Entrevistas

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DORA INCONTRI

A jornalista e escritora Dora Incontri que lançou no final de 1996 o livro Pestalozzi, Educação e Ética, e nos falou sobre as influências de Pestalozzi na obra da Allan Kardec. Segundo ela, a pedagogia de Kardec deve muito à de Pestalozzi seu professor. Incontri e é autora dos livros: Educação na Nova Era e Estação Terra, além de livros de poesias.

Entrevista para Visão Espírita a Revista Eletrônica do Espiritismo

P: – Qual a maior influência de Pestalozzi no então Professor Rivail?
R: – São várias. Eu não acho que tenha sido casual o fato de ele ser mestre de Kardec, acho que ele foi realmente um precursor do Espiritismo. Uma das coisas mais impressionantes que existe de relação de pensamento é a questão do conceito de religião, porque Pestalozzi já tinha o conceito espírita de religião, uma religião natural, sem hierarquias, sacerdócio, a religião como algo íntimo de homem. O próprio fato de Kadec ter sido um educador, deu à Doutrina Espírita um caráter pedagógico. Então a Doutrina Espírita é uma proposta acima de tudo pedagógica, de educação do espírito.
P: – E sobre a pedagogia de Kardec em relação a Pestalozzi?
R: – Eu tenho alguns textos inéditos em português da época em que Kardec era educador na França. No meu curso de pedagogia na Feesp eu passo alguns desses textos. E muito interessante, são textos dele como educador. Na minha tese inclusive eu pretendo observar a continuidade de pensamento Pestalozzi-Rivail-Kardec.
P: – A organização dos livros básicos da Codificação sofreu essa influência em que sentido?
R: – Em todos os sentidos. A forma que ele escrevia é uma forma didática. Antes de se dedicar ao Espiritismo ele escreveu muitas obras didáticas. A maneira de ensinar a Doutrina Espírita já é uma maneira bastante pedagógica. Outra influência é a síntese do conhecimento. Kardec foi realmente um educador. Como educador ele tinha uma visão de síntese do conhecimento. Se Kardec fosse apenas cientista, ou um filósofo, ou um sacerdote, ele teria destacado apenas aspectos específicos. Como educador ele ficou no equilíbrio da síntese, unindo todas as áreas do conhecimento.
P:- Como foram seus primeiros contatos com as ideias de Pestalozzi?
R: – Através do Espiritismo. Eu escrevi meu primeiro livro sobre educação quando tinha 21 anos de idade, ainda cursando a faculdade. Foi Educação na Nova Era, que lancei em 1984. Nesse livro já coloquei uma pequena pesquisa sobre Pestalozzi. Mandei vir alguns livros da Alemanha e fiz um capítulo sobre Pestalozzi, dizendo que para se formular uma pedagogia espírita teria que se buscar as raízes nele, pois Kardec foi seu discípulo e Pestalozzi foi um dos maiores educadores da humanidade.
P: – Como foi a pesquisa para escrever o livro?
R: – Fui à Europa duas vezes, falei com especialistas em Pestalozzi, peguei as obras dele em alemão, que são obras difíceis, escritas em alemão do século XVIII. O livro, na verdade, analisa o pensamento de Pestalozzi. No final tem uma antologia de textos dele, trazidos pela primeira vez para o português.
P:- Você já vem trabalhando com educação há muitos anos?
R: – Sim, esse livro é minha tese de mestrado em educação. Depois que eu terminei a faculdade comecei a escrever em jornais só sobre educação, mas vi que tinha que aprofundar no assunto e fui fazer mestrado na USP. Já naquela ocasião a minha intenção era fazer o mestrado sobre Pedagogia Espírita, mas não foi aceito. Então eu fiz um tema que tinha a ver com o assunto, que foi Pestalozzi. Agora consegui entrar para fazer o doutorado, onde estarei defendendo minha tese sobre Pedagogia Espírita.
P:- Por que existe essa barreira contra o tema?
R: – Preconceito. Muita gente acha que o Espiritismo é uma seita e não tem conteúdo filosófico para sustentar uma tese. Eles aceitam muitas vezes em estudo antropológico ou sociológico, que encara o Espiritismo apenas como movimento de massa, movimento religioso. Mas ao tomar o Espiritismo como uma filosofia para ser analisada, que é o que eu vou fazer, surgem os maiores preconceitos. Pouco a pouco nós vamos entrando nas universidades, mas o importante é não perder a caracterização espírita e deixar-se contaminar pelo discurso acadêmico.
P: – Que tipo de contaminação?
R: – Eu acho que o Espiritismo tem que se abrir para o diálogo com o conhecimento atual. Por exemplo, Herculano Pires sabia fazer essa ponte entre o conhecimento espírita e toda a história da filosofia, filosofia contemporânea, ele sabia muito bem unir as coisas sem perder a fidelidade a Kardec, às Obras Básicas, à Doutrina Espírita. Às vezes certas pessoas perdem por não resistir à pressão do meio acadêmico.
P: – Qual a necessidade e quais as características de uma pedagogia espírita?
R: – O Espiritismo tem de dar uma colaboração para transformar todas as áreas do conhecimento. Ele tem algo a acrescentar a todas elas. E no ramo da pedagogia, principalmente. As principais vertentes da pedagogia moderna, a ideia de que a criança aprende fazendo, são ideias que vem da tradição, platônica, russeauniana, pestalozziana.
A mesma tradição em que se insere o Espiritismo. A essa tradição o Espiritismo acrescenta dados, outra visão de mundo que a pedagogia não tem, a visão da criança como um ser encarnado, como um ser transcendente, como um ser Inter existencial, que é um ser espiritual. A pedagogia espírita pode alargar os horizontes da visão do homem. Não só educar para ser um cidadão, mas para seu desabrochar evolutivo.
P: – Como seria uma escola moldada nesse sistema?
R: – Em primeiro lugar qualquer escola teria que mudar completamente. O modelo tradicional de escola não serve mais. Isso todos, mesmo não espíritas, sabem. Crianças ficarem sentadas ouvindo professor falar, não serve mais. A escola espírita teria de ser revolucionária, mesmo dentro de um sistema tradicional. Acrescentando-se ainda a visão da criança como um ser responsável, que já traz uma bagagem, devendo ser estimulada em suas tendências inatas, em suas vocações. Nada de salas de aula tradicionais, mas através de passeios, laboratórios, como o próprio Pestalozzi fazia. Deveria também entrar a visão espírita do mundo, não seriam “aulas” de Espiritismo, como uma catequese, mas uma visão dentro da educação.
P: – O que seria diferente, por exemplo, no ensino de álgebra?
R: – Tudo deve partir da experiência e da observação, nada de maneira abstrata, de acordo com a necessidade de aplicação. Usando o exemplo da álgebra, existe uma escola aqui em São Paulo que faz projetos de engenharia, monta brinquedos, telégrafos, coisas que funcionam. Na montagem dessas coisas usam matemática, desenho industrial. A escola deveria ser toda direcionada para a ação. Aprende-se fazendo.
P: – E as avaliações, como seriam?
R: – É um absurdo toda essa maneira de se avaliar sobre conteúdos decorados. Avaliação tem que serem cima de trabalhos, de projetos, de produção, de criatividade, com uma análise do desenvolvimento do aluno, não simplesmente dando aquelas notas sobre conteúdos decorados. Isso não avalia ninguém. Em Yverdon não existia nota, recompensa, castigo. O que se propunha era justamente o contrário, o ensino mútuo, aqueles que se destacavam em determinado assunto ajudavam os outros.


Raul Teixeira

Entrevista concedida pelo ao Jornal de Espiritismo, da Portugal, quando do 6º Congresso Espírita Mundial, Valência, Espanha, Outubro 2010 – 1ª Parte

JL - O Dr. Raul Teixeira é físico, é doutorado na área da Educação, foi Professor da Universidade Federal Fluminense, de Niterói, Rio de Janeiro. Ainda é, ou já está reformado?
Dr. Raul Teixeira - Estou reformado há dois anos.
JL – Sei que o que orienta «O Remanso Fraterno», que é uma instituição que apoia crianças.
RT – Sou um dos diretores, sim. Crianças socialmente carentes e as famílias dessas crianças. Fazemos um trabalho de escolarização das crianças. Elas entram às 7H30 da manhã, saem às 17H00, nós temos transporte, para ir buscá-las e devolvê-las aos mesmos lugares. Os pais vão deixá-las e vão buscá-las aos mesmos lugares. 
JL – Porque é que se meteu com uma trabalheira dessas, quando podia levar uma vida tão boa como professor universitário?
RT – O que ocorre é que eu sou um professor universitário espírita, e sempre, desde jovem, fazendo palestras espíritas e pregando a fraternidade e a caridade como bandeira. E os bons espíritos entenderam que era importante que o meu falar tivesse o respaldo da minha prática. A minha prática de vida pessoal era uma prática já vivida por mim, ainda que com esforços, mas a minha prática social precisava de ser desenvolvida.
Então em 1978 reuni um grupo de companheiros, começámos a atender numa das favelas da minha cidade. Durante 2 anos atendemos ali, fundámos, em função disso, a sociedade espírita, logo o nosso trabalho social começou antes da fundação do Centro Espírita da Sociedade Vida Fraternidade.
Depois dessa sociedade fundada nós não pudemos mais manter os trabalhos sociais na mesma favela, porque ela foi urbanizada pelo Governo e não nos permitiram mais qualquer espaço físico e como nós tínhamos o trabalho de reforço escolar, de aulas de costura com as mães, etc., precisávamos de espaço físico. Daí saímos para adquirir um terreno de 50 mil m2 onde instalámos há 22 anos o «Remanso Fraterno» e dessa maneira o Remanso vem sendo o braço social da sociedade espírita Fraternidade, embora a sociedade tenha nascido a partir desse trabalho social na favela. 
JL – O Raul seguiu um chamamento, uma opção interior, ou foram os espíritos que lhe propuseram essa tarefa?
RT- Não, eu não tive nenhum desejo pessoal de começar alguma coisa, de fazer alguma coisa. Desde criança fui chamado pelo mundo dos espíritos. Até onde a minha memória alcança, tinha dois anos e meio de idade quando comecei a registar os espíritos e digo até onde a minha memória alcança porque comecei a registar os espíritos atravessando as paredes, descendo o teto, conversando com a minha mãe, a minha mãe ainda era encarnada e era médium, vidente, audiente, médium de efeitos físicos.
Eu nasci num lar de médiuns, eles não eram espíritas, eram médiuns, a minha mãe e a minha irmã mais velha, até que eu perguntava à minha mãe, muito criancinha, o que era aquilo que eu estava vendo, quem eram aquelas pessoas que atravessavam paredes e ela dizia-me naturalmente, para acatar a minha mentalidade infantil, que eram os nossos irmãos de luz e eu fiquei com essa frase na minha cabeça.
A minha mãe desencarnou quando eu tinha apenas 4 anos de idade, logo, as memórias que eu tenho dela foram até essa data e depois disso envolvi-me com trabalhos da igreja católica, o meu pai colocou-me junto à igreja católica porque naquela época as famílias, mesmo que tivessem mediunidade, que fossem médiuns, todo o mundo se dizia católico, porque não se conhecia na nossa região nenhum centro espírita. Onde eu vivia não havia centro espírita e depois dos meus 17 anos, continuando aqueles registos é que eu pude conhecer o Espiritismo.
Conversando com um amigo meu de infância que há muito não via a respeito das coisas que eu sentia, dos registos, a minha conversa com o sacerdote e ele sempre me orientava para ler a Bíblia e aos 14 anos para 15 eu tinha lido a Bíblia cinco vezes de ponta a ponta e ele me dizia que o que eu via era o Satanás e eu dizia-lhe que via a minha mãe e ele dizia que era o Satanás que se fazia passar por minha mãe e eu dizia que eles me davam bons conselhos e ele afirmava-me que o Satanás também dá bons conselhos e então foi-me criando uma confusão na cabeça.
Então se Deus dá bons conselhos e Satanás também, é difícil a gente optar com quem fica. Conversando com esse amigo, José Luís Vilaça, ele disse-me que frequentava um grupo de jovens espíritas e que se eu quisesse ir lá visitar, ele me levaria. E de facto, eu fui, atendendo ao seu convite, conhecer um grupo de jovens espíritas e desde 1967 eu conheci esse grupo de jovens ao qual me vinculei porque eu, que eu tinha uma suposição bastante equivocada a respeito do que fosse o Espiritismo e um grupo de jovens espíritas para mim parecia-me uma coisa muito surreal, acabei por me encantar porque achei jovens da minha faixa de idade alegres, joviais, estudando, conversando, cantando e com muita seriedade e toda uma mensagem que eu vim a saber que era a doutrina espírita. Estudei, li avidamente os livros da codificação espírita, os livros que me caíram na mão.
O primeiro livro que eu li, antes de estudar Kardec, foi o livro de Leon Denis, «O Problema do Ser, do Destino e da Dor» que me causou viva impressão, uma paixão imensa até hoje e só depois de Leon Denis é que eu comecei a estudar os livros de Allan Kardec. Recebi outro impacto muito forte ao perceber que as ideias de Allan Kardec eram exatamente as coisas que eu pensava e que eu não imaginava que estivesse aquilo devidamente escrito, codificado, organizado. E nesse primeiro dia que conheci um centro espírita na atual encarnação, por ser muito tímido, eu vi a aula daquele dia muito bem ministrada pela professora, até que ela me perguntou, para me tirar com certeza do silêncio, o que é que eu sabia sobre o tema tratado.
Naquela tarde estudava-se sobre a 1ª. Revelação de Deus ao Ocidente, falava sobre Moisés e quando eu ouvia falar de Moisés a minha alma fervia, porque eu tinha lido a Bíblia 5 vezes, eu tinha tudo de Moisés na cabeça, até que ela me perguntou o que é que eu sabia sobre Moisés. Nesse momento tive uma sensação muito estranha porque a língua pareceu-me crescida dentro da boca, o peito cresceu-me e eu falei durante vinte minutos sem respirar, sem parar, sem pôr vírgulas, sem pontos, sem nada. Falei num estado de semi-transe, sem raciocinar o que eu falava. Falei 20 minutos e quando parei de falar ela me anunciou, e à classe, que não tinha mais aula para dar, porque eu tinha falado tudo o que ela programara para a aula da tarde. E ficámos a conversar sobre o que eu tinha falado. Pela 1ª vez que entrei num centro espírita realizei a minha 1ª palestra e nunca mais parei. 
JL – Até hoje...
RT – Até hoje. E com isso já se vão 44 anos e tenho essa felicidade de ter conhecido o Espiritismo através do Espiritismo. Não conheci o Espiritismo através de médiuns de mediunidade famosa, eu não me cerquei dessas coisas, eu apaixonei-me pelo Espiritismo, pela ideia, pela proposta, pela mensagem.
E daí até hoje tenho muita dificuldade em admitir que um movimento espírita possa enraizar-se quando ele nasce em redor de  médiuns e de  mediunidade, porque na medida em que os médiuns falham, em que os médiuns se equivocam, uma vez que são seres humanos, tudo o que foi criado em cima deles desaba junto. 
JL – Claro.
RT – Quando você torna-se espírita em torno da doutrina espírita, quem quiser pode cair, quem quiser pode levantar-se, você está com o espiritismo. Essa tem sido a minha felicidade até hoje de ter começado pelo espiritismo e ter tido muita resistência por aceitar a mediunidade em mim, resisti muito e quem me ajudou sobremodo nessa minha fase inicial do espiritismo para que eu aceitasse a mediunidade, admitisse a mediunidade, foi Divaldo Franco.
Devo-lhe os diálogos pacientíssimos comigo, devo-lhe as orientações que me deu nesse capítulo, as oportunidades que ele me deu de exercitar a minha mediunidade no grupo espírita, no centro espírita Caminho da Redenção, nas suas reuniões mediúnicas a convite dele. Tive essa segurança de saber que qualquer deslize, qualquer coisa, ele me orientaria e me falaria. Foi só depois dessas orientações de Divaldo Franco que eu tive coragem de me apresentar como médium publicamente. Eu trabalhava a mediunidade num centro espírita. 
JL - Eu não sabia que tinha frequentado o Centro do Divaldo.
RT – Não, eu não frequentei, mas cada vez que eu ia a Salvador ele colocava-me nas reuniões e dava-me muito apoio e, vendo-me muito jovem e inexperiente, certamente ele se apiedava da minha ingenuidade e deu-me muito respaldo. Devo-lhe essa segurança mediúnica que tenho hoje, graças a Deus. Então foi assim que eu comecei na tarefa espírita. Conheci Divaldo Franco 3 anos depois de me ter tornado espírita e 4 anos depois conheci Chico Xavier e dessa maneira fui desenvolvendo o meu início espírita em muito boas bases, porque fui observando Divaldo Franco, fui observando Chico Xavier, D. Ivone Pereira tornou-se uma grande amiga minha, eu frequentava a sua casa e falávamos pelo telefone e as minhas dúvidas em relação à minha vida como espírita, eu conversava com essas criaturas e tive a oportunidade de ter um entrosamento com Deolindo Amorim, no Rio de Janeiro, que se me tornou um grande amigo, um excelente conselheiro, ele e a sua esposa. Eu tive uma formação da qual não me posso queixar.
Se eu cometer algum deslize, se cometer algum desatino no trabalho espírita, isso deve-se à minha irresponsabilidade, não à falta da orientação, da formação que eu tive. Graças a Deus tenho procurado manter-me nessas bases, procurando o Espiritismo segundo a codificação espírita num tempo de muitos modismos, num tempo em que muita gente quer colocar os seus pontos e as suas vírgulas na codificação, numa época em que muita gente já quer «consertar» a codificação espírita, que ainda nem é conhecida.
Neste mundo de muitos novidadeiros, felizmente tenho-me procurado manter na pauta da fidelidade ao conhecimento espírita, ampliando, desenvolvendo, discutindo, hoje com os meus companheiros da Sociedade Espírita Fraternidade a respeito da verdade que a doutrina espírita traz e da capacidade que ela tem de nos fazer entender a nós próprios, o nosso momento histórico, o nosso estado psicológico, psico-espiritual, de tal modo que nós saibamos viver neste mundo, sem que nos deixemos arrojar por este mundo, no chão das frustrações.
Sabemos das dificuldades de viver num planeta como o nosso, o momento que estamos vivendo de muita necessidade e muito cuidado, de muita vigilância e isso tudo nos vai levar a procurar ser pessoas inseridas no seu tempo com os pés fincados no chão da realidade mas com os olhos voltados para as estrelas. 




FOCALIZANDO O TRABALHADOR ESPÍRITA HAROLDO DUTRA DIAS

Qual a sua formação acadêmica e profissional?
 Haroldo Dutra:  Bacharel em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais. Juiz de Direito do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

Como conheceu o Espiritismo e desde quando o segue?
 Haroldo Dutra Conheci a Doutrina Espírita com 15 anos de idade, quando ingressei no Movimento de Mocidades Espíritas de Belo Horizonte, nos idos de 1987.

A que casa espírita está vinculado atualmente e quais atividades que nela desenvolve?
 Haroldo Dutra:  vinculado ao Grupo Espírita da Benção, onde realizo um estudo sobre o Evangelho e participo da reunião mediúnica, fora as inúmeras palestras agendadas no País e no Exterior.

Poderia nos descrever sua trajetória pelo movimento espirita nesses anos?
 Haroldo Dutra:   Participei de Mocidade Espírita, evangelização de mães assistidas, reunião mediúnica, reunião de estudo sistematizado do Evangelho. Colaborei na Revista Reformador, na Apostila do EADE ambas da Federação Espírita Brasileira. Lancei a Tradução do Novo Testamento pela EDICEI, e o Livro Parábolas de Jesus pela FEP, além de inúmeros DVD'S por diversas Federativas.

 Quais as obras de sua autoria espíritas e não espíritas?
 Haroldo Dutra: Tradução do Novo Testamento e Parábolas de Jesus.

Haroldo, poderia nos falar de suas experiências linguísticas, principalmente do grego e do hebraico,  que você utilizou para traduzir textos antigos?
 Haroldo Dutra:  Enquanto fazia o curso de Direito, cursei matérias isoladas do Grego Clássico e da Literatura Grega. Posteriormente, fiz o Hebraico com uma professora de origem judaica, na União Israelita de Belo Horizonte. Ao longo dos anos formei uma rica biblioteca que hoje conta com aproximadamente 4.000 livros todos relativos a pesquisa bíblica.

Tem algum outro livro em andamento?
 Haroldo Dutra:  Estamos terminando a Tradução do Novo Testamento.

Você acredita que traduções como a sua, do Severino Celestino e de outros, podem sugerir modificações nos eventuais equívocos das traduções universalmente consagradas?
 Haroldo Dutra:  Com certeza, uma vez que contribuem para a reflexão em torno do texto bíblico sem o apego aos dogmas seculares.

Qual o caminho para isto ? 
 Haroldo Dutra:  Acreditamos que esse trabalho deve ser feito de coração para coração, primordialmente. Podendo contar com outros instrumentos de divulgação, todos eles são bem vindos, desde que utilizados.

E como tem sido sua atuação na tribuna espírita?
 Haroldo Dutra A bondade Divina tem nos permitido percorrer o Brasil e o Exterior (USA, Portugal, Inglaterra) na divulgação da Doutrina Espírita e do Evangelho.

Como fazer o agendamento?
 Haroldo Dutra:  Apenas através do email haroldodutradias@yahoo.com.br

Algo mais que queira acrescentar?
 Haroldo Dutra:  Queremos salientar que o Evangelho à luz da Doutrina Espírita é o sol que guia nossas almas na jornada do aprimoramento.

Suas despedidas aos nossos leitores
 Haroldo Dutra:   Um abraço a todos os companheiros da Rede do Amigo Espírita, parabenizando a todos e especialmente ao José Aparecido pelo árduo trabalho de divulgação da Doutrina.

Suely Schubert fala sobre Espiritismo, Espiritualidade e de sua amizade com Chico Xavier.

O Regional: Como vê a importância da doutrina espírita no cotidiano das pessoas?
Suely Schubert: 
A doutrina espírita muda totalmente a perspectiva da vida das pessoas, pois tem princípios básicos muito significativos, dentre eles: a crença em Deus, em Jesus, a imortalidade da alma, a vida no mundo espiritual, a comunicabilidade dos Espíritos e a reencarnação. Essa certeza impulsiona as criaturas à busca de uma vida melhor, onde prevaleçam o amor ao próximo, à ética e à justiça. A reencarnação, por exemplo, extingue o preconceito de raça, pois cada ser humano, em vidas anteriores, pertenceu às mais diversas etnias.

O Regional: Como foi seu contato com Chico Xavier enquanto estava vivo? De onde surgiu essa amizade?
Suely: Meus pais e avós eram espíritas e, minhas irmãs e eu, crescemos em meio a livros e mais livros espíritas, sendo que à época predominavam os livros de Allan Kardec, Léon Denis e os psicografados por Chico Xavier, que meu pai adquiria. Cada livro de Chico que chegava, eu lia rapidamente. Daí surgiu o meu carinho pelo médium

O Regional: Como foi seu primeiro encontro com ele?
Suely: Quando me casei, aos 18 anos, meu marido também espírita, resolvemos ir a Uberaba para conhecer o Chico, inclusive porque minha mediunidade a essa altura estava estuante, e desejávamos pedir ao Chico que me orientasse. Ele nos recebeu de maneira maravilhosa e disse logo de início os nossos nomes e o motivo da viagem, o que muito me emocionou. E esta emoção permanece a cada lembrança daquele momento.

O Regional: Quais dos ensinamentos que Chico deixou que considera importantes?
Suely:
 A própria vida de Chico Xavier é toda ela importante, pelos exemplos de amor às criaturas, pela renúncia constante na sua dedicação ao próximo e, especialmente por sua integral vivência do espiritismo e dos ensinos de Jesus.

