Estudando Espiritismo

ESTUDANDO ESPIRITISMO



Médiuns Sensacionalistas, de Vianna de Carvalho (espírito)


A frase de João Batista: "É necessário que Ele cresça, e que eu diminua", tem atualidade no comportamento dos médiuns de todas as épocas, especialmente em nossos dias tumultuados.
À semelhança do preparador das veredas, o médium deve diminuir, na razão direta em que o serviço cresça, controlando o personalismo, a fim de que os objetivos a que se entrega assumam o lugar que lhes cabe.
A mediunidade é faculdade neutra, a que os valores morais do seu possuidor oferecem qualificação.
Posta a serviço do sensacionalismo entorpece os centros de registro e decompõe-se. Igualmente, em razão do uso desgovernado a que vai submetida, passa ao comando de Entidades, perversas e frívolas, que se comprazem em comprometer o invigilante, levando-o a estados de desequilíbrio como de ridículo, por fim, ao largo do tempo, empurrando o médium para lamentáveis obsessões.
Entre os gravames que a mediunidade enfrenta, a vaidade e o personalismo do homem adquirem posição de relevo, desviando-o do rumo traçado, conduzindo-o ao sensacionalismo inquietante e consumidor.
Neste caso. o recolhimento, a serenidade e o equilíbrio que devem caracterizar o comportamento psíquico do médium cedem lugar à inquietação, à ansiedade, aos movimentos irregulares das atrações externas, passando a sofrer de irritação, devaneios, e à crença de que repentinamente se tornou pessoal especial, irrepreensível e irreprochável, não tendo ouvidos para a sensatez nem discernimento para a equidade.
Torna-se absorvido pelos pensamentos de vanglória, e, disputado pelos irresponsáveis que lhe incensam o orgulho, levam-no à lenta alucinação, que o atira ao abismo da loucura. A faculdade mediúnica é transitória como outra qualquer, devendo ser preservada mediante o esforço moral de seu possuidor, assim tornando-se simpático aos Bons Espíritos que o inspiram à humildade, à renuncia, à abnegação.
Quando ao personalismo sensacionalista domina o psiquismo do homem, naturalmente que o aturde, tornando-se mais grave nos sensores mediúnicos cuja constituição delicada se desarticula ao impacto dos choques vibratórios dos indivíduos desajustados e das massas esfaimadas, insaciadas, sempre à cata de novidades e variações, sem assumirem compromissos dignificantes.
S. João Bosco, portador de excelentes faculdades mediúnicas, resguardava-as da curiosidade popular, utilizando-as com discrição nas finalidades superiores. Santa Brígida, da Suécia, que possuía variadas expressões mediúnicas, mantinha o pudor da humildade, ao narrar os fenômenos de que se fazia objeto.
José de Anchieta, médium admirável e curador eficiente, agia com equilíbrio cristão, buscando sempre transferir para Jesus os resultados das suas ações positivas.
S. Pedro de Alcântara, virtuoso médium possuidor de vários "dons", ocultava-os, a fim de servir, apagado, enquanto o Senhor, por seu intermédio, se engrandecia.
Santa Clara de Montefalco procurava não despertar curiosidade para os fenômenos mediúnicos de que era instrumento, atribuindo-os todos à graça divina de que se reconhecia sem merecimento.
Os médiuns que cooperaram na Codificação do Espiritismo, sensatamente anularam-se, a fim de que a Doutrina fixasse nas almas e vidas as bases da verdade e do amor como formas para a aquisição dos valores espirituais libertadores.
Todo sensacionalismo altera a face do fato e lhe adultera o conteúdo. Quando este se expressa no fenômeno mediúnico corrompe-o, descaracteriza-o e põe-no a serviço da frivolidade.
Todos quantos se permitiram, na mediunidade, o engano do sensacionalismo, não obstante as justificações sob as quais se resguardam, desceram as rampas do fracasso, enganados e enganando aqueles que se deixaram fascinar pelos seus espetáculos, nos quais, o ridículo passou a figurar.
O tempo, este lutador incessante, encarrega-se de aferir os valores e demonstrar que a "árvore" que o Pai não plantou "termina" por ser arrancada.
Quando tais aficionados da mediunidade bulhenta se derem conta do erro, caso isto venha acontecer, na Terra, possivelmente, o caminho de retorno à sensatez estará muito longo e o sacrifício para percorrê-lo os desencorajará. Diante do sensacionalismo mediúnico, recordemo-nos de Jesus, que após os admiráveis fenômenos de socorro às massas jamais aceitava o aplauso, as homenagens e gratulações dos beneficiários, recolhendo-se à solidão para, no silêncio, orar, louvando e agradecendo ao Pai, a Eterna Fonte geradora do Bem.
Mensagem psicografada por Divaldo P. Franco em 1989, transcrita em o Reformador.



Médiuns Irresponsáveis, de Manoel Philomeno de Miranda (espírito)


Associou-se indevidamente à pessoa portadora de mediunidade ostensiva a qualidade de Espírito elevado.
O desconhecimento do Espiritismo ou a informação superficial sobre a sua estrutura deu lugar a pessoas insensatas considerarem que, o fato de alguém ser possuidor de amplas faculdades medianímicas, caracteriza-se como um ser privilegiado, digno de encômios e projeção, ao mesmo tempo possuidor de um caráter diamantino, merecendo relevante consideração e destaque social.
Enganam-se aqueles que assim procedem, e agem perigosamente, porquanto, a mediunidade é faculdade orgânica, de que quase todos os indivíduos são portadores, variando de intensidade e de recursos que facultem o intercâmbio com os Espíritos, encarnados ou não.
Neutra, do ponto de vista moral, em si mesma, a mediunidade apresenta-se como oportunidade de serviço edificante, que enseja ao seu portador os meios de auto iluminar-se, de crescer moral e intelectualmente, de ampliar os dons espirituais, sobretudo, preparando-se para enfrentar a consciência após a desencarnação.
Às vezes, Espíritos broncos e rudes apresentam admiráveis possibilidades mediúnicas, que não sabem ou não querem aproveitar devidamente, enquanto outros que se dedicam ao Bem, que estudam as técnicas da educação das faculdades psíquicas, não conseguem mais do que simples manifestações, fragmentárias, irregulares, quase decepcionantes.
Não se devem entristecer aqueles que gostariam de cooperar com a mediunidade ostensiva, porquanto a seara do amor possui campo livre para todos os tipos de serviço que se possa imaginar.
Ser médium da vida, ajudando, no lar e fora dele, exercitando as virtudes conhecidas, constitui forma elevada de contribuir para o progresso e desenvolvimento da Humanidade.
Através da palavra, oral e escrita, quantos socorros podem ser dispensados, educando-se as criaturas, orientando-as, levando-as à edificação pessoal, na condição de médium do esclarecimento?!
Contribuindo, nas atividades espirituais da Casa Espírita, pela oração e concentração durante as reuniões especializadas de doutrinação, qualquer um se torna médium de apoio.
Da mesma forma, através da aplicação dos passes, da fluidificação da água, brindando a bioenergia, logra-se a posição de médium da saúde.
Na visita aos enfermos, mantendo diálogos confortadores, ouvindo-os com paciência e interesse, amplia-se o campo da mediunidade de esperança.
Mediante o dialogo com os aturdidos e perversos, de um ou do outro plano da vida, exerce-se a mediunidade fraternal da iluminação de consciência.
Neste mister, aguça-se a percepção espiritual e desenvolvem-se os pródromos das faculdades adormecidas, que se irão tornando mais lúcidas, a fim de serem usadas dignamente em futuros cometimentos das próximas reencarnações.
Ser médium é tornar-se instrumento; e, de alguma forma, como todos nos encontramos entre dois pontos distantes, eis-nos incursos na posição de intermediários.
Ter facilidade, porém, para sentir os Espíritos é compromisso que vai além da simples aptidão de contatá-los.
Desse modo, à semelhança da inteligência que se pode apresentar em indivíduos de péssimo caráter, que a usam egoística, perversamente, ou como a memória, que brota em criaturas desprovidas de lucidez intelectual, e perde-se, pela falta de uso, também a mediunidade não é sintoma de evolução espiritual.
Allan Kardec, que veio em nobre missão, Espírito evoluído que é, viveu sem apresentar qualquer faculdade mediúnica ostensiva, enquanto outros indivíduos do seu tempo, que exerceram a faculdade medianímica, por inferioridade moral, venderam os seus serviços, enxovalharam-na, criaram graves empecilhos à divulgação da Doutrina Espírita que, indevidamente, foi confundida com os maus exemplos desses médiuns inescrupulosos e irresponsáveis.
Certamente, o médium ostensivo, aquele que facilmente se comunica com os Espíritos, quando é dotado de sentimentos nobres e possui elevação, torna-se missionário do Bem nas tarefas a que vai convocado, ampliando os horizontes do pensamento para a imortalidade, para a vitória do ser libertado de todas as paixões primitivas.
Normalmente, e as exceções são subentendidas, os portadores de mediunidade ostensivas, porque se encontram em provações reparadoras, falham no desiderato, após o deslumbramento que provocam e a auto fascinação a que se entregam por invigilância e presunção.
Toda e qualquer expressão de mediunidade exige disciplina, educação, correspondente conduta moral e social do seu portador, a fim de facultar-lhe a sintonia com Espíritos Superiores, embora o convívio com os infelizes, que lhe cumpre socorrer.
O médium irresponsável, porém, não é apenas aquele que, ignorando os recursos de que se encontra investido, gera embaraços e perturbações, tombando nas malhas da própria pusilanimidade, mas também, aqueloutros que, esclarecidos da gravidade do compromisso, se permitem deslizes morais, veleidades típicas do caráter doentio, terminando vitimados pelas obsessões cruéis.
Todo aquele, portanto, que deseje entregar-se ao Bem, na seara dos médiuns, conscientize-se da responsabilidade que lhe diz respeito, e, educando a faculdade, torne-se apto para o ministério, servindo sempre e crescendo intimamente com os olhos postos no próprio e no futuro feliz da sociedade.
Na maioria dos casos o médium, em sua origem autêntico, sincero e simples, é imediatamente cercado por pessoas gananciosas por dinheiro ou ansiosas por promoção. Essas pessoas começam a adjetivá-lo de "grande médium", "maior médium", ou a reputar-lhe um "grande e inexplicável poder". O pobre do médium convence-se disto tudo e começa, por sua vez, a tirar proveito próprio da mediunidade ou a permitir que outros, amigos e familiares, o façam.
Algum tempo mais e ele começa a notar que os fenômenos não são tão regulares e dóceis assim, que vez e outra (principalmente depois que ele começou a ganhar com a mediunidade) os "fatos insólitos" não se verificam. A essa altura, o médium já está tão comprometido, com tantas apresentações, palestras e entrevistas marcadas, que prefere não voltar atrás e continua na tentativa de satisfazer os curiosos. Leva consigo, então, certos recursos, para serem utilizados caso o fenômeno não ocorra. Começa a fraudar.
Se uma fraude dessas é descoberta os adversários do Espiritismo generalizam estendendo a denúncia da fraude a todas as apresentações daquele médium e, o que é pior,  todos os fenômenos daquela natureza. Portanto, nunca poderemos ser realmente espíritas, compreender a fenomenologia mediúnica, interpretar com tranqüilidade tudo o que se passa em nosso meio ou o que se faz em nome do Espiritismo, sem estudarmos seriamente Kardec, assimilando seu método e sua prática. E é com suas palavras que finalizo este artigo: "De tudo o que ficou dito concluímos que o desinteresse mais absoluto é a melhor garantia contra o charlatanismo" (Kardec, O Livro dos Médiuns, Cap. XXVIII).



Médiuns Imperfeitos, por Vianna de Carvalho (espírito)


Causam estranheza, não poucas vezes, as comunicações mediúnicas procedentes dos Espíritos Nobres através de pessoas insensatas ou portadoras de conduta irregular.
O normal, que prevalece nesta como em qualquer outra atividade, é a vigência da lei das afinidades, mediante a qual, aqueles que são mais simpáticos entre si mais facilmente se mancomunam e intercambiam, do que a ocorrência de fenômenos opostos.
Certamente a predominância da ordem e do equilíbrio em todos os quadrantes da Natureza constitui a base da harmonia.
No que tange aos valores ético-morais o mecanismo é idêntico. Todavia, com objetivos elevados, as Entidades Superiores, por falta, às vezes, de médiuns que sintonizem com seus relevantes propósitos, utilizam-se daqueles que encontram com duas finalidades: advertirem-nos através de orientações seguras e auxiliarem pessoas necessitadas ou confiantes que lhes buscam o socorro.
Não se melhorando tais médiuns, mais agravam o seu estado espiritual, pois que não podem justificar-se posteriormente quando chamados à ordem, sob a primária alegação de que ignoravam a gravidade dos deveres de que se encontravam investidos.
Ademais, a mediunidade é neutra, em si mesma, qual um telefone que pode ser utilizado por pessoas boas ou más, de conduta salutar ou reprochável, ricas ou necessitadas, cabendo ao proprietário selecionar a clientela mediante os critérios que melhormente lhe digam respeito.
A imperfeição, inerente às criaturas humanas, procede dos atavismos que as fixam às faixas primárias das quais procedem e ainda não lograram libertar-se.
Portadoras da faculdade mediúnica, dispõem de precioso instrumento que, dignamente utilizado, as auxiliará no processo de aprimoramento intelecto-moral, superando os limites primitivos e adquirindo mais amplas percepções sobre a vida e sobre si mesmas, com os olhos postos em metas relevantes que as aguardam.
Malbaratar o precioso talento da mediunidade, deixando-a enxovalhar-se sob o uso com finalidades pueris e frívolas, indignas e vulgares acarreta penosas aflições que impõem renascimentos dolorosos, nos quais, a demorada meditação no cárcere carnal deficitário auxiliará o calceta a valorizar os bens do Senhor, que são colocados ao seu alcance para o crescimento íntimo e a felicidade.
Outrossim, a incorreta utilização dos recursos mediúnicos entorpece os centros de registro e termina quase sempre por desarmonizar o psiquismo e a emoção, levando a patologias muito complexas.
Médiuns ciumentos, imorais, simoníacos, exibicionistas e mentirosos, portadores de outras imperfeições morais pululam em toda parte, descuidados e levianos, acreditando-se ignorados pelas Leis Soberanas e supondo-se portadores de forças próprias que as podem utilizar a bel-prazer sem qualquer responsabilidade nem consequência moral.
Mesmo estes, vez que outra, são visitados pelos Mentores Espirituais compadecidos que deles se acercam para os auxiliar, intentando despertá-los para os deveres e compromissos que lhes dizem respeito.
Cabe, desse modo, a todos os médiuns, a vigilância constante e a oração frequente, a ação caridosa e a disciplina segura, a fim de se precatarem de si mesmos, das suas imperfeições, das interferências dos Espíritos impuros e perturbadores, resguardando-se das ciladas que a necessidade de evolução lhes permite enfrentar, a fim de adquirirem a segurança íntima e o equilíbrio para atingirem mais elevadas faixas vibratórias, nas quais permanece o pensamento divino aguardando ser captado para o progresso da Humanidade.
Não seja, pois, de estranhar a comunicação dos Guias Espirituais através dos médiuns imperfeitos e em meios perniciosos, assim como as mensagens dos Espíritos estúrdios e maus por meio dos instrumentos de sadia moral e equilíbrio espiritual, que os visitam para se beneficiarem, receberem instrução e roteiro, esclarecimento e diretriz de libertação.
A imperfeição que se manifesta nos homens ou nos Espíritos indica estágio inferior no qual transita o seu portador, que se deve empenhar para superá-la, trabalhando com acendrado esforço para libertar-se de sua cruel grilheta.
Todos marchamos da sombra em direção da Grande Luz que nos atrai e que um dia nos banhará em definitivo, eliminando toda mácula e primarismo por acaso ainda existentes em nós.
(Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco, publicado na Revista O Reformador de Abril de 1991)


