, em regime de prisão, a reajustarem seus próprios sentimentos.

Encontramos também aqueles que persistem nessas práticas por uma busca hedonista, sem maior compromisso com a vida, que reencarnam assim na tentativa de retratarem suas posições em nova chance de resgate. São espíritos rebeldes, pertinazes em seus erros, que encontram na questão da inversão sexual, uma oportunidade para o refazimento de suas vidas, na qual a lei divina lhes coloca diante de situações semelhantes ao passado de faltas, cobrando-lhes posturas mais éticas perante si e o outro.

 Causas educacionais

As causas educacionais podem ser agrupadas em atávicas e atuais. A atávica é resultado de vivências repetitivas dos espíritos em culturas e comunidades onde a prática homossexual seria aceita e até estimulada, como na Grécia antiga e em certas tribos indígenas, ou nas sociedades culturais e religiosas que segregavam ou segregam seus membros, facilitando esse comportamento nas criaturas. Assim, ao reencarnarem em um local onde o homossexualismo não fosse mais aceito como prática livre, esbarrariam em sua condição viciosa.

Já dentro das atuais, temos aquelas causas advindas dos defeitos de educação nos lares, onde o comprometimento dos afetos já estaria presente anteriormente, em que as paixões deterioradas do passado tendem a levar pais e parentes ascendentes a estimularem posturas psicológicas e sexuais inversas ao seu estado físico em seus descendentes, sem que necessariamente ocorressem comportamentos ostensivamente incestuosos.

Encontramos também os casos de pais contrariados em seus desejos quanto ao sexo do rebento, levando-o a uma condição inversa ao de seu sexo físico ou aqueles dos quais a entidade reencarnante, ao perceber esse desejo inconsciente dos pais, busca se adaptar patologicamente a essa situação durante o processo da gestação.

Outra causa está na presença de segmentos atuais da sociedade e da cultura estimulando esse tipo de conduta, quando uma linguagem mais política e sem qualquer comprometimento ético, através dos vários meios de comunicação de massa, estimula e condiciona as criaturas a acreditarem que essas vivências seriam uma postura natural, dependendo unicamente da escolha realizada pelo indivíduo.


Nenhum comentário:

Postar um comentário