O Regional: Como foi escrever o livro com cartas de testemunhos de Chico Xavier na obra Testemunhos de Chico Xavier? Qual o valor do trabalho psicográfico apresentado na obra?
Suely: Eram cartas que Chico Xavier endereçou a um amigo, então presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB), as quais eu comento. Através dos relatos do médium, ficamos cientes de suas lutas e testemunhos. Na análise que faço de sua obra mediúnica, procuro evidenciar a autenticidade de sua psicografia, desde a poesia até os romances, numa variedade incrível de estilos.

O Regional: Como surgiu a ideia de escrever a biografia de Divaldo Franco?
Suely: Minha família por essa época tornou-se muito amiga de Divaldo Franco, que há mais de 50 anos vem a Juiz de Fora e é nosso hóspede. Com o sucesso da obra ‘Testemunhos de Chico Xavier’, pensei então em escrever sobre nosso amigo baiano. E assim fizemos, escrevemos ‘O Semeador de Estrelas’, registrando notáveis experiências de Divaldo, em seu dedicado labor, hoje em todos os continentes, bem assim de suas produções mediúnicas, cuja fidelidade à doutrina espírita e seu exemplo de amor à causa são incontestáveis.

O Regional: Como foi concebido o livro ‘Entrevista com Allan Kardec?
Suely: Eu estava participando de um programa espírita, numa das rádios na cidade onde resido, e colecionava frases de Kardec para apresentá-las aos ouvintes, na abertura. Quando estava com uma lista dessas frases, lendo-as, pensei: “E se eu fizesse perguntas cujas respostas fossem estes trechos do Codificador (Allan Kardec)?” Imediatamente, sentindo uma emoção que me dominou, percebi que poderia fazer um livro dessa forma. E assim concretizei a ideia. Jornalistas, em muitas cidades onde vou fazer palestras, até os não espíritas, comentam comigo o quanto apreciam a obra, por sua originalidade.

O Regional: O cinema nacional tem explorado bastante a questão do espiritismo no Brasil. Isso é benéfico para a doutrina?
Suely: A mídia em geral tem apresentado temas de novelas, por exemplo, que abordam o espiritismo, porém quase sempre de maneira incorreta. Por certo despertam o interesse das pessoas que acabam procurando os espíritas para obter mais detalhes e esclarecimentos. Dentre as produções recentes, eu gostei muito do filme As mães de Chico Xavier. Ele é muito bom!

O Regional: Você tem um livro que a editora InterVidas de Catanduva vai lançar numa edição especial: “Transtornos mentais – uma leitura espírita”. Poderia relatar como e porque escreveu esta obra? Você é psiquiatra?
Suely: Este livro resultou do atendimento que faço, no centro espírita, há muitos anos. Sempre me interessei por tudo o que se refere à mente, ao pensamento, ao cérebro humano. Embora não tendo conhecimento acadêmico, passei a ler livros de psiquiatria, de psicologia.
Ao mesmo tempo, sensibilizava-me com pessoas que vinham para a entrevista nos moldes espíritas, portadoras de vários tipos de transtornos. Daí surgiu o meu interesse em saber que são esquizofrenia, psicoses, transtorno obsessivo compulsivo (TOC), transtorno bipolar, depressão, estresse pós-traumático etc.
Não sou psiquiatra e por isso demorei dez anos para considerar que estava pronta para escrever a respeito, mostrando, é claro, a visão espírita acerca desses transtornos mentais e de vários outros, ressaltando o benefício que a doutrina proporciona aos portadores desses transtornos mentais.

O Regional: Como foi a produção do livro?

Suely: A InterVidas deu um tratamento especial ao livro, apresentando-o com uma produção gráfica bastante esmerada. Acima da beleza da obra, o que mais se destacou nesse trabalho editorial foi a incorporação de um extenso acervo de notas explicativas que elucidam termos técnicos da psiquiatria, da psicologia e da psicanálise, além de esclarecerem vocábulos incomuns e até mesmo as expressões próprias da doutrina espírita. Em razão da importância de se compreender e saber lidar com os transtornos mentais, o propósito da InterVidas de tornar o tema mais acessível e claro para os diversos públicos é algo de imenso valor.


Entrevista com Paulo Figueiredo

Paulo Figueiredo nasceu em São Paulo-SP, em 6 de março de 1940, e ganhou destaque no cenário nacional por sua carreira de ator, diretor e roteirista na TV, no cinema e no teatro. Atuou em várias novelas, como “Éramos Seis”, “Terra Nostra”, “Laços de Família” e “Escrava Isaura”, na TV Globo. Em 2012 integrou o elenco da minissérie “Rei Davi”, na TV Record. No cinema, participou de vários filmes, principalmente na década de 1970, como ator, diretor e roteirista. Toda a sua experiência está agora voltada para a direção do 10o filme espírita produzido no Brasil nos últimos cinco anos: E A Vida Continua..., baseado no último livro da “Série André Luiz”. Nesta entrevista, Paulo Figueiredo fala sobre a produção e as expectativas de mais um longametragem espírita que em breve estará nos cinemas brasileiros.

RIE – Como surgiu a ideia e por que a escolha do último livro da série André Luiz para adaptação ao cinema?
Paulo Figueiredo A Literatura Espírita oferece material amplo e variado, dividindo-se entre obras voltadas ao conhecimento puramente didático da Doutrina, e outras, identificadas como romances, contos, novelas,  cartas,  mensagens, que utilizam personagens quase sempre reais,  vivendo  ou relatando seus dramas, suas histórias, com o propósito de levar o leitor à reflexão, ao estudo, através da exposição dramatizada. Romances, em especial os biográficos ligados à Doutrina Espírita, têm sido adaptados para o cinema, com alguma frequência. 
Os critérios que levam à escolha de determinada obra para a transposição de mídia partem, via de regra, do sucesso que o livro possa ter alcançado junto ao público e de sua viabilidade como filme.  Certas obras literárias são condenadas como “inadaptáveis”, por terem conteúdo e forma narrativa “não visual”, excessivamente verborrágica, descritiva demais.
O primeiro e o último livros da série A Vida no Mundo Espiritual, de André Luiz (“Nosso Lar” e “E A Vida Continua...”) são obras perfeitamente adequadas à transposição para a tela. Contam histórias de seres humanos comuns, cujas vidas, na Terra e no Mundo Maior foram comoventes e exemplares processos de evolução espiritual.  Milhares de  livros ligados à Doutrina servem para adaptação cinematográfica. Eu apenas comecei com “E A Vida Continua...”.

RIE – O filme foi exibido em março no II Festival de Cinema Transcendental, em Brasília-DF. Como você sentiu a reação do público em relação ao filme?
Paulo O II Festival de Cinema Transcendental, em Brasília/DF, em março último, serviu como importante teste junto ao grande público. Pude observar e sentir, da maneira mais objetiva e eficiente possível, as reações das pessoas na plateia durante a projeção do filme. Ao longo de cada diferente trecho, notei perfeita compatibilidade entre o que se passava na tela e a consequente reação de todos. Isso significa, eu acho, que as minhas intenções, meus propósitos como autor do filme foram transmitidos ao público da forma imaginada já a partir da criação do roteiro, o que é uma recompensa extraordinária.

RIE – Qual a data prevista para estreia? Quais cidades receberão primeiramente o filme?
Paulo A estreia está prevista para agosto ou setembro. Serão em 60 salas de cinemas, primeiramente nas capitais, depois em outras cidades.

RIE – Comente sobre a trilha sonora.
Paulo Música e silêncio. A arte de usar cada um destes componentes da melhor maneira num filme é dificílima. Convoquei um amigo chamado Beto Ninni, músico de grande talento e experiência para compor a trilha sonora. Mergulhou fundo, extraiu de cada cena a mais expressiva inspiração, e foi construindo, passo a passo, o que resultou numa bela sucessão de comentários incidentais e músicas temáticas, ao longo do filme.  “E A Vida Continua...” é uma história de características simples, e a música teria de seguir este propósito. Assim foi pensado e feito. Não mais que molduras para emoções.

RIE – Em quanto tempo e onde foram realizadas as gravações?
Paulo Voltar no tempo é necessário, agora. No início dos anos 1970 escrevi uma peça teatral (inacabada) e dei-lhe o mesmo nome do livro no qual me inspirei: “E A Vida Continua...”.  Meio timidamente busquei estimular parceiros no ambiente artístico, e fora dele, para que embarcassem comigo no projeto. Mas fui descobrindo, aos poucos, a inviabilidade desta minha pretensão. Excessivo número de atores, montagem complexa e caríssima, participação de pessoal técnico e de produção altamente sofisticado, e o script incompleto, fizeram com que o projeto mergulhasse fundo numa gaveta e por lá ficasse.
Até mesmo o nosso sempre querido Chico Xavier chegou a me dar conselhos quanto ao projeto, numa consulta que lhe fiz a respeito. Mais recentemente, por volta de 2004, tive o prazer de conhecer e privar da amizade de um homem chamado Oceano Vieira de Melo, historiador, documentarista, muito dedicado a estudos profundos do Espiritismo e de seus mais célebres expoentes.
Afinidades e objetivos comuns vieram à tona quanto a unir experiências profissionais e vivências do cotidiano com a velha vontade de ajudar, através do cinema, na divulgação de histórias sempre tão atuais, dessas que impressionam e ao mesmo tempo levam à reflexão, sobre questões em geral muito próximas do dia a dia de todos nós, humanos aprendendo a viver.
A parceria surgiu sem esforço e o antigo sonho voltou decidido a virar realidade. Vamos fazer “E A Vida Continua...”! Planejado o filme, saímos à procura de locações e recursos de várias espécies. Para nossa surpresa, as coisas foram se encaixando de tal forma, que logo tínhamos à nossa disposição locais como o Instituto Bairral, em Itapira, que cedeu suas instalações para que ali montássemos cenários reproduzindo recantos da Colônia Espiritual Nosso Lar. No Bairral rodamos cerca de setenta por cento de “E A Vida Continua...”.
Outras tantas pessoas amigas, instituições, empresas de São Paulo e de Bragança Paulista colaboraram decisivamente para a realização, envolvendo-se material e espiritualmente no projeto. Esse envolvimento, a propósito, estende-se a todo o pessoal técnico e artístico participante, desde as funções mais humildes no set de filmagem até os protagonistas. Entre as fases a que chamamos pré-produção, produção e pós-produção, dois anos foram consumidos até o instante de apresentar o filme numa tela. É pouco trabalho, se comparado ao que os nossos mais belos sonhos esperam como resultado: plantar nos corações e mentes dos nossos irmãos pelo menos um pouco de amor.

RIE – Qual o critério de escolha dos atores principais?
Paulo O elenco artístico foi determinado de um jeito que se pode entender como natural. Vieram sugestões de nomes para cada papel. Conforme me apresentavam os atores e as atrizes indicados, mais e mais me dominava o sentimento de que se tratava de uma escolha já feita, que aquelas eram as pessoas ideais, e pronto!

RIE – E a expectativa de público? Espera-se o mesmo sucesso de filmes como “Nosso Lar” e “Chico Xavier”?
Paulo Não importa a quantidade de espectadores que o filme terá.  Se apenas um receber o recado e o usar para mudar sua vida para melhor, já teremos sido regiamente pagos.

RIE – Nos últimos cinco anos foram produzidos 10 filmes espíritas no Brasil. Qual a importância desse trabalho para divulgação espírita em relação ao público leigo?
Paulo Finalmente estamos vendo filmes espíritas realizados por espíritas. Isso garante a fidelidade à obra adaptada ou aos princípios que abraçamos e que tanto nos ensina e consola. Como somos educados na Doutrina Espírita para a paz e para o bem, queremos compartilhar com outras pessoas o que recebemos da Espiritualidade, sem proselitismo, naturalmente.

RIE – E em termos artísticos? Pode-se dizer que foi criado um novo segmento de mercado?
Paulo Sim e não. O gênero já existia, mas através de produções realizadas por pessoas que desconhecem o Espiritismo. Em algumas ocasiões, realizavam-se cenas inadequadas para assunto tão sério e que todos os espíritas já sabem. Quanto ao segmento, só o tempo dirá se ele se manterá. Público nós temos. Basta pensarmos em produzir filmes normalmente sem nos preocupar com grandes orçamentos, e pensar somente em adaptar obras caras de serem produzidas. Pode-se muito bem adaptar obras literárias espíritas respeitando não só nossos princípios, como também a arte cinematográfica.

RIE – Há projetos para novos filmes da série André Luiz ou com temática espírita?
Paulo Sim, mas, por enquanto, esse projeto está em fase de negociação. 


Com Arnaldo Rocha sobre Chico Xavier 

Em um preito de amor, carinho e sentimento de gratidão, ante a desencarnação de Chico Xavier – fiel trabalhador do Evangelho na Seara Espírita, o Espírita Mineiro entrevista um de seus mais íntimos e fiéis amigos dos primeiros tempos: Arnaldo Rocha – Conselheiro da União Espírita Mineira e cooperador assíduo de suas reuniões e atividades doutrinárias. Aos oitenta e dois anos, guarda vivo na memória um rico acervo de recordações de sua longa e fraterna convivência com a inesquecível “Alma Querida” de Pedro Leopoldo, algumas delas aqui expostas nesta entrevista.

1) Espírita Mineiro - Arnaldo Rocha, grande parte dos espíritas sabe de sua amizade com Francisco Cândido Xavier, por isso gostaríamos de iniciar nossa entrevista pedindo a você que narre o seu primeiro encontro com o médium de Pedro Leopoldo.
Arnaldo Rocha – Foi na tarde de 22 de Outubro de 1946, exatamente 21 dias após o desencarne de Irma de Castro, nossa querida Meimei. Subindo a Av. Santos Dumont, em BH, esbarrei fortuitamente em um moço simples que caminhava em sentido contrário, derrubei os seus pertences e quase o joguei no chão. Após recolher os objetos espalhados, pedi-lhe desculpas. Foi quando o reconheci, já que acabara de ler uma reportagem da revista “O Cruzeiro” a respeito do médium de Pedro Leopoldo.
Fiquei tão emocionado, diante daquele moço, que meu coração dizia já conhecê-lo de algum lugar. Chico me olhou com ternura e pronunciou uma frase que um recém-viúvo jamais poderia esquecer: “Escuta, Naldinho” — não é assim que Meimei lhe falava? Ela está aqui conosco, radiante de alegria pelos seus 24 janeiros, ou melhor, ela diz 24 primaveras de amor! Hoje não é o dia do aniversário da Meimei? Deixa-me ver o retrato dela que você traz na carteira”. Fiquei estupefato, eram detalhes que só nós dois - eu e minha falecida esposa – sabíamos. Foi assim que se iniciou nossa grande amizade.

2) EM – Nos idos dos anos cinquenta, você, o Clóvis Tavares, o Wallace Leal V. Rodrigues, José Gonçalves Pereira, Joaquim Alves (Jô), e o Ênio Santos formavam um grupo seleto de amigos íntimos do médium. Sabe-se, inclusive, que Chico sempre os convidava para preces e diálogos reservados, no seio da natureza, como por exemplo no açude de Pedro Leopoldo (onde pela primeira vez Chico vira o benfeitor Emmanuel). Como eram esses encontros e o que geralmente ocorria neles?
AR – Nossos diálogos sempre foram pautadas no espírito de amizade, lealdade, alegria e constante aprendizado. Conversávamos sobre diversos assuntos, desde ciência, política, história, religiões e principalmente sobre nossa querida Doutrina Espírita, tendo como encaminhamento final do assunto o Evangelho de Jesus. Nesses encontros, a presença dos benfeitores espirituais era marcante.
O que mais me impressionava eram as observações e orientações dos mesmos, acerca dos assuntos nos quais nossas limitações impediam mais altos voos. Assim, quando o assunto, por exemplo, era história, ao final dos diálogos, os amigos espirituais nos apontavam os erros históricos, os ingredientes que oferecem sentido às incongruências. Havia ocasiões em que traziam narrativas que os homens encarnados desconhecem. Tenho muitas saudades dos momentos vividos junto àqueles amigos, especialmente o Chico por peça principal e aglutinadora.

3) EM – A facilidade e a segurança com que o inesquecível médium mineiro entrava em relação com o Mundo Espiritual, sobretudo com suas vivências passadas, e ainda com o passado das pessoas que o cercavam, é um fato. Como ele administrava essas prerrogativas mediúnicas, e com quem partilhava essas reminiscências e revelações?
AR – A mediunidade do Chico pode ser classificada em diversos ciclos. Em nossa época, ela foi marcada pelas revelações do passado, em razão dele estar psicografando os romances de Emmanuel, e os livros de André Luiz. É interessante observar como as transições na vida do Chico ofereciam-lhe oportunidade de conviver exatamente com os companheiros que fizeram parte dos seus dramas no passado.
Com isso, as irradiações específicas emanadas por estes amigos lhe auxiliavam, de alguma sorte, na aproximação de entidades espirituais, bem como na abertura de painéis psíquicos, com suas respectivas reminiscências. Dentre estes companheiros, o médium recebeu verdadeiros pais, educadores, irmãos, como também aqueles que expressavam muitas dificuldades. Dentre os benfeitores citados, não posso deixar de citar o Dr. Rômulo Joviano, José Xavier, Cícero Pereira, Rubens Romanelli, o nosso querido Ênio Santos, e muitos outros que a memória não nos auxilia a citar neste instante.
Por nossa vez, em companhia de Clóvis Tavares, Wallace Leal, José Gonçalves Pereira e Joaquim Alves (Jô), travamos luminosos diálogos com o médium, que enfeixavam revelações do passado espiritual de todos nós, inclusive o dele próprio, nosso Chico. Ele nos apresentava seus conflitos pessoais, os seus sonhos, e não escondia suas limitações. Havia uma unanimidade entre nós, nossas vidas eram transformadas, em função das benesses recebidas.

4) EM – Foi por uma sugestão especial do próprio Chico que você se vinculou ao quadro de servidores da União Espírita Mineira? Você poderia nos contar quando e como isso aconteceu?
AR – Na realidade foi o Dr. Camilo Rodrigues Chaves quem me convidou para fazer parte do quadro de trabalhadores da UEM, mas não posso deixar de registrar o apoio constante do Chico, que sempre me falava dos compromissos que eu tinha com essa querida Casa, que tem a missão de unir, em torno do Evangelho, os espíritas das Gerais.

5) EM – Após a mudança do Chico para Uberaba, você continuou a visitá-lo e a se corresponder com ele?
AR – Visitava-o sempre que o tempo me permitia, mas frequentemente nos falávamos por telefone, além da constante troca de correspondências.

6) EM – Durante toda a sua existência, o iluminado médium de Pedro Leopoldo apoiou, com declarado carinho, o trabalho da Federativa de Minas (UEM). Como explicar esse respeito dele, bem como sua assistência contínua à União Espírita Mineira?
AR – A UEM é a Casa Máter do Espiritismo em Minas Gerais, por isso, sempre que convidado, Chico Xavier nos brindava com sua presença, e ele sempre ressaltava que a unificação dos espíritas deve começar pela união dos corações. Quando nosso Chico iniciou seu trabalho mediúnico, a União o apoiou incondicionalmente, a partir da gestão do inesquecível professor Cícero Pereira. Chico o amava de coração, tanto quanto à sua esposa, dona Guiomar, que o tinham por verdadeiro filho. Aí se sedimentou a reverência e o carinho de Chico para com a UEM, que se estendeu pelas gestões de Dr. Camilo Chaves, Dr. Bady e de nossa Neném Aluotto, até os nossos dias.

7 ) EM – Tendo convivido tão intimamente com o Chico, e tendo dirigido, por tantos anos, em sessões íntimas, sua exuberante e evangelizada mediunidade, o que você recomendaria aos novos médiuns com relação ao trabalho e à divulgação da Doutrina Espírita?
AR – Cito uma frase do companheiro Deolindo Amorim, o qual aprendi a respeitar através da mediunidade do Chico, esperando que nossos irmãos médiuns reflitam em tão importante ensinamento: “Na minha última encarnação — dizia ele já desencarnado em nossas reuniões mediúnicas —, o Evangelho foi o livro de minha vida”.
Complementando, de minha parte, digo que sigam o exemplo do Chico. Depois do primeiro contato com Emmanuel em 1931, o devotado médium seguiu-lhe, até os últimos instantes de sua vida, as três recomendações básicas ditadas pelo Senador: Disciplina, Disciplina, Disciplina. O médium necessita de simplicidade – foi o que Chico demonstrou na manjedoura de sua vida; necessita de humildade.
Chico apagou-se o tempo todo para que os Espíritos falassem, além de ter delegado a pessoas idôneas e conhecedoras de Doutrina Espírita a tarefa de auxiliá-lo na avaliação das obras psicografadas; necessita de amor – Jesus nos ensina a conjugar o verbo amar quando diz: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei. A vida do Chico foi um mandato de amor.

8) EM – Arnaldo, como confidente de inúmeras revelações do querido missionário, o que você poderia nos dizer sobre os romances históricos de Emmanuel – são, de fato, alguns deles, trechos da história evolutiva de Emmanuel e do próprio Chico?
AR – Sem dúvida. Emmanuel, nos seus romances, nos oferece um grande exemplo de amor, luta e verdadeiras transformações. Desde Públio Lentulus Sura e Públio Lentulus Cornélio (Há Dois Mil Anos), Nestório (Cinquenta Anos Depois), Basílio (Ave, Cristo!), Padre Manuel da Nóbrega, e o Padre Damiano (Renúncia), encontramos muitas personalidades marcantes em busca da evolução consciente. E o nosso Chico sempre esteve caminhando com Emmanuel. Quem não se lembra da sua filha Flávia, em Há Dois Mil Anos…?

9) EM – Algumas dessas suas experiências ao lado do médium incomparável, bem como as revelações que você ouviu dele próprio, ao que se sabe, estão sendo anotadas por um amigo e companheiro de tarefas da UEM. Esse material será publicado em livro, em favor das novas gerações espíritas?
AR – Há quase dois anos que nossa “Alma Querida” desencarnou. Desde então, o companheiro citado nos procurou com o intuito de anotar essas recordações de nossas vivências junto ao médium. No início ficamos ressabiados, mas com o passar do tempo, em que o trabalho foi sendo desenvolvido sem nenhuma pretensão, verificávamos que, mais que um livro, estávamos reeditando uma grande amizade, com preciosos ensinamentos cristãos.
Assim, os diálogos foram se transformando em recordações inestimáveis, capazes de traduzir ao coração dos novos espíritas o que foi a inesquecível Pedro Leopoldo de algumas décadas da primeira metade do século XX, quando se reuniam os “Amigos para Sempre”.

10) EM – Qual mensagem você deixaria para os espíritas, com base no seu trabalho e vivência ao lado desse extraordinário apóstolo do Espiritismo, eleito o mineiro mais importante do século XX, em votação popular?
AR – Não me sinto digno de oferecer uma mensagem, já que a busco para o meu próprio coração renitente e devedor. O que posso fazer, sem nenhuma pretensão, são algumas observações, que a vivência junto ao Chico me autoriza. Se estudarmos sua vida, sem pieguismo ou idolatria, encontraremos lições que podem nos auxiliar a nos aproximar daqueles espíritos benfeitores, dos quais Chico foi fiel instrumento, e com isso, transformar nossos ideais em obras concretas. Emmanuel nos ofereceu uma página de luz que deve ser o roteiro de todos nós espíritas, que está contida no livro “Religião dos Espíritos”, com o título Doutrina Espírita.
Tenho para mim que precisamos dignificar o Espiritismo, nos dignificando. Finalizo minhas insignificantes palavras rendendo um preito de amor, carinho e um profundo sentimento de gratidão a Chico Xavier. Sinto que, se ele estivesse aqui e nos oferecesse um óbolo para nossas observações, transferiria essa homenagem a todos os amigos de Doutrina, para, juntos, buscarmos Nosso Senhor Jesus Cristo, em Espírito e Verdade.
E para transferir o muito que recebemos aos nossos irmãos espíritas, reproduzimos a letra da música que Quinto Varro, como Corvino, na obra “Ave, Cristo!” ensinou às crianças para cantarem em saudação a Taciano — letra musical que Chico me ensinou a ter como roteiro de vida:
“Companheiro, companheiro!
Na senda que te conduz,
Que o Céu te conceda à vida
As bênçãos da Eterna Luz!…
Companheiro, companheiro!
Recebe por saudação
Nossas flores de alegria

No vaso do coração.”