Mediunidade - Um Resumo, de Bismael B. Moraes


No Universo, tudo é energia em suas mais infinitas formas. Obviamente, a Terra é apenas como que um grão de areia nos inúmeros sistemas universais e, dentro dela, em graus evolutivos diversos e em aprendizado constante, os seres humanos ainda se debatem ante as Leis da Natureza. Muitos sequer descobriram a existência dos dois planos - o físico e o espiritual - dos quais todos participamos, independentemente da nossa vontade ou condição racial, política, social, econômica ou intelectual, pois o homem não cria nem revoga lei natural ou Lei de Deus.
A mediunidade, que envolve complexas e sutis formas energéticas, é uma faculdade que está latente em todos os indivíduos, podendo apresentar-se ou manifestar-se por vários modos, dependendo do estádio moral de cada médium (que é o intermediário entre o plano físico e plano espiritual, ou seja, serve de mediador entre encarnados - pessoas - e desencarnados - Espíritos , podendo também ser aquele que recebe influência, inspiração, conselho ou ensinamento de entidades espirituais, até, às vezes, sem o perceber).
Allan Kardec sintetiza os médiuns em duas categorias: aqueles de efeitos físicos (a quem os Espíritos se manifestam por intermédio de movimentos, ruídos, sons, transporte de objetos, etc.) e aqueles de efeitos intelectuais (a quem os Espíritos se apresentam por meio de comunicações inteligentes - por ideias, escritos, desenhos, sinais, palavras etc.).
Como a vida física é efêmera (pois cada ser humano só vive pelo tempo necessário de prova que pediu ou de expiação que lhe foi determinada - de poucos minutos a muitos anos de existência terrena -, na lenta caminhada de aprendizado e progresso) e como a vida espiritual é eterna, e descobrindo-se, pelo estudo e pela pesquisa, que o espírito se comunica pelo pensamento, o raciocínio nos mostra, claramente, que somos espíritos encarnados, porque estamos sempre pensando: nosso corpo frágil, auxiliado pelos cinco sentidos - visão, tato, audição, olfato e paladar - é peça material que requer consciência e razão. Por isso, as diferenças entre os seres da mesma família: uns já viveram muito, antes, e aprenderam; outros viveram poucas existências e ainda não aprenderam.
Todos temos algum tipo de mediunidade; é dom concedido por Deus. Porém, só alguns possuem as chamadas mediunidades de tarefa: audiência (de ouvir vozes de Espíritos); vidência (de ver Espíritos); psicografia (de escrever o que ditam os Espíritos); psicopictografia (de pintar sob ação dos Espíritos); falante (de transmitir pelos órgãos vocais a palavra do Espírito); xenoglossia (de falar e escrever línguas estrangeiras que não conhece), além de outros tipos de mediunidade.
Há pesquisadores e estudiosos do Espiritismo que classificam acima de cinquenta os tipos de mediunidade. Existem ainda os casos de médiuns especiais, dotados de aptidões particulares, como os enumera Allan Kardec, no capítulo XVI, em "O Livro dos Médiuns", obra indispensável a quem se predisponha ao estudo sério sobre os tipos de mediunidade.
O médium, para desincumbir-se das tarefas que lhe são confiadas pelo plano espiritual, deve ser diligente, aplicado, sincero, disciplinado e bondoso, evitando o orgulho e a vaidade. Jamais deverá colocar-se na condição de superior perante os demais irmãos, sejam estes seguidores ou não da Doutrina Espírita, sabendo que é apenas um tarefeiro e que tem como diretrizes os ensinamentos dos bons Espíritos e, no que tange aos cristãos, as lições morais de Jesus, para a prática do bem.
"O médium é um companheiro. É um trabalhador. É um amigo. E é sobretudo nosso irmão, com dificuldades e problemas análogos àqueles que assediam a mente de qualquer espírito encarnado".
"Mediunidade não é pretexto para situar-se a criatura no fenômeno exterior ou no êxtase inútil, à maneira da criança atordoada no deslumbramento da festa vulgar. É , acima de tudo, caminho de árduo trabalho em que o espírito, chamado a servi-la, precisa consagrar o melhor das próprias forças para colaborar no desenvolvimento do bem". ( Ensinamentos do Espírito Emmanuel, no livro "Mediunidade e Sintonia", pelo médium Chico Xavier).
Observação final: para melhor conhecer essa importante matéria, aconselha-se, no mínimo, ler "O Livro dos Espíritos", analisando cada tópico, e, em seguida, ler "O Livro dos Médiuns", ambos de Allan Kardec, podendo complementá-los com "Espíritos e Médiuns", de Léon Denis, e "Mediunidade ", de J. Herculano Pires.
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de José Queid Tufaile Huaixan - IV

 

Como reconhecer os Espíritos comunicantes - (Questão 267 de "O Livro dos Médiuns")


Podemos resumir os meios de reconhecer a qualidade dos Espíritos nos seguintes princípios:
1º) Não há outro critério para se discernir o valor dos Espíritos senão o bom senso. Qualquer fórmula dada pelos próprios Espíritos, com esse fim, é absurda e não pode provir de Espíritos superiores.
2º) Julgamos os Espíritos pela sua linguagem e as suas ações. As ações dos Espíritos são os sentimentos que eles inspiram e os conselhos que dão.
3º) Os Espíritos bons só podem dizer e fazer o bem, tudo o que é mau não pode provir de um Espírito bom.
4º) A linguagem dos Espíritos superiores é sempre digna, elevada, nobre, sem qualquer mistura de trivialidade. Eles dizem tudo com simplicidade e modéstia, nunca se vangloriam, não fazem jamais exibição do seu saber nem de sua posição entre os demais. A linguagem dos Espíritos inferiores ou vulgares é sempre algum reflexo das paixões humanas. Toda expressão que revele baixeza, auto-suficiência, arrogância, fanfarronice ou mordacidade é sinal característico de inferioridade. E de mistificação, se o Espírito se apresenta com um nome respeitável e venerado.
5º) Não devemos julgar os Espíritos pelo aspecto formal e a correção do seu estilo, mas lhes sondar o íntimo, analisar suas palavras, pesá-las friamente, maduramente e sem prevenção. Toda falta de lógica, de razão e de prudência não pode deixar dúvida quanto à sua origem, qualquer que seja o nome de que o Espírito se enfeite. (Ver questão nº 224 de O Livro dos Médiuns).
6º) A linguagem dos Espíritos elevados é sempre idêntica, senão quanto à forma, pelo menos quanto à substância. As ideias são as mesmas, sejam quais forem o tempo e o lugar. Podem ser mais ou menos desenvolvidas segundo as circunstâncias, as dificuldades ou a facilidade de se comunicar, mas não serão contraditórias. Se duas comunicações com o mesmo nome se contradizem, uma das duas é devidamente apócrifa. A verdadeira será aquela em que nada desminta o caráter conhecido do personagem. Entre duas comunicações assinadas, por exemplo, por São Vicente de Paulo, uma pregando a união e a caridade e outra tendendo a semear a discórdia, não há pessoa sensata que possa enganar-se.
7º) Os Espíritos bons só dizem o que sabem, calando-se ou confessando a sua ignorância sobre o que não sabem. Os maus falam de tudo com segurança, sem se importar com a verdade. Toda heresia científica notória, todo princípio que choque o bom senso revela a fraude, se o Espírito se apresenta como esclarecido.
8º) Os Espíritos levianos são ainda reconhecidos pela facilidade com que predizem o futuro e se referem com precisão a fatos materiais que não podemos conhecer. Os Espíritos bons podem fazer-nos pressentir as coisas futuras, quando esse conhecimento for útil, mas jamais precisam as datas. Todo anúncio de acontecimento para uma época certa é indício de mistificação.
9º) Os Espíritos superiores se exprimem de maneira simples, sem prolixidade. Seu estilo é conciso, sem excluir a poesia das ideias e das expressões. É claro, inteligível a todos, não exigindo esforço para a compreensão. Eles possuem a arte de dizer muito em poucas palavras, porque cada palavra tem o seu justo emprego. Os Espíritos inferiores ou pseudo-sábios escondem sob frases empoladas o vazio das idéias. Sua linguagem é frequentemente pretensiosa, ridícula ou ainda obscura, a pretexto de parecer profunda.
10º) Os Espíritos bons jamais dão ordens: não querem impor-se, apenas aconselham e se não forem ouvidos se retiram. Os maus são autoritários, dão ordens, querem ser obedecidos e não se afastam facilmente. Todo Espírito que se impõe trai a sua condição. São exclusivistas e absolutos nas suas opiniões e pretendem possuir o privilégio da verdade. Exigem a crença cega e nunca apelam para a razão, pois sabem que a razão lhes tiraria a máscara.
11º) Os Espíritos bons não fazem lisonjas. Aprovam o bem que se faz, mas sempre de maneira prudente. Os maus exageram nos elogios, excitam o orgulho e a vaidade, embora pregando a humildade, e procuram exaltar a importância pessoal daqueles que desejam conquistar.
12º) Os Espíritos superiores mantêm-se, em todas as coisas, acima das puerilidades formais. Os Espíritos vulgares são os únicos que podem dar importância a detalhes mesquinhos, incompatíveis com as idéias verdadeiramente elevadas. Toda prescrição meticulosa é sinal certo de inferioridade e mistificação de parte de um Espírito que toma um nome pomposo.
13º) Devemos desconfiar dos nomes bizarros e ridículos usados por certos Espíritos que desejam impor-se à credulidade. Seria extremamente absurdo tomar esses nomes a sério.
14º) Devemos igualmente desconfiar dos Espíritos que se apresentam com muita facilidade usando nomes venerados, e só com muita reserva aceitar o que dizem. Nesses casos, sobretudo, é que um controle severo se torna indispensável. Porque é freqüentemente a máscara que usam para levar-nos a crer em pretensas relações íntimas com Espíritos excelsos. Dessa maneira eles lisonjeiam a vaidade do médium e se aproveitam dela para o induzirem a atos lamentáveis e ridículos.
15º) Os Espíritos bons são muito escrupulosos no tocante às providências que podem aconselhar. Em todos os casos têm apenas em vista um fim sério e eminentemente útil. Devemos pois encarar como suspeitas todas aquelas que não tenham esse caráter ou sejam condenáveis pela razão, refletindo maduramente antes de adotá-las, pois do contrário nos exporemos a mistificações desagradáveis.
16º) Os Espíritos bons são também reconhecíveis pela sua prudente reserva no tocante às coisas que possam comprometer-nos. Repugna-lhes desvendar o mal. Os Espíritos levianos ou malfazejos gostam de expô-lo. Enquanto os bons procuram abrandar os erros e pregam a indulgência, os maus os exageram e sopram a discórdia por meio de pérfidas insinuações.
17º) Os Espíritos bons só ensinam o bem. Toda máxima, todo conselho que não for estritamente conforme a mais pura caridade evangélica não pode provir de Espíritos bons.
18º) Os Espíritos bons só dão conselhos perfeitamente racionais. Toda recomendação que se afaste da linha reta do bom senso ou das leis imutáveis da Natureza acusa a presença de um Espírito estreito e portanto pouco digno de confiança.
19º) Os Espíritos maus ou simplesmente imperfeitos ainda se revelam por sinais materiais que a ninguém poderão enganar. A ação que exercem sobre o médium é às vezes violenta, provocando movimentos bruscos e sacudidos, uma agitação febril e convulsiva que contrasta com a calma e a suavidade dos Espíritos bons.
20º) Os Espíritos imperfeitos aproveitam-se frequentemente dos meios de comunicação de que dispõem para dar maus conselhos. Excitam a desconfiança e a animosidade entre os que lhes são antipáticos. Principalmente as pessoas que podem desmascarar a sua impostura são visados pela sua maldade.
As criaturas fracas, impressionáveis, tornam-se alvo do seu esforço para levá-las ao mal. Usam sucessivamente os sofismas, os sarcasmos, as injúrias e até as provas materiais do seu poder oculto para melhor convencê-las, empenhando-se em desviá-las do caminho da verdade.
21º) Os Espíritos dos que tiveram, na Terra, uma preocupação exclusiva, material ou moral, se ainda não conseguiram libertar-se da influência da matéria continuam dominados pelas idéias terrenas. Carregam parte dos preconceitos, das predileções e até mesmo das manias que tiveram aqui. Isso é fácil de se reconhecer pela sua linguagem.
22º) Os conhecimentos com que certos Espíritos muitas vezes se enfeitam, com uma espécie de ostentação, não são nenhum sinal de superioridade. A verdadeira pedra de toque para se verificar essa superioridade é a pureza inalterável dos sentimentos morais.
23º) Não basta interrogar um Espírito para se conhecer a verdade. Devemos, antes de tudo, saber a quem nos dirigimos. Porque os Espíritos inferiores, pela sua própria ignorância, tratam com leviandade as mais sérias questões. Também não basta que um Espírito tenha sido na Terra um grande homem para possuir no mundo espírita a soberana ciência. Só a virtude pode, purificando-o, aproximá-lo de Deus e ampliar os seus conhecimentos.
24º) Os gracejos dos Espíritos superiores são muitas vezes sutis e picantes, mas nunca banais. Entre os Espíritos zombeteiros, mas que não são grosseiros, a sátira mordaz e feita quase sempre muito a propósito.
25º) Estudando-se com atenção o caráter dos Espíritos que se manifestam, sobretudo sob o aspecto moral, reconhece-se a sua condição e o grau de confiança que devem merecer. O bom senso não se enganará.
26º) Para julgar os Espíritos, como para julgar os homens, é necessário antes saber julgar-se a si mesmo. Há infelizmente muita gente que toma a sua própria opinião por medida exclusiva do bem e do mal, do verdadeiro e do falso. Tudo o que contradiz a sua maneira de ver, as suas ideias, o sistema que inventaram ou adotaram é mau aos seus olhos. Falta a essas criaturas evidentemente, a primeira condição para uma reta apreciação: a retidão de juízo. Mas elas nem o percebem. Esse o defeito que mais enganos produz.



Mediunidade: Teoria e Prática, de José Queid Tufaile Huaixan - III

A vida moral do médium Espírita

As faculdades mediúnicas, como disseram os Espíritos, estão ligadas a uma disposição orgânica. O mesmo já não se dá quanto ao seu uso, que depende da condição moral do médium. Se tudo depende da moral, nossos grupos necessitam tê-la como farol orientador da caminhada.
a.          Muitas decepções advindas da prática mediúnica são frutos da má orientação moral e prática dadas aos iniciantes pelos que administram as mesas de desenvolvimento.
b.          Na atualidade, há uma complacência excessiva com os vícios das pessoas. Médiuns, passistas e membros dos grupos alimentam vícios grosseiros como o fumo, a bebida alcóolica e, nos casos mais graves, o adultério, a desonestidade, a sensualidade exagerada e orgulho.
c.          Se estamos dispostos a reformar as práticas do Centro Espírita que participamos, temos que levar em alta conta os aspectos morais dos componentes da casa, pois são eles que sustentam as atividades em todos os sentidos, mormente as mediúnicas.
d.          Recomendamos o estudo regular, nas sessões e fora delas, de "O Evangelho Segundo o Espiritismo". Com isso, se conseguirá elementos morais destinados à autorreflexão.
e.          O trabalhador Espírita estuda sempre. Lê livros teóricos e práticos, porém, deve-se evitar a confusão mental por obras Espíritas. Há médiuns que não conseguem trabalhar em face de sobrecarregarem suas mentes com leituras, gerando dúvidas e falsas interpretações.
f.            Não se deve conceber a atividade mediúnica sem o trabalho material. O serviço com os sofredores do mundo terreno auxilia o médium a compreender a dor e lhe dá suporte para os embates com a ignorância espiritual. Todo médium deve prestar serviços de assistência material regularmente.
A Disciplina - O domínio das nossas más inclinações é uma tarefa bastante difícil de ser realizada. No entanto, aqueles que vão lidar com os Espíritos precisam ter um certo domínio sobre si, pelo menos sobre as atitudes mais grosseiras.
O médium deve estabelecer uma certa ordem em sua vida pessoal. Precisa aprender a dividir seu tempo entre o trabalho profissional, as atividades no Centro Espírita e a convivência com sua família. Se tiver uma vida muito irregular, a atividade mediúnica vai perturbá-lo mais ainda.
Fazemos algumas sugestões: deixar o hábito de fumar; a bebida; a frequência em ambientes mundanos; melhorar sua vida familiar, profissional e adquirir uma conduta regular frente à prece. Tudo isso é disciplinar-se.
Conhecer a si mesmo e trabalhar para dominar as próprias imperfeições é o caminho para uma prática mediúnica sadia e o próprio progresso espiritual.
"Antes de nos dirigirmos aos Espíritos, convém, pois, encouraçarmo-nos contra o assalto dos maus, assim como se marchássemos em terreno onde tememos picadas de cobras. Isto se consegue, inicialmente, pelo estudo prévio, que indica a rota e as precauções a tomar; a seguir, a prece. Mas é necessário bem nos compenetrarmos da verdade que o único preservativo está em nós, na própria força, e nunca nas coisas exteriores; que nem há talismãs, nem amuletos, nem palavras sacramentais, nem fórmulas sagradas ou profanas que tenham a menor eficácia se não tivermos em nós mesmos as qualidades necessárias. Assim, essas qualidades é que devem ser adquiridas" - (Allan Kardec na "Revista Espírita", número de janeiro de 1863, no "Estudo sobre os possessos de Morzine").



Mediunidade: Teoria e Prática, de José Queid Tufaile HuaixanII

 

As Obsessões Espiríticas

Como dissemos no item "C", dentre os que sentem de modo ostensivo a presença dos Espíritos, existem aqueles que estão perturbados por obsessão. Estes não devem ser orientados para o desenvolvimento da mediunidade, e sim encaminhados para a desobsessão.
Quando se submete um paciente obsedado ao desenvolvimento da mediunidade, corre-se o risco de vê-lo mergulhar num estado de profundo desequilíbrio. O exercício da mediunidade poderá levar o médium enfermo a sofrer uma maior agressão do obsessor, principalmente se a obsessão apresentar um caráter grave.
Allan Kardec diz que a mediunidade obsedada não merece qualquer confiança. Portanto, não há motivo para colocarmos o obsedado na mesa mediúnica.
"A obsessão, como já dissemos, é um dos maiores escolhos da mediunidade. É também um dos mais frequentes. Assim, nunca serão demais as providências para combatê-la. Mesmo porque, além dos prejuízos pessoais que dela resultam, constitui-se um obstáculo absoluto à pureza das comunicações. A obsessão, em qualquer dos seus graus, sendo sempre o resultado de um constrangimento, não podendo jamais este constrangimento ser exercido por um Espírito bom, segue-se que toda comunicação dada por um médium obsedado é de origem suspeita e não merece nenhuma confiança "- (Allan Kardec em "O Livro dos Médiuns", Capitulo X»II, item 242).
Deve-se oferecer ao obsidiado a assistência espírita, acompanhada de tratamento médico, quando for necessário. Depois, liberto do condicionamento medicamentoso, se a sensibilidade permanecer num nível elevado, o paciente poderá ser encaminhado para a educação mediúnica, se tiver disposição para isso.
Atenção: Não se deve induzir ninguém a desenvolver mediunidade contra sua vontade.
"Não se deve jamais provocar ou encorajar o desenvolvimento das faculdade mediúnicas de pessoas fracas (ou de crianças). Deve-se afastar da prática mediúnica, por todos os meios possíveis, as que apresentem os menores sinais de excentricidade nas idéias ou de enfraquecimento das faculdades mentais, porque são evidentemente predispostas à loucura, que qualquer motivo de superexcitação pode desenvolver" (Allan Kardec em "O Livro dos Médiuns", Capítulo XIIIV, item 222).

Estudos

Uma das dificuldades da prática do Espiritismo na atualidade é a falta de estudos da Doutrina. Se de um lado há Centros Espíritas que desenvolvem cursos complexos, parecidos com os de uma escola, dificultando o ingresso dos iniciantes, por outro há casas que se abstêm completamente de qualquer esforço nesse sentido. Em resumo: uns estudam demais, outros de menos.
Quando Allan Kardec foi perguntado se o exercício da mediunidade poderia provocar a invasão de maus Espíritos numa pessoa e quais seriam as consequências, assim respondeu demonstrando a importância dos estudos:
"Jamais dissimulamos os escolhos (obstáculos) encontradiços na mediunidade, razão por que multiplicamos, em "O Livro dos Médiuns ", as instruções a tal respeito e não temos cessado de recomendar o seu estudo prévio, antes de se entregarem à prática. Assim, desde a publicação daquele livro, o número de obsediados diminuiu sensível e notoriamente, porque poupa uma experiência que os noviços muitas vezes só adquirem às próprias custas. Dizemo-lo ainda, sim, sem experiência a mediunidade tem inconvenientes, dos quais o menor seria ser mistificado pelos Espíritos enganadores e levianos. Fazer Espiritismo experimental sem estudo é fazer manipulações químicas sem saber química" - (Allan Kardec na "Revista Espírita", número de janeiro de 1863, no "Estudo sobre os possessos de Morzine").
Eis o motivo pelo qual devemos ter um plano de estudos na Casa Espírita. A melhor maneira de iniciar alguém na prática mediúnica é encaminhá-la primeiro ao estudo da teoria de "O Livro dos Médiuns". Caso contrário, ela poderá se transformar num joguete nas mãos de Espíritos trapaceiros.

Inicio dos Exercícios Mediúnicos

Uma das fases mais delicadas para o iniciante é aquela em que vai exercitar sua mediunidade. A maioria dos que se dedicam ao intercâmbio com os Espíritos possuem grande ansiedade para "receber" as manifestações. Porém, as coisas não são tão simples quanto parecem. Este desejo incontido de produzir depressa pode causar-lhes problemas e precisa ser dominado.
O exercício da mediunidade é uma fase de aperfeiçoamento psíquico onde o indivíduo se submete à disciplina de certas características de sua personalidade.
Os Espíritos inferiores funcionam como excitadores das paixões dos médiuns, mostrando-lhes vários defeitos de sua personalidade que poderão ser corrigidos.
As mesas mediúnicas devem contar com pessoas maduras, responsáveis e experientes, capazes de orientarem os novatos com segurança.

A Prática Mediúnica

Animismo - O animismo é a influência que a alma do médium exerce sobre as comunicações dos Espíritos. Em todas as comunicações mediúnicas é necessário levar em consideração o fator anímico. Deve-se considerar ainda, que a alma do médium também pode comunicar-se, comportando-se como se fosse uma outra entidade.
"O médium, tendo consciência do que escreve, é naturalmente levado a duvidar da sua faculdade: não sabe se a escrita é dele mesmo ou de outro Espirito. Mas ele não deve absolutamente inquietar-se com isso e deve prosseguir apesar da dúvida. Observando com cuidado a si mesmo, facilmente reconhecerá nos escritos muitas coisas que não lhe pertencem, que são mesmo contrárias aos seus pensamentos, prova evidente de que não procedem de sua mente. Que continue, pois, e a dúvida se dissipará com a experiência" - (Allan Kardec em "O Livro dos Médiuns", Capítulo XVII, item 214).
a.           O animismo se apresenta intenso em quase todos os principiantes. Depois, cai para níveis mais baixos.
b.           Nos médiuns onde a faculdade é mais intuitiva, o animismo é bem elevado, chegando a tornar improdutivos alguns deles.
c.           A presença ostensiva dos pensamentos do médium nas comunicações é uma coisa natural. Com o tempo a influência diminuirá.
d.           Todos os médiuns possuem problemas anímicos, ou seja, dificuldades provenientes do seu próprio Espirito. É comum que essas anormalidades emocionais ou psicológicas aflorem durante o transe mediúnico. Precisamos orientá-los como em qualquer situação de desarmonia.
Espíritos inferiores - Em "O Livro dos Médiuns", Allan Kardec afirma que o maior obstáculo das práticas mediúnicas é a obsessão, ou seja, o domínio que alguns Espíritos inferiores podem adquirir sobre certas pessoas.
Nenhum médium está livre desta influência perniciosa, principalmente quando inicia seu mandato mediúnico. Nesta fase, suas imperfeições morais mais grosseiras são verdadeiros atrativos para as entidades atrasadas e, por esta razão, deve-se estar alerta com a conduta de toda a equipe que trabalha no intercâmbio.
"A dificuldade encontrada pela maioria dos médiuns iniciantes é a de ter que tratar com os Espíritos inferiores, e eles devam considerar-se felizes quando se trata de Espíritos levianos Toda a sua atenção deve ser empregada para não os deixar tomar pé, porque uma vez firmados nem sempre é fácil afastá-los. Esta é uma questão capital, sobretudo no inicio, quando, sem as precauções necessárias, se poderá por a perder as mais belas faculdades" - (Allan Kardec em "O Livro dos Médiuns", Capitulo XVII, item 211).
Conselhos Práticos
a.   O medianeiro deve cuidar-se com uma disciplina 0 mais sadia possível para que não seja vitima dos Espíritos malévolos do mundo invisível. Toda alteração emocional ou psíquica considerada estranha e persistente deve ser comunicada ao orientador da mesa.
b.   Se houver suspeita de obsessão o principiante deve ser afastado dos trabalhos práticos, submetido a um tratamento e depois reconduzido às atividades mediúnicas.
c.   Nos casos em que se observar pessoas impressionáveis, de raciocínio confuso, sistemático ou excêntrico, elas devem ser afastadas definitivamente das atividades práticas, conforme recomenda o Codificador.
d.   Aos médiuns já desenvolvidos, recomenda-se a meditação em torno desta citação:
"Suponhamos agora a faculdade medianímica completamente desenvolvida. Que o médium escreva com facilidade, que seja o que se chama um médium feito. Seria um grande erro de sua parte considerar-se dispensado de novas instruções. Ele só teria vencido uma resistência material, e é então, que começam as verdadeiras dificuldades. Mais do que nunca necessitará dos conselhos da prudência e da experiência, se não quiser cair nas mil armadilhas que lhe serão preparadas. Se quiser voar muito cedo com suas próprias asas, não tardará a ser enganado por Espíritos mentirosos que procurarão explorar-lhe a presunção" - (Allan Kardec em "O Livro dos Médiuns", Capítulo X, II, item 216).
e) Os novatos devem ser assistidos por alguém habituado às relações com o invisível. Deverão instruir-se num estudo metódico de "O Livro dos Médiuns", principalmente dos capítulos que tratam diretamente das relações com o mundo invisível. Só após este procedimento, poderá entregar-se às práticas com relativa segurança.