Entrevista com Therezinha Oliveira

Nascida em Cravinhos e criada em Santos, Therezinha de Oliveira, tinha quase 10 anos quando o pai desencarnou. Acabou indo morar em Ribeirão Preto, terra da mãe, depois na capital paulista e, em 1956, partiu para a cidade na qual vive até hoje, Campinas.
 Foi nesse município que se tornou professora primária pelo Instituto de Educação Carlos Gomes, mas não chegou a lecionar, por haver ingressado, por concurso público, no serviço da Prefeitura do Município de Campinas, em 1959, onde ficou até se aposentar.
 Além da vida normal na cidade paulista, Therezinha assumiu outro papel: o de forte atuação no Movimento de Mocidades Espíritas, considerado por ela uma “descoberta entusiasmante”. Seu envolvimento teve início no Centro Espírita Allan Kardec (Ceak), em bairro central de Campinas. “Contatando jovens e adultos pelo Brasil afora, entendi que não estamos sós em nosso ideal e que, com o conhecimento espírita e o entendimento cristão, muito se pode fazer por nosso progresso e o da humanidade. Embora esse muito seja o pouco de que somos capazes, ele é indispensável para o progresso geral. E, cada um dando o seu melhor, a soma será sempre expressiva e valiosa”, declara.
 Therezinha conheceu a Doutrina nos tempos de Ribeirão Preto, quando a mediunidade da mãe “teria aflorado”. Foi lá que participou do “catecismo espírita”, no Centro Espírita Eurípedes Barsanulfo, e a acompanhava nas reuniões em que atuava como médium. Em São Paulo, esteve em esporádicas reuniões mediúnicas, ainda como acompanhante da mãe, porém, quando se mudou para Campinas, a família toda ingressou no movimento do Ceak. Ela disse:
 “Logo que cheguei em Campinas, integrei-me na Mocidade Espírita do `Allan Kardec’, que me ensejou conhecer e participar do movimento dos jovens espíritas brasileiros, por meio das Concentrações de Mocidades Espíritas do Brasil Central e do Estado de São Paulo. Nesse movimento, tive a oportunidade de fazer valiosa rede de amizades em vários estados brasileiros e de começar o trabalho de divulgação oral, depois de participar, de forma inesperada, do ‘concurso de oratória’ em Bauru, em 1959. O envolvimento da trabalhadora teve tanta importância que, inspirado nela, nasceu o hino Mocidade no Evangelho, recebido por ocasião da XIII Concentração de Mocidades Espíritas do Brasil Central e do Estado de São Paulo, realizada em Campinas, em 1960.
 “A flâmula dessa concentração trazia um evangelho aberto, sobre ele uma rosa, e a letra do hino dizia:Mocidade, rubra rosa rescendendo suave olor é o símbolo perfeito de tua graça e teu vigor. Mocidade, o Evangelho é o solo benfeitor, de que a rosa haure o alento para a paz e para o amor. Essa composição musical está no CD Na Luz da Inspiração, em que canto músicas e declamo poesias que me foram inspiradas”, relembra Therezinha. 

Pergunta - Theresinha, você escreveu vários livros. Quais são?
Resposta - Na série Estudos e Cursos, são sete livros: Iniciação ao Espiritismo; Mediunidade; Reuniões Mediúnicas; Fluidos e Passes; Oratória a Serviço do Espiritismo; Estudos Espíritas do Evangelho; Orientação Mediúnica. As demais obras, doutrinárias e evangélicas, compõem um total de 15 títulos: Espiritismo (A Doutrina e o Movimento); Parábolas que Jesus Contou (E Valem para Sempre); Jesus, o Cristo; Na Luz do Evangelho (A Mensagem do Amor); Na Luz do Espiritismo (Tudo se Esclarece); Na Luz da Mediunidade (Os Mortos Vivem e se Comunicam); Na Luz da Reencarnação (A Vida É Sempre Vida); Quando o Evangelho Fala; Quando o Espiritismo Fala; Conversando com os Espíritos na Reunião Mediúnica; Para Ler e Reler; Mulher e Mãe (Uma Homenagem); Ante os Problemas Humanos; Coisas que Não Esqueci (Porque me Ensinaram Muito); A Eterna Mensagem (Revelações Espirituais ao Longo dos Tempos) e O Evangelho É Simples Assim.
   Há, ainda, quatro folhetos, de boa aceitação e utilidade na casa espírita: Ante os que Partiram; Reencarnação é Assim...; Suicídio? Um Doloroso Engano; e Chegando à Casa Espírita. Aproveito para esclarecer que o folheto Deixem-me Viver não é de minha autoria. Ele se baseia em depoimento do Dr. E. Nathanson e só colaborei na sua organização, para ser publicado  por nossa editora.
   No prelo, estão dois livros dedicados às crianças: O Sino de Cristal e A Empregada Feia. Os direitos de toda essa produção foram entregues à Editora Allan Kardec, do Ceak, que destina os rendimentos à manutenção de suas obras sociais.

Pergunta Você se lembra bem de quando Chico Xavier recebeu o título de cidadania, em Campinas, em 1974...
Resposta - De fato, em 27 de julho de 1974, Chico Xavier recebeu em Campinas, por voto unânime dos vereadores campineiros, o título de cidadão, em cerimônia no Ginásio de Esportes do Taquaral. O Movimento Espírita prestou-lhe muitas outras homenagens. À noite, no Ceak, ele recebeu cerca de 3 mil populares que ali compareceram para congratular-se com ele e demonstrar-lhe o seu afeto. E Chico  esmerou-se em retribuir a cada um, incansavelmente, o seu aperto de mão, presenteando-os com uma rosa.

Pergunta Pelo que consta, foi emocionante o discurso de Chico naquele ano em que, coincidentemente, Campinas comemorava o bicentenário.
Resposta - Sim. Como registrou Mário Tamassia, em folheto da época, Chico disse que uma “força compulsiva” o levava a revelar o que estava acontecendo ali, no plano invisível: o ginásio se transformara em “santuário de luz” e, diante dele, “personalidades e quadros de Campinas do passado desfilavam através de processos que não sabia definir”. Aludiu, o médium, a episódios da história campineira, citando nossos grandes homens, como Barreto Leme, Quirino dos Santos, Campos Sales, Carlos Gomes e Francisco Glicério. E comentou que Emmanuel lhe explicara o porquê da presença de tantos vultos nobres na ocasião: Isso se verifica em função do bicentenário da cidade, sendo que em todo mês de julho corrente, amigos espirituais têm vindo, quando possível, à cidade, a fim de compartilhar da referida comemoração.
   Na manhã seguinte, Chico compareceu a uma reunião promovida pela União das Sociedades Espíritas (USE), na Casa do Caminho, que mantém a Casa da Criança Meimei, para um encontro com os dirigentes espíritas campineiros e também concedeu entrevista ao Diário do Povo.
Pergunta - E, hoje, como enxerga o Movimento Espírita? 
Resposta - O Movimento Espírita é muito expressivo e atuante e altamente promissor para o futuro, se houver, de nossa parte, fidelidade doutrinária nos trabalhos que executamos e o cuidado de preparar as novas gerações para a continuidade dos ideais e labores espíritas.

Pergunta - E quanto à bibliografia espírita, produzida mediunicamente e por autores encarnados, acredita que tem sido produtiva?
Resposta - A literatura espírita requer atenção e melhor seleção, por todos nós, para que não perca o bom nível com que tem conquistado leitores em todas as classes sociais.

Pergunta - O apelo comercial tem sido muito grande, em detrimento da qualidade dos livros espíritas ou rotulados de espíritas?
Resposta - Realmente, o interesse e a aceitação populares pelos temas espíritas tornaram comercialmente lucrativos os investimentos nessa área e muitos são atraídos pela oportunidade de sucesso fácil.

Pergunta - Que fazer para mudar esse quadro?
Resposta - Divulgar ainda mais a boa literatura, as obras básicas, os autores clássicos (como Léon Denis, Gabriel Delanne, Bozzano), os nacionais, como Cairbar Schutel, Deolindo Amorim, Herculano Pires e Vinícius, e os mediúnicos (como os recebidos por Chico Xavier e Yvonne Pereira). Obras assim apuram o “paladar literário e doutrinário” dos leitores e fazem com que, ao ler as obras oportunistas, percebam a diferença de conteúdo e de forma, levando-as a escolher melhor o material agradável e útil de que precisam para alimento de suas mentes.



 Homossexualidade sob a Ótica do Espírito Imortal, com Andrei Moreira


1. Homossexualidade é ou não uma doença à luz do Espírito imortal?
Resposta: Desde 1973, a homossexualidade deixou de ser classificada como tal pela Associação Americana de Psiquiatria. Em 1975 a Associação Americana de Psicologia adotou o mesmo procedimento, deixando de considerar a homossexualidade como doença. No Brasil, em 1985, o Conselho Federal de Psicologia deixa de considerar a homossexualidade como um desvio sexual e, em 1999, estabelece regras para a atuação dos psicólogos em relação à questões de orientação sexual, declarando que “a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão” e que os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura da homossexualidade.
No dia 17 de Maio de 1990 a Assembleia-geral da Organização Mundial de Saúde (sigla OMS) retirou a homossexualidade da sua lista de doenças mentais, a Classificação internacional de doenças (sigla CID). Por fim, em 1991, a Anistia Internacional passa a considerar a discriminação contra homossexuais uma violação aos direitos humanos.
A Homossexualidade, segundo a ciência, é uma orientação afetivo-sexual normal. Sob o ponto de vista espírita, tem sido catalogada por muitos escritores espíritas como doença ou distúrbio da sexualidade, em franco desrespeito ao conhecimento científico atual. Não há base no conhecimento espírita para se afirmar tal coisa.
Não há uma visão que seja consenso sobre o assunto no movimento espírita, mas há excelentes textos dos espíritos André Luiz e Emmanuel nos direcionando o pensamento e a reflexão para o respeito, acolhimento e inclusão da pessoa homossexual, entendendo a homossexualidade como uma condição evolutiva natural (e o termo “natural” como sinônimo de “presente na natureza”), decorrente de múltiplos fatores, sempre individuais para cada espírito, construída ou escolhida pelo espírito, em função de tarefas específicas ou provas redentoras, incluindo aí as condições expiativas e reeducativas devidas a abusos afetivo-sexuais no passado, que parecem ser a causa determinante da maior parte das condições homossexuais, segundo a literatura espírita.
2. Qual a diferença entre orientação e escolha sexual?
Resposta: Orientação sexual representa o desejo e o interesse afetivo-sexual (note bem: não somente sexual, mas também afetivo) do indivíduo, decorrente de múltiplos fatores, os quais determinam com qual sexo ele se sente realizado para uma parceria íntima. A orientação sexual é fruto da história pessoal do indivíduo, presente e passada; é influenciada pela cultura e pelas identificações psicológicas, porém não controlada ou determinada conscientemente pelo indivíduo.
Nasce-se com ela. Escolha é fruto da decisão consciente de se viver ou não a orientação, aceitá-la ou reprimi-la, de acordo com as idealizações e a pressão familiar-social-cultural do meio em que o indivíduo se encontra reencarnado.
3. O homem homossexual se sente uma mulher? A mulher homossexual se sente um homem?
Resposta: De forma alguma. Identidade e orientação sexual são coisas distintas. Identidade é como o indivíduo se sente, a qual sexo pertence, com qual sexo se identifica psicologicamente. A orientação homossexual representa exclusivamente o direcionamento do afeto e do interesse sexual para indivíduos do mesmo sexo.
O homem homossexual tem a sua identidade masculina, sente-se homem, embora possa ou não ter trejeitos afeminados, conforme sua história e identificação psicológica. Igualmente, a mulher homossexual tem a identidade feminina, embora possa ter ou não trejeitos masculinizados. Quando o indivíduo está em um corpo de um sexo, e sua identidade é a do sexo oposto, dizemos que ele é transexual, que é diferente do homossexual.
4. Em todos os casos, o espírito já renasce homossexual? É possível reverter essa orientação?
Resposta: Há uma diferença entre comportamento homossexual e identidade afetivo-sexual homossexual. Observamos comportamentos homossexuais em indivíduos com doenças psiquiátricas, entre presidiários e soldados em guerra; nessas condições, na ausência da figura feminina, a prática sexual entre iguais praticada por muitos como campo de liberação das tensões sexuais e da busca do prazer. Isso não quer dizer que eles sejam homossexuais. O indivíduo com identidade homossexual é aquele que se sente atraído afetiva e sexualmente por pessoa do mesmo sexo, o que pode ser percebido ou descoberto em diferentes fases da vida do indivíduo.
Não podemos afirmar que todos os homossexuais tenham nascido com essa orientação, pois a variedade de manifestações nessa área nos remete a múltiplas causas, embora a literatura mediúnica espírita nos informe de que em boa parte dos casos as pessoas homossexuais trazem de seu passado espiritual a fonte de sua orientação presente.
Não sendo, em si, uma condição maléfica para o indivíduo, mas neutra, podendo ser positiva ou não, dependendo da forma como for vivenciada, não há necessidade de reverter essa condição. A orientação da ciência médica e psicológica atual é de que o indivíduo homossexual que não se aceita e sofre com isso deve ser classificado como portador de transtorno egodistônico, e os esforços devem se direcionar no sentido de auxiliá-lo a se aceitar e se amar tal qual é, sentindo-se digno de amor e respeito, buscando relações que lhe fortaleçam o auto amor e nas quais possa ser natural, espontâneo e verdadeiro, em busca de sua felicidade e de seu progresso.
Há religiosos e profissionais fundamentalistas que oferecem terapia e assistência espiritual, sobretudo em igrejas evangélicas, para que o indivíduo se “cure” da homossexualidade. Não há registros de casos bem sucedidos. O que frequentemente se observa são indivíduos bissexuais alterando o direcionamento do seu afeto para indivíduos do mesmo sexo, porém muitos deles têm relações sexuais clandestinas com pessoas do mesmo sexo e nos procuram nos consultórios cheios de culpa, medo e vergonha por não se sentirem “curados”.
Além disso, há os indivíduos homossexuais que decidem vestir a máscara de heterossexuais e por algum tempo formam famílias; frequentemente, saem de casa após algum tempo para viverem o que sentem como sua real atração afetivo-sexual.
5. Existem casos de homossexualidade desenvolvida exclusivamente pela educação na infância? Em caso afirmativo, é possível reverter o processo?
Resposta: Segundo Freud, sim, o que não significa que seja passível de reversão ou que haja necessidade disso. Segundo o Conselho Federal de Psicologia a identidade e a orientação sexual estruturadas na infância não são passíveis de reversão, e a homossexualidade não é uma condição que necessite reversão, já que não é uma doença e muito menos um desvio moral.
Porém, na visão espírita, os benfeitores espirituais nos informam que o espírito, ao reencarnar, já escolhe a natureza de suas provas e as condições familiares sociais e pessoais necessárias ao seu progresso, conforme sua consciência indique a necessidade de reparação dos equívocos do passado e de melhoramento pessoal. Em outras situações, quando o espírito não se encontra maduro para definir suas provas, elas são estabelecidas por orientadores evolutivos, mas, ainda assim, são definidas previamente à reencarnação.
Assim, a família, o corpo que a pessoa tem e os principais pontos da existência já estão definidos para patrocinar as condições necessárias ao progresso do indivíduo. Além disso, o espírito traz impressos em si o fruto de suas escolhas, o resultado de suas experiências passadas, em seu psiquismo e no corpo espiritual, a determinar a identidade e a orientação sexual da presente encarnação.
6. Muitos consideram que a abstinência é uma recomendação educativa no caso de homossexualidade. O que você acha?
Resposta: Abstinência não representa educação do desejo e da prática sexual. Contudo, pode ser uma etapa necessária em certos casos, para a disciplina dos impulsos íntimos, de heterossexuais e homossexuais, quando se percebam necessitados de controle do desejo e da prática sem limites. Também pode acontecer que tenham a condição de abstinência imposta pela misericórdia divina como recurso emergencial de salvação perante circunstâncias de abusos reiterados nessa área.
Diz Ermance Dufaux, no livro Unidos para o Amor: “Abstinência nem sempre é solução e pode ser apenas uma medida disciplinar sem que, necessariamente, signifique um ato educativo. Por educar devemos entender, sobretudo, a desenvoltura de qualidades íntimas capazes de nos habilitar ao trato moral seguro e proveitoso com a vida. (…) A questão da sexualidade é pessoal, intransferível, consciencial e a ética nesse campo passa por muitas e muitas adequações”.
O Espiritismo recomenda a todas as criaturas a conscientização a respeito da sacralidade do corpo físico e da sexualidade, como fonte criativa e criadora, destinada a ser fonte de prazer físico e espiritual, sobretudo de realização íntima para o ser humano, em todas as suas formas de expressão.
Sintetiza Emmanuel, na introdução do livro Vida e Sexo: “(…) em torno do sexo, será justo sintetizarmos todas as digressões nas normas seguintes: Não proibição, mas educação. Não abstinência imposta, mas emprego digno, com o devido respeito aos outros e a si mesmo. Não indisciplina, mas controle. Não impulso livre, mas responsabilidade (grifos nossos). Fora disso, é teorizar simplesmente, para depois aprender ou reaprender com a experiência. Sem isso, será enganar-nos, lutar sem proveito, sofrer e recomeçar a obra da sublimação pessoal, tantas vezes quantas se fizerem precisas, pelos mecanismos da reencarnação, porque a aplicação do sexo, ante a luz do amor e da vida, é assunto pertinente à consciência de cada um”.
7. O homossexual não consegue de forma alguma ter atração por pessoa do sexo oposto ou isso pode acontecer de forma natural?
Resposta: Segundo o relatório Kinsey, extensa pesquisa sobre o comportamento sexual humano realizada nos EUA na década de 60 do século XX, pelo biólogo Alfred Kinsey, tanto a homossexualidade como a heterossexualidade absoluta são condições raras em nossa sociedade. A grande maioria das pessoas tem uma condição de desejo predominante, em graus variáveis. Por exemplo, uma pessoa pode ser 80% heterossexual e 20% homossexual ou vice-versa. É natural, portanto, que uma atração heterossexual possa ocorrer na vida de um indivíduo homossexual, o que muitas vezes é entendido pelo leigo como “cura” da homossexualidade.
Emmanuel nos esclarece a respeito dessa realidade no livro Vida e Sexo, cap.21: “através de milênios e milênios, o Espírito passa por fileira imensa de reencarnações, ora em posição de feminilidade, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade, mais ou menos pronunciado, em quase todas as criaturas. O homem e a mulher serão, desse modo, de maneira respectiva, acentuadamente masculino ou acentuadamente feminina, sem especificação psicológica absoluta.”
Podemos compreender assim que todos os indivíduos trazem em sua intimidade a possibilidade de se sentirem atraídos e se apaixonarem por alguém do mesmo sexo (afinal de contas,  a pessoa se apaixona por um indivíduo completo, e não pelo seu corpo apenas). Isso não significa que vá ou necessite viver essa situação.  O psiquismo atende e responde ao impulso do espírito, que é assexuado, mas que cumpre programas específicos em um ou outro sexo, conforme definição anterior e necessidade evolutiva, inserido em um contexto sociocultural que o limita na percepção e expressão do que vai em sua intimidade profunda.
8. Homem ou mulher que tenham fantasias com pessoas do mesmo sexo podem ser considerados homossexuais?
Resposta: Na adolescência as experiências homossexuais são naturais, definidas pela psicologia como experiências de experimentação de uma identidade sexual em formação; não atestam, necessariamente, a orientação homossexual. Já no adulto a fantasia é uma das formas de expressão do desejo e da atração homoafetiva e atestam a intimidade da criatura, mesmo que não sejam aceitas pela personalidade consciente.
9. Qual sua avaliação sobre como a comunidade espírita trata a homossexualidade?
Resposta: Em geral, observamos uma abordagem superficial e discriminatória por parte da comunidade espírita com os homossexuais e a homossexualidade. É compreensível que seja assim, pois todo meio religioso lida com idealizações e preconceitos seculares. Todavia, tal postura pode ser modificada por meio do que recomenda Allan Kardec: estudo sério e aprofundado de um tema para que se possa opinar sobre ele. É lamentável que nós, adeptos de uma fé raciocinada, nos permitamos o mesmo comportamento dos religiosos fundamentalistas.
Observa-se muita opinião pessoal sem fundamento tomada como regra e lei. Tais opiniões costumam ser destituídas de compaixão e amorosidade e terminam por isolar o indivíduo homossexual, taxando-o de doente, perturbado, promíscuo e/ou obsidiado. Às vezes ele é até mesmo afastado das atividades espíritas habituais, como se fosse portador de grave moléstia que devesse receber reprovação e crítica por parte da parcela heterossexual “normal” da sociedade. Tais posturas são frequentemente embasadas no tradicional preconceito judaico-cristão-ocidental de que a única e exclusiva função da sexualidade é a procriação humana, tomando a parte pelo todo.
O Espiritismo é uma doutrina livre e libertária, compromissada com o entendimento da natureza íntima do ser humano e o progresso espiritual. Nos dá bases muito ricas de entendimento do psiquismo e da sexualidade do espírito imortal, como instrumentos divinos dados por Deus ao homem para seu aprimoramento e felicidade. Além disso, nos oferece esclarecimento a respeito das condições e situações determinadas pela liberdade do homem, que desvia esses instrumentos superiores de suas funções sagradas.
É imprescindível que se extinga em nosso movimento o preconceito e que os homossexuais tenham campo de trabalho, se dediquem ao estudo e à prática da doutrina espírita, com a mesma naturalidade de heterossexuais. Isso, para que compreendam o papel de sua condição em seu momento evolutivo e a utilizem com respeito e dignidade com vistas ao equacionamento dos dramas internos, ao cumprimento dos planos de trabalho específicos em sua proposta encarnatória e ao seu progresso pessoal, da família e da sociedade da qual faz parte, da mesma maneira como deve fazer o heterossexual.
10.   Como devem se comportar os pais espíritas de um indivíduo que se descubra homossexual?
Resposta: Aos pais de uma pessoa homossexual cabe o acolhimento integral e amoroso do indivíduo, com aceitação de sua condição, que nada mais é que uma das características da personalidade. Ser homossexual não é sinônimo de ser promíscuo, inferior, afeminado (para homens) ou masculinizado (para mulheres). Simplesmente atesta que o indivíduo se realiza sexual e afetivamente no encontro entre iguais. A pessoa homossexual deve receber a mesma instrução e educação a respeito da sexualidade que os heterossexuais, a fim de bem direcionar as suas energias e esforços no sentido da construção do afeto com quem eleja como parceiro (a).
A postura na vivência da sexualidade, para homossexuais, deve ser a mesma aconselhada pelos espíritos a heterossexuais: dignidade, respeito a si mesmo e ao outro,  valorização da família, da parceria afetiva profunda no casamento e dedicação da energia sexual criativa em benefício da comunidade em que está inserido.
O acolhimento amoroso da família é fundamental para que o indivíduo homossexual possa se aceitar, se compreender, entendendo o papel dessa condição em sua vida atual, e para que se sinta digno e responsável perante suas escolhas. A luta, para aqueles que vivem essa condição, é grande, a fim de afirmar a sua autoestima em uma sociedade que banaliza a condição sexual e vulgariza a diferença.
A família é o núcleo onde se encontram corações compromissados em projetos reencarnatórios comuns, com vínculos pessoais de cada um com o passado daqueles que com eles convivem, devendo ser cada membro dessa célula da sociedade, um esteio para que o melhor do outro venha à tona, por meio da experiência amorosa.
11.  Gostaria de acrescentar algo?
Resposta: Romanos 14:14 “Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nada é de si mesmo imundo a não ser para aquele que assim o considera; para esse é imundo.”
Todas as experiências evolutivas onde estejam presentes o auto respeito, a autoconsideração, a autovalorização e o auto amor são experiências evolutivas promotoras de progresso e evolução, pois aquele que se oferece essas condições naturalmente as estende ao outro na vida.
A homossexualidade, independentemente da forma como se haja estruturado como condição evolutiva momentânea do indivíduo, pode ser vivenciada com dignidade e ser um rico campo de experimentação do afeto e construção do amor, desde que aqueles que a vivam se lembrem de que são espíritos imortais e de que a vida na matéria é tempo de plantio para a eternidade, no terreno do sentimento e das conquistas evolutivas propiciadas pelo amor, em qualquer de suas infinitas manifestações.
Diz-nos Emmanuel no livro Vida e Sexo, lição 21: “A coletividade humana aprenderá, gradativamente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos, para se erguerem como agentes mais elevados de definição da dignidade humana, de vez que a individualidade, em si, exalta a vida comunitária pelo próprio comportamento na sustentação do bem de todos ou a deprime pelo mal que causa com a parte que assume no jogo da delinquência.”
E complementa André Luiz, no livro Sexo e destino –  Cap. 5: “(…) no mundo porvindouro os irmãos reencarnados, tanto em condições normais quanto em condições julgadas anormais, serão tratados em pé de igualdade, no mesmo nível de dignidade humana, reparando-se as injustiças achacadas, há séculos, contra aqueles que renascem sofrendo particularidades anômalas, porquanto a perseguição e a crueldade com que são batidos pela sociedade humana lhes impedem ou dificultam a execução dos encargos que trazem à existência física, quando não fazem deles criaturas hipócritas, com necessidade de mentir incessantemente para viver, sob o sol que a Bondade Divina acendeu em benefício de todos.”. 