Mediunidade: Teoria e Prática, de José Queid Tufaile Huaixan - I


O Espiritismo está conosco há mais de cento e cinquenta anos. Ainda hoje a prática mediúnica é, por assim dizer um tanto primária na maioria dos Centros Espíritas. Se tivermos o cuidado de examinar o conteúdo do que fazemos, vamos verificar que produzimos bem pouco. É pequena a quantidade de desobsessões que conseguimos fazer e quase não dispomos de mensagens mediúnicas que possam ser examinadas racionalmente.
Quando precisamos de uma orientação do plano espiritual, procuramos nos aproximar de um médium já conhecido. porque não temos confiança naqueles que lidam na casa sob nossa responsabilidade. Seria uma limitação dos nossos médiuns ou eles estariam sendo mal orientados em seu desenvolvimento?
Quando Allan Kardec tratou da mediunidade e de suas atividades práticas, em nenhum momento disse que os bons médiuns eram raros. Ao contrário, disse que entre dez pessoas, geralmente se pode encontrar três em condições de servirem de ponte. Talvez sejam a forma como tratamos a mediunidade e o método que temos usado para educar os médiuns que não estejam certos.

Controle Universal dos Espíritos

Allan Kardec quando estabeleceu a progressividade da Doutrina Espírita, determinou que somente seriam admitidas mudanças em seus conceitos em duas circunstancias:
1a) Se a Ciência demonstrasse que a Doutrina Espírita estivesse em erro em algum ponto, ela se modificaria neste ponto.
2a) Se o Controle Universal dos Espíritos determinasse que algum principio devia ser modificado, ele se modificaria.
A Primeira Revelação de Deus aos homens foi considerada como sendo o trabalho desenvolvido pelo legislador do povo hebreu, Moisés. Resumia-se nos Dez Mandamentos, fundamentos básicos das leis morais. A Segunda Revelação foi a divina missão de Jesus Cristo, que ofereceu aos homens terrenos o Evangelho libertador.
O Espiritismo é a Terceira Revelação. Ela estabeleceu, logo a principio. que o Espirito de Verdade não mais seria representado por uma só pessoa, mas falaria em todos os lugares por meio de médiuns. relembrando a doutrina do Cristo e trazendo novidades a respeito da vida espiritual.
A Verdade seria divulgada pelos bons Espíritos e sua vozes seriam ouvidas através da mediunidade em vários pontos do globo. As revelações aconteceriam em agrupamentos espíritas de diversas regiões. Allan Kardec foi o homem encarregado de analisar esses trabalhos mediúnicos e classificá-los numa ordem lógica e racional, concedendo nos a Doutrina Espírita.
 Daí em diante, qualquer mudança no corpo doutrinário s6 teria validade se fosse corroborada pela Ciência ou comunicada cm várias sociedades Espíritas sérias, distantes e desconhecidas entre si, o que ficou conhecido como Controle Universal dos Espíritos.
Atualmente, sem médiuns seguros e produtivos, não há como se exercer esse controle e uma infinidade de questões duvidosas que já poderiam ter sido resolvidas ficam ao sabor da interpretação pessoal.

Como Allan Kardec definia a Mediunidade?

O Codificador afirmava que a mediunidade é uma espécie de sensibilidade pela qual o homem pode entrar em contato com o mundo dos Espíritos e pela qual os Espíritos podem agir no plano material. É inerente ao ser humano e não há quem não possua ao menos seus rudimentos. Afirmava que todos somos mais ou menos médiuns, porém, que considerava médiuns somente aqueles que fossem capazes de produzir fenômenos patentes. Vejamos suas palavras, no seu "Estudo sobre os médiuns`'. publicado na Revista Espírita de março de 1859.
"Como intérpretes das comunicações espíritas, os médiuns tem um papel de extrema importância e nunca seria demasiada a atenção dada ao estudo de todas as causas que os podem influenciar; e isto não só em seu próprio interesse, como também no daqueles que, não sendo médiuns, deles se servem como intermediários. Podemos assim julgar o grau de confiança que merecem as comunicações por eles recebidas.
Todos, já o dissemos, são mais ou menos médiuns. Mas, convencionou-se dar este nome aos que apresentam manifestações patentes e, por assim dizer, facultativas. Ora, entre estes, as aptidões são muito diversas: pode-se dizer que cada um tem sua especialidade. Ao primeiro exame, duas categorias se desenham muito nitidamente: os médiuns de efeitos físicos e os médiuns de efeitos inteligentes".
Segundo Kardec, vemos que uma pessoa pode ter mediunidade e, no entanto, não ser médium, pelo menos no sentido de servir de intermediária entre os homens e os Espíritos.
Dai já se pode concluir que nem todos que aparecem nos Centros Espíritas precisam desenvolver a mediunidade.

Identificando o médium

O primeiro passo é sabermos distinguir quem deve ou não fazer a tentativa da prática mediúnica. Para isso, é preciso deixar de aceitar alguns conceitos populares sobre a mediunidade:
a.           Que todos são médiuns;
b.           que praticar mediunidade é fazer caridade;
c.           que as perturbações são produto de mediunidade a ser desenvolvida;
d.           que a pessoa tem uma missão mediúnica;
e.           que há um guia querendo trabalhar com ela etc.
Allan Kardec afirmava que a mediunidade não apresenta sinais exteriores e que só se pode identificá-la através de experiências. Convém, pois, observarmos algumas procedimentos administrativos, junto aos companheiros de trabalho:
a.           Oferecer aos membros já dotados de algum conhecimento teórico sobre mediunidade, a oportunidade de participarem de sessões práticas. Que esta frequência seja por um período experimental, algo em torno de três meses.
Aqueles que possuem mediunidade ostensiva, logo apresentam sinais de manifestação. Nestes casos, antes de se definir pelo exercício da mediunidade, convém manter o médium sob observação por algumas reuniões, para se ter certos que não está sendo influenciado por obsessores.
b.           Considerar como médiuns somente aquelas pessoas em que a faculdade mediúnica se manifestar de forma patente, intensa ou ostensiva.
c.           Considerar aqueles que chegam perturbados ao Centro Espírita como necessitados de tratamento e submetê-los à desobsessão por um período entre 30 e 90 dias. As manifestações observadas podem ser produto de um processo obsessivo.
Depois do tratamento, se houver interesse por parte desses pacientes, prepará-los para o ingresso no quadro de trabalhadores do Centro Espírita. Começará pelo estudo teórico e depois as experiências práticas.
d.           Aqueles trabalhadores nos quais o nível de influência é baixo, ou quase ausente, não devem ser colocados no desenvolvimento mediúnico. Deverão se ocupar de outras atividades, mesmo na sala mediúnica, pois há casos em que a faculdade só despertará mais tarde.
e.           Não encaminhar pessoas estranhas para a mesa de trabalhos mediúnicos. Submetê-las a um período de observação e, se possível, de estudos.


  20 Exercícios para Reforma Íntima, por Chico Xavier


1. Executar alegremente as próprias obrigações.
2. Silenciar diante da ofensa.
3. Esquecer o favor prestado.
4. Exonerar os amigos de qualquer gentileza para conosco.
5. Emudecer a nossa agressividade.
6. Não condenar as opiniões que divergem da nossa.
7. Abolir qualquer pergunta maliciosa ou desnecessária.
8. Repetir informações e ensinamentos sem qualquer azedume
9. Treinar a paciência constante.
10. Ouvir fraternalmente as mágoas dos companheiros sem biografar nossas dores.
11. Buscar sem afetação o meio de ser mais útil.
12. Desculpar sem desculpar-se.
13. Não dizer mal de ninguém.
14. Buscar a melhor parte das pessoas que nos comungam a experiência.
15. Alegrar-se com a alegria dos outros.
16. Não aborrecer quem trabalha.
17. Ajudar espontaneamente.
18. Respeitar o serviço alheio.
19. Reduzir os problemas particulares.
20. Servir de boa mente quando a enfermidade nos fira.
(Francisco Cândido Xavier)

Mediunidade e o seu Desenvolvimento, de Therezinha Oliveira

 

A Mediunidade

É natural que nos comuniquemos com os espíritos desencarnados e eles conosco, porque também somos espíritos, embora estejamos encarnados.
Pelos sentidos físicos e órgãos motores, tomamos contato com o mundo corpóreo e sobre ele agimos.
Pelos órgãos e faculdades mentais mantemos contato constante com o mundo espiritual, sobre o qual também atuamos.
Todas as pessoas, portanto, recebem a influência dos espíritos.
A maioria nem percebe esse intercâmbio oculto, em seu mundo íntimo, na forma de pensamentos, estados de alma, impulsos, pressentimentos etc.
Mas há pessoas em quem o intercâmbio é ostensivo.
Nelas, os fenômenos são freqüentes e marcantes, acentuados, bem característicos (psicofonia, psicografia, efeitos físicos etc.), ficando evidente uma outra individualidade, a do espírito comunicante.
A essas pessoas, Allan Kardec denomina médiuns.
Médium é uma palavra neutra (serve para os 2 gêneros), de origem latina; quer dizer medianeiro, que está no meio.
De fato o médium serve de intermediário entre o mundo físico e o espiritual, podendo ser o intérprete ou instrumento para o espírito desencarnado.
Mediunidade é a faculdade que permite sentir e transmitir a influência dos Espíritos, ensejando o intercâmbio, a comunicação, entre o mundo físico e o espiritual.
Sendo uma faculdade, é capacidade que pode ou não ser usada.
Sendo natural, manifesta-se espontaneamente, mas pode ser exercitada ou desenvolvida.
Sua eclosão não depende de lugar, idade, sexo, condição social ou filiação religiosa.

Quem apresenta perturbação é médium?

Muitas vezes, ao eclodir a mediunidade, a pessoa costuma dar sinais de sofrimento, perturbação, desequilíbrio.
Firmou-se até um conceito errado entre o povo: se uma pessoa se mostra perturbada deve ter mediunidade.
Entretanto, a mediunidade não é doença nem leva à perturbação, pois é uma faculdade natural.
Se a pessoa se perturba ante as manifestações mediúnicas é por sua falta de equilíbrio emocional e por sua ignorância do que seja a mediunidade, ou porque está sob a ação de espíritos ignorantes, sofredores ou maus.
Não se deve colocar em trabalho mediúnico quem apresente perturbações. Primeiro, é preciso ajudar a pessoa a se equilibrar psiquicamente, através de passes, vibrações e esclarecimentos doutrinários. Deve-se recomendar, também, a visita ao médico, porque a perturbação pode ter causas físicas, caso em que o tratamento será feito pela medicina.
Para o desenvolvimento da mediunidade, somente deve ser encaminhado quem esteja equilibrado e doutrinariamente esclarecido e conscientizado.

Sinais Precursores

A mediunidade geralmente fica bem caracterizada, quando:
·                     há comprovada vidência ou audição no plano espiritual;
·                     se dá o transe psicofônico (mediunidade falante) ou psicográfico (mediunidade escrevente);
·                     há produção de efeitos físicos (sonoros, luminosos, deslocação de objetos) onde a pessoa se encontre.
Mas nem sempre é fácil e rápido distinguir as manifestações mediúnicas, quando em seu início, das perturbações fisiopsíquicas.
Eis alguns sinais que, se não tiverem causas orgânicas, podem indicar que a pessoa tem facilidade para a percepção de fluidos, para o desdobramento (que favorece o transe) ou que está sob a atuação de espíritos:
·                     sensação de "presenças" invisíveis;
·                     sono profundo demais, desmaios e síncopes inexplicáveis;
·                     sensações ou idéias estranhas, mudanças repentinas de humor, crises de choro;
·                     "ballonement" (sensação de inchar, dilatar) nas mãos, pés ou em todo o corpo, como resultado de desdobramento perispiritual;
·                     adormecimento ou formigamento nos braços e pernas;
·                     arrepios como os de frio, tremores, calor, palpitações.

Como Desenvolver a Mediunidade

Do ponto de vista espírita, desenvolver mediunidade não é apenas sentar-­se à mesa mediúnica e dar comunicações.
É apurar e disciplinar a sensibilidade espiritual, a fim de tê-la nas melhores condições possíveis de manifestação, e aprender a empregá-la dentro das melhores técnicas e visando as finalidades mais elevadas.
Esse desenvolvimento mediúnico abrange providências de natureza tríplice:
a.           Doutrinária. O médium precisa conhecer a Doutrina Espírita para compreender o Universo, a si mesmo e aos outros seres, como criaturas evolutivas, regidas pela lei de causa e efeito.
b.           Atenção especial será dada à compreensão do intercâmbio mediúnico, ação do pensamento sobre os fluidos, natureza e situações dos espíritos no Além, perispírito e suas propriedades na comunicação mediúnica, tipos de mediunidade, etc.
c.           Técnica. Exercício prático, à luz do conhecimento espírita, para que o médium saiba distinguir os tipos dos espíritos pelos seus fluidos, como concentrar ou desconcentrar, entender o desdobramento, controlar-se nas manifestações e analisar o resultado delas, etc.
d.           Observação: quando se inicia a prática mediúnica, pode ocorrer de os sinais precursores se intensificarem e ampliarem.
e.           Não pense o médium que seu estado piorou. É que os espíritos estão agindo sobre os centros de sua sensibilidade e preparando o campo para as atividades mediúnicas. Persevere o médium, mantendo o bom ânimo e aos poucos, com a educação de suas faculdades, as sensações ficarão bem canalizadas, não mais causando perturbações.
f.            Moral. É indispensável a reforma íntima para que nos libertemos de espíritos perturbadores e cheguemos a ter sintonia com os bons espíritos, dando orientação superior ao nosso trabalho mediúnico.
g.           A orientação cristã, à luz do Espiritismo, leva-nos à vigilância, oração, boa conduta e à caridade para com o próximo, o que atrairá para nós assistência espiritual superior.

 

Mediunidade e Médiuns, de José Ferraz

 

Um grande número de indivíduos procura o Centro Espírita com um diagnóstico próprio ou de terceiros, afirmando que a mediunidade está atrapalhando suas vidas e lhes causando sérios problemas. Desfilam queixas e lamentações sem nenhum cabimento asseverando uns que se fosse para libertá-los dos vexames, estariam prontos para iniciar o desenvolvimento da faculdade de que se dizem portadores; outros, todavia, numa atitude irreverente, preferem solicitar pura e simplesmente uma fórmula milagrosa, a fim de se livrarem, segundo eles, dessa doença que lhes está a impingir sofrimentos injustos. Terminam, via de regra, com a seguinte frase: " Nunca pedi a Deus tal faculdade"...
Torna-se necessário esclarecer de imediato que a mediunidade nunca foi fator de desditas e nem tampouco, o querer desenvolvê-la ou deixar de fazê-lo que propiciará a alguém liberar-se dos compromissos pessoais assumidos no âmbito moral-espiritual. Para que fique bem claro, a faculdade medianímica é o meio, um instrumento de trabalho, capaz de produzir quando utilizada para o bem do semelhante sem qualquer interesse preconcebido, o ressarcimento de pesados débitos do Espírito encarnado catalogados na contabilidade Divina.
Todos os males que assinalam os indivíduos têm suas matrizes no cerne da alma. As realizações positivas ou negativas estão impressas na tecelagem sutil do perispírito. Alí se encontram os registros da boa ou má utilização que se fazem dos patrimônios que a Vida nos concede. O mau uso desses valores fica regido pelas consequências dos atos do homem, obrigando-o, para efeito de reeducação, a ser o seu próprio herdeiro. Daí, o conceito espírita de que ninguém sofre injustamente, nem por imposição da Divindade.
Portanto, esses que se fazem passar hoje, como vítimas, são facilmente identificados, embora estejam numa nova indumentária carnal. Como a individualidade não se destrói na sepultura, eles retornam ao palco da vida física com a finalidade de se submeterem ao impositivo do progresso.
São os trânsfugas da Lei Divina, procurando fugir de si mesmos, atormentados por um passado culposo e um presente vazio de realizações na prática do bem. Injustamente transferem para a mediunidade o motivo das suas frustrações e infelicidades. . .
Pergunta-se, então: são todos, os que assim sofrem, realmente médiuns, na acepção exata da palavra? Precisam desenvolver de pronto a faculdade que existe latente em todos eles? Obviamente, a resposta é uma negativa. A maioria desses indivíduos é constituída de almas acicatadas por profundas ulcerações morais. Portadores de doenças espirituais, necessitados de tratamento a longo curso, mas que se resolvessem beber a água lustral do Evangelho de Jesus, encontrariam a cura antecipada para os sofrimentos atuais.
No entanto, uma parcela deles, possui a mediunidade aflorando e precisa desenvolvê-la, tornando-se instrumento maleável nas mãos dos Instrutores Espirituais. Por falta de definição com respeito aos compromissos assumidos no Mundo Espiritual para o labor em beneficio dos sofredores da Erraticidade, são presas fáceis, nas mãos dos Espíritos inferiores, com os quais sintonizam, acarretando-lhes distúrbios emocionais de vária ordem, inclusive obsessões pertinazes de caráter complexo.
Como atendê-los, porém? Em ambos os casos são dadas orientações para o estudo sistemático das obras da Codificação Kardequiana, a freqüência às reuniões doutrinárias, recebendo o benefício do passe e da água fluidificada. Esta é a fase de desintoxicação dos fluidos grosseiros a que estão habituados, causa das chamadas doenças enigmáticas.
Conforme a disposição de cada um é o interesse que demonstrem em se renovarem moral-espiritualmente, começam a sentir depois de algum tempo os efeitos salutares da terapêutica recomendada, com reflexos imediatos no psiquismo e na saúde física.
Para efeito de uma melhor aclimatação aos hábitos novos que deverão adquirir, hão que encontrar tempo para o estudo e ensejo para as reflexões necessárias. Como consequência de uma nova ordem de ideias de que vão tomando conhecimento, o melhor seria um convivências na Casa Espírita por um período mínimo de dois anos.
Em seguida, por uma deliberação espontânea solicitar permissão para ingressar no grupo mediúnico de desenvolvimento e posteriormente de desobsessão.
Naturalmente que a decisão final neste particular ficará a cargo dos Mentores Espirituais ou então dos dirigentes encarnados que procurarão selecionar os necessitados de tratamentos específicos e também os que reúnam as melhores predisposições para esse trabalho de grande responsabilidade, exigindo de cada participante desejo de servir sem exigências, disciplina, e, sobretudo, pontualidade na frequência.




Mediunidade e Juventude, de Mauro Quintella


Na nossa avaliação um dos capítulos mais bonitos e simbólicos da história do Espiritismo é a participação de elementos jovens no processo de codificação da Doutrina.
Como registram as pesquisas espíritas, Allan Kardec contou com a colaboração especial de 4 jovens sensitivas na confecção da primeira edição de O LIVRO DOS ESPÍRITOS.
Segundo a tradição histórica, essas corajosas vanguardeiras da mediunidade encontravam-se entre a adolescência e as primeiras clarinadas da juventude e chamavam-se Julie Baudin, Caroline Baudin, Ruth Japhet e Aline Carlotti.
Aparentando muita preocupação com a segurança (física, psicológica e espiritual) de suas colaboradoras, Kardec sempre as deixou envoltas em um véu de semianonimato, pois o preconceito contra a mulher ainda era monstruoso naquela época. Para se ter um ideia dessa realidade, basta lembrar que 129 operárias americanas foram queimadas vivas dentro de uma fábrica, pelo crime de reivindicarem salários iguais aos dos homens, a apenas 41 dias do lançamento de O Livro dos Espíritos.
E, além de mulheres, as tuteladas do Mestre de Lyon ainda eram jovens e paranormais! Um prato cheio para a mentalidade vitoriana dessa época.
Essa acertada preservação, todavia, fez com que pouquíssimos dados sobre as quatro moças chegassem ao século XX. Principalmente no que diz respeito às suas histórias pessoais. No aspecto formal, suas participações foram, sinteticamente, as seguintes:
Julie e Caroline Baudin, psicografaram a quase totalidade das questões de O Livro dos Espíritos nas reuniões familiares dirigidas por seus pais e assistidas pelo Codificador;
Ruth Japhet foi a medianeira responsável pela revisão completa do texto, incluindo adições;
Aline Carlotti fez parte do grupo de médiuns através do qual Kardec referendou as questões mais espinhosas do livro, fazendo uso da concordância dos ensinos.
Há cerca de três anos, foi editada uma obra que nos permite conhecer alguns dados a mais sobre a vida dessas moças. Seu nome é O Livro dos Espíritos E sua Tradição Histórica e Lendária, escrita por Silvino Canuto de Abreu e editada pelo Lar da Família Universal, através das edições LFU ( Rua Guaricanga, nº 357, São Paulo, capital.)
Por tudo isso, não faz sentido o comportamento de alguns dirigentes espíritas que vedam - radicalmente - o acesso de jovens às reuniões mediúnicas.
É lógico que a decisão de autorizar um rapaz ou uma moça, na adolescência ou saindo dela, a frequentar um grupo mediúnico é uma coisa que deve ser muito bem pensada e avaliada. Principalmente no que diz respeito à real necessidade e capacidade física e psíquica dos postulantes, pois sabemos que essa fase da vida é relativamente complicada, em decorrência de automatismos biológicos e psicológicos que a caracterizam.
Além disso, existem as obrigações escolares e, muita vezes, de forma paralela, a necessidade do trabalho remunerado, tomando todo o tempo diário do indivíduo. Há também a influência dos namoros, grupos sociais( tribos ou galeras), diversões, agremiações políticas e outras variadas formas de pressão psicossocial. Sem falar na compulsão da simples curiosidade.
Contudo, medida bem diferente é baixar uma norma padrão, simplesmente proibindo ( ou dificultando em demasia - o que é quase a mesma coisa) a presença de qualquer jovem nas reuniões mediúnicas, inviabilizando o inicio da tarefa daqueles que realmente apresentam sensibilidade acentuada e precisam trabalhar mediunicamente para não deixarem suas instrumentações psíquicas desassistidas.
O jovem paranormal deve receber estímulo e atenção e não desconfiança e indiferença por apresentar sintomatologia mediúnica. Aliás, nem todos os adultos estão isentos dos mesmos cuidados, pois, segundo Kardec, " há crianças de doze anos a quem tal coisa afetará menos do que a algumas pessoas já feitas".
Em O LIVRO DOS MÉDIUNS, os espíritos superiores afirmaram que não há idade precisa para o inicio da prática mediúnica, pois tudo depende do desenvolvimento físico e, mais ainda, do desenvolvimento moral(9).Na atualidade, Divaldo P. Franco ousou ser mais pragmático: " Parece-me que, a partir dos quinze anos, aos dezesseis, teremos uma idade, senão ideal, pelo menos propiciatória para que o jovem, que participa de nossas atividades doutrinárias no movimento da sua idade, possa também compartilhar das experiências mediúnicas...".
Levando em consideração todos esses fatores, o dirigente doutrinariamente bem preparado deve analisar profundamente cada caso, de maneira diferenciada. É tudo uma questão de bom-senso. E acompanhamento...
Que, porém, jamais se esconda do jovem que mediunidade é responsabilidade a mais em suas vidas. Ou, como disse o Espírito Ivan de Albuquerque, pela psicografia do sensitivo José Raul Teixeira, que também se iniciou muito jovem na tribuna espírita e na mediunidade: " Se, no estuário da juventude, o apelo mediúnico te chega, não lamentes a perda da folgança, suposta própria da idade. Mantém-te alegre e prazenteiro, guardando-te, inobstante, no bojo da responsável conduta, que não deixará que te percas pelos dédalos da loucura que são próprias não da mocidade, porém de todos os indivíduos estúrdios e irrefletidos, em qualquer fase etária em que estejam".


Mediunidade de Prova, de Aureliano Alves Netto


“A mediunidade é ensejo de serviço e aprimoramento, resgate e solução”. Emmanuel
Quando Arigó foi tragicamente vitimado num desastre automobilístico alguém nos manifestou sua estranheza:
- Pois quê! Não era um médium prodigioso?
- Era, sim - respondemos -, mas isso não lhe conferia nenhum privilégio. O acidente fazia parte de sua provação. Agora está liberto.
O diálogo sugeriu-nos esta crônica:
Mediunidade, segundo alguns autores, é faculdade psíquica paranormal latente em todo indivíduo; e, na opinião de outros, faculdade de origem exclusivamente fisiológica.
O escritor espírita argentino Natálio Ceccarini entende que a mediunidade não é uma aptidão orgânica e sim um "atributo da alma que se exterioriza através do mecanismo mental, organização psíquica, sistema nervoso do dotado".
Porém, a nosso ver, a melhor definição é a de Emmanuel:
"Sendo a luz que brilha na carne, a mediunidade é atributo do Espírito, patrimônio da alma imortal".
A bem dizer, o fenômeno mediúnico surgiu com o próprio aparecimento do homem sobre a Terra. Entretanto, somente após o advento do Espiritismo passou a ter sua adequada conceituação e ser objeto de estudo científico e prática metodizada, em âmbito universal.
Em O Livro dos Médiuns, ensina Kardec.
"Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. Por isso mesmo, raras são as pessoas que dela não possuam alguns rudimentos. Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns. Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva".
Difícil, senão impossível, o escalonamento rigoroso das categorias de médiuns, em virtude da imensa variedade dos fenômenos. De modo genérico, no entanto, parece-nos que, exceto alguns poucos Missionários como Antúlio, Crispa, Buda e Pitágoras, portadores da chamada "mediunidade natural", ou mais propriamente, do dom da intuição Pura, todos os demais que estabelecem intercâmbio espiritual com o "outro mundo" apenas exercitam a mediunidade de prova.
Estas palavras de Emmanuel fortalecem nosso ponto de vista:
"Os médiuns, na sua generalidade, não são missionários, na acepção comum do termo: são almas que fracassaram desastradamente, que contrariaram sobremaneira o curse das leis divinas e que resgatam. sob o peso de severos compromissos e ilimitadas responsabilidades, o passado obscuro e delituoso. O seu pretérito, muitas vezes, se encontra enodoado de graves deslizes e de erros clamorosos. Quase sempre são espíritos que tombaram dos cumes sociais pelo abuso do poder, da autoridade, da fortuna e da inteligência, e que regressam ao orbe terráqueo para  se sacrificarem em favor do grande número de almas que se desviaram das sendas luminosas da fé, da caridade e da virtude".
Em seu livro A vVida de Ultratumba, Rufina Noeggerath registra esta comunicação ditada pelo Espírito Henrique Delaage:
"A mediunidade não é um dom na acepção comum da palavra; tão pouco é um privilégio. Cada pessoa vem à Terra com uma faculdade mediúnica determinada, inerente à sua natureza, para ter a possibilidade de se comunicar com os desencarnados que, por seu passado, seu presente, e, melhor ainda por seu futuro, estão enlaçados aos mortais".
A mediunidade constitui-se pois, num instrumento de trabalho para aqueles que retornam à vida corporal as mais das vezes em serviço de reajustamento. Mas, representa, ao mesmo tempo, uma faca de dois gumes. Dotado de livre arbítrio, o reencarnado tanto pode utilizar proficuamente esse instrumento de trabalho, como deixá-lo desaproveitado a enferrujar ou transformá-lo em arma de destruição.
Assim é que vemos médiuns íntegros ciosos do seu mediunato, como Chico Xavier e Divaldo Franco, para  enumerar apenas os mais conhecidos. Esses estão cumprindo bem a tarefa. Contudo, sem se julgarem isentos das sanções determinadas pela Lei de Causa e Efeito. Em contrapartida, há lamentavelmente outros cujos nomes nem é bom citar, que, ou sempre foram mercenários, ou degeneraram depois de uma atividade honesta e proveitosa.