Entrevista com Adriano Calsone, autor do livro Madame Kardec


1 - Quando você tornou-se espírita e como descobriu o dom de escrever livros? Por que optou por escrever obras espíritas?
Resposta - Me tornei espiritista nos anos 2000, na época da faculdade. Foi uma situação bastante inusitada, pois “desafiei” os espíritos a me transmitirem uma comunicação mediúnica na biblioteca da universidade. Daí, eu apanhei uma caneta e um pedaço de papel e me concentrei com muito ceticismo para um transe mediúnico, sem saber ao certo o que estava fazendo. Foi quando a minha mão direita (involuntariamente) começou a se movimentar e a escrever um pensamento muito diferente do meu.
O acontecimento mecânico me chocou por horas. Ao sair da universidade, passei numa papelaria e comprei telas e tintas, e o ato se repetiu com muito mais intensidade. Em casa, logo me chamaram de médium e fui orientado a procurar a Federação Espírita do Estado de São Paulo. Permaneci nessa Instituição por quatro anos, fazendo os cursos de evangelização e de educação mediúnica. Minha chegada no Espiritismo foi assim: um misto de curiosidade com desafio.
Não enxergo, necessariamente, o ato de escrever livros como um dom. Vejo mais como uma paixão pela literatura espírita de qualidade, reforçada por uma entrega desinteressada em prol da Doutrina-Luz. É o que venho fazendo e é o que vem funcionando, sem pretensão alguma, em nome da verdade mais próxima da verdade.
A opção por escrever obras espíritas surgiu em 2002, quando senti a necessidade de se pesquisar sobre a pintura mediúnica que vinha exercendo à época, pois eu tinha muitas dúvidas sobre essa mediunidade. Foi aí que surgiu o nosso primeiro livro, Pintura Mediúnica – A visão espírita em ampla pesquisa (Mythos Books), coletânea espírita que nos facilitou o acesso à participação na primeira pesquisa científica mundial sobre pintura mediúnica e neuroimagem, que aconteceu em 2013, na Universidade de Aachen, na Alemanha.

2 - Qual foi a sua principal motivação para escrever o livro “Madame Kardec” e o que pretende transmitir ao leitor?
Resposta - A principal motivação surgiu ao constatarmos que a biografia de Amélie-Gabrielle Boudet estava completamente apagada dos anais do Espiritismo mundial, e que os espíritas haviam se esquecido da importância que a esposa de Allan Kardec exerceu na Doutrina Espírita, seja como espírita empreendedora, seja como a continuadora do legado espírita deixado pelo seu marido.
Por meio de nossas pesquisas, fomos descobrindo que desapareceram (propositalmente) com a história de Amélie, ou seja, ocultaram a sua biografia num descaso sem tamanho. Tudo por conta dos interesses escusos de um grupo de “amigos” de Allan Kardec, os que se sentiram incomodados com as muitas iniciativas espíritas de Amélie. Em verdade: quiseram riscá-la do mapa do Espiritismo, mas não conseguiram...
O que pretendemos transmitir ao leitor, por meio da obra Madame Kardec é, justamente, a relevante militância da mulher mais importante do Espiritismo francês do século 19. Madame Kardec, como empreendedora inteligente, soube conduzir o legado espírita de maneira exemplar, cuidando da imagem póstuma de Allan Kardec e preservando as dez obras fundamentais do Espiritismo, principalmente contra as deturpações em seus originais, que se tornaram uma sorrateira ameaça.
Talvez, o principal destaque do trabalho discreto de Amélie está na defesa de nossa Doutrina. Ele teve que enfrentar os muitos “reformadores” sincréticos de plantão, que desejavam imiscuir teorias e sistemas esdrúxulos na água potável do Espiritismo. Muitas dessas enxertias atentavam contra os preceitos espíritas, como fora o caso dos conceitos roustenguistas e teosóficos (ambos aceitam, por exemplo, a retrogradação dos espíritos por meio da metempsicose), concepções que surgiram com a pretensão de “atualizar” a Doutrina ou mesmo “modernizar” Allan Kardec. Um aspecto contraditório nisso tudo foi que os próprios “espíritas” franceses consentiram essas aproximações difamatórias, o que ocasionou um fenômeno irreversível de cisão que, infelizmente, vem se repetindo nos dias de hoje, dentro do sincrético Movimento Espírita Brasileiro. Enfim, o passado espírita se repete...

3 - Como foi realizada a elaboração e o desenvolvimento da obra? Houve orientações da Espiritualidade? Em caso afirmativo, poderia nos contar como ocorreram?
Resposta - Madame Kardec é um trabalho de pesquisa espírita, não se trata de romance ou obra de ficção. Procuramos compor uma leitura leve e agradável, indo direto aos assuntos, sem rodeiros. O livro levou cinco anos para ficar pronto, haja vista a enorme dificuldade que encontramos para localizar, no Brasil e no exterior, fontes primárias e secundárias (inéditas) sobre a esposa do mestre. Tudo foi muito difícil, pois os historiadores espíritas do passado nos fizeram o grande favor de estilhaçar a biografia de Amélie, tendo nós, na atualidade, que juntar esses cacos biográficos, a fim de preservarmos a história que quase se apagou e o trabalho espírita de nossa biografada.
No decorrer das pesquisas, descobrimos a existência de Madame Berthe Fropo, mulher forte que fora amiga íntima de Amélie, e que a ajudou na manutenção da coerência doutrinária depois da morte de Allan Kardec. Durante a escrita da nossa obra, pressentimos, por diversas vezes, a aproximação do Espírito Fropo, nos sugerindo orientações sobre os caminhos literários que a biografia de Madame Kardec podia tomar. Inclusive, é da valente Fropo a belíssima mensagem espiritual que abre a nossa obra, psicografada pela médium Sandra Carneiro, de Atibaia-SP.

4 – Mensalmente são lançadas dezenas de obras espíritas, mas poucas alcançam tanta repercussão como “Madame Kardec” está tendo nas redes sociais. Você esperava tamanha repercussão?
Resposta - Acredito que a nossa obra vem ganhando tal repercussão por conta do ineditismo da pesquisa biográfica sobre Madame Kardec, como também pelo trabalho editorial realizado pela Vivaluz Editora Espírita. Eles produzem livros espíritas como obras de arte, com projetos gráficos impecáveis, como deveria ser toda obra espírita, pois os nossos leitores merecem um produto de alta qualidade.
O nosso trabalho alcança popularidade porque há nele muitas verdades, revelando uma Madame Kardec em sua plenitude. A obra não engana os seus leitores com distorções historiográficas, muito menos maquia os fatos espíritas do passado, já que é dever de todo historiador não ser conivente com falsários e exploradores que se passam (até hoje) por “benfeitores” do Espiritismo francês. Enfim, o livro deposita valores espíritas em quem realmente os merece: Madame Kardec, Berthe Fropo e Gabriel Delanne são exemplos de espíritas merecedores desses valores, principalmente pela vigilância redobrada na coerência doutrinária – em respeito ao legado espírita que Allan Kardec nos deixou.

5 - Madame Kardec é considerada uma das figuras femininas mais importantes para a história do Espiritismo que em modo geral sempre teve homens como grandes expositores. Como você vê a relevância da mulher à frente da Divulgação Doutrinária?
Resposta - Vejo como atos de conquista e persistência femininas. Hoje, nos encontramos num cenário muito diferente, onde a mulher espírita tem liberdade e voz ativa, é escritora respeitada, conferencista competente, dirigente eficiente e até vice-presidente de instituições espíritas respeitadas, como é o caso atual da Federação Espírita Brasileira. Sou otimista em acreditar que, em menos de uma década, uma mulher assumirá a presidência da FEB, posição secular que até hoje foi absorvida apenas por homens. Tempos atrás, essa presença feminina em cargos importantes no meio espírita nacional ou internacional era muito subjetiva e, no Espiritismo francês do século 19, pouco provável, também por conta dos preconceitos de gênero.
Fizemos um levantamento para descobrir quantas mulheres espíritas francesas frequentaram a antiga Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, presidida por Kardec nos idos de 1860. Descobrimos que não passavam de meia dúzia. Na década de 1880, esse número subiu para uma dúzia de militantes, diante de centenas de sócios homens, muitos desses, machistas e com ideias preconcebidas sobre como deveria se comportar a mulher na sociedade francesa.
Amélie-Gabrielle Boudet foi rara exceção entre as mulheres espíritas francesas, sempre respeitada pelo marido Allan Kardec, que compreendia muitíssimo bem a sua importância. Isso deixou de acontecer quando Kardec desencarnou, depois de março de 1869. Viúva Kardec, acabrunhada, passou a ser extremamente desrespeitada por aqueles mesmos “amigos” íntimos do mestre, sendo, inclusive, assediada moralmente pelo seu mandatário, o senhor Pierre-Gaëtan Leymarie, que foi o braço direito do mestre.
Leymarie, como teósofo e roustenguista convicto, sentiu-se “o sucessor de Kardec” sem o ser, o que o levou a subestimar as iniciativas espíritas da idosa viúva, a ponto de ignorá-la completamente como a responsável pela Revista Espírita, pela Livraria Espírita e demais ações que criou e desempenhou, onde seguia como a detentora do legado kardeciano. Infelizmente, encontramos algumas citações de fontes confiáveis sobre o assédio moral praticado por esse sincretista, o que levou a lúcida Amélie a um rápido adoecimento, como relatamos minuciosamente em nosso livro. Inclusive, as tristes circunstâncias da morte de nossa biografada têm muitíssima relação com essa montanha de descaso e assédio moral.

6 - Como você vê o Movimento Espírita Brasileiro na atualidade com a expansão da literatura espírita?
Resposta - A literatura genuinamente espírita sempre será o maior patrimônio da nossa cultura espírita. O que vemos hoje, no Movimento Espírita Brasileiro, é uma enxurrada de literatices se passando por espírita. São as abusivas pseudo-literaturas espíritas de baixíssima qualidade, até mesmo como literatura espiritualista.
Há um compromisso importante que o leitor espírita, ou simpatizante da literatura espírita, deve assumir como confrade consciencioso: ler de tudo que pousar em suas mãos, mas prezando sempre a qualidade doutrinária em Kardec. Isso equivale a dizer que as obras que contradizerem os preceitos espíritas devem ser compreendidas como literaturas não espíritas, e que essas não deveriam ser vendidas em livrarias espíritas, não deveriam ser aceitas em bibliotecas espíritas ou mesmo em feiras do livro espírita.
Neste sentido também, sempre haverá a necessidade de seleção editorial rigorosa por parte dos dirigentes e/ou responsáveis por departamentos vitais nas casas espíritas. O que vem acontecendo ultimamente é uma verdadeira inversão de valores: obras não espíritas se passando por espíritas e sendo aceitas no Espiritismo sem critério algum. Isso incorre numa incoerência coletiva: a de estarmos sendo coniventes com esses rasos literatismos, permitindo a adoção e a prática de seus conceitos ou sistemas que impugnam o que já foi estabelecido como preceito espírita pelos espíritos superiores nas obras fundamentais da Doutrina Espírita.
Por fim, não façamos do incorruptível Espiritismo caricatura grosseira, permitindo a infiltração dos caracteres maléficos dessas literatices oportunistas.


Entrevista com Clóvis Vieira, diretor do filme "Deixe-me Viver"


Pergunta - Como surgiu a vontade de fazer um filme sobre o tema aborto?
Resposta - Como cineasta e espirita, sempre quis fazer filmes baseados nos livros espiritas que trazem uma revelação maravilhosa, consolo e respostas para nossas dúvidas existenciais. Acredito que todos merecem chegar às telas.
O livro Deixe-me Viver de Luiz Sérgio, psicografado por Irene Pacheco Machado me impressionou muito e considerei que aquelas informações deveriam ser divulgadas também pelo cinema que possui muita força de comunicação. Com certeza a espiritualidade me direcionou para esse filme. São milhões de espíritos que são impedidos de reencarnar, e o sofrimento de todos os envolvidos é enorme. É um dos temas dos mais importantes e, talvez o mais importante. Não temos o direito de colocar obstáculos ao Plano Divino.

Pergunta – Com tantas obras espíritas sobre o aborto, por que justamente o livro “Deixe-me Viver” foi escolhido para ganhar uma adaptação nos cinemas?
Resposta - Bem. Foi o único que li sobre o aborto. Me apaixonei pelo livro e pelo personagem Luiz Sérgio. Pela sua personalidade, pelo seu humor, pela sua fé e pelo seu incansável trabalho na espiritualidade junto aos jovens. Percebi na sua linguagem simples, franca e direta uma virtude. Para o cinema um bom ingrediente é o humor e Luiz tem bom humor mas sabe ser sério quando necessário. Para uma obra cinematográfica, um personagem que vai aprendendo com as experiências é importante, fica dentro das expectativas para uma boa narrativa.

Pergunta - Como foi realizada produção do filme “Deixe-me Viver” e como foi feita a seleção de atores?
Resposta - Realizar Deixe-me Viver, foi muito dificil. No Brasil, e mesmo no mundo não é fácil levantar verbas para um filme. Aqui os cineastas dependem das leis de incentivo, mas não pudemos contar com elas. Vendi minhas pinturas, usei minha aposentadoria, ajuda financeira dos filhos e dos amigos, vendemos cotas, fiz empréstimos. Associei-me a duas produtoras, os atores também são sócios do filme. 
Quanto a seleção dos atores, procurei aqueles que se encaixavam nos perfis dos personagens. E fomos felizes. O ator que faz o papel de Luiz Sérgio, Bernardo Dugin, tem a personalidade muito parecida. Sério, focado e com bom humor. Encontrei-o no youtube. Os atores postam "videobooks" com seus trabalhos.
Sabrina Petraglia também encontrei pelo youtube. Analisei seu trabalho na novela do SBT - Uma Rosa com Amor -, e percebi que ela era uma atriz fantástica de grande potencial. Não havia feito novelas na Globo. Sabrina interpreta Dra. kelly, mentora de Luiz Sérgio no livro e no filme. Hoje está fazendo enorme sucesso no papel de Shirlei em Haja Coração.
Rocco Pitanga é um consagrado ator que me foi sugerido por Indiara Silveira atriz espirita que me foi apresentada por um amigo, vi seu "videobook" e gostei. Ela faz Rebeca uma moça envolvida com a decisão de abortar ou não. Ela contracena com o próprio marido Francer Leite que também é ator.
Fernando Peron que faz Aloisio também mentor e orientador de Luiz Sérgio é ator e dublador, escritor, pesquisador e radialista espirita que já conhecia a muito tempo, criou uma forte sinergia com o protagonista.
Renata Sayuri também encontrei na internet. vi seu trabalho e percebi que se encaixava muito bem como Irmã Rosália, um espirito que cuida da Colonia dos Rejeitados. Com sua interpretação suave e leve nos traz momentos sublimes de contemplação, fé e esperança. 
Mario Cardoso é médium em um centro espirita que minha mulher frequenta. Foi natural a presença desse grande e veterano ator.
Edson Montenegro, cantor e ator, atualmente na novela Cúmplices de Um Resgate no papel de padre Lutero, faz o papel de Frei Quirino em Deixe-me Viver. e o faz de forma emocionante. Foi sugerido pela produtora do filme Cristina Lima que já havia trabalhado com ele.
Escolhi Thomaz Costa - Carrossel e Patrulha Salvadora - pelo seu trabalho na TV. Ele se enquadrava no personagem Gustavo, um espirito que fora abortado. Se saiu muito bem.
Atores profissionais conhecidos como Daliléia Ayala e Regina Bittar esta última conhecida como a "voz do google" fizeram participações especiais e deixaram sua marca de excelentes atrizes. Excelentes atores ainda desconhecidos completam o elenco e prometem grandes carreiras. Estamos muito felizes com o elenco

Pergunta - As produções com teor espírita estão em alta na atualidade, a começar pelas telenovelas e, de uns anos pra cá, com filmes. O que você acha da popularização deste gênero na atualidade?
Resposta - Desde a metade dos anos 90 pensei em só fazer filmes espiritas. Cassiopeia, meu primeiro longa-metragem, já tem componentes da Doutrina. O filme espirita era um gênero que faltava. E com a rica literatura espirita é natural que os filmes comecem a ser produzidos. Acredito que até demoramos a cumprir essa missão. O filme espirita com certeza contribuirá e muito para a compreensão do espiritismo.

Pergunta - Alguns atores de outros filmes espíritas já afirmaram sentir energias e presenças de trabalhadores espirituais nos bastidores. Você também teve essas sensações? O que mais te emocionou durante a produção?
Resposta - Tivemos várias evidencias do apoio espiritual. Fernando Peron mais sensível sempre nos alertava da presença das entidades. Certa vez sobre a casa em que estávamos filmando se formou uma nuvem em forma quase humana, um rosto, com um braço estendido sobre nós. O editor do filme fotografou e postamos em nossa página.
Ocorreu um fenômeno em uma cena que não posso revelar antes do filme ser exibido. Nos deixou admirados. Está no filme, oportunamente poderei comentar.
Temos no filme uma cena muito importante de um por do Sol na espiritualidade. Muito importante, marcante mesmo. E quando terminamos de editar o filme - imagem e som - ultimo trabalho, sentimos alivio imenso, depois de anos de trabalho, nos cumprimentamos e o Duda Mack editor abriu a janela, pois trabalhamos na penumbra, e para nossa surpresa o sol estava se pondo bem na linha do horizonte. Mesmo horário de nossa cena do por do sol. Eu senti uma energia maravilhosa se apoderar de meu corpo e espirito. O significado do término do trabalho e a hora do entardecer me tocou muito. O Duda também fotografou esse momento. Assistindo o filme, poder-se-á entender essa energia. Muitas vezes ficamos muito emocionados com as gravações e tínhamos que parar para enxugar as lágrimas, principalmente em uma cena onde Sabrina Petraglia - Dra. Kelly-, fazia uma oração. Mais que fazer um filme, tivemos uma experiência de vida.
Como estou acostumado com efeitos físicos e como pesquisador que sou, ouvi e presenciei muitos fenômenos, sobretudo no Centro Espírita Padre Zabeu Kauffman, com materializações e levitação de objetos em todas os trabalhos. Certa vez uma folha de rosa se materializou em minha mão. O local ficou quente e a folha apareceu. Contudo, penso que a maioria das pessoas, mesmo espiritas tenham dificuldade de compreender esses fenômenos, principalmente os operados na natureza.
Tanto nos trabalhos do filme quanto na vida. Os participantes da equipe do filme que são espiritas, sempre sentem a presença da espiritualidade. No filme sentimos muitos, eu inclusive tive a oportunidade de ver Luiz Sérgio em desdobramento, e também saber, na espiritualidade sobre o conhecimento de nosso trabalho naquele plano.

Pergunta – Os vídeos com trailers do filme já contam com quase 500 mil visualizações nas redes sociais. Como você está sentindo o feedback da divulgação do filme?
Resposta - Admirado, não pensava que chegaria nesse patamar. Sou naturalmente ansioso, e o senso de responsabilidade aflora mais ainda. Espero que o filme corresponda com as expectativas. Preocupo-me com a velocidade da divulgação, porque as redes de cinema estão reticentes com o filme. A rede Cinépolis está entusiasmada, outras indiferentes, outras reticentes. Mas acreditamos que na medida em que o filme for exibido, essas resistências terminem. Será uma exibição nacional, mas não como os filmes americanos que lançam simultaneamente em todo o território. Pretendemos em 3 meses atingir a maioria das cidades brasileira. Mas não temos um grande distribuidor então as negociações com os cinemas são pontuais. O filme foi muito bem realizado, o tema é importante, temos atores magníficos, um texto que tenho certeza virá de encontro às expectativas da doutrina, há belos momentos com muita emoção e sensibilidade, a trilha sonora é maravilhosa. Meu desejo é que todos, mais que assistir à um filme, vivam a obra como se estivessem dentro da história. Para todos nós que participamos desse filme, foi mais que um trabalho, foi uma experiência existencial.

Pergunta – Devido a grande repercussão do filme nas redes sociais, pessoas de todo o Brasil desejam assistir a produção. Conte-nos mais sobre como ocorrerá o lançamento dos filmes nos cinemas?
Resposta - Como disse anteriormente, as redes não estão preparadas para esse filme. Eles querem filmes de entretenimento, comédias, romances. O filme é forte e ao mesmo tempo sublime. Forte no enfoque do tema aborto e sublime no trabalho de resgate dos socorristas. Sublime também nas mensagens de esperança e no cuidado que a espiritualidade tem com cada espirito rejeitado. Nos preparamos para três formas de divulgação:
1. Na programação normal.
2. Na programação alternativa em horários alternativos como por ex. ao meio dia que não interfere na grade do cinema.
3. em sessões especiais solicitadas pelos centros, federações e associações espiritas. O programador da rede da Cinépolis me disse que o filme espirita Nos passos do Mestre foi programado na cidade de Bauru a pedido dos espiritas da cidade. Eles são inclinados a atender a solicitação das comunidades. Estamos em contatos com várias redes e aguardando respostas.
A rede Cinépolis, presente na maioria dos Estados Brasileiros já firmou acordo conosco e iremos lançar em outubro. Outras redes ainda não confirmaram. Estamos aguardando. As datas de lançamento em várias cidades podem não ser as mesmas, mas nosso objetivo é exibir o filme nos meses de outubro, novembro e dezembro.