Mediunidade, elaborado pelo Centro Espírita Celeiro de Luz

 

1 - Introdução

Seja por constituir a base experimental da ciência espírita, seja pelo papel histórico que desempenhou no surgimento do Espiritismo, ou ainda pela importância que assume nas atividades práticas dos Centros Espíritas, a mediunidade merece de cada um de nós a melhor das atenções.
Desincumbindo-nos do dever de estudá-la continuamente, estaremos reunindo condições para a correta compreensão tanto de sua natureza, como de suas finalidades, e para o discernimento dos muitos enganos de opinião a seu respeito que circulam entre a população leiga e mesmo nos meios espíritas. Habilitaremo-nos, assim, a dela obter os mais seguros e produtivos resultados, com vistas ao nosso aperfeiçoamento intelectual e moral.
Nunca será demais insistir em que nenhum artigo, folheto ou apostila poderá substituir ou tornar dispensável o estudo daquele que constitui o mais completo e profundo tratado que já se escreveu sobre a mediunidade: O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec.
Assim, os presentes apontamentos devem ser tidos unicamente como uma exposição incompleta de alguns tópicos importantes, destinada a facilitar posteriores contatos com a obra fundamental e a vasta literatura subsidiária que surgiu desde sua primeira edição, em 1861.

2 - Definição de Mediunidade

Embora no Vocabulário Espírita que forma o capítulo 32 de O Livro dos Médiuns Kardec tenha dado como sinônimos os termos "mediunidade" e "mediunidade", o uso consagrou o primeiro, que ali é definido através do termo "médium":
MEDIUNIDADE é a faculdade dos médiuns.
Isto posto, resta saber o que é médium. Kardec fornece a definição deste termo em vários pontos de suas obras, como por exemplo nesse mesmo Vocabulário, onde se encontra:
MÉDIUM. (do latim, médium, meio, intermediário). Pessoa que pode servir de intermediário entre os Espíritos e os homens.
A partir dessa definição sucinta, Kardec desenvolve o conceito, que comporta duas acepções distintas, expressas com clareza neste trecho da Revue Spirite:
ACEPÇÃO AMPLA:
Qualquer pessoa apta a receber ou a transmitir comunicações dos Espíritos é, por isso mesmo, médium, seja qual for o grau de desenvolvimento da faculdade , desde a simples influência oculta até a produção dos mais insólitos fenômenos.
ACEPÇÃO RESTRITA:
Em seu uso ordinário, todavia, esse termo tem uma aplicação mais restrita, aplicando-se às pessoas dotadas de um poder mediador suficientemente grande, seja para a produção de efeitos físicos, seja para transmitir o pensamento dos Espíritos pela escrita ou pela palavra.
Quando analisamos um texto, um discurso, uma conversa onde o termo médium aparece, é sempre importante reconhecer em qual desses sentidos está sendo empregado, a fim de se evitarem mal-entendidos e mesmo discussões sem fundamento. Assim, por exemplo, a afirmação de que todos somos médiuns, encontrada em tantos autores (inclusive Kardec: ver O Livro dos Médiuns, parágrafo 159), só deverá ser entendida na acepção abrangente do termo, pois já sabíamos, desde a questão 459 de O Livro dos Espíritos, que todos somos passíveis de receber a influência dos Espíritos, ainda que sob a forma sutil de intuição.
Incorreremos em grave equívoco se concluirmos a partir desse fato que todos somos médiuns no sentido restrito (e usual) da palavra 'médiuns', ou seja, se julgarmos que todos podemos produzir manifestações ostensivas, tais como a psicofonia, a psicografia, os efeitos físicos, etc. Concluindo, então, temos que a proposição '
Todos somos médiuns' é verdadeira quando o termo 'médiuns' é tomado em seu sentido amplo, e falsa quando tomado no sentido restrito. Tal circunstância não deve causar estranheza, já que resulta da imperfeição de nossa linguagem, na qual uma mesma palavra pode ter mais de um significado. Um caso semelhante dessa ambigüidade lingüística ocorre, por exemplo, com a proposição 'Todos os homens são mortais', que é verdadeira se o termo 'homens' referir-se unicamente ao corpo material, e falsa se se considerar o ser espiritual.

3 - A Natureza da Mediunidade

Limitando-nos daqui para frente à acepção restrita do termo 'médium', que é a mais usual e relevante, estaremos, então, no que se vai seguir entendendo a mediunidade como aquela aptidão especial que certas pessoas possuem para poder servir de meio de comunicação entre os Espíritos e os homens encarnados.
A questão que naturalmente surge neste ponto é a de se determinar qual é a natureza da faculdade mediúnica: quais as suas causas, por que surge somente em determinadas pessoas e em modalidades e graus diversos, se é passível de desenvolvimento forçado através de alguma técnica, etc.
Tais indagações vêm sendo abordadas com sucesso pelo Espiritismo, que sobre elas já projetou intensas luzes, contribuindo desse modo para que o manto de superstição e misticismo que desde eras imemoriais vem encobrindo a mediunidade fosse removido, e para que, melhor compreendida, pudesse ser corretamente utilizada para os elevados propósitos a que se destina.
Dois aspectos centrais relativos à mediunidade acham-se expostos na resposta à questão que Kardec endereçou aos Espíritos, no parágrafo 226 de O Livro dos Médiuns:
O desenvolvimento da mediunidade guarda relação com o desenvolvimento moral dos médiuns?
"Não a faculdade propriamente dita se radica no organismo; independe do moral. O mesmo, porém, não se dá com o seu uso, que pode ser bom ou mau, conforme as qualidades do médium."



Severino Celestino - Responde sobre a Bíblia e o Espiritismo. (2ª Parte)


10: - O que será de o "O Evangelho Segundo o Espiritismo", depois que o Celestino traduzir a Bíblia? Ele está mudando tudo!
R: - Uma verdade não pode destruir outra. O Evangelho Segundo o Espiritismo é uma obra fantástica que Kardec e os Espíritos realizaram em tempo certo. A tradução da Bíblia não destruirá absolutamente nada. Kardec utilizou as traduções existentes e fez questão de citá-las inclusive as fontes que ele utilizou. Veja por exemplo: Ev. Seg. Espiritismo capítulo I item 2- nota de rodapé; Cap. IV item 8-nota de rodapé. Cap. XVI- item 2-nota de rodapé. Cap. XIX –i tem 7- nota de rodapé. Cap. XIII item 7-nota de rodapé. Observe que Kardec não aceitava as traduções que ele utilizava, como última palavra e até explica em nossa última citação (Cap. XXIII-item 7) como se equivocam os que traduzem a Bíblia. Portanto não estamos destruindo Kardec, mas ratificando e esclarecendo a sua obra.
11: - Parece que o Celestino disse que os judeus são reencarnacionistas; como se explica que alguém que crê na reencarnação planeje "acabar" com seus inimigos à força? 
R: - Outro equívoco! Estamos misturando religião com questões políticas. Uma coisa é a sobrevivência social e a outra é a religião. A história dos hebreus foi sempre pautada em uma questão de sobrevivência. Moisés era um legislador que cuidava do social e Aarão, um sacerdote que cuidava do espiritual. Não há planejamento por parte dos judeus para acabar com seus inimigos. A questão é bem mais profunda do que se imagina.
Busque na história e mesmo bíblica, a origem de tudo. O povo hebreu descende de Abraão através de Isaac e o povo árabe também descende de Abraão através do seu filho Ismael. Portanto ambos possuem a mesma origem familiar. Portanto, esta é uma briga de família e quem vai resolver é a própria reencarnação. 
12: - Por que a Bíblia deixou de ser escrita, ou seja, por que o Apocalipse é considerado o final da Bíblia, sendo que as revelações não cessaram?
R: - Isto é muito relativo e depende do ângulo que é analisado. A Bíblia do judeu é constituída apenas do Velho Testamento. Eles se satisfazem com ela e ainda afirmam que todas as verdades estão em sua Bíblia, ou seja, na Torá. Os católicos afirmam que sua Bíblia é composta de Velho e Novo Testamento e possui 73 livros, começando no Gênesis e terminando no Apocalipse. Os protestantes afirmam que sua Bíblia é composta de Velho e Novo Testamento e possui 66 livros.
Nós espíritas aceitamos a Bíblia completa e já sentimos a necessidade adicionar a ela o Pentateuco de Kardec. Assim, cada época, tem sua peculiaridade de acordo com o padrão evolutivo da época. No entanto, convém ressaltar que nós não acreditamos em previsões futuristas, pois o nosso futuro é construído por nós mesmos no presente. È o nosso “livre arbítrio”, uso e abuso, que rege tudo.
13: - Quero saber um pouco mais sobre a questão do batismo; por que o espírita não batiza seus filhos? 
R: - Jesus nunca batizou ninguém. Veja João 4: 1 e 2. Seus discípulos batizavam, porém Jesus nunca batizou. Batismo significa, filiação, aceitação. Aceitação implica em mudança e não é um “ritual” que faz a pessoa mudar. Era Jesus quem sempre recomendava “Vai e não peques mais”. Se conseguirmos nossa mudança interior, já estamos “batizado”. O espírita não precisa batizar seu filho, mas ensiná-lo o verdadeiro caminho que ele tem que seguir. 
14: - Gostaria de saber o que seriam os espinhos na carne que Paulo de Tarso cita em uma de suas cartas. 
R: - A maioria dos exegetas afirmam que seria alguma debilidade física ou enfermidade, e não a alguma prova moral ou espiritual do apóstolo. Veja Gálatas 4:13 e 14. Pessoalmente acho que Paulo, além de problemas físicos, possuía também provações (obsessões) espirituais e que a isto ele chamava de espinhos. O seu trabalho de fundação do cristianismo não foi tarefa simples e ele teve que vencer todas as forças contrárias vindas de espíritos inferiores. 
15: - Tive a oportunidade de conhecê-lo na CONCAFRAS de Brasília, em 2000, quando do lançamento do seu livro sobre as traduções da Bíblia. Depois ainda em uma palestra sua em Londrina-PR. Gostaria de fazer duas perguntas: 1)
Qual, na sua opinião, é a maior deturpação dos ensinos de Jesus, registrada na Bíblia, em virtude de traduções erradas (ou até de má fé...)? 
E a segunda é sobre um comentário que ouvi de um pastor protestante sobre a passagem em que o Cristo pergunta a Pedro por 3 vezes consecutivas "Tu me amas, Pedro?"  E Pedro lhe responde afirmativamente em todas as vezes. Segundo o Pastor, as palavras usadas por Pedro e Jesus para dizer amor têm sentidos diferentes e, enquanto Jesus usa no sentido de compromisso, o sentido dado por Pedro é de simpatia. Nos seus estudos você chegou a observar essa diferença na palavra original usada por cada um para designar o amor?
R: - Existem muitas. Vamos por parte: Jesus não falava grego nem pronunciou seus ensinamentos em grego. Jesus falava hebraico e em algumas situações falava aramaico. Tudo que ele falou foi escrito em grego e 50 anos depois. Assim, os seus ensinamentos vieram de acordo com a visão de quem contou a sua história. Jesus nunca escreveu nada e por isso fica difícil afirmarmos categoricamente algo sobre ele. Imagine que aqueles que não têm escrúpulo e querem dirigir as coisas em seu benefício não se preocupam com a fidelidade dos seus ensinamentos.
O resultado o que temos hoje: interpolações de todos os sentidos em seus evangelhos.Com relação a segunda, Isto não ocorre no hebraico, que foi a língua usada por Jesus. Em hebraico O AMOR só tem uma concepção. Estas divergências de conceito só existem no texto grego. Você tem aí um exemplo das divergências e diferenças com relação ao que Jesus disse e o que passam para nós.
16: - Qual a melhor forma de fazermos uma leitura da Bíblia nos tempos de hoje? E sua prática diante de tantas adversidades?
R: - É aconselhável primeiro um curso básico sobre a Bíblia para poder tirar maior proveito. A Bíblia não deve ser lida numa sequência livro-a-livro. Cada livro tem uma história que devemos buscar. É sempre bom antes de se ler cada livro conhecer-se em que época ele foi escrito, para quem foi escrito e por que foi escrito? Assim, você se situa melhor e entende a sua mensagem.
17: - O que o senhor acha do livro "Os Quatro Evangelhos", de Roustaing, que traz uma visão espírita dos evangelhos e também dos 10 Mandamentos?
R: - A obra de Roustaing possui limitações e não aconselho o seu estudo como um roteiro de estudos. É uma obra para se ler e tirar conclusões não definitivas. Sabemos que é uma obra recebida por um só médium e que Kardec nos adverte sobre isso. A obra de Kardec foi recebida em diversos locais e por diversos médiuns diferentes. Tire sua conclusões... 
18: - A Bíblia explica a origem do homem no sentido de humanidade. À luz da doutrina espírita, qual é a necessidade de ter sido criado o homem?
R: - A criação do homem foi uma consequência da evolução do universo. Segundo Kardec o mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno preexistente e sobrevivente a tudo. O mundo corporal não é senão secundário; poderia cessar de existir, ou não ter jamais existido, sem alterar a essência do mundo espírita. Entre as diferentes espécies de seres corpóreos, Deus escolheu a espécie humana para a encarnação dos Espíritos que atingiram um certo grau de desenvolvimento, o que lhe dá a superioridade moral e intelectual sobre os outros. 


O Trabalho no Bem e o Médium


Nenhuma teoria concretiza-se bem, sem o exercício, sem o trabalho, vejamos e seguindo a orientação dos espíritos que auxiliaram Kardec na Codificação, em O Livro do Espíritos, pergunta 625, quando se referiam ao melhor Modelo que a Terra já conheceu e a resposta foi Jesus, seguindo este grandioso modelo para todos nós, verificaremos que seus ensinamentos não ficaram sem o aval de sua exemplificação traçando assim, base para suas orientações que nos norteiam até os nossos dias.
Mente vazia, pensamentos infelizes à vista, nos é necessário o trabalho ativo e o preenchimento de nossa mente com coisas edificantes, assim, é imprescindível enriquecer nosso pensamento, incorporando-lhe os tesouros morais e culturais, os únicos que nos possibilitaram direcionar a luz que é jorrada do mais alto para nós.
Em toda a parte existe a cooperação espiritual para com o mundo material. Onde há pensamento, há correntes mentais e onde há correntes mentais existe associações. E toda associação, como sabemos é interdependência e influenciação recíproca. Daí verificamos a necessidade de vida nobre, de trabalho ativo compreensão fraterna, serviço ao semelhante, respeito á Natureza e oração constituem alguns meios de assimilar os princípios superiores da vida, porque recebemos sempre em referencia ao que damos. E tratando de mudar o ritmo vibracional de nossos pensamentos e em seguida de nossos atos, seguramente também sintonizaremos com uma maior facilidade com os benfeitores que visam o engrandecimento humano.
Voltando a pergunta do Livro O Consolador de Emmanuel, 387
– “Qual a maior necessidade do médium?

A primeira necessidade do médium é evangelizar-se

Cabe-nos perguntar para nós mesmos, o que significa, o termo evangelizar-se.

O Médium e suas relações com o mundo Espiritual

Nos diz André Luiz, em seu livro Missionários da Luz, que “ é imprescindível saber que tipo de onda mental assimilamos para conhecer a qualidade de nosso trabalho e de ajuizar nossa direção”.
A mediunidade é neutra e não basta por si só.
E é ainda André Luiz, que nos orienta com bastante clareza no seu livro Nos Domínios da Mediunidade - “Cada médium com a sua mente, cada mente com seus raios, personalizando observações e interpretações, e conforme os raios que arremessamos, erguer-se-ão o domicílio espiritual na onda de pensamentos a que nossas almas se afeiçoam”.
Essa energia viva que é o pensamento, cria em torno de nós forças sutis, criando centros magnéticos ou ondas vibratórias, com as quais emitimos nossas situações e recebemos outras. Abriremos comunicação e envolvimento com núcleos e mentes com os quais nos colocamos através de nossos pensamentos, em sintonia.
Em Evolução em Dois Mundos, André Luiz, pág 129 - " A aura é, portanto a nossa plataforma onipresente em toda comunicação com as rotas alheias, antecâmara do espírito, em todas as nossas atividades de intercâmbio com a vida que nos rodeia, através da qual somos vistos e examinados pelas inteligências Superiores, sentidos e reconhecidos pelos nossos afins, e temidos e hostilizados ou amados e auxiliados pelos irmãos que caminham em posição inferior à nossa.
Isso porque exteriorizamos, de maneira invariável, o reflexo de nós mesmos, nos contatos de pensamentos a pensamentos, sem necessidade das palavras para as simpatias ou repulsões fundamentais".
Esclarece ainda, no mesmo livro - " É por essa couraça vibratória, espécie de carapaça fluídica, em que cada consciência constrói o seu ninho ideal, que começaram todos os serviços da mediunidade na Terra, considerando-se a mediunidade como atributo do homem encarnado para corresponder-se com os homens liberados do corpo físico".
Poderemos verificar acima que, refletimos o que sentimos e pensamos em nós mesmos e é essa aura que nos apresenta como verdadeiramente somos. Principalmente refortificando um ditado - a raiva é um veneno que tomamos e esperamos que outros morram, ou seja, esta mesma raiva ficará impregnada em nós transparecendo aquilo que sentimos e afetando principalmente o nosso próprio tônus vibratório.
Plasmamos em torno de nós através da força do pensamento nestas zonas vibratórias que nos constituem, nosso EU verdadeiro, e assim, somos conhecidos por todos no mundo espiritual, nos ligando ao bem ou a ignorância.
Envolvemo-nos em uma onda vibratória que modifica nosso tônus de vibração, ligando-nos imediatamente àqueles que conosco comungam os mesmos pensamentos e atos, e quando dormimos temporariamente nos distanciamos de nossa aparelhagem física, indo Ter com os mesmos com os quais nos ligamos mentalmente, ai nos vem os sonhos temerosos e “pesados”, principalmente no que concerne ao sexo, brigas, mortes, e etc. Passamos os dias direcionando energias em prazeres propriamente ditos ou intencionando fortemente tais prazeres, criando-os assim, fluidicamente manifestando nossas intenções no mundo espiritual.
Conclamamos nossos irmãos leitores que revisem o Livro A Gênese, Cap XIV – Os Fluidos – item 13 – Criação Fluídica, para numa análise mais profunda verificarem a importância de nossos pensamentos nestas criações emanadas de nós mesmos.
Lembremos sempre, praticando tanto o bem como o mal, estaremos sempre respirando na mesma faixa, intimamente associadas, mentes ligadas com o bem ou com as trevas.

O Médium e a não profissionalização de sua faculdade

Conforme já sabemos, o espiritismo não é o “dono” da mediunidade, esta é inerente ao espírito e projetada ao corpo físico, como uma faculdade orgânica. Encontra-se em quase todos os indivíduos, como um meio imensurável de progresso.
Observando algumas palavras de André Luiz, psicografadas por Chico Xavier, poderemos compreender uma poderosa observação efetuada por este nosso irmão: “Deus ajuda a criatura através das criaturas”, e completamos, desencarnadas ou encarnadas, ou seja, vamos verificar que o intercâmbio estará presente em todas as etapas da natureza e em várias e diferentes condições vibracionais.
Haja vista, entre os espíritos já desencarnados médiuns também os há, que exercem fraternalmente o labor, facultando que entidades do mais alto, das esferas mais Elevadas possam também trazer palavras de consolo, orientação para àquelas que se encontram na retaguarda da evolução, ainda que o meio mais difundido seja o intercâmbio entre encarnados com os desencarnados.
Sem dúvidas, ainda que sabendo da ferramentaria disponível em suas mãos o médium transforma a mediunidade em poderoso instrumento de lamentáveis fatores de perturbação, tendo em vista o nível espiritual e moral daquele que se encontra investido de tal recurso. Não é uma faculdade portadora de requisitos morais, todavia a moralização do medianeiro fomenta sua liberação das influências dos espíritos inferiores e perversos, que se sentem, impossibilitados de causarem maior predomínio por faltarem os vínculos para a necessária sintonia.
A mediunidade não poderá ser utilizada como uma profissão naquele que já encontra-se revestido com ela, pois como processo de crescimento e purificação do próprio ser em caminhada estagiária no plano em que vive, deve ela sempre ser precedida do amor, da sintonia, buscando acima de tudo galgar mais profundos resultados.
Vemos a medicina ser utilizada por médicos que visam simplesmente o ganho, todavia, dia chegará em que os médicos utilizaram esta faculdade para o bem maior, travando assim o aparecimento de uma medicina vibracional bem mais profunda e comprometida com a causa humana, conseguindo enfim, mais envolvida com o amor tratar do ser como um todo e não simplesmente corpo.
A mediunidade deve ser canalizada para fins nobres, evitando-se transformá-la em motivo de profissionalização ou espetáculos que buscam gerar emoções passageiras.
Independente da vontade de seu possuidor, funciona quando acionada pelos espíritos que a manipulam, sendo, portanto, credora de assistência moral.
O Livro dos Médiuns, nos orienta que mesmo que tentemos e não consigamos revelar nossa mediunidade de modo algum, devemos renunciar a ser médium. Mas esta referência se dirige a mediunidade em seu sentido restrito, ou seja, os efeitos físicos, psicografia, psicofonia.
Sabemos também que todos somos médiuns, pois todos sofremos influências dos espíritos e na seara do Cristo há muitas mediunidades, ainda que não sejam ostensivas, não são menos importantes.
Se não temos, pelo menos por enquanto, em nosso quadro de tarefas a mediunidade ostensiva, sejamos então médiuns do bem, das palavras de carinho, do consolo, da ajuda, do bom conselho, da caridade, pois mesmo ai, estaremos sendo envolvidos por aqueles do lado invisível que também trabalham para o engrandecimento da humanidade e o consolo dos corações aflitos.
Essa desistência a qual O Livro dos Médiuns se refere, é a desistência da prática mediúnica em si, mas não a desistência dos trabalho na seara do Pai, pois Ele nunca esquece de seus filhos, aqueles que não conseguem ver, poderão ouvir, aqueles que não conseguem psicografar, poderão ser oradores, enfim, outros sentidos nos serão emprestados para que nós possamos suprir nossas necessidades na evolução de nossos espíritos.
Quantos cursos ministrados nos Centros Espíritas, de onde, após sempre uma fase teórica de geralmente 06 meses a um ano, o aprendiz se encaminha com sintomas de mediunidade ou não para uma mesa mediúnica.
Deste ponto em diante, quando o aprendiz se exercita através da teoria e da prática, em contato mais direto e definido com a os espíritos, é que alguns conhecedores do assunto e nós também, consideramos curso de educação da Mediunidade, pois a palavra desenvolvimento está por nosso modo de ver mal empregada.
Ocorre que em muitos Centros Espíritas, esse curso não tem duração definida, permanecendo o aprendiz, em insistência cansativa, sempre a ocupar o lugar de outro mais necessitado, e os anos se passam sem que sua mediunidade se aflore e apresente características ostensivas.
Aí, poderá vir a alegação de que ele é um trabalhador da Casa e não pode deixar a mesa para dar lugar a um outro ou até mesmo porque pode melindrar-se.
Nestes quadros vistos acima, nos orienta a Doutrina Espírita, que devemos ocupar este irmão, em outros pontos de trabalho do Centro Espírita, como por exemplo:
·                     Passe
·                     Visita fraterna
·                     Acolhida à irmãos que vêem a Casa Espírita
·                     Evangelização (Infantil, Mocidade, Adulta)
·                     Doutrinação
·                     Apoio nas reuniões mediúnicas.
·                     Atendimentos fraternos na Casa
De fato, não faltam lugar para aqueles que querem realmente servir.
Então, se por acaso esta faculdade que nos impulsiona para a felicidade, não se aguçar, nas mais freqüentes que conhecemos: psicofônia e Psicografia, psicopictoriografia, tenhamos a certeza de que na Casa Espírita, há sempre lugar para médiuns- doutrinadores, evangelizadores, passistas, acolhedores, oradores, auxiliares, enfim, todos os trabalhadores e filhos de Deus.
Sempre há lugar para se praticar a fraternidade, humildade, caridade, comecemos por entender que o menor trabalho que nos for proporcionado é um trabalho importante na ajuda da construção de uma humanidade melhor e renovada.
Se estamos falando de trabalho de melhoramento moral, engrandecimento do espírito, este deve ser um trabalho que deverá durar realmente muitas e muitas encarnações, no reparo constante de nossos defeitos, faltas. Comparemos um profissional que investe anos e anos a fio para se formar num grande profissional e mesmo depois de 5,6,7 anos de estudo e muito trabalho em preparo à sua formatura, ele se forma. Isso não quer dizer que pára por aí, pois tudo evoluí e para ele poder acompanhar estas evoluções terá que se reciclar no estudo constante para poder estar sempre atualizado.
Imaginemos agora no que se diz respeito às Leis morais da vida, Leis de Deus, evolução do espírito, enfim, a busca da felicidade, a ajuda ao próximo, concordemos que este deve ser um trabalho-estudo sem tréguas, sem descanso, rumo a reforma íntima de cada um dos filhos de Deus. No que se diz respeito ao entendimento sobre o invisível, as leis da natureza, os acontecimentos, várias experiências reencarnatórias serão necessárias para o aprimoramento destes conhecimentos, possamos nos dedicar para o melhor aproveitamento dos desígnios de Deus.



O Médium Precisa Estudar?