Meus Prezados irmãos de Fé
 A entrevista a seguir, é com o nosso confrade Bruno Tavares, da querida Casa dos Humildes. Quem me conhece sabe que não sou de jogar confetes e/ou distribuir aplausos desnecessários. Contudo, justiça seja feita, o Bruno Tavares é um dos maiores divulgadores do Espiritismo no Brasil. Em Pernambuco, eu não tenho dúvida que o Bruno é o maior seguidor da máxima de Emmanuel que disse: “Divulgar o Espiritismo, é a maior caridade”! Esta é a razão maior de estarmos repetindo a sua entrevista, que foi a primeira entrevista do nosso Blog!
 AGNALDO CARDOSO: Como e por que você ingressou na Doutrina Espírita?
BRUNO TAVARES: Nasci em família católica, estudei em colégio católico (Colégio Virgem Poderosa) e depois protestante (Colégio Agnes), mas minha mãe era uma dessas autênticas “espiritólicas” e tendo uma amiga trabalhadora do C. E. Moacir, em Casa Amarela, sempre me levava para tomar passes, isto desde os 5 anos de idade e também me levava à Federação Espírita Pernambucana.
O inusitado e engraçado da história é que muito pouco íamos à missa. Mas por volta dos meus 17 anos foi que me tornei trabalhador espírita efetivo quando cheguei à Casa dos Humildes, a minha casa raiz, de onde jamais me afastei.
 AGNALDO CARDOSO: O que lhe mais lhe impressionou/apaixonou na Doutrina Espírita?
BRUNO TAVARES: Bem, sou filho de jornalista, neto de jornalista, sobrinho de escritor, toda a minha família é composta de leitores vorazes, todos lá em casa liam muito, algo que permanece até os dias de hoje em todo o Clã dos Tavares; então o que mais me apaixonou na Doutrina Espírita foi a tal da Fé Raciocinada voltada para a pesquisa, para a observação e tendo como necessidade absoluta o estudo e a vivência de seus postulados. O estudo verdadeiramente foi o que arrebatou-me para entregar-me, rendido, a este belíssimo ideal, o ideal espírita.
 AGNALDO CARDOSO: Qual a principal mensagem espírita?
BRUNO TAVARES: Ah, indubitavelmente a da fraternidade humana, a que está insculpida com letras de ouro no nosso frontispício: “FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO”, mas a caridade completa, não apenas a beneficência, mas também a benevolência, não apenas a assistência social, mas também a caridade pedagógica, nesse entendimento de que o Espiritismo é, acima de tudo, uma Doutrina de Educação. A sua mensagem de Amor é o galardão maior dessa Doutrina de Luz. .
 AGNALDO CARDOSO: Durante seu tempo como espírita, certamente você teve alegrias e momentos menos felizes. Você poderia nos contar alguns desses momentos que lhe marcaram como espírita?
 BRUNO TAVARES: As alegrias são tantas meu amigo, que só de lembrar umedeço os olhos, faço parte de um Lar das Vovozinhas e a saudade de tantas vovós como Vó Ana, Vó Teresa, Vó Maria José e outras que já partiram para o mundo espiritual e que eram xodós da nossa casa como hoje são Vó Vera, a Vó Teresa de hoje, essa querida caçulinha Vó Irene, todas elas que fazem parte do nosso Lar Geriátrico, da família Casa dos Humildes.
Momentos felizes que vivi fazendo a Campanha do Quilo com Elias Sobreira e participando dos nossos trabalhos ao lado de grandes baluartes como Luiz Honorato, nosso eterno presidente e tantos irmãos queridos que já partiram para a aduana da vida e que do mundo espiritual nos dão forças para continuar a tarefa e a jornada. Momentos felizes também, foram o primeiro passe, a primeira palestra, assistir ao desenvolvimento e ao crescimento da nossa querida Casa dos Humildes.
Agora, coisa ruim a gente não fala, mas se você insistir em um momento triste para mim, vou ficar apenas neste, é que observo com muito descontentamento esse booom de palestras ou palestrões que dão o nome de seminários e dos quais é cobrada a entrada por 20 reais, 30 reais, até 50 reais, não estou falando dos grandes eventos em grandes teatros, não sou maluco e sei que isso tem um custo, mas falo sim dessa febre por eventos pagos em nosso movimento, em nossas casas espíritas, onde muitas vezes os “filhos do calvário” na expressão emotiva do Anjo Abgail ao Apóstolo dos Gentios, não podem entrar e ficam de fora. Fico muito triste quando vejo a aceitação geral desse modus operandi, sem uma palavra sequer que se levante quanto a este, para mim, grande equívoco de lesa-doutrina.
AGNALDO CARDOSO: Para você, o que é Espiritismo?
BRUNO TAVARES: Bom, aqui, me perdoe, me colocarei “Ipsis Litteris” com a formidável e inigualável definição kardequiana: “O Espiritismo é a ciência que trata da origem, natureza e destino dos espíritos e de suas relações com o mundo corporal”.
 AGNALDO CARDOSO: O Espiritismo é uma Religião?
BRUNO TAVARES: Muitas vezes isso é uma questão de semântica, nas discussões menos aprofundadas. Eu, como fiel discípulo e admirador do Prof. Herculano Pires, aquele que no dizer de Emmanuel foi “O metro que melhor mediu Kardec”, prefiro dizer que é uma ciência e uma filosofia com consequências morais, já que o termo religião, usualmente, é dado àquilo que tem rituais, liturgias, paramentos, etc., o que absolutamente não temos.
Mas é claro que aceito o termo Religião na explicação Emmanuelina, do Religare, religação da criatura com O Criador. Mas em nosso movimento, às vezes tão pobre de ideias, por parte de certos confrades, se discute mais palavras do que ideias, a forma do que o fundo.
AGNALDO CARDOSO: Allan Kardec recomendava a atualização periódica dos ensinamentos espíritas, em face do avanço da ciência. Como pôr em prática tal recomendação?
BRUNO TAVARES: A nossa Doutrina é progressiva, Kardec dizia que o Espiritismo caminha com a ciência e se a ciência provar que o Espiritismo está errado num ponto, ele se modificará nesse ponto. Então, no processo evolutivo a espiritualidade superior vem atualizando os ensinamentos através de novas revelações como aconteceu ao longo do tempo com o aparecimento das obras de André Luiz, de Manoel Philomeno de Miranda, de Joanna de Ângelis.
Agora, inaceitável, por todos os modos, são as obras anti-doutrinárias que estão a surgir por médiuns mistificadores e debochados que, com seus seguidores, estão aí a lançar o chiste e a ironia ao rosto do movimento espírita sério, menoscabando e até procurando humilhar pessoas ilibadas.
Inaceitável de igual forma são as práticas místicas como Apometrias, Cromoterapias e quejandos, que hoje infestam muitos arraiais, com os seus efeitos placebos, enganando as massas desavisadas.
Atualização sim, responsável e metódica, como vem sendo feita pelo mundo espiritual responsável. Agora, modismos jamais, nessa colcha de retalhos que pretendem transformar o nosso movimento em algo parecido com uma feira esotérica, isto não é Espiritismo nem atualização coisa nenhuma.
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.AGNALDO CARDOSO: O fanatismo religioso atinge seriamente quase todas as religiões e, infelizmente, parece que não é diferente no meio espírita. Qual é a sua mensagem àqueles que incorrem nesse erro?
BRUNO TAVARES: Este é o polo oposto do que tratamos acima, são os fundamentalistas espíritas, os que não admitem um diálogo inter-religioso, que querem o Espiritismo distante da juventude, da tecnologia moderna, dos avanços da ciência… Seria, esse processo de fanatismo um “Talibanato Espírita” com um Kardec ao pé da letra, quando na verdade sabemos que a letra mata e o espírito vivifica. Para mim fanatismo em Espiritismo é algo ultramontano e totalmente dissociado da fé raciocinada a qual dizemos possuir.
 
AGNALDO CARDOSO: Você acha que a expansão do Espiritismo pelo mundo, deveria ser mais rápida? Você acha que os espíritas deveriam ser menos acomodados? Se assim for, como agilizar esta expansão?
BRUNO TAVARES: Veja bem, Kardec a seu tempo usou a tribuna, o livro, a revista, as viagens, todos os meios disponíveis à sua época. Não tenho dúvida alguma que, se hoje ele estivesse entre nós, usaria absolutamente todos os meios novamente acrescidos pelo mundo virtual, que faculta a divulgação em rede, atingindo milhões de pessoas com a proposta espírita.
Muito vem sendo feito por nobres irmãos no campo da divulgação, precisamos reconhecer isto, mas também sabermos que muito há o que se fazer ainda, agilizando a nossa divulgação. Penso que o movimento espírita, já passou da hora, precisa mobilizar-se por um canal de televisão, enquanto os nossos irmãos reformistas são vorazes e abocanham esse quinhão, o nosso movimento vai a passos de tartaruga, sem sair do lugar, por uma iniciativa como esta que permanece “sine die” para a sua consecução.
Há comodismos na divulgação, sim e demais, principalmente dentro das casas espíritas, a maioria delas sem ter ao menos um jornal informativo de suas atividades, mas já estamos a ver a chegada de jovens valorosos, com o ideal quente e carregado de convicção, tão cedo ainda em suas idades, mas dando mostras para o que vieram, como sendo os arautos de um novo tempo que nos levará de roldão para uma nova e abençoada realidade em todos os nossos meios de produção da divulgação espírita.
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AGNALDO CARDOSO: Por último, o que gostaria de dizer a todos aqueles que procuram pela primeira vez a Doutrina Espírita?
BRUNO TAVARES: Minha palavra, a todos, mas principalmente a essa multidão de jovens que chegam esperançosos ao nosso rincão espírita: Recebam no primeiro momento as benesses do atendimento fraterno, do socorro espiritual, da mensagem amiga, mas depois juntem a filosofia ao cabo da enxada, trabalhem com amor e destemor por um dos mais caros ideais presentes na Terra na atualidade, agora, jamais perguntem o que o Espiritismo pode fazer por você, mas sim o que você pode fazer pelo Espiritismo, o resto será consequência.
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Como já asseverei, o Bruno Tavares, é um dos maiores divulgadores do Espiritismo, seja como requisitado palestrante; como estudioso da Doutrina Espírita ou através do seu Blog, onde encontramos as informações mais importantes do Movimento Espírita, não só em Pernambuco, mas também do Brasil.

É uma honra ser seu amigo!

Agnaldo Cardoso



Causas Espirituais das DoençasRespostas do Espírito Emmanuel


A seguir produzimos perguntas e respostas de Emmanuel contidas no livro "Leis do Amor", psicografado por Chico Xavier e Waldo Vieira, sobre a questão das causas espirituais das doenças. 

1 - O que estrutura espiritualmente o corpo de carne?
Emmanuel: O corpo espiritual ou perispírito é o corpo básico, constituído de matéria sutil, sobre o qual se organiza o corpo de carne.
2 - O erro de uma encarnação passada pode incluir na encarnação presente, predispondo o corpo físico às doenças? De que modo?
Emmanuel - A grande maioria das doenças tem a sua causa profunda na estrutura semi-material do corpo espiritual. Havendo o espírito agido erradamente, nesse ou naquele setor da experiência evolutiva, vinca o corpo espiritual com desequilíbrios ou distonias, que o predispõem à instalação de determinadas enfermidades, conforme o órgão atingido.
3 - Quais os dois aspectos da Justiça?
Emmanuel - A Justiça na Terra pune simplesmente a crueldade manifesta, cujas consequências transitam nas áreas do interesse público, dilapidando a vida e induzindo à criminalidade; entretanto, esse é apenas o seu aspecto exterior, porque a Justiça é sempre manifestação constante da Lei Divina, nos processos da evolução e nas atividades da consciência.
4 - Qual a relação existente entre doenças e a Justiça?
Emmanuel - No curso das enfermidades, é imperioso venhamos a examinar a Justiça, funcionando com todo o seu poder regenerativo, para sanar os males que acalentamos.
5 - O que faz o Espírito, antes de reencarnar-se visando à própria melhoria?
Emmanuel - Antes da reencarnação, nós mesmos, em plenitude de responsabilidade, analisamos os pontos vulneráveis da própria alma, advogando em nosso próprio favor a concessão dos impedimentos físicos que, em tempo certo, nos imunizem, ante a possibilidade de reincidência nos erros em que estamos incursos.
6 - Que pedem, para regenerar-se, os intelectuais que conspurcaram os tesouros da alma?
Emmanuel - Artífices do pensamento, que malversamos os patrimônios do espírito, rogam empecilhos cerebrais, que se façam por algum tempo alavancas coercitivas, contra as nossas tendências ao desequilíbrio intelectual.
7 - Que medidas de reabilitação rogam os artistas que corromperam a inteligência?
Emmanuel - Artistas, que intoxicamos a sensibilidade alheia com os abusos da representação viciosa, imploramos moléstias ou mutilações, que nos incapacitem para a queda em novas culpas.
8 - Que emendas solicitam os oradores e pessoas que influenciaram negativamente pela palavra?
Emmanuel - Tarefeiros da palavra, que nos prevalecemos dela para caluniar ou para ferir, solicitamos as deficiências dos aparelhos vocais e auditivos, que nos garantam a segregação providencial.
9 - Que providências retificadoras pedem para si próprios, aqueles que abraçaram graves compromissos do sexo?
Emmanuel - Criaturas dotadas de harmonia orgânica, que arremessamos os valores do sexo ao terreno das paixões aviltantes, enlouquecendo corações e fomentando tragédias, suplicamos as doenças e as inibições genésicas que em nos humilhando, servem por válvulas de contenção dos nossos impulsos inferiores.
10 - Todas as enfermidades conhecidas foram solicitadas pelo Espírito do próprio enfermo, antes de renascer?
Emmanuel - Nem sempre o Espírito requisita deliberadamente determinadas enfermidades de vez que, em muitas circunstâncias quais aqueles que se verificam no suicídio ou na delinquência, caímos, de imediato, na desagregação ou na insanidade das próprias forças, lesando o corpo espiritual, o que nos constrange a renascer no berço físico, exibindo defeitos e moléstias congênitas, em aflitivos quadros expiatórios.
11 - Quais são os casos mais comuns de doenças compulsórias, impostas pela Lei Divina?
Emmanuel - Encontramos numerosos casos de doenças compulsórias, impostas pela Lei Divina, na maioria das criaturas que trazem as provações da idiotia ou da loucura, da cegueira ou da paralisia irreversíveis, ou ainda, nas crianças-problemas, cujos corpos, irremediavelmente frustrados, durante todo o curso da reencarnação, mostram-se na condição de celas regenerativas, para a internação compulsória daqueles que fizeram jus a semelhantes recursos drásticos da Lei. Justo acrescentar que todos esses companheiros, em transitórias, mas duras dificuldades, renascem na companhia daqueles mesmos amigos e familiares de outro tempo que, um dia, se cumpliciaram com eles na prática das ações reprováveis em que delinquiram.
12 - A mente invigilante pode instalar doenças no organismo? E o que pode provocar doenças de causas espirituais na vida diária?
Emmanuel - A mente é mais poderosa para instalar doenças e desarmonias do que todas as bactérias e vírus conhecidos. Necessário, pois, considerar igualmente, que desequilíbrios e moléstias surgem também da imprudência e do desmazelo, da revolta e da preguiça. Pessoas que se embriagam a ponto de arruinar a saúde; que esquecem a higiene até se tornarem presas de parasitas destruidores; que se encolerizam pelas menores razões, destrambelhando os próprios nervos; os que passam, todas as horas em redes e leitos, poltronas e janelas, sem coragem de vencer a ociosidade e o desânimo pela movimentação do trabalho, prejudicando a função dos órgãos do corpo físico, em razão da própria imobilidade, são criaturas que geram doenças para si mesmas, nas atitudes de hoje mesmo, sem qualquer ligação com causas anteriores de existências passadas.
13 - Qual a advertência de Jesus para que nos previnamos dos males do corpo e da alma?
Emmanuel - Assinalando as causas distantes e próximas das doenças de agora, destacamos o motivo por que os ensinamentos da Doutrina Espírita nos fazem considerar, com mais senso de gravidade, a advertência do Mestre: “Orai e vigiai, para não cairdes em tentação”.


Crianças Índigo e Cristal, com Divaldo Franco.


Entrevista de Divaldo Pereira Franco ao Programa Televisivo O Espiritismo Responde, da União Regional Espírita – 7ª Região, Maringá, em 21.03.2007.

1 - Espiritismo - Um de seus mais recentes livros publicados tem por título “A Nova Geração: A visão Espírita sobre as crianças índigo e cristal”. Quem são as crianças índigo e cristal? 
Divaldo Desde os anos 70, aproximadamente, psicólogos, psicoterapeutas e pedagogos começaram a notar a presença de uma geração estranha, muito peculiar.
Tratava-se de crianças rebeldes, hiperativas que foram imediatamente catalogadas como crianças patologicamente necessitadas de apoio médico. Mais tarde, com as observações de outros psicólogos chegou-se à conclusão de que se trata de uma nova geração. Uma geração espiritual e especial, para este momento de grande transição de mundo de provas e de expiações que irá alcançar o nível de mundo de regeneração.
As crianças índigo são assim chamadas porque possuem uma aura na tonalidade azul, aquela tonalidade índigo dos blue jeans (Dra. Nancy Ann Tape).
O índigo é uma planta da Índia (indigofera tinctoria), da qual se extrai essa coloração que se aplicava em calças e hoje nas roupas em geral. Essas crianças índigo sempre apresentam um comportamento sui generis.
Desde cedo demonstram estar conscientes de que pertencem a uma geração especial. São crianças portadoras de alto nível de inteligência, e que, posteriormente, foram classificadas em quatro grupos: artistas, humanistas, conceituais e interdimensionais ou transdimensionais.
As crianças cristal são aquelas que apresentam uma aura alvinitente, razão pela qual passaram a ser denominadas dessa maneira.
A partir dos anos 80, ei-las reencarnando-se em massa, o que tem exigido uma necessária mudança de padrões metodológicos na pedagogia, uma nova psicoterapia a fim de serem atendidas, desde que serão as continuadoras do desenvolvimento intelecto-moral da Humanidade. 

2 - Espiritismo  – Essas crianças não poderiam ser confundidas com as portadoras de transtornos da personalidade, de comportamento, distúrbios da atenção? Como identificá-las com segurança? 
Divaldo - Essa é uma grande dificuldade que os psicólogos têm experimentado, porque normalmente existem as crianças que são portadoras de transtornos da personalidade (DDA) e aquelas que, além dos transtornos da aprendizagem, são também hiperativas (DTAH), mas os estudiosos classificaram em 10 itens as características de uma criança índigo, assim como de uma criança cristal.
A criança índigo tem absoluta consciência daquilo que está fazendo, é rebelde por temperamento, não fica em fila, não é capaz de permanecer sentada durante um determinado período, não teme ameaças...
Não é possível com essas crianças fazermos certos tipos de chantagem. É necessário dialogar, falar com naturalidade, conviver e amá-las.
Para tanto, os especialistas elegem como métodos educacionais algumas das propostas da doutora Maria Montessori, que criou, em Roma, no ano de 1907, a sua célebre Casa dei Bambini, assim como as notáveis contribuições pedagógicas do Dr. Rudolf Steiner. Steiner é o criador da antroposofia. Ele apresentou, em Stuttgart, na Alemanha, os seus métodos pedagógicos, a partir de 1919, que foram chamados Waldorf.
A partir daquela época, os métodos Waldorf começaram a ser aplicados em diversos países. Em que consistem? Amor à criança. A criança não é um adulto em miniatura. É um ser que está sendo formado, que merece o nosso melhor carinho. A criança não é objeto de exibição, e deve ser tratada como criança. Sem pieguismo, mas também sem exigências acima do seu nível intelectual.
Então, essas crianças esperam encontrar uma visão diferenciada, porque, ao serem matriculadas em escolas convencionais, tornam-se quase insuportáveis. São tidas como DDA ou DTAH. São as crianças com déficit de atenção e hiperativas. Nesse caso, os médicos vêm recomendando, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, a Ritalina, uma droga profundamente perturbadora. É chamada a droga da obediência.
A criança fica acessível, sim, mas ela perde a espontaneidade. O seu cérebro carregado da substância química, quando essa criança atinge a adolescência, certamente irá ter necessidade de outro tipo de droga, derrapando na drogadição.
Daí é necessário muito cuidado.
Os pais, em casa (como normalmente os pais quase nunca estão em casa e suas crianças são cuidadas por pessoas remuneradas que lhes dão informações, nem sempre corretas) deverão observar a conduta dos filhos, evitar punições quando errem, ao mesmo tempo colocando limites. Qualquer tipo de agressividade torna-as rebeldes, o que pode levar algumas a se tornar criminosos seriais. Os estudos generalizados demonstram que algumas delas têm pendores artísticos especiais, enquanto outras são portadoras de grandes sentimentos humanistas, outras mais são emocionais e outras ainda são portadoras de natureza transcendental.
Aquelas transcendentais, provavelmente serão os grandes e nobres governantes da Humanidade no futuro.
As artísticas vêm trazer uma visão diferenciada a respeito do Mundo, da arte, da beleza. Qualquer tipo de punição provoca-lhes ressentimento, amargura que podem levar à violência, à perversidade. 

3 - Espiritismo  – Você se referiu às características mentais, emocionais dessas crianças. Elas têm alguma característica física própria? Você tem informação se o DNA delas é diferente? 
Divaldo - Ainda não se tem, que eu saiba, uma especificação sobre ela, no que diz respeito ao DNA, mas acredita-se que, através de gerações sucessivas, haverá uma mudança profunda nos genes, a fim de poderem ampliar o neocórtex, oferecendo-lhe mais amplas e mais complexas faculdades. Tratando-se de Espíritos de uma outra dimensão, é como se ficassem enjauladas na nossa aparelhagem cerebral, não encontrando correspondentes próprios para expressar-se. Através das gerações sucessivas, o perispírito irá modelar-lhes o cérebro, tornando-o ainda mais privilegiado.

Como o nosso cérebro de hoje é um edifício de três andares, desde a parte réptil, à mamífera e ao neocórtex que é a área superior, as emoções dessas crianças irão criar uma parte mais nobre, acredito, para propiciar-lhes a capacidade de comunicar-se psiquicamente, vivenciando a intuição.
Características físicas existem, sim, algumas. Os estudiosos especializados na área, dizem que as crianças cristal têm os olhos maiores, possuem a capacidade para observar o mundo com profundidade, dirigindo-se às pessoas com certa altivez e até com certo atrevimento...
Têm dificuldade em falar com rapidez, demorando-se para consegui-lo a partir dos 3 ou dos 4 anos. Entendemos a ocorrência, considerando-se que, vindo de uma dimensão em que a verbalização é diferente, primeiro têm que ouvir muito para criar o vocabulário e poderem comunicar-se conosco. Então, são essas observações iniciais que estão sendo debatidas pelos pedagogos. 

4 - Espiritismo  – Com que objetivo estão reencarnando na Terra? 
DivaldoAllan Kardec, com a sabedoria que lhe era peculiar, no último capítulo do livro A Gênese, refere-se à nova geração que viria de uma outra dimensão. Da mesma forma que no tempo do Pithecanthropus erectus vieram os denominados Exilados de Capela ou de onde quer que seja, porque há muita resistência de alguns estudiosos a respeito dessa tese, a verdade é que vieram muitos Espíritos de uma outra dimensão. Foram eles que produziram a grande transição, denominada por Darwin como o Elo Perdido, porque aqueles Espíritos que vieram de uma dimensão superior traziam o perispírito já formado e plasmaram, nas gerações imediatas, o nosso biótipo, o corpo, conforme o conhecemos.
Logo depois, cumprida a tarefa na Terra, retornaram aos seus lares, como diz a Bíblia, ao referir-se ao anjo que se rebelara contra Deus – Lúcifer.
Na atualidade, esses lucíferes voltaram. Somente que, neste outro grande momento, estão vindo de Alcione, uma estrela de 3ª. grandeza do grupo das plêiades, constituídas por sete estrelas, conhecidas pelos gregos, pelos chineses antigos e que fazem parte da Constelação de Touro.
Esses Espíritos vêm agora em uma missão muito diferente dos capelinos.
É claro que nem todos serão bons. Todos os índigos apresentarão altos níveis intelectuais, mas os cristais serão, ao mesmo tempo, intelectualizados e moralmente elevados. 