O médium tem como condição primordial o estudo, na busca da compreensão da sua faculdade e do conhecimento da natureza dos espíritos que utilizam sua faculdade mediúnica para um contato mais próximo com os encarnados. Trazendo ao próprio médium uma condição mais segura de trabalho, pois, consciente e entendedor de sua faculdade trabalhará colaborando ainda mais com os técnicos espirituais responsáveis pela atividade mediúnica que frequenta.
E através da segurança que começa pelo estudo alcança, sintoniza de uma melhor maneira com os mentores, como também poderá envolver os comunicantes para que se portem ordenadamente e não como muitos que chegam transformando as reuniões em perfeitas rebolias.
Neste estudo profundo que deverá o médium proceder em sua caminhada, defrontará com a necessidade de autoconhecer-se, cumprindo-lhe ao mesmo tempo, conhecer as qualidades que deve procurar desenvolver em si e os hábitos viciosos e os obstáculos que a podem embaraçar no desempenho da sua tarefa. Pois, para uma auto realização é necessário permanente exame de consciência, a fim de conhecer-se sempre, a todo momento, o estado da própria alma.
A mediunidade é sem dúvidas, poderoso instrumento que pode converter-se em lamentável fator de perturbação, tendo em vista o nível espiritual e moral daquele que se encontra investido de tal recurso, ele não é uma faculdade portadora de requisitos morais. A moralização do médium liberta-o das influências dos espíritos inferiores e perversos, que se sentem, impossibilitados de maior predomínio.
Cada dia, o medianeiro defrontará com sensações novas e viverá emoções que lhe cabem verificar, de modo que possa treinar o controle pessoal, estabelecendo uma linha demarcatória entre a sua e as personalidades que o utilizam psiquicamente, até mesmo, auxiliando-os nas comunicações.
A compreensão das Leis dos Fluidos, isto é, a identificação fluídica entre o médium e o espírito, constitui fator de altíssima importância para uma comunicação harmônica, pois que, se são contrários, se esta relação fluídica se repele, com deveras dificuldades poderá se processar a comunicação mediúnica, sobre isso também o médium deverá estar ciente.
Enfim, a educação mediúnica é para todo a existência, pois, à medida que o medianeiro se torna mais hábil e aprimorado, melhores requisitos são colocados para a realização do ministério abraçado.
Buscando novamente o grande manancial de informações que é O Livro dos Médiuns, na Parte 2º- Cap XVII, Item 221 – Formação dos Médiuns, verificamos:
“O escolho da maioria dos médiuns iniciantes é Ter relações com espíritos inferiores, e devem se considerar felizes quando não o sejam senão espíritos levianos. Toda a sua atenção deve tender a não lhes deixar tomar pé, porque uma vez ancorados não é sempre fácil desembaraçar-se deles. É um ponto tão capital, sobretudo no início, que sem as preocupações necessárias, pode-se perder o fruto das mais belas faculdades”.
O empenho do médium em se moralizar, na verdade, deverá fazer parte do processo de sua auto educação, sintonizando profundamente com as palavras do Cristo – “Conhecereis a verdade e ela vos Libertará”.
Por isso, a meta prioritária é a criatura conhecer-se a si mesma, é preciso permanente exame de consciência, com o fim de conhecer-se sempre em todos os atos praticados por nós, deste modo nos conhecendo um pouco mais, poderemos com uma maior facilidade nos dedicarmos sem medos ao exercício. O estudo que visam a identidade dos espíritos falam bem alto no processo de educação do médium.



Haverá Tempo Previsto para a Educação do Médium? De Aluney Elferr Albuquerque Silva


Tempo não há, pois a Mediunidade é trabalho para muitas reencarnações na existência do espírito, em verdade esta faculdade em suas mais variadas ramificações, esta presentes em todos os homens, todavia no sentido restrito da palavra é após o desabrochar na existência atual que o trabalho se efetiva com mais intensidade e a partir daí não deve mais parar ou estacionar, sob a possibilidade de um recomeço, muito mais árduo e penoso.
Sabemos que a faculdade estando presente em nós deve eclodir-se sozinha, mas isso não quer dizer que não possamos trabalhar no campo de modelação de nosso espírito, através das atividades evangelizadoras, na doação fraternal de atendimento à irmãos necessitados.
Identificados pelo sensitivo os sintomas que lhe caracterizam a faculdade mediúnica, a ele cumpre o dever de educá-la. Somente o sensitivo é capaz de qualificar-se nessa condição, nenhum sinal externo pode chamar a atenção do observador, a fim de apontar as pessoas que sejam possuidoras de mediunidade.
Mesmo sabendo que a mediunidade é uma faculdade originária no espírito, e que se exterioriza através do organismo físico, não apresenta síndromes externas, e, mesmo quando algumas destas possam tipificar-lhe a presença, tal conclusão jamais poderá ser infalível.
A mediunidade, propiciando a interferência dos desencarnados na vida humana, a princípio gera estados particulares na área da emotividade como estados fisiológicos. Porque mais facilmente se registram a presença e o envolvimento de seres negativos ou perniciosos, a irradiação das suas energias produz esses estados anômalos, desagradáveis, que podem ser confundidos com problemas patológicos outros.
Porém o sensitivo é constantemente chamado para a observação dessas manifestações consigo mesmo, por surgirem em momentos menos próprios ou aparentemente sem causas desencadeadoras. O orientador espírita deve ser capaz de convencê-lo que o exercício correto da mediunidade nenhum perigo oferece a quem quer que seja.
Se observarmos em O Livro "O Consolador por Emmanuel, através de Chico Xavier, nas perguntas 387 / 388 poderemos verificar a grande importância que devemos dar a esses mecanismos de elevação que a Natureza nos concede:
387 - Qual a maior necessidade do médium?
- A primeira necessidade do médium é evangelizar-se a si mesmo antes de se entregar às grandes tarefas doutrinárias, pois, de ouro modo poderá esbarrar sempre com o fantasma do personalismo, em detrimento de sua missão.
388 - Nos trabalhos mediúnicos temos de considerar, igualmente, os imperativos da especialização?
- O homem do mundo, no círculo de obrigações que lhe competem na vida, deverá sair da generalidade para produzir o útil e o agradável, na esfera de suas possibilidades individuais. Em mediunidade, devemos submeter-nos aos mesmos princípios. A especialização na tarefa mediúnica é mais que necessária e somente de sua compreensão poderá nascer a harmonia na grande obra de vulgarização da verdade a realizar. (resposta não está em sua totalidade)
Observando bem estas orientações de Emmanuel, vamos ver que o empenho é necessário para o engrandecimento da faculdade, e esse empenho é contínuo na escalada a desempenhar.
Mas, ainda assim, poderíamos nos perguntar, o que é educação ou desenvolvimento da mediunidade?
Responderíamos. É o conjunto de ações educativas direcionadas para o exercício correto da mediunidade educação essa, que não se prende as quatro paredes do templo espírita, mas, vai além no envolvimento das orientações basilares do Mestre - Orai e vigiai, no que concerne as nossas imperfeições como também nossas ações ainda perniciosas. E vai e não peques mais, para que não te suceda coisa ainda pior - no que concerne a mudança de estrutura mental, vibracional e de ação no bem. Pois, o Mestre, não somente diz que deixemos de praticar o mal, mas que pratiquemos acima de tudo o BEM.
Principalmente modificando a condição interpretada por nós do grande Amor-terapia legado por Jesus para todos nós: Não fazer ao próximo aquilo que não queremos para nós, modificando a estrutura negativista desta frase para: Faça ao próximo aquilo que queres para ti mesmo. Identificamos nossa verdadeira missão como cristãos em qualquer tarefa, transformando essas tarefas desde as mais simplórias em tarefas redentoras pela ação do Amor.
A educação da mediunidade, é um trabalho para toda a vida. Começa antes da reencarnação, continua nela e prossegue no além túmulo.
Há uma grande necessidade de amparo ao candidato ao mediunismo, na presença de problemas psíquicos, emocionais e físicos, recebendo na casa espírita orientações de cunho doutrinárias. É necessário que primeiro ocorra uma harmonização espiritual, antes da entrega do neófito ao exercício mediúnico.
Sendo importante que seja levado ao conhecimento do médium principiante que, na fase inicial, é natural o surgimento de um clima psicológico inconstante, de altos e baixos, isto é compreensível, haja vista a mediunidade propiciar em um envolvimento mais próximo a interferência dos desencarnados na vida humana, e que geralmente são seres envolvidos com o mal ou com atos perniciosos, transmitindo assim, a irradiação das suas energias produzindo sensações anômalas, desagradáveis, que perfeitamente podem ser confundidas com problemas patológicos outros e que devem ser bem esclarecido ao irmão que se propõe para a nova tarefa.
A condição do estudo é de muita importância para uma educação segura e embasada no que se diz respeito a faculdade.
Médium é o ser, é o indivíduo que serve de traço de união aos espíritos, para que estes possam comunicar-se facilmente com os homens. (Erasto em O Livro dos Médiuns, Cap. XXII, item 236).



Ética Mediúnica, do espírito Odilon Fernandes

Na lida com os desencarnados, o médium necessita saber que está lidando com espíritos fora do corpo, homens sem o seu veículo físico de manifestação a quem a morte não santificou e nem alterou, de imediato, a natureza de seus pensamentos.
Entre encarnados e desencarnados deve se estabelecer uma parceria consciente com objetivos que transcendem todo e qualquer interesse material.
Os Espíritos, habitando as dimensões do Invisível, continuam interessados no progresso do planeta - não se trata apenas do propósito de cooperar com Jesus na evolução da Humanidade; trata-se igualmente de melhorar a psicosfera do orbe terrestre e as condições de vida nele existentes, posto que, com raras exceções, todos haverão de tomar o caminho da reencarnação.
Os médiuns afeitos ao serviço do Bem, estão trabalhando sobre a Terra para continuarem trabalhando no Mundo Espiritual, porquanto a vida de Além-Túmulo, para todos os homens, é a sequência natural do que estejam fazendo. Médiuns apenas com a aparência de devotamento, movidos por interesses estritamente pessoais, haverão de se decepcionar profundamente, quando a liberação do corpo de carne os colocar em confronto com a própria consciência.
Ser médium não é uma condição especial para a criatura encarnada, no entanto pode tornar-se pelo modo com que encare a tarefa que está sendo chamada a desempenhar - sem dúvida, trata-se para o homem de uma das melhores oportunidades de crescimento espiritual que a Lei está lhe conferindo, ao longo de suas múltiplas experiências reencarnatórias.
O médium, portanto, deveria encarar com maior responsabilidade o compromisso, lutando por um melhor aproveitamento do tempo.
Condição mediúnica desprezada assemelha-se ao talento enterrado da parábola de Jesus... Os que se revela indiferentes diante de seus dons medianímicos, sejam eles expressivos ou não, anularão em si mesmos excelente oportunidade de trabalho; quem faz questão de cultivar-se mediunicamente, estabelece importantes vínculos mentais dom a Espiritualidade, e a ideia de sua própria sobrevivência constantemente o influência em suas decisões.
Em ser médium, o médium só tem a lucrar, desde, é claro, que mão utilize as suas faculdades espirituais para a sua satisfação material - sim, porquanto existem medianeiros que subordinam os interesses da mediunidade que são eternos, aos de natureza temporária. Companheiros que, por desconhecerem a ética que impera na mediunidade, permitam uma companhia espiritual saudável por espíritos interesseiros e levianos.
A mediunidade, por assim dizer, é um terreno que será ocupado - no espaço psíquico do medianeiro - por espíritos que lhe reclamarão a posse para o Bem ou para o Mal.
A proteção espiritual destinada aos médiuns, na supervisão de suas atividades, atua com base na sinceridade dos seus propósitos; medianeiros que atraiam a influência dos espíritos ignorantes, não oferecerão sintonia aos que, por seu intermédio, desejam desenvolver um trabalho sério e de consequências benéficas para a Humanidade.
Sem o que chamaríamos de moral mediúnica, a mediunidade jamais será exercida de modo responsável.
(Carlos Baccelli pelo Espírito Odilon Fernandes no livro "Conversando com os Médiuns")

Espiritismo e Mediunismo, de Weimar Muniz de Oliveira


É muito frequente a confusão que se faz entre Espiritismo e Mediunismo.
O Espiritismo é uma coisa. O Mediunismo é outra coisa.
O Espiritismo é uma doutrina de tríplice aspecto. E, em essência, Filosofia e Ciência, tendo, como natural decorrência, a Moral e a Religião.
O Espiritismo representa o cumprimento da promessa solene do meigo Rabi, ou seja, é o Consolador Prometido.
É, sem dúvida, a terceira Grande Revelação à Humanidade.
É neste ponto, ou seja, na realidade do natural intercâmbio entre os seres, daqui e de lá, que se pode detectar o processo mediúnico, de variada natureza, peculiar a todas as religiões, processo medianímico esse que tem sido negado por certas seitas, mais por interesse imediatista do que propriamente por convicção.
Tanto é que, no Ocidente, à exceção da Doutrina dos Espíritos, é a própria Ciência que está prestes a levantar de vez o véu que ainda não se descerrou de todo no horizonte do conhecimento.
Não há negar a existência do fenômeno mediúnico.
Não há negar a mediunidade, nos seus inumeráveis modus operandi, Dom inerente à pessoa humana, de qualquer crença ou de crença nenhuma.
E é por isso que a Ciência a vem pesquisando sob a designação de fenomenologia paranormal, e detectando-a nos laboratórios das maiores universidades, em todo o mundo.
Ora, se assim é, se o fenômeno mediúnico, ou paranormal, é patrimônio do ser humano, por sua própria natureza, por que só ã Doutrina Espírita se atribuir tudo o que acontece no que respeita ao fenômeno?
É verdade que coube à Doutrina Espírita, até agora, melhor compreender, explicar e disciplinar o fenômeno mediúnico, o que não pode significar que todo fenômeno mediúnico se dê sob a égide da Doutrina Espírita.
O fenômeno é universal. É humano, inerente à organização biopsicossomática do homem.
O que se faz preciso é que não apenas a Ciência se conscientize no que concerne ao fenômeno, mas toda religião ou seita que se preze, sob pena de inevitável insulamento, com o passar do tempo e do progresso material e espiritual.
Da mesma formo, urge que a legislação se empenhe no sentido de acompanhar a Ciência no seu ingente esforço de devassar o ainda ignoto, diante da pequenez humana sobre a face do Orbe.
Em síntese, o fenômeno mediúnico não é patrimônio da Doutrina Espírita. É patrimônio do homem, da Humanidade.
Assim também os atos desse ou daquele médium (ou paranormal) não são de responsabilidade da Doutrina Espírita, desde que ele, o médium, não se disponha a adotar os princípios da Doutrina Espírita, não apenas com relação ao estrito acatamento das leis humanas, mas, c sobretudo, com relação ao cardeal cânon evangélico:
"Dai de graça o que de graça recebestes". (Mateus, 10:8)

Reformador" - Julho/1991





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