5 - Espiritismo Já que eles estão chegando há cerca de 20, 30 anos, nós temos aí uma juventude que já está fazendo diferença no Mundo? 
Divaldo – Acredito que sim. Podemos observar, por exemplo, e a imprensa está mostrando, nesse momento, gênios precoces, como o jovem americano Jay Greenberg considerado como o novo Mozart. Ele começou a compor aos quatro anos de idade. Aos seis anos, compôs a sua sinfonia. Já compôs cinco. Recentemente, foi acompanhar a gravação de uma das suas sinfonias pela Orquestra Sinfônica de Londres para observar se não adulteravam qualquer coisa.
O que é fascinante neste jovem, é que ele não compõe apenas a partitura central, mas todos os instrumentos, e quando lhe perguntam como é possível, ele responde: “Eu não faço nenhum esforço, está tudo na minha mente”.
Durante as aulas de matemática, ele compõe música. A matemática não lhe interessa e nem uma outra doutrina qualquer. É mais curioso ainda, quando afirma que o seu cérebro possui três canais de músicas diferentes. Ele ouve simultaneamente todas, sem nenhuma perturbação. Concluo que não é da nossa geração, mas que veio de outra dimensão.
Não somente ele, mas muitos outros, que têm chamado a atenção dos estudiosos. No México, um menino de seis anos dá aulas a professores de Medicina e assim por diante... Fora aqueles que estão perdidos no anonimato. 
6 - Espiritismo  – O que você diria aos pais que se encontram diante de filhos que apresentam essas características? 
Divaldo - Os técnicos dizem que é uma grande honra tê-los e um grande desafio, porque são crianças difíceis no tratamento diário. São afetuosas, mas tecnicamente rebeldes. Serão conquistadas pela ternura. São crianças um pouco destrutivas, mas não por perversidade, e sim por curiosidade.
Como vêm de uma dimensão onde os objetos não são familiares, quando veem alguma coisa diferente, algum objeto, arrebentam-no para poder olhar-lhes a estrutura.
São crianças que devemos educar apelando para a lógica, o bom tom. A criança deve ser orientada, esclarecida, repetidas vezes.
Voltarmos aos dias da educação doméstica, quando nossas mães nos colocavam no colo, falavam conosco, ensinavam-nos a orar, orientavam-nos nas boas maneiras, nas técnicas de uma vida saudável, nos falavam de ternura e nos tornavam o coração muito doce, são os métodos para tratar as modernas crianças, todas elas, índigo, cristal ou não. 



Entrevista de Jorge Hessen:

1 - O Codificador do Paráclito: Por que se tornou Espírita?
Jorge Hessen: Entrei no orbe espírita estimulado por incontida investigação da Verdade cristã. Como não encontrava respostas noutras doutrinas cristãs busquei o Espiritismo e ele a tudo me respondeu.
2 - O Codificador do ParáclitoO que lhe mais lhe impressionou na Doutrina Espírita?
Jorge Hessen: Desde a primeira hora, fiquei maravilhado com a cautela, o bom senso, a habilidade de síntese e o acervo cultural de Allan Kardec. Procurei conhecer a biografia do professor Rivail. Percebi que estava diante de um gênio. Seu labor se consubstanciou na Terceira Revelação e obviamente isso foi fundamental para inspirar a minha paixão pelo Espiritismo.
3 - O Codificador do Paráclito:  O que sobressai na mensagem espírita?
Jorge Hessen: O Espiritismo é o Consolador Prometido que desvenda conceitos surpreendentes sobre Deus, o Universo, os homens, a natureza e comunicação dos “mortos” com os “vivos”, a pluralidade dos mundos habitados, a reencarnação e as leis naturais que regem a vida. A Terceira Revelação acena-nos ainda com o soberano apelo para compreendermos e refletir sobre o que somos, de onde viemos, para onde vamos, qual o objetivo da nossa existência e qual a razão da dor e do sofrimento.
4 - O Codificador do Paráclito:  Quais foram os momentos que marcaram sua experiência doutrinária?
Jorge Hessen:  Nesse absorvente rumo muitas vezes esbarro com as lágrimas, reflexas e resultantes da ignorância e truculência do homem hodierno; doutros momentos deparo em mim mesmo o ânimo do regozijo em razão dos grandes exemplos de amor, humildade e abnegação que identificamos  aqui e além no coração do próximo.
5 - O Codificador do Paráclito:    O que é a Terceira Revelação para você?
Jorge Hessen:  É Ciência porque se consubstancia num conjunto reunido de informações concernentes a certas classes de eventos ou fenômenos transcendes avaliados experimentalmente, relacionados e descritos por Kardec e outros pesquisadores de renome, representado principalmente pelas obras básicas. É Filosofia sem tanger necessariamente o contexto filosófico tradicional (materialista), embora de cunho evolucionista e metafísico, pontua a necessidade de o homem ir em busca de seu auto burilamento, estimulando-o à averiguação de respostas às questões magnas da Humanidade: sua natureza, sua origem e destinação, seu papel perante a Vida e o Universo tendo como bandeira o axioma: “nascer, viver, morrer e renascer de novo, progredindo sempre, tal é a lei. ”É, por fim e sobretudo  Religião, porque propõe unir os povos em um ideal de fraternidade, preconizado pelo Evangelho de Jesus, permitido, dessa forma, que o homem se encontre com o próprio Criador, tendo como bandeira o lema:  “fora da caridade não há salvação.”
6 - O Codificador do Paráclito:  O Espiritismo precisa ser atualizado sob o ponto de vista científico?
Jorge Hessen: Fundamentalmente é importante ressaltarmos que o Espiritismo não tem incondicional necessidade da ciência terrena, pois como nos adverte Emmanuel na primeira questão da obra O Consolador: “Essa necessidade de modo algum pode ser absoluta. O concurso científico é sempre útil, quando oriundo da consciência esclarecida e da sinceridade do coração. Importa considerar, todavia, que a ciência do mundo se não deseja continuar no papel de comparsa da tirania e da destruição, tem absoluta necessidade do Espiritismo, cuja finalidade divina é a iluminação dos sentimentos, na sagrada melhoria das características morais do homem.”  Eis aí o meu pensamento.
7 - O Codificador do Paráclito:  Qual é a sua mensagem àqueles que incorrem ao fanatismo religioso espírita?
Jorge Hessen: O espírita sincero precisa compenetrar-se da oportunidade, no tempo e no ambiente, com relação aos assuntos doutrinários no seu tríplice aspecto, porquanto, qualquer inconsideração nesse particular, pode conduzir a fanatismo abominável, sem nenhum caráter construtivo.
Herculano Pires já advertia sobre o igrejismo que assolava as hostes espíritas. Entendo que a FEB é roustanguista , por impor nos seus Estatutos o Parágrafo único , item III , Art. 1º  que “além das obras básicas a que se refere o inciso I, o estudo e a difusão compreenderão, também, a obra de J.-B. Roustaing e outras subsidiárias e complementares da Doutrina Espírita.” Desta forma,  o louvor das obras de Roustaing na FEB tem pervertido a racionalidade espírita no Brasil. Desconheço espíritas  mais maníacos do que os roustanguistas.
Pelo exposto, entendo que no Brasil seja imprescindível a criação URGENTE de uma Confederação Espírita (longe de Roustaing), a fim de unir concreta e racionalmente os corações dos espíritas em torno do eminente Kardec, considerando sempre o Espiritismo em seu tríplice aspecto. Para esse desígnio compete aos atuais jovens espíritas e as lideranças contemporâneas se movimentarem a fim de concretizarem tal projeto.
8 - O Codificador do Paráclito Deveria ser acelerada a propagação do Espiritismo pelo mundo?
Jorge Hessen: Não deve ser apressada a expansão e a propaganda espírita. Não há necessidade imediata. A organização do Espiritismo está nas mãos de Jesus, antes de qualquer esforço incerto e volúvel de nossa parte. É imprescindível estudarmos e aplicarmos os ensinamentos do Mestre à luz do Espiritismo, pois nossa tarefa maior deve ser da própria iluminação através de uma fé racional, inabalável e serena. Ademais, devemos oferecer aos serviços da propaganda doutrinária a cota de tempo de que possamos dispor, entre os trabalhos diário do ganha pão e o cumprimento dos deveres familiares. Para Emmanuel,  a execução dessas obrigações é sagrada e urge não cair no declive das situações parasitárias, ou do fanatismo religioso.
No trabalho da propaganda da verdade, Jesus caminha antes de qualquer esforço humano e ninguém deve guardar a pretensão de converter alguém, quando nas tarefas do mundo há sempre oportunidade para o preciso conhecimento de si mesmo.
9 - O Codificador do Paráclito: Suas considerações finais?
Jorge Hessen: Espíritas!  Em favor da unidade entre nós,  repudiemos os conceitos equivocados que nos dividem, a exemplo do misticismo roustanguista febiano, por exemplo,  e esquadrinhando em Allan Kardec a segura orientação doutrinária para melhor compreendermos Jesus.
 

O MUNDO DE REGENERAÇÃO QUE VIRÁ (Richard Simonetti)


PerguntaEstamos vivendo a transição do mundo atual (prova e expiações) para o mundo de regeneração. O que é este mundo de regeneração? Como poderíamos definir a diferença entre Mundo de Provas e Expiações, estágio atual da Terra, e Mundo de Regeneração, o próximo estágio?
Resposta - Mal comparando, diríamos que nos Mundos de Provas e Expiações o egoísmo predominante, resquício da animalidade primitiva, é o elemento gerador de todos os males. No Mundo de Regeneração, consciências despertas para esse problema estarão empenhadas em superá-lo.

Pergunta – Então no Mundo de Regeneração ainda prevalece o mal?
Resposta - Prevalece a consciência de que é preciso vencê-lo com o empenho do Bem. Equivale a dizer que o mal nesses planetas não tem receptividade nos corações e tende a desaparecer.

Pergunta – Fala-se que a promoção de nosso planeta para Mundo de Regeneração ocorrerá neste milênio, provavelmente nos próximos séculos. Não estamos diante de um otimismo ingênuo, considerando os graves problemas humanos, envolvendo crimes, guerras, vícios, violência urbana, terrorismo, a evidenciar que a maldade ainda impera?
Resposta - Há muita gente envolvida com o mal, por ignorância. Estes serão renovados no desdobramento de suas experiências, particularmente com a mestra dor, em reencarnações regeneradoras. O problema está naqueles que constituem uma minoria barulhenta, com o mal entranhado em seus corações. Esses serão expurgados, quando chegar a hora.

Pergunta – Tipo Bin Laden?
Resposta - Sim, todos aqueles que se comprazem com a violência, o vício, o crime, sem a mínima sensibilidade em relação aos males que causam, aos sofrimentos que impõem aos seus irmãos.

Pergunta – Para onde irão os Espíritos degredados?
Resposta - Provavelmente para Mundos Primitivos, em posição inferior à Terra, conforme a escala apresentada por Kardec, em O Evangelho segundo o Espiritismo.

Pergunta – Isso não contraria o princípio doutrinário de que o Espírito pode estacionar, mas jamais retrograda?
Resposta - Um homem civilizado condenado a viver entre aborígines não sofre nenhuma perda em relação à sua inteligência, cultura e conhecimentos, que, inclusive lhe serão úteis na nova situação, embora as limitações a que estará sujeito. O mesmo acontece com o Espírito degredado em planeta inferior.

Pergunta – Não irá um Espírito intelectualmente evoluído, mas moralmente atrasado, causar embaraços aos habitantes desse mundo?
Resposta - Não tanto quanto os benefícios que essa convivência ensejará. Os degredados estarão mais ou menos no mesmo estágio moral, mas superiores no estágio intelectual, favorecendo o progresso de seus hospedeiros, em cujo seio reencarnarão.

Pergunta – E ficarão para sempre por lá?
Resposta - Segundo Emmanuel, somos todos tutelados do Cristo, o governador espiritual de nosso planeta, compondo uma imensa família, de perto de vinte e cinco bilhões de Espíritos. Natural, portanto, que após superarem sua rebeldia e resgatarem seus débitos, ajustando-se às leis divinas, retornem os degredados ao convívio humano, o que poderá demandar milênios, mas forçosamente acontecerá. Como ensina Jesus, das ovelhas confiadas por Deus aos seus cuidados, nenhuma se perderá.


Questões Gerais sobre Espiritismo -  3ª Parte - Fonte: Grupo de Estudos Avançados Espíritas – GEAE
PERGUNTA - O problema da regressão e progressão de memória é brilhantemente estudado por Hermínio C. Miranda em seus livros. Como você explica os estudos de progressão feitos recentemente por cientistas americanos e suas conclusões estranhas?

RESPOSTA - Não estou suficientemente informado sobre o assunto. Sei apenas que o fenômeno é escorregadio e merece reservas, porquanto pode ocorrer que o paciente fantasie inconscientemente situações envolvendo o passado e, particularmente, o futuro.

PERGUNTA - O que garante que o Movimento Espírita não vai cometer o mesmo erro das outras religiões? Por exemplo, infelizmente muitos confrades espíritas não são capazes de defender suas convicções em relação à Doutrina sem cair no "duelo" de palavras, na deselegância e na falta de tolerância com as ideias de outras pessoas. Notar que Jesus nos pediu que amássemos os nossos inimigos e não estamos sabendo nem mesmo amar os amigos!

RESPOSTA Espero que nossos temores a esse respeito não se confirmem. Seria lamentável ver o movimento espírita dividido pela beligerância de alguns companheiros menos felizes em suas imponderadas considerações.

PERGUNTA - Sou portador de distúrbios psíquicos e nervosos de fundo mediúnico. Na Revista Espírita Allan Kardec número 11, página 32, no artigo "Formação do Expositor", diz que reencarnei com a missão de ser orador e expositor. Como fazer para cumprir essa missão? Como proceder?

RESPOSTA Desconheço o artigo em referência. Não obstante, a existência de distúrbios psíquicos e nervosos não significa o desabrochar de uma mediunidade ou a notícia de uma missão a ser cumprida no campo da oratória. Seria oportuno um longo tratamento espiritual no Centro Espírita, com o empenho de estudo da Doutrina e a participação nas suas atividades, deixando para mais tarde, em melhores condições, a identificação de uma possível tarefa desse teor.

PERGUNTA - Considerando as perguntas 346 e 346-a, de O Livro dos Espíritos, um feto pode morrer por imperfeições da matéria. Deus deu inteligência ao homem que atualmente consegue perceber no início da gestação, problemas de má formação do feto (ex. irmãos siameses, deficientes de nascença), indicando nesses casos o aborto clínico. Seria lícito um aborto num caso desses? Ou será que a pergunta 346a, só se refere às mortes naturais, ou seja, se a natureza não eliminou o feto, então o corpo (perfeito ou não) é o que o Espírito precisa?

RESPOSTA A questão está respondida em sua derradeira conjectura. Por outro lado é importante considerar que, segundo as questões 358 e 359, só numa situação é admissível o aborto: quando o médico tem que decidir entre salvar a mãe ou o filho, numa emergência. Como diz o mentor, preferível é que se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe. O existir aqui significa ter nascido.

PERGUNTA - Que pensar, sob o ponto de vista espírita, do bebê de proveta, ou seja, a fecundação em laboratório?

RESPOSTA Não há o ponto de vista estritamente doutrinário, já que Kardec não tratou do assunto na codificação. Não obstante, como ponto de vista de espírita podemos dizer que se trata de uma alternativa aceitável para mães com dificuldade de engravidar.

PERGUNTA - Nos países onde não há Centros Espíritas como são atendidas as entidades desencarnadas sofredoras, bem como os casos de obsessões?

RESPOSTA Como está claro na monumental obra de André Luiz, a Espiritualidade tem amplos recursos para cuidar de Espíritos encarnados e desencarnados, em estado de desequilíbrio. A atuação do Centro Espírita nesse particular é apenas um recurso a mais, em benefício dos Espíritos que desencarnam sem nenhum preparo para a vida espiritual.

PERGUNTA - Considerando os livros publicados sobre temas de atualidade, a luz da Doutrina Espírita, de sua autoria, gostaria de saber se o senhor tem algum estudo sobre a visita de extraterrestres a Terra. Especificamente sobre o atual caso de Varginha MG, que está nos noticiários.

RESPOSTA Acredito que sejamos constantemente visitados por Espíritos desencarnados pertencentes a outros mundos e outros sistemas solares. Quanto à visita de extraterrestres encarnados, parece-me uma possibilidade extremamente remota. Há muita fantasia em torno do assunto, muitas especulações, sem nenhum contato documentado, sem nenhuma fotografia, nenhum vestígio, nada de palpável, de autêntico. Varginha é um exemplo.

PERGUNTA - Evoluímos assim do mineral para o vegetal, animal, hominal e deste para o angelical, certo? Passamos por todas as espécies de animais? Nesta etapa de evolução (animal), estamos já nos individualizando? Quando começamos a nos tornar Espíritos individualizados?

RESPOSTA Não há uma clara definição doutrinária a respeito do assunto. Aparentemente, o princípio espiritual (embrião do Espírito), individualiza-se no reino animal. Passa, então por experiências em variadas espécies (não me parece que necessariamente por todas elas, até por que ao longo dos milênios incontáveis espécies novas surgem, incontáveis se extinguem). Segundo Emmanuel, a conquista da consciência, transformando o princípio espiritual em Espírito, não ocorre na Terra, mas em outros planos do Infinito.

PERGUNTA - Qual a posição da Doutrina Espírita em relação ao sexo antes do casamento?

RESPOSTA - A liberalidade sexual da atualidade, transformada em libertinagem sexual, revive os impulsos poligâmicos da criatura humana. Um retrocesso transitório, decorrente do fato de que nem o homem nem a mulher estão preparados para a liberdade de que desfrutam. O ideal seria o sexo ser exercitado como a culminância de um relacionamento afetivo sustentado pelo amor, dispostos ambos a assumir as responsabilidades de uma existência em comum.

PERGUNTA - Como o espírita deve encarar o casamento religioso e civil?

RESPOSTA -  O casamento civil atende às leis humanas. É o testemunho de que o homem e a mulher estão dispostos a assumir os compromissos inerentes a uma vida em comum, uma demonstração recíproca de confiança na solidez da relação. Quanto ao casamento religioso onde se destaca a figura do oficiante, é uma cerimônia exterior incompatível com os princípios espíritas. Todo ato de adoração, em que evocamos as bênçãos divinas, deve ser um ato do coração, sem intermediários. Os próprios noivos devem fazê-lo, na intimidade do lar.

PERGUNTA - Uma pessoa que não se casa tem a liberdade de manter uma vida sexualmente ativa?

RESPOSTA -  O casamento não é condição para o exercício sexual. Considere-se, entretanto, que a promiscuidade sexual, sem compromisso e sem responsabilidade, é porta aberta para excessos e viciações, desajustes e enfermidades.

PERGUNTA - Como deve ser encarada a masturbação?

RESPOSTA -  Vai longe o tempo em que se proclamava que a masturbação conduzia à loucura e ao inferno. Normal no adolescente que está descobrindo a sexualidade, frequente nos corações solitários, o problema é que ela favorece a viciação, conturbando o psiquismo do indivíduo com sensualidade exacerbada. Por outro lado compromete a sublimação das energias sexuais quando as circunstâncias nos convocam à castidade, convidando-nos a canalizá-las para as realizações mais nobres.

PERGUNTA - No Plano Espiritual os Espíritos (atrasados, medianos e adiantados), praticam o sexo, levando em consideração as instruções de André Luiz, no livro Evolução em Dois Mundos, que nos diz existirem algumas diferenças entre o corpo espiritual e o corpo físico, principalmente na região sexual e de digestão?

RESPOSTA -  As poucas informações que nos chegam da espiritualidade a respeito do assunto nos permitem conceber que os Espíritos também experimentam o orgasmo, embora não saibamos exatamente como isso ocorre ou se envolve perispiritualmente sensações semelhantes aquelas que decorrem da comunhão carnal.

PERGUNTA - Há alguma interseção entre o Espiritismo e a política? A meu ver não há uma lei moral mais perfeita do que as máximas do Cristo, mas percebo que todas as sociedades afastam-se deliberadamente delas, não havendo uma interseção mais forte entre a política social e a religião. Com um mundo tão cheio de riquezas, em que o dinheiro parece manipular todo o seu funcionamento, os governantes esquecem-se de certas leis básicas que podem desencadear vários conflitos totalmente desnecessários. Poderia o Espiritismo, com sua filosofia, inspirar um modelo social e governamental mais justo e adequado? O quão distante estamos hoje desta edificante realidade?

RESPOSTA -  O grande problema das sociedades humanas é o egoísmo, a manifestar-se nos indivíduos e nas coletividades. Todas as religiões, particularmente o Cristianismo, explicam isso. A grande vantagem do Espiritismo é que ele nos demonstra de forma clara e objetiva as consequências do comportamento egoístico, convocando-nos à edificação de uma sociedade solidária como fundamental à nossa felicidade, onde conforme ensina Jesus, o maior será sempre aquele que se fizer sinceramente servo de todos.
PERGUNTA - Muitas pessoas que conheço e que desenvolvem alguma atividade num Centro espírita dizem que isto lhes toma todo o tempo. Muitos dizem que até a família reclama devido ao fato de que essas pessoas não se lembram mais dos parentes e que estão se dedicando apenas aos trabalhos da instituição. Na sua opinião até que ponto devemos nos envolver com tarefas numa casa espírita? Eu sei que é um trabalho gratificante, mas não é por causa disso que preciso abdicar de nossas outras atividades.

RESPOSTA - Todos temos compromissos relacionados com a família, a sociedade, a profissão, a religião. Se nos dedicamos ao cumprimento de parte deles, negligenciando os demais, incorremos no erro da omissão, pelo qual teremos fatalmente que responder. Considere-se, entretanto, que a família não raro costuma exagerar a atenção de que necessita, pretendendo anular a iniciativa de um de seus membros, que está tentando cumprir seus deveres religiosos, fundamentais ao nosso equilíbrio e à edificação de uma sociedade melhor. Geralmente os familiares que mais reclamam são aqueles que não participam nem se interessam em fazer algo que transcenda o imediatismo familiar.

Fonte: Grupo de Estudos Avançados Espíritas – GEAE



Questões Gerais sobre Espiritismo -  2ª Parte - Fonte: Grupo de Estudos Avançados Espíritas – GEAE



PERGUNTA - Antes de se tentar explicar o Espiritismo pela Ciência é necessário explicar a Ciência pelo Espiritismo?

RESPOSTA - A Ciência sempre encontrará um precioso apoio na Doutrina Espírita para uma visão objetiva do Universo e da Vida. No entanto, para que isso aconteça em plenitude é necessário que seja aceita pela comunidade científica, a partir do empenho em "explicar o Espiritismo pela Ciência".

PERGUNTA - Você não acha que a nossa Casa Mater, a FEB, está omissa na questão da divulgação em massa da nossa querida Doutrina? Nossos amigos evangélicos jamais deixariam passar em branco questões caluniosas a respeito deles. No entanto, temos que conviver quase que diariamente com telejornais, programas de entrevistas e outros, onde a Doutrina Espírita é tratada como se fosse Umbanda, Mediunismo, etc. O que você pensa a respeito?

RESPOSTA -  O Espiritismo cresceu tanto no campo dos serviços prestados à coletividade, que todas as críticas por profitentes de outras religiões, envolvendo os meios de comunicação, acabam por ter feito contrário, desgastando as crenças daqueles que as emitem. Não obstante, concordo que o movimento espírita está omisso em relação às possibilidades de divulgação pela mídia. Um programa de televisão espírita de alcance nacional, organizado pelas entidades federativas com a colaboração da família espírita, convocada a contribuir para isso, teria um alcance inestimável.
PERGUNTA - Algumas vezes, em meus pensamentos sobre a existência de tudo (Deus, mundo físico, mundo espiritual e suas inter-relações), fico muito confuso de como tudo se iniciou, se Deus é o nosso criador, quem é o criador de Deus? Se tentarmos descobrir uma resposta para esta questão ficamos loucos. O que você poderia falar sobre isto? Será que não estamos preparados para a compreensão desta questão? Como nós sabemos o mundo espiritual não nos permite conhecer tudo, porque ainda não estamos em condições de compreender.

RESPOSTA -  Não estamos impedidos de divagar a respeito desse assunto, mas será perda de tempo, algo como uma criança de três anos cogitar da física quântica. Quando detivermos maturidade intelectual e espiritual, nos planos mais altos, teremos acesso a essas informações.

PERGUNTA - Faço parte de um grupo espírita no Rio de Janeiro e tenho 21 anos. Neste grupo, participo de algumas reuniões, sendo uma delas uma reunião de treinamento mediúnico. Então, lá vai minha pergunta: como não possuo potencial mediúnico desenvolvido, tenho muitas dúvidas a respeito de minhas psicografias e psicofonias. Como devo enfrentar esse problema? Continuo esse trabalho sem ter certeza de que é um espírito realmente que se comunica por meu intermédio?

RESPOSTA -  Essa é a grande dúvida do médium iniciante, que tem dificuldade para distinguir o que é dele e o que é do comunicante. Kardec recomenda, em O Livro dos Médiuns, que a melhor maneira de resolvermos a questão é pelo treinamento, exatamente o que você está fazendo. Estude, ore e confie, deixando ao tempo a definição quanto às suas potencialidades. Considere a atividade inicial um mero treinamento para o exercício mediúnico futuro.

PERGUNTA - Em relação ao livre-arbítrio, importante e fundamental à evolução humana (visto que concebemos a encarnação como primeira prova que faremos de nossa liberdade de agir, pensar e falar), gostaria de compreender melhor sobre o certo e o errado. Claro que o certo é tudo o que gera o bem, partindo do bem maior que é Jesus. Mas como medir o bem? Como trilhar o melhor caminho, se existem tantas estradas, só existe uma correta? Quando nos decidimos por um lado, sempre deixamos de vivenciar algo para viver outras situações. Como saber qual é a melhor decisão?

RESPOSTA - Em O Evangelho Segundo o Espiritismo o Espírito Verdade recomenda que nos amemos e nos instruamos. Esse é o caminho fundamental de nossa realização como filhos de Deus. Na medida em que cultivarmos os valores do conhecimento, buscando entender a vida e seus objetivos, e procurando fazer ao semelhante o bem que desejaríamos nos fosse feito, que é o amor em ação, não vacilaremos quanto ao que nos compete em qualquer setor de atividade humana.

PERGUNTA - O que poderemos fazer trabalhando na área de informática mais especificamente Internet e Telecomunicações, para desenvolvermos um trabalho assistencial, já que estamos muito isolados do humanitário?

RESPOSTA -  A divulgação das ideias espíritas constitui um precioso investimento no atendimento de uma das necessidades básicas do ser humano - o esclarecimento espiritual. Acredito que poderemos também incrementar serviços de apoio específico a pessoas necessitadas, como providenciar internação para doentes, conseguir remédio raros, reunir recursos para socorrer uma família? Lembro-me de um notável filme francês que descreve a mobilização de radioamadores em inúmeros países para conseguir um remédio para a tripulação de um barco pesqueiro que fora envenenada por comida deteriorada. Via Internet há um imenso campo a ser desenvolvido pela família espírita.

PERGUNTA - Como você vê a agressividade de muitos espíritas aos irmãos e crença que lêem livros de Roustaing, por exemplo? Não sou roustainguista. Aliás nem gosto dessa palavra, mas respeito a liberdade de cada um ler o que prefere.

RESPOSTA -  Como diz o velho ditado, "cada um dá o que tem". Há companheiros que julgam dar força aos seus argumentos usando a clava. Também não sou roustainguista e preferiria que não falassem tanto dele, como o fazem aqueles que a pretexto de esclarecer a comunidade espírita sobre uma "ameaça" que não significa nada para 99,99% dos espíritas, são seus grandes divulgadores.

PERGUNTA - Considerando as dificuldades econômico financeiras, o desemprego, que a classe média vem enfrentando, como orientar o jovem espírita para a vida (lazer, sexo, família), sem o risco da desesperança que parece contagiar a juventude? (inclusive com incidência de suicídio entre os jovens)
RESPOSTA -  O jovem espírita que comete suicídio revela total ignorância dos princípios codificados por Kardec. Um mínimo de esclarecimento a respeito das conseqüuências funestas do auto aniquilamente funciona como infalível vacina contra o suicídio. O conhecimento da Doutrina nos permite enfrentar com segurança os desafios da vida, demonstrando, sobretudo, que nossa felicidade não está subordinada à satisfação de nossos desejos. É preciso, se queremos ser felizes, que entendamos o que a vida espera de nós. Nesse particular o Espiritismo é imbatível.
PERGUNTA - Como orientar o jovem espírita que gosta e se sente bem em bares, boates, etc.?
RESPOSTA - O Espiritismo é a Doutrina da consciência livre. Não estamos impedidos de entrar em nenhum lugar. Importante saber como vamos sair. E deve o jovem espírita ter consciência de que nesses ambientes há uma pressão muito grande da espiritualidade inferior, estimulando os impulsos do sexo promíscuo, do vício e da licenciosidade. Não é fácil conservar ali a integridade espiritual. O apóstolo Paulo dizia: Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas me convém. Seria interessante pensar nisso.
PERGUNTA - Como orientar o adolescente espírita com relação ao sexo durante o namoro?
RESPOSTA -  O problema na atualidade, quanto ao namoro, é que as pessoas tendem a confundir amor com sexo. Quando se fala em amar, pensa-se em "transar". Invertem-se as posições. O grande desafio em se tratando do jovem espírita, é passar-lhe a convicção de o sexo deve ser a culminância de uma ligação afetiva, consolidada por longa convivência, jamais o seu início.
PERGUNTA - As rifas para conseguir fundos para obras de caridade são válidas ou não?
RESPOSTA -  Há um projeto de lei que visa legalizar os cassinos. Num programa de televisão, um dos debatedores dizia-se contrário aos cassinos mas favorável aos sorteios como a loteria. Explicava que os cassinos estão associados ao vício do jogo, levando muita gente a dilapidar fortunas, um verdadeiro azar na vida da pessoa, enquanto que os sorteios, como da loteria jamais fazem viciados a gastar compulsivamente seus recursos, situando-os como inocente tentativa de experimentar a sorte. Penso da mesma forma e acho um absurdo colocar uma rifa beneficente no patamar de uma indução ao vício do jogo.
PERGUNTA - O corpo de Jesus fora fluídico ou não?
RESPOSTA - No capítulo XV, de A Gênese, Allan Kardec deixa bem claro que Jesus foi um Espírito encarnado, como todos nós que mourejamos na Terra.
PERGUNTA - No livro A Gênese, uma comunicação de Galileu (segundo o médium), diz que Marte não tinha satélites. Sabemos há muito tempo que Marte tem 2 satélites (aliás isso foi descoberto poucos anos depois dessa comunicação). O médium era astrônomo e responsável pelo observatório real da França (infelizmente esqueci o nome dele). É possível que essa comunicação tenha sido um fenômeno anímico e não uma comunicação real? Se foi então ela conseguiu passar pelos cuidados de Kardec?
RESPOSTA -  O médium foi Camilo Flammarion, célebre astrônomo francês e é notável lembrar que ele tinha apenas 20 anos quando psicografou as mensagens que deram origem ao capítulo VI, de A Gênese, um dos mais importantes, denominado por Kardec "Uranografia Geral". Quanto ao equívoco sobre os satélites de Marte podemos atribuí-los à um problema de filtragem mediúnica, não detectado por Kardec, mesmo porque nada se sabia a respeito do assunto.
PERGUNTA - O uso da palavra magnetismo ainda no meio atual do movimento espírita não induz ao pseudo-cientificismo? É compreensível na época de Kardec o seu uso e o uso da ideia de eletricidade para explicar os fenômenos espíritas, inclusive porque o elétron só foi descoberto no final do século passado. Mas hoje em dia, eletricidade e magnetismo são dois conceitos bem definidos em Física. Toda vez que vejo esses termos sendo usados sem os devidos cuidados sinto que em vez de ajudar a doutrina isso pode atrapalhá-la. Por que não mudar a expressão campo magnético por campo atracional ou outra palavra qualquer?
RESPOSTA -  Confrades ligados às áreas da física, quando abordam o assunto junto aos seus pares, devem explicar essas expressões, reportando-se ao fato de que representavam um grande avanço na época em que foram utilizadas. Não podemos, entretanto, modificar os textos da codificação sob pena de cometermos adulteração. E para uso popular parece-me que a expressão magnetismo é bastante abrangente e está consagrada pelo uso.
PERGUNTA - Como explicar a comunicação da mãe do Chico sobre o planeta Marte? Ela viu o mundo espiritual daquele planeta e não o mundo dos encarnados? Então por que ela não deixou isso explícito no texto? Por que existe uma comunidade espiritual tão operante lá se não existe comunidade encarnada, ou como se explica as fotos da sonda espacial que esteve lá?
RESPOSTA -  Maria João de Deus foi uma mulher humilde, sem nenhuma cultura, que escreveu cartas a Chico reportando-se a Marte segundo sua própria ótica, sem perceber que passava a ideia de que a população de Marte fosse constituída de seres biológicos. Quando à existência de uma comunidade desencarnada em Marte, sem a correspondente encarnada, não é exceção, mas regra no Universo. A Terra é uma das exceções. A questão número 55 de O Livro dos Espíritos explica que todos os mundos são habitados. Raros tem vida biológica como nosso planeta.
nçados Espíritas – GEAE

Pergunta - A divulgação do Espiritismo, bem como de outras religiões, poderá sofrer impactos nunca vistos, com a possibilidade de uso intensivo da rede Internet em todo o mundo. Como você sugere que deveria ser a presença de nossa Doutrina na rede, se de uma maneira não articulada ou coordenada, a cargo de pessoas espíritas, engajadas no Movimento Espírita e com grande entusiasmo, porém, sem terem toda a experiência e conhecimento necessários, ou via a utilização de recursos que eventualmente pudessem ser disponibilizados pelo Movimento Espírita, através da FEB e/ou órgãos federativos, como a USERJ e USE, devidamente coordenados?
Resposta - Não podemos perder o bonde da História. Mais do que nunca o Mundo precisa do conhecimento espírita. Embora sejam respeitáveis todos os esforços isolados, é indispensável e inadiável que nossos órgãos de unificação despertem para as potencialidades das estradas de comunicação como a Internet. Tenho conversado com muita gente a respeito. A família espírita está disposta a colaborar pecuniariamente. Falta a iniciativa de nossos dirigentes, organizando-se nesse sentido.

Pergunta - Frequentemente, observamos na grande imprensa uma grande confusão de conceitos, especialmente no que tange à menção de assuntos de umbanda e/ou candomblé, como se fossem de Espiritismo. O que você sugeriria no sentido de melhor esclarecer e difundir junto à opinião pública o que é verdadeiramente o Espiritismo?

Resposta Esse trabalho de esclarecimento, feito precariamente na mídia, por companheiros eventualmente convidados, somente alcançará um patamar razoável quando criarmos nossos próprios programas de divulgação, envolvendo particularmente a televisão, o que também depende da iniciativa de nossos órgãos de unificação.

Pergunta - Sistematicamente, creio que há vários anos, o bispo católico da diocese de Novo Hamburgo, RS, D. Boaventura Kloppenburg, vem criticando os espíritas e a Doutrina Espírita, em órgãos da imprensa, tal como o Jornal do Brasil. Tenho visto, eventualmente, algumas réplicas por parte do presidente da USEERJ, Gerson Simões Monteiro, procurando esclarecer de forma precisa, em conformidade com o Espiritismo, sempre com o cuidado de não ser deselegante. Pergunto a sua opinião, se cabe, também, às pessoas espíritas redigirem cartas, contestando alguma coisa divulgada de maneira errônea na mídia, porém com o risco de que a contestação não seja formulada precisamente, dando ensejo a novas críticas de adversários do Espiritismo e aí, talvez, fundamentadas?

Resposta O citado sacerdote é um divulgador incansável da Doutrina Espírita. Desperta interesse de muita gente com suas críticas. Não há por que temer a iniciativa de confrades que manifestam sua indignação, ainda que o façam sem muita competência, ensejando tréplicas fundamentadas. É mais propaganda. A Doutrina deverá se impor, como o vem fazendo, pela sua obra social, a demonstrar a excelência de seus princípios que nos fazem mais conscientes e mais participativos na vida social.

Pergunta - O Centro Espírita é o elemento chave para o Espiritismo, onde o homem irá encontrar o amparo, o conhecimento e o trabalho, necessários ao seu aperfeiçoamento moral. No sentido de melhorar continuamente o funcionamento do Centro, verifica-se, algumas vezes, a necessidade de se ampliar o mesmo a fim de dar melhor funcionalidade às suas atividades. Esse é o caso do Centro que freqüento, onde obras estão sendo realizadas para aumentar o número de salas e melhorar os trabalhos de Evangelização Infantil, Mocidade e Atendimento Fraterno. O que sugere, sempre a luz da Doutrina Espírita, como possíveis atividades válidas para obtenção de recursos financeiros para realização desse tipo de obra? Em tempo, destaco que rifas, bingos e assemelhados não de forma alguma utilizados em nossa Casa. Para obtenção dos recursos financeiros estamos realizando eventos do tipo almoço fraterno e atividades como venda de brindes, de camisetas com motivos espíritas, e de livros espíritas, em conjunto com as doações recebidas dos sócios e frequentadores da Casa.

Resposta É preciso mobilizar recursos para fazer face aos serviços prestados pela casa espírita, particularmente assistenciais, que envolvem expressivas despesas. Não devemos solicitar donativos em nossas reuniões doutrinárias o que sugeriria cobrança por benefícios espirituais, mas mister se faz conscientizar as pessoas de que Espiritismo é trabalho, criando uma mentalidade participativa e solidária. Almoços beneficentes, tardes da Pizza, bazares, artesanato, dentre outras atividades, são excelentes iniciativas para promover a integração e confraternização dos frequentadores da Casa Espírita, além de atender às suas necessidades financeiras. Em Bauru, sob o patrocínio da USE-Bauru, há uma feira anual que reúne dezenas de entidades espíritas. Durante dois dias há venda de artesanato, lanches, salgados, livros, conservas, congelados, roupas, etc., com excelentes resultados. Também em Bauru temos uma rifa beneficente, realizada anualmente com autorização da Receita Federal, da qual participam centenas de entidades de todo o Estado de São Paulo. Não entendo a rifa como atividade perniciosa, capaz de estimular o vício do jogo, assim como não entendo os quitutes de uma promoção beneficente como algo capaz de estimular a gula, ou os bazares como estímulos ao consumismo.

Pergunta - Como você vê a questão da Transcomunicação Instrumental (TCI) no Brasil? As pesquisas são sérias, profundas e à luz da Doutrina Espírita? E no exterior?

Resposta Na questão 934, de O Livro dos Espíritos, o mentor espiritual que responde a Kardec informa que no futuro haveria meios mais diretos e mais acessíveis para a comunicação com o Espíritos. Parece-nos que esse futuro chegou, com a TCI. No Brasil conheço grupos espíritas que desenvolvem com seriedade esse trabalho. Há notícias de que o mesmo ocorre no exterior, particularmente na Europa, com um detalhe: as experiências por lá são realizadas sem vinculação com a Doutrina Espírita. Os europeus estão redescobrindo o intercâmbio com o Além graças à TCI.

Pergunta - Temos em algumas publicações espíritas, tais como Reformador e Correio Fraterno do ABC, uma certa intolerância mútua, digamos assim, quer por questões doutrinárias (Roustaing), quer por questões de forma de ação (CEPA), quer por questões de fundo econômico (edição de livros espíritas). Este tipo de conduta, com certeza, não traz benefícios ao Movimento espírita, causando uma certa confusão e perplexidade entre os espíritas. Como você vê esse tipo de comportamento, e que sugestões teria a dar para que as eventuais arestas, ora existentes, possam ser corrigidas?

Resposta Considerando que nosso mundo é a morada da opinião, é normal que tenhamos divergências, até sobre questões doutrinárias. Inaceitável, porém, tendo em vista a própria orientação da Doutrina Espírita, o clima de beligerância que se estabelece, não raro, envolvendo companheiros que confundem veemência com agressividade, ou defesa da verdade com hostilidade. A solução está em nos colocarmos sempre no lugar daqueles que criticamos, perguntando-nos como nos sentiríamos se fizessem o mesmo conosco.

Pergunta - Há pouco mais de um mês meu querido avô desencarnou e senti a necessidade de amparo espiritual naqueles momentos difíceis. Graças a Deus já havia lido o seu livro Quem Tem Medo da Morte? Na época tal publicação foi de relevada importância como guia e alívio espiritual. Gostaria de saber como posso obter informações confiáveis sobre o estado de meu avô no plano espiritual.

Resposta Chico Xavier diz que o telefone toca de lá para cá, reportando-se ao fato de que as notícias do além devem ser da iniciativa dos Espíritos. E para tanto não há a necessidade de médiuns. Frequentemente, quando é possível, entramos em contato com nossos entes queridos durante as horas de sono, guardando nítidas lembranças, na forma de sonhos.

Pergunta - Como convencer uma pessoa amiga com respeito à Doutrina Espírita?

Resposta O melhor caminho para uma iniciação é o livro espírita. Se a pessoa gosta de ler ofereça-lhe livros compatíveis com suas preferências e cultura. A literatura espírita é vastíssima e atende a todos os gostos.

Pergunta - Gostaria de obter maiores informações a respeito de como se processa o efeito das pílulas anticoncepcionais no corpo espiritual. Se verdadeira a afirmação de que estas podem vir a lesá-lo.

Resposta As consequências estão relacionadas com as motivações do usuário. Se a mulher usa pílulas porque não deve engravidar, atendendo a recomendação médica ou a ponderado planejamento familiar, não há por que preocupar-se. Se o faz porque é adepta do sexo promíscuo, costuma trair o marido e não quer complicações, certamente enfrentará problemas.

Pergunta - De que forma a vasectomia poderia afetar o perispírito quando esta for praticada somente por interesse de satisfação sexual e fuga da responsabilidade familiar?

Resposta O perispírito será afetado por desajustes nos centros genésicos, dando origem, na presente existência ou em futura, a problemas como infecções renitentes, esterilidade, impotência, câncer, prostatite?

Pergunta - Gostaria, se possível, de coletar maiores informações sobre o Espírito Ramatis e saber por quais motivos seus livros não são reconhecidos pela Federação Espírita Brasileira.

Resposta O problema de Ramatis é que nem sempre suas afirmações estão de acordo com os princípios espíritas. Representam a opinião de um Espírito, contrapondo-se ao princípio da universalidade das ideias espíritas, criteriosamente codificadas por Allan Kardec, que se serviu de vários médiuns.

Pergunta - Você acha que às vésperas do III Milênio a civilização ocidental poderia encarar o fenômeno da morte de uma forma tão tranquila quanto à oriental?

Resposta Isso acontecerá mais cedo ou mais tarde, na medida em que se difundam os princípios espíritas que, literalmente, matam a morte, oferecendo-nos uma gloriosa visão das realidades espirituais.

Pergunta - Como você classifica, num contexto de coletividade, o desencarne de seres que são, durante a vida, considerados como mitos no Brasil (ex. Senna, Mamonas Assassinas). A comoção generalizada que esses desencarnes causam no seio de nossa sociedade, tem alguma função espiritual?

Resposta Esses acontecimentos estão vinculados ao comportamento e aos problemas cármicos dos envolvidos. Não obstante sempre repercutem no seio das coletividades que, por momentos, cogitam da problemática da morte e da efemeridade da vida. Fazem as pessoas pensarem.

Pergunta - Em primeiro lugar pergunto se esse ilustre divulgador dos postulados espíritas já tem conhecimento do nosso programa mensal "Espiritismo Via Satélite", transmitido daqui de Belém ou de qualquer parte do País, para todo o Brasil e outros países onde alcança o nosso BRASILSAT, programa esse que vai contar com a sua participação num momento qualquer para conversarmos sobre as maravilhas com que você tem brindado as criaturas com os seus livros e também suas palestras.

Resposta Estive presente na sala de conferências via satélite, da Embratel, em Bauru, quando pela primeira vez um programa dessa natureza foi transmitido para todo o Brasil, partir de Belém. Não sabia da continuidade desse trabalho. Tomo conhecimento com muita satisfação. É preciso colocar o Espiritismo na mídia, para que concretize, o mais breve possível sua grandiosa missão, retirando o homem de seu milenar descaso pelos valores espirituais. Será motivo de muita satisfação para mim participar de qualquer iniciativa dessa natureza.

Pergunta - Que sugestão você tem a dar a esta questão horrível do movimento espírita brasileiro carregado de críticas e verdadeiras agressões aos companheiros da mesma crença, principalmente através da imprensa espírita, em ataques verdadeiramente violentos, àqueles irmãos que lêem os livros de J.B. Roustaing (vale salientar que não sou "roustenguista", nem qualquer outro ista). Será que não é hora dos espíritas procurarem se mirar um pouco mais no Evangelho e olharem para si mesmos, antes de tomarem iniciativas de agredirem os próprios irmãos de ideal?

Resposta Endosso em gênero e número suas palavras. Há quem entre para o Espiritismo sem que o Espiritismo entre em seu coração.



O Centro Espírita, com Orson Carrara – 2ª Parte


Pergunta - Como escritor e jornalista que é, você não acha que há muitas obras ditas psicografadas, e que esses arautos da espiritualidade, usam esse recurso muito mais para finalidades materiais, que de atendimento fraterno?
Resposta: É preciso ver antes se não são os médiuns que estão adotando esta postura. Se forem os médiuns, denota falta de estudo. Se forem dos espíritos,
demonstra ausência de critério doutrinário nos médiuns e revela conhecimento
que já temos sobre a escala espírita.
A obra literária dos espíritos visa o esclarecimento humano e para esse fim deve ser usado, apesar da questão dos custos para publicação. Esta enchente de publicações denota a valorização de fins materiais, o que contraria a finalidade primeira. 
Os Centros e clubes do livro precisam valorizar mais as obras doutrinárias do que simplesmente ficarem distribuindo romances. Estes são importantes, pois cativam, mas vez por outra a valorização de excelentes obras doutrinárias favoreceriam a formação da consciência doutrinária. Mas, respondendo diretamente a pergunta, considero que o livro cumpre muito mais a função de consolo e finalidades materiais, pois o livro espírita ensina muito.
Pergunta Porque alguns Centros Espíritas adotam o uso de roupa branca?
Resposta: Desconhecimento da Doutrina Espírita. O Espiritismo não possui
qualquer tipo de roupa especial, seja de que cor for. Isto vem de paradigmas
incompatíveis com a lógica e clareza do Espiritismo. Na prática espírita, que
sejamos naturais.
Pergunta A reunião pública, geralmente, é a porta de entrada para o iniciante na
doutrina. Qual a duração aconselhável para a exposição evangélica nestas
reuniões?
Resposta: O tempo ideal para uma preleção evangélica nas reuniões públicas deve girar entre 40 e 50minutos, tempo suficiente para o desenvolvimento de
argumentos e raciocínios. Nada impede porém que uma boa palestra ultrapasse uma hora.
Pergunta O que dizer de palestras com temas tais como: cromoterapia e descrição sobre os chacras? Ou deve-se estudar a doutrina, nestas reuniões públicas, embasados na codificação Kardequiana e obras subsidiárias, tais como as de Emmanuel e André Luiz?
Resposta: O objetivo prioritário do Centro Espírita é ensinar Espiritismo. Nesta
tarefa, vale-se também dos conhecimentos humanos. Cromoterapia está fora das
atividades do Centro Espírita, mas poderá ser abordada sim como conhecimento
humano.
No caso dos chacras, trata-se também de conhecimento científico que pode e deve ser abordado , até a título de aprofundamento do estudo. Porém, a prioridade do Centro é estudar a Doutrina e este estudo comporta área tão ampla e abrangente, que não podemos restringir a Doutrina a exclusivamente chacras ou outro tema qualquer. Estes conhecimentos podem ser obtidos em outros lugares, mesmo que não no Centro. Por isso, devemos sim em nossas reuniões estudar Kardec,  Emmanuel, André Luiz e obras subsidiárias, como programa prioritário.
Pergunta Como as técnicas de Administração modernas deve ser consideradas pelos dirigentes das casas espíritas? O centro espirita trabalha com plano
estratégico e visão de futuro?
Resposta: Como ferramentas e instrumentos para aprimoramento dos Centros. E são valiosas, mas devem merecer a absorção do fator humano, para que não
sejam frias como nas empresas. Os Centros são extensões do lar. Devem primar-se pela simplicidade e pelo acolhimento caloroso da fraternidade. Se
usarmos as técnicas de administração com a frieza que busca resultados
imediatos, estaremos descaracterizando o Centro.
O Centro deve sim trabalhar com plano estratégico e visão de futuro, visando
inclusive sua própria sobrevivência, aprimoramento das atividades e metas para
o futuro, mas repito sem a frieza dos organogramas empresariais. O fator humano
da fraternidade deve estar presente.
Pergunta Os dirigentes de casas espiritas em geral são pessoas de idade avançada. Por que não vemos um numero maior de jovens (+- 35anos) administrando os centros espiritas?
Resposta: Há um engano na pergunta. Conheço inúmeros Centros dirigidos por
gente muito jovem, altamente dinâmicos. É claro que há os casos dos chamados
"donos dos centros", idosos que não abdicam do poder... Para esses, a paciência
que recomenda o Evangelho. E há que se citar também a indiferença e omissão de
muitos jovens. Mas considero que há muita gente jovem dirigindo e muito bem
muitos centros espíritas.
Pergunta Por que existem um distanciamento entre as casas espiritas? Aonde fica a questão da UNIFICAÇÃO? O Centro espirita é realmente a célula do movimento
espírita?
Resposta: O distanciamento entre as casas espíritas é fruto das imperfeições
humanas. O Centro Espírita é realmente a célula do movimento espírita e a
unificação (ou união dos Centros) está esquecida porque equivocadamente muitos
imaginam que a função da unificação é interferir nos Centros, o que se trata de
uma inverdade.
A unificação existe para fortalecer os centros e por consequência o movimento, que vai agir e melhor atuar no estudo e divulgação espírita. Sua função é sugerir, estimular, sem nada forçar. Para exemplificar bem a questão dos prejuízos do isolamento das Casas Espíritas, peço aos leitores se recordarem de brasas de um churrasco.
Quando juntas, produzem o calor que assa a carne. Quando isoladas, apagam-se. Assim os Centros: isolados, perdem-se. Unidos, produzem muito mais. Os que se isolam, perdem o critério do conjunto e acabam desvirtuando a prática porque ficam sem referencial. É muito importante estarmos unidos para trocarmos experiências e aprendermos uns com os outros.
Eles se isolam com medo de interferências. Mas quem tem o direito de mandar em quem?  Somos criaturas livres, independentes e a Doutrina ensina como agir. Por que o medo? Por que o isolamento? Será que queremos dominar pessoas? Será que temos medo que elas cresçam? Isto é egoísmo. Temos que propiciar condições de crescimento para as criaturas. Somente na troca de experiências, isto será possível.
Pergunta Frequentei e trabalhei num Centro Espírita (no período de 1993-2000) que primava pela Pureza Doutrinária. Não estava mais concordando com  algumas atitudes do dirigente e me desliguei deste Centro. Estou procurando me sintonizar com uma Casa Espírita nas proximidades de minha casa. Entretanto
eles tem conduta diferente do local que frequentava. Os trabalhadores usam
roupas brancas. Utilizam cristais nos trabalhos de cura. Indicam o uso de sal
grosso aos assistidos. É certo isso? De acordo com esclarecimentos contidos no
Livro "Pureza Doutrinária", essas práticas não condizem com a Doutrina de Kardec. Fui convidada a trabalhar neste Centro Espírita, e sei que realmente atendem os necessitados da região, tenho receio de reiniciar um trabalho com essas dúvidas na mente.
Resposta: Os centros refletem o conhecimento de seus dirigentes.  As práticas
citadas colidem com a Doutrina. Isto não é Espiritismo. Porém, são estágios de
entendimento, úteis para essas pessoas que estão aprendendo. E veja que ajudam
os necessitados, o que lhes dá mérito, contundo ainda não se desligaram de
certas práticas incoerentes. Como a irmã já tem um critério doutrinário
formado, sugiro procurar outra Casa.
Ou ir aos poucos transmitindo as noções claras da Doutrina Espírita, convidando oradores experientes etc.   Vai ser difícil, mas tente. Porém, se a vontade de servir ao próximo for maior, a irmã poderá superar estas dificuldades e atuar ali mesmo, mesmo convivendo com essas práticas distantes. Importante é servir em nome do Cristo, mesmo que convivendo com práticas estranhas. Se conseguir conviver com isto, vá em frente. Mas lembre-se: ninguém é  obrigado a conviver com constrangimentos.
Pergunta É verdade que uma mulher quando engravida não pode mais exercer o seu trabalho no Centro Espírita?
Resposta: Por que? Ela pode exercer várias tarefas até que a gravidez lhe
permita. Não há nada que impeça a continuidade em tarefas compatíveis com o
estado de gestante. A mulher grávida fica mais sensível, etc., mas toda mulher
saberá como administrar isso.
O que é incoerente é um dirigente proibir alguém que está gravida de continuar atuando no Centro. Como sugestão, poderá abster-se da prática mediúnica durante o tempo de  gestação, mas em outras atividades, poderá atuar normalmente desde que lhe seja possível. Gravidez não é doença, é estágio normal da vida humana. Grávida no Centro, mais assistência ao bebê. Por outro lado, não se deve confundir trabalho no Centro exclusivamente com prática mediúnica. Ha tanto trabalho no Centro...
Pergunta O que você acha sobre os centros espíritas que não permitem às pessoas que façam perguntas durante as palestras? Somos apenas ouvintes. Isso é certo?
Resposta: Bom, é um critério da casa. Mas pode ser discutido pelos seus
integrantes. Apenas ouvindo, pouco aprendemos. Se a reunião específica não tem
espaço para perguntas, converse com as pessoas para criarem uma reunião ou
horário que facilite esta salutar prática da troca de ideias com perguntas e
respostas.
Pergunta Mesmo tendo trabalhado como médium passista em um centro, não consigo me encaixar em outro centro para trabalhar, pois, o mesmo não permite a entrada de pessoas de fora da "panelinha" formada. O que você acha disso?
Resposta: São as imperfeições humanas. Porém, considere que você precisa
conquistar seu espaço aos poucos. Vá devagar, mostre seu valor, trabalhe em
outras áreas, conquiste as pessoas. Chegar e querer ocupar um lugar pode
assustar o grupo que não o conhece. Eles possuem um critério e um escrúpulo que
são naturais.
Autor: Orson Carrara. Todo esse material provém dos sites: CVDEE - Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo e da Revista Eletrônica O Consolador.




O Centro Espírita, com Orson Carrara – 1ª Parte


P - Qual a sua opinião sobre a manifestação de espíritos que apresentam-se como
pretos velhos, em Centros da Doutrina Espírita?
Resposta: Os espíritos não são pretos nem velhos. Devem ser esclarecidos, mas
também respeitados na posição em que se encontram. Devemos adotar sempre uma postura que não apresente preconceitos. Se se apresentem espíritos com tais
características, devem ser atendidos, esclarecidos - repito com respeito - mas
com o cuidado de não se criar dependência de espécie alguma.

P - Fazemos distribuição de farnel. Você acha que para as pessoas cadastradas o
centro deve exigir a presença das mesmas nas reuniões, como uma forma de dar o
alimento e o esclarecimento?
Resposta: Deve convidá-las, mas nunca constrangê-las ou forçá-las. Isto é
antidoutrinário. Ao mesmo tempo, o grupo deve criar condições para que
paralelamente à distribuição, seja apresentada a proposta de Jesus, sem
qualquer atitude cerceadora da liberdade individual.

P - Passamos por dois assaltos, no local onde funcionamos, que é um bairro de
classe pobre. O que nos aconselha? Sair? Ficar? Enfrentar sem medos?
Resposta: Penso que é uma decisão do grupo, que deve discutir o que fazer.
Sair, ficar ou enfrentar será fruto de profundas reflexões, onde, seja qual for
a decisão, deverá ser respeitada.

P Como desenvolver um trabalho melhor, que motive o frequentador da Casa Espírita ao estudo da Doutrina ?
Resposta: Apresentar estudos motivadores, que despertem a vontade de vir ao
Centro para estudar. Promover eventos e encontros doutrinários. Nas reuniões
de estudo, estimular a participação de todos, ao invés da cômoda posição de "um
fala e todos escutam". Os estudos devem ser preparados de forma criativa que
envolva o público, com dinâmicas e variações na forma de apresentar  o estudo.
Ao mesmo tempo, implantar na Casa o CLUBE DO LIVRO ESPÍRITA, comentar as
publicações (jornais e revistas) e distribuí-las inclusive estimulando
assinaturas. Em tudo, é preciso estímulo permanente.

P - Você poderia fornecer alguma indicação sobre como deva ser o funcionamento,
montagem, trabalhos, etc., de um Centro Espírita? Ou algum site ou obra que
forneça esta orientação?
Resposta: O Centro Espírita deve funcionar como autêntico representante da
Doutrina Espírita e para isto deverá basear suas atividades na Codificação
de Allan Kardec. O primeiro passo é instituir reuniões de estudo das obras
básicas da Codificação, em dias e horários pré-estabelecidos, mantendo-se a
constância e perseverança. As demais atividades virão por consequência do
estudo. Não tenho conhecimento sobre sites que esclareçam a respeito. Porém,
nada melhor que trocar ideias com pessoas habituadas, idôneas e conhecedoras da Doutrina Espírita.

P  - Há uma corrente que vem levantando a necessidade do uso também no Centro
Espírita da utilização do conceito de Qualidade Total, dos 5 (cinco) S. Qual a
posição do Senhor quanto a isto?
Resposta: O Centro Espírita e sua administração devem aprimorar suas atividades
de maneira contínua e permanente. Tudo para que ele seja fiel à Doutrina,
coerente em suas atividades, agradável para o público e trabalhadores. Porém, a
aplicação dos conceitos citados, embora valorosos, parece-me trocar o essencial
pelo acessório. O essencial no Centro é estudar e divulgar a Doutrina. Se
ficarmos excessivamente preocupados em aplicar aqueles conceitos, estaremos
perdendo precioso tempo que poderia ser aplicado no estudo doutrinário e que em
primeira consequência por si só já traria qualidade aos trabalhos e atividades.
As dificuldades, desvios surgem mais por falta de estudo que por organização interna. O Centro deve ser acolhedor, simples, sem desprezar é claro as modernas técnicas de administração - que devem sim ser utilizadas pelos Diretores e grupos – mas não da forma como são aplicadas nas empresas: de forma autoritária,
obrigatória, impositiva. Isto fere o caráter familiar do Centro Espírita. As
experiências que vi e vivi em empresa que trabalhei foram frustrantes, mera
perda de tempo. O dirigente e/ ou grupo diretor devem se esmerar na organização
dos trabalhos, mas evitar a introdução de modismos imediatistas.

P - Quais as atitudes mais práticas e recomendáveis aos dirigentes e trabalhadores
dos Centros Espíritas dentro do lema espírita "sem caridade não há salvação",
de modo a que a doutrina chegue aos leigos sem criar impactos e/ou paradigmas
que os afastem ao invés de aproximá-los?
Resposta: Apresentar a Doutrina como ela é: simples, lógica, coerente, lúcida.
Divulgá-la por todos os meios possíveis e usar as reuniões doutrinárias, os
programas de rádio/tv  ou colunas de jornais para esclarecer os fundamentos
doutrinários. Os impactos e/ou paradigmas que afastam ao invés de aproximar
pessoas provem muito mais da ignorância doutrinária daqueles que apresentam a
Doutrina de maneira distorcida. Uma forma prática é a implantação do CLUBE DO LIVRO ou a realização da FEIRA DO LIVRO, pois ambas colocam a Doutrina de encontro ao povo, de maneira direta e clara.

P - Apesar da existência da FEB (Federação Espírita Brasileira) e outras
organizações criadas por trabalhadores do bem e da verdade, visando a união dos
que professam a Doutrina Espírita, algumas casas ainda vivem isoladas e sob o
personalismo dos seus dirigentes. Na sua visão o que poderia, independente do
personalismo que possa advir dos dirigentes, ser feito dentro dos Centros
Espíritas para que a fraternidade, a união prevaleça aos interesses pessoais?

Resposta: Viver o Evangelho. Em outras palavras, transformar o Centro numa
extensão do lar. As dificuldades de relacionamento são advindas das
imperfeições humanas. O grupo diretivo do Centro e/ou reuniões deve envidar
esforços para que o ambiente do Centro seja natural, acolhedor e proporcione
bem estar aos seus integrantes. Vejo absurdos de Centros que proíbem
manifestações de alegria no encontro de pessoas. Como pode isso?
    Em outros casos, disputas de poder, melindres e tudo mais.   
Em termos práticos, o Centro deve criar espaços ou horários para que as
pessoas estejam juntas, conversem, sem o compromisso doutrinário, pois é comum
chegarem em cima da hora e saírem em correria ao término da reunião. Que
busque-se, então, horários diferentes de fraternidade, como almoços, trabalhos
outros que aproximem os espíritas.

P - Qual a visão da Doutrina Espírita em relação ao Centro Espírita Virtual?
Resposta: Mais uma opção de divulgação e expansão do pensamento espírita, com o cuidado porém de manutenção da qualidade e fidelidade doutrinária. Através dos sites, muitas pessoas buscam o conhecimento. Temos que oferecer o que temos de melhor: o conhecimento espírita.

P - O Centro Espírita que trabalho pretende criar um trabalho de Desobssessão. Como devemos proceder? Podemos criar este trabalho sem a orientação dos espíritos?
Resposta: Uma reunião de desobsessão é algo muito sério, que exige muita
responsabilidade e conhecimento. Estudem bastante e não tenham pressa. Juntem
pessoas amigas, que estimam estar juntas e que desejem verdadeiramente estudar
e trabalhar nesta seara. Não tenham pressa, gradativamente as orientações
virão. Mas não pode ser algo improvisado, sem sequência. Há que haver muita
responsabilidade e repito conhecimento de causa. Como sempre, fica a
recomendação do estudo das obras de Allan Kardec. Mas notem, acima citei:
pessoas que estimam estarem juntas e que desejem verdadeiramente estudar e
trabalhar nesta seara.

P - Orson, sabemos que você é de família espírita e atua na doutrina como dirigente unificacionista, além das atividades normais no centro espirita. Na sua opinião, por que a USE adotou essa atitude dogmática de cunho sacerdótico, chamando para si todos os participantes das casas espíritas, como se ela fosse uma sé espirita? Como a USE pretende resolver a questão da FEB em relação ao
Roustanguismo?

Resposta: Não concordo com a colocação. A USE não possui função dogmática de
cunho sacerdótico. A USE  coordena esforços para aprimoramento do Movimento
Espírita. Na pergunta, você diz que sou de família espírita e atuo como
dirigente unificacionista. É verdade! Desde pequeno, percebi a importância dos
órgãos de unificação espírita e jamais me senti pressionado ou conduzido pela
USE. A Casa a que me vinculo sempre foi respeitada em sua autonomia, bem como o órgão regional que presido. A USE sugere, estimula, mas jamais interfere. Se
isto acontece ou aconteceu é por postura equivocada de dirigentes ou
supostamente dirigidos.
A Doutrina Espírita é uma doutrina de liberdade, tanto individual como coletiva
(casas e órgãos). Existem decisões tomadas nas reuniões e quem estava lá e concordou não tem o que discutir. Quem estava ausente, não tem como
argumentar. Porém, é importante que se diga: são decisões do conjunto de
pessoas (proveniente de diversas regiões e sociedades) e visam sim o bem do
movimento espírita. Não entendo as posturas anti-USE, já que sua função é
estimular o movimento...
Quanto à questão USE/FEB/ROUSTANGUISMO, não entendo a preocupação. Há tanto que estudar em Kardec e tanto o que se fazer pela Doutrina, que não vejo razões para perder tempo com isso. O roustanguismo é problema da FEB: ela que resolva. A USE não tem nada com isso. E interessante, pergunto: quem conhece Roustang? Fica-se batendo numa tecla esquecida e isto faz lembrar.
Vamos estudar nosso Kardec, divulgar o movimento e viver o entusiasmo de nossa
Doutrina, que aí sim está o Espiritismo.


Questões Gerais sobre Espiritismo - Autor: Richard Simonetti

São quase 50 perguntas e esta é a razão de dividirmos a Entrevista em cinco partes

  Fonte: Grupo de Estudos Avançados Espíritas – GEAE, ano 1996





Questões Gerais sobre Espiritismo - Autor: Richard Simonetti - 5ª Parte


35 - Que pensar, sob o ponto de vista espírita, do bebê de proveta, ou seja, a fecundação em laboratório?
Resposta Não há o ponto de vista estritamente doutrinário, já que Kardec não tratou do assunto na codificação. Não obstante, como ponto de vista de espírita podemos dizer que se trata de uma alternativa aceitável para mães com dificuldade de engravidar.

36 - Nos países onde não há Centros Espíritas como são atendidas as entidades desencarnadas sofredoras, bem como os casos de obsessões?
Resposta Como está claro na monumental obra de André Luiz, a Espiritualidade tem amplos recursos para cuidar de Espíritos encarnados e desencarnados, em estado de desequilíbrio. A atuação do Centro Espírita nesse particular é apenas um recurso a mais, em benefício dos Espíritos que desencarnam sem nenhum preparo para a vida espiritual.

37 - Considerando os livros publicados sobre temas de atualidade, a luz da Doutrina Espírita, de sua autoria, gostaria de saber se o senhor tem algum estudo sobre a visita de extraterrestres a Terra. Especificamente sobre o atual caso de Varginha MG, que está nos noticiários.
Resposta Acredito que sejamos constantemente visitados por Espíritos desencarnados pertencentes a outros mundos e outros sistemas solares. Quanto à visita de extraterrestres encarnados, parece-me uma possibilidade extremamente remota. Há muita fantasia em torno do assunto, muitas especulações, sem nenhum contato documentado, sem nenhuma fotografia, nenhum vestígio, nada de palpável, de autêntico. Varginha é um exemplo.

38 - Evoluímos assim do mineral para o vegetal, animal, hominal e deste para o angelical, certo? Passamos por todas as espécies de animais? Nesta etapa de evolução (animal), estamos já nos individualizando? Quando começamos a nos tornar Espíritos individualizados?
Resposta Não há uma clara definição doutrinária a respeito do assunto. Aparentemente, o princípio espiritual (embrião do Espírito), individualiza-se no reino animal. Passa, então por experiências em variadas espécies (não me parece que necessariamente por todas elas, até por que ao longo dos milênios incontáveis espécies novas surgem, incontáveis se extinguem). Segundo Emmanuel, a conquista da consciência, transformando o princípio espiritual em Espírito, não ocorre na Terra, mas em outros planos do Infinito.

39 - Qual a posição da Doutrina Espírita em relação ao sexo antes do casamento?
Resposta A liberalidade sexual da atualidade, transformada em libertinagem sexual, revive os impulsos poligâmicos da criatura humana. Um retrocesso transitório, decorrente do fato de que nem o homem nem a mulher estão preparados para a liberdade de que desfrutam. O ideal seria o sexo ser exercitado como a culminância de um relacionamento afetivo sustentado pelo amor, dispostos ambos a assumir as responsabilidades de uma existência em comum.

40 - Como o espírita deve encarar o casamento religioso e civil?
Resposta O casamento civil atende às leis humanas. É o testemunho de que o homem e a mulher estão dispostos a assumir os compromissos inerentes a uma vida em comum, uma demonstração recíproca de confiança na solidez da relação. Quanto ao casamento religioso onde se destaca a figura do oficiante, é uma cerimônia exterior incompatível com os princípios espíritas. Todo ato de adoração, em que evocamos as bênçãos divinas, deve ser um ato do coração, sem intermediários. Os próprios noivos devem fazê-lo, na intimidade do lar.

41 - Uma pessoa que não se casa tem a liberdade de manter uma vida sexualmente ativa?
Resposta O casamento não é condição para o exercício sexual. Considere-se, entretanto, que a promiscuidade sexual, sem compromisso e sem responsabilidade, é porta aberta para excessos e viciações, desajustes e enfermidades.

42 - Como deve ser encarada a masturbação?
Resposta Vai longe o tempo em que se proclamava que a masturbação conduzia à loucura e ao inferno. Normal no adolescente que está descobrindo a sexualidade, freqüente nos corações solitários, o problema é que ela favorece a viciação, conturbando o psiquismo do indivíduo com sensualidade exacerbada. Por outro lado compromete a sublimação das energias sexuais quando as circunstâncias nos convocam à castidade, convidando-nos a canalizá-las para as realizações mais nobres.

43 - No Plano Espiritual os Espíritos (atrasados, medianos e adiantados), praticam o sexo, levando em consideração as instruções de André Luiz, no livro Evolução em Dois Mundos, que nos diz existirem algumas diferenças entre o corpo espiritual e o corpo físico, principalmente na região sexual e de digestão?
Resposta As poucas informações que nos chegam da espiritualidade a respeito do assunto nos permitem conceber que os Espíritos também experimentam o orgasmo, embora não saibamos exatamente como isso ocorre ou se envolve perispiritualmente sensações semel

















6 comentários:

  1. Muito bom conhecer o ponto de vista de tão nobre colaborador do Espiritismo! Oportunidade excelente para comparar interpretações, ampliando horizontes. Parabéns, Bruno.

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  2. Muito bom conhecer o ponto de vista de tão nobre colaborador do Espiritismo! Oportunidade excelente para comparar interpretações, ampliando horizontes. Parabéns, Bruno.

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Olá
    Caros Amigos....
    Grande entrevista de Jorge Hessen...
    Na atualidade ele é um dos diferenciais dentro da Doutrina Espírita na atualidade...
    Lutemos amigos!!! Contra os que querem mudar os Postulados Espíritas...
    E este site esta de parabéns...Por trazer personagens de vulto dentro do Espiritismo...
    Fiquem com Deus
    Irmãos W
    www.autoresespiritasclassicos.com

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  4. Concordo plenamente, meu caro amigo Wanderlei e agradeço pelas generosas palavras referentes ao nosso blog. Gde abraço!